quinta-feira, 30 de abril de 2015

Creio em quê? Está tanto frio

Não tardará a fadiga da alma.
De tanto olhar, tanto
olhar
Eugénio de Andrade, in Rente ao dizer
A cada dia que passa, pelo menos três pessoas põem termo à vida em Portugal, elevando os óbitos por suicídio para mais do dobro das mortes ocorridas na estrada, escreve a jornalista Dina Margato no Jornal de Noticias (15.04.25).
Na peça três vidas perdidas por suicídio a cada dia, destaco a afirmação do psiquiatra no hospital S. João, Porto, Miguel Bragança: o problema do Alentejo é que não tem médicos.
Hoje não me apetece falar de mais dores em Portugal. Espero, espero mesmo, que mais lá para o final do ano, os portugueses ponham ordem na casa.

Ainda há elefantes na sala?

Lancei ao mar um madeiro
Espetei-lhe um pau e um lençol
António Gedeão, in Poemas escolhidos
Rio Ave, em S. João de Ponte
O Plano de ação sobre o rio Ave é um bom documento; um texto construído com inteligência. Um olhar bem mais claro sobre “as descargas, sempre negligentes”, no rio Ave.
Este texto abre janelas sobre uma realidade que deve preocupar os vimaranenses, não fecha nenhuma porta da discussão e reflexão e é capaz de caraterizar muito bem a realidade rio Ave. Enquadra de forma correta o que se fez e faz na região, uma região vestida de uma “forte componente industrial” e “agrícola e pecuária caraterizada essencialmente pelo minifúndio” que esteve demasiado tempo “de costas voltadas para a sua maior riqueza, a água”.
O Plano de Ação para o combate à “poluição no rio Ave, através de uma ação eficiente e concertada das entidades competentes e com um ação vigilante e consequente de todos”, tem, infelizmente, um pormenor que não faz dele um plano quase perfeito: é muito institucional. Esquece quem conhece – não apenas agora que está na moda – as realidades. Sei muito bem que o seu principal autor consultou muita gente; conversou com quem sabe o que é a poluição na região, mas era importante, pelo menos citar, entidades que fazem do dia-a-dia a sua ação. Não; não é só os cidadãos que “devem assumir uma atitude cívica perante o ambiente, de respeito perante a sociedade e de solidariedade perante os outros”! claro que é muito importante, mas há associações, sei lá!, tipo Quercus (Braga), Ave (Guimarães) ou ADAPTA (Trofa) que vivem de perto realidades para além das luzes da ribalta.
Fora isso o documento, pelas pistas (que nos trazem aos dias de hoje) e pelos caminhos (que nos levarão, estou certo!, ao futuro) é um bom documento. E tem uma vantagem que não é como nos textos oficiais de entidades públicas; aponta as dores, mostra remédios e indica como as operações têm que ser feitas; no sítio certo.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Pode ser um problema irreparável

Acolhe-me
Nessa tua imensa verdade
Marta Duque Vaz, in Aclive
Rio Ave, em Brito
Logo no início de abril, e pela mão dos deputados Helena Pinto e Luís Fazenda, o Bloco de Esquerda perguntou ao governo de Portugal – mais concretamente ao famalicense ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva –, como se passaram vinte anos de despoluição da bacia hidrográfica do Ave.
No rol de cinco questões contempladas na pergunta 1341/XXII interroga-se (no número 3.) “como estão a funcionar as infraestruturas já construídas, nomeadamente em termos de taxa a de ligação".
É uma pergunta que outros deviam fazer. Ainda que em fóruns mais próximos.
No resto, o documento dirigido à presidente da Assembleia da República é oportuníssimo.
Devia obrigar a outras perguntas a que insiste em dizer que o Ave só se faz de poluição; a montante das Taipas.
E, sim, é verdade! O combate à poluição no rio Ave “exige a participação de todos”.

Poeira para os olhos

Dentro da capoeira de onde virá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Devagar; muito devagar, ainda mais devagar, assim devagarinho para todos percebermos: “as câmaras defendem agilização laboral mas não praticam”?
Ainda mais devagar: “a facilitação das condições de trabalho para quem tem filhos, de forma a conciliar a atividade laboral com a família, é a medida mais defendida pelos municípios portugueses para incentivar a natalidade”.
Só que esta medida é “precisamente”, pelo menos até aqui, “menos posta em prática pelos municípios”.
Francamente!
Que mania dos municípios dizerem que são melhores que o governo que mata o país e os cidadãos!
Ah! Aposto que, não tarda, algum político de algibeira porá em causa a tese de doutoramento em sociologia de Fernando Cabodeira, investigador da Universidade do Minho.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Já acabamos; de joelhos

