Ali vai a
manada de homens a fingir que não sabe de quê, com um chefe que ninguém identifica.
Gonçalo M.
Tavares, in animalescos
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foto: partiuintercambio.org
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1. O
semanário Expresso (Economia) publicava
um destes dias (15.03.28) uma peça jornalística fundamental para se perceber
(melhor) realidades que vão passando no e pelo mundo do jornalismo. É um
trabalho de Adriano Nobre. Onde se pode ler que “vêm aí regras para os jornalistas
nas redes sociais”. Passando a pente mais ou menos fino os dias que se
vivem nos e pelos profissionais da comunicação, os jornalistas em particular.
Diz-nos
Adriano Nobre que jornais como o Diário de
Noticias ou Expresso ou
televisões como a SIC e TVI “discutem os primeiros códigos de conduta para regular a
atividade dos seus jornalistas”. É uma discussão interessante, mas não se
poderá dizer fundamental. Desde logo, porque há (será que devia haver?) quem
afirme que o que o cidadão que é jornalista, quando escreve nas redes sociais,
é o que escreve no órgão social. Uma treta! Mas respeito imenso os jornalistas
que há muito deixaram de emitir opinião na rede, limitando-se a linkar os seus
trabalhos publicados nos órgãos onde trabalham.
Grande dúvida:
O que é pessoal e o que é profissional tem mesmo que ser balizado? Um bom
profissional sabe separar claramente a sua ação, mas estarão todos os
jornalistas interessados nessa separação?
2. O debate
sobre ética jornalista sempre foi atual, por isso, ele nunca acaba. Terá
nuances? É natural. Ainda bem! No jornalismo, e nos dias que correm ainda mais
– leia-se esta afirmação de Mário Zambujal (E, 15.03.14), “há 49 ou 50 anos o
jornalismo não estava enfiado no universo dos mercados. O jornalismo não era
uma mercadoria” – importa ser jornalista. Sem mais comentários. Em suma, o bom
senso e a ética são a única regra a ter em conta, digo eu.
3. Da
reportagem do semanário Expresso ressalta
a opinião dos responsáveis pela imprensa portuguesa. Desses destaco duas
afirmações: “é inevitável que os jornalistas expressem a sua opinião. O bom senso e
as regras tácitas definem o jogo”, afirma Bárbara Reis, diretora do
jornal Público.
Já Sofia
Branco, presidente do sindicato dos
jornalistas, não tem dúvidas: “a haver regras, elas devem resultar da
autorregulação, decidida pelos conselhos de redação com as direções de
informação”.
4. Confesso
que depois do que li na peça jornalística do semanário Expresso considero fundamental vincar estas palavras de David
Pontes, no editorial do Jornal de
Noticias (15.03.28): “com tinta ou com pixéis, a missão do
jornalismo como pilar da democracia continua bem presente e a minha crença, a
minha fé, é que, para lá de todos os sobressaltos, os cidadãos tenham consciência
de que uma imprensa livre é um bem essencial pelo qual vale a pena pagar, na
qual vale a pena acreditar”.