Agarramo-nos à nossa verdade é como passar a noite numa discoteca e fazer o consumo mínimo.
Carmo Afonso, E, 15.04.01
Rio Ave, em Caldas das Taipas
O Bloco de Esquerda (BE) já perguntou ao governo do senhor Pedro Coelho o que o seu governo e do senhor Paulo Portas tem a dizer sobre as “descargas ilegais de efluentes industriais e domésticas” que vem sendo registadas na bacia do rio Ave.
Não imagino, sequer, se o governo dará alguma resposta, mas se o fizer o BE que tire o cavalinho da chuva: a resposta para Guimarães sobre “descargas ilegais de efluentes industriais e domésticas” começará com duas perguntas: onde? e o que é isso?
Ah!, senhores do Bloco: se quiserem uma resposta vão ter que a procurar na gaveta do PSD do local.
Não?
O governo nunca responde a Guimarães; manda os senhores laranja de cá dizerem umas coisas. Sempre longe da realidade, mas manda.
E eles dizem. Convencidos que defendem os vimaranenses.

Herói da derrota

Descobri que uma coisa que me contaram a vida inteira era uma enorme mentira; que eu fazia parte de única espécie racional do mundo.
Sebastião Salgado, E, 15.03.28
Já todos tínhamos reparado que Mota Soares (e seus pares) quer dar (ainda mais) poder às (a certas) IPSS. Nem é preciso sair de Guimarães para entender na perfeição o que os responsáveis da Segurança Social pretendem. Aliás, basta subir uma rua antiga da urbe vimaranense em direção ao centro para tudo ficar clarinho; clarinho. Como os fretes para certos encamisados; de preferência com batina a preceito!
Como se isso não bastasse eis que agora o senhor ministro da mota quer que estas instituições privadas sejam ‘donas’ das comissões de protecção de crianças e jovens.
Mais uma porta aberta para certos (por que raio será que são sempre os mesmos?) poderosos fazerem a caridadezinha de outros tempos! Sim, mesmo a bater no peito; depois de sabe-se lá o quê!

Apesar de Mota Soares não ser o ministro das Instituições de Solidariedade Social (IPSS), como muito bem lembrou há dias, na Assembleia da República, Mariana Aiveca, deputada do Bloco de Esquerda, temo mais este golpe de misericórdia no estado social; perpetrado por um governo que para além da parvoíce da deriva, tem a sebenta toda sublinhada no que concerne às destruições que ainda faltam. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Olhar do silêncio

A realidade desmentiu a análise politica. Mesmo com eleições por perto, PSD, CDS e PS conseguem fazer consenso. Sobre o que interessa? Não sobre o que lhes interessa.

João Garcia, Expresso, 15.04.25

Continuar em estado de negação

A palavra “mudança” em Portugal aparece muito quando é preciso fazer umas coisas para poder ficar tudo na mesma.
Carmo Afonso, E, 15.04.11
Faltam 22 juízes desembargadores no Tribunal da Relação de Guimarães.
Ui! Tanta gente!
E gente boa, claro!

Quem desabafa esta dor é António Ribeiro, o juiz desembargador que preside aquele Tribunal.
Ah! Para que fique bem claro tudo isto, importa dizer (dizer não) vincar que por aquele Tribunal, ali na zona histórica da cidade de Guimarães, passam (e são analisados) processos das comarcas de Braga, Bragança, Viana do Castelo e Vila Real. Tanta gente!

Haverá, com toda a certeza, imensos comentários a fazer sobre esta estapafúrdia e triste realidade que afeta a vida do Tribunal. Por mim limito-me a registar o óbvio: com a mania de poupar e inventar poupanças como a senhora ministra insiste, só pode estar a querer apagar a importância que Guimarães tem. Também na Justiça.

domingo, 26 de abril de 2015

Deitado dentro de uma água transparente

E se fosse possível parar o tempo?
   O homem pega num cigarro. E antes de o levar à boca cruza os olhares sobre o horizonte. Depois deixa que os seus olhos sigam as esculturas voláteis que vão saindo do fumo.

O calor da sala e o cheiro intensamente forte a flores dão um ar pesadão ao final de tarde. A sala é cada vez mais pequena para tanta gente à tua volta.
         Olha! Vai rezar o terço!
É estranho como se entra na sala, de ânimo-leve, e se quebra o silêncio e as intimidades das pessoas.
 A mulher tem uma voz estúpida. Forte. Até agressiva. Está a debitar palavras à velocidade da cera fedorenta que inunda pestilenta a sala. Não pode estar a sentir o que está a dizer. Não pode ser! Tem um terço na mão.

     (E se fosse possível parar o tempo? Estou mesmo a ver que nos próximos minutos não poderei prestar-te atenção. Durante largos momentos ficarás só; tenho pena de ti. Sabes que eu acho que as pessoas rezam orações deste tipo; lengalenga, para fazerem de conta de enganam os espíritos? Olha bem: já vistes que enquanto se passam os dedos pelas bolinhas todas presas e a dizer sempre, sempre as mesmas palavras a um ritmo que se aproxima do ridículo que é a indiferença com que se vive, se esquecem os problemas do dia-a-dia? Vêm para aqui para te esquecer. Para adiar todos os problemas. E decisões. E soluções. Mas tu não queres saber nada disso por agora, pois não? e fazes bem. Porque agora estás a borrifar-te para tudo.)

A claridade que havia ainda há pouco tempo lá fora já começou a desaparecer e tu já nem te apercebes. Como é troglodita esta vida!, não achas? Não é só o sofrimento que nos encomenda os sentires, é o prazer que – confirma-se agora nesta sala pesada – apenas serve para nos iludir. E criar a ideia de que valia mesmo a pena crescer mais um bocado para além dos instantes com que fomos fazendo em cada crescimento.

       Aquele teu amigo de tantas caminhadas pega num cigarro. Pronto a deixar os seus olhos seguindo as esculturas voláteis que vão saindo do seu fumo. Tem os ouvidos mais calmos.
Vais esperar por ele?

sábado, 25 de abril de 2015

Realidades por explicar

O documento [Uma Década para Portugal] contaria tudo, ou quase tudo, aquilo que António Costa tem dito sobre a origem da crise, não coincide no balanço do actual Governo e projeta um futuro bem mais problemático do que aquilo que o líder socialista gostaria.
Luís Marques, Expresso (Economia), 15.04.25

Uma pista para se entender

Grande parte das ideias do documento [que servirá de inspiração para a elaboração do programa do PS], sobretudo as relacionadas com o mercado de trabalho, vem dos trabalhos e dos livros de Mário Centeno, um economistas que veio de Harvard com ideias liberais.
Pedro Sousa Carvalho, Público, 15.04.24

Cunho de um tempo

Por detrás das árvores não se escondem faunos, não.
Por detrás das árvores escondem-se os soldados
Com granadas na mão
António Gedeão, in Poemas escolhidos
Aquela amostra do que poderá ser uma acção governativa do PS do senhor António Costa em Portugal – pelos vistos, tudo coisas que “seguem em muito a troika e as politicas do actual governo” – é só mais uma acha na fogueira do descrédito dos cidadãos nos atuais partidos políticos em Portugal.

Depois ainda há quem se espante com o crescimento dos “grupos marginais” de partidos. Ou de partidos ‘marginais’. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

olhar do silêncio

Os mesmos políticos que agora querem converter-se em editores por interposto órgão, a tal comissão mista, são os mesmos que todos os dias enchem a televisão, rádios e alguns jornais com espaços de debate que tantas vezes apenas interessam aos próprios e só aumentam o ruído.
Editorial, Diário de Noticias, 15.04.24

Parvoíces à portuguesa

O inimigo é sempre inventado, construído. Precisamos dele para definir a nossa identidade.
Umberto Eco, E, 15.04.18
E pronto! Lá se foi uma semana de paragem na minha agitação diária. Paragem simpaticamente retemperadora.
Foi bom, muito bom! Infelizmente nem tudo são boas notícias.
E então no meu país que amanhã celebra 41 anos sobre o fim de uma ditadura e de uma censura parva, estúpida, cega e castradora! Faz doer a memória, a integridade e a vontade de permanecer neste Portugal cada vez mais só para alguns.
Clarifiquemos então de que falo, quando falo da dor que percorre as veias da minha dignidade:
PSD, PS e CDS querem obrigar os media a apresentar planos de cobertura de campanhas eleitorais a uma comissão mista. Há sanções pesadas para quem não cumprir, leio no jornal Público de hoje.

Não, não se pode ficar em casa; em permanência.
Apaixonamo-nos por novelas enquanto almoçamos. E este país não tem atores de jeito.

domingo, 19 de abril de 2015

basta de saudade

quem está farto da minha cidade enche-se
de mim, há sempre lugar para acreditar
(é a paixão que me faz voltar à noite; sempre)

nas palavras. terreno minado; espaço
de entendimento da infelicidade. saber e não saber
colocar nas palavras a ideia cria uma linha
sobre a cidade
(simples, não é? é a paixão que me faz voltar à noite; sempre)

a bordo da distância que foge da cidade nós
e a nostalgia dos tempos que nunca foram e as pessoas
o tempo a estoirar nas nossas mãos
quantos lugares cabem dentro dos teus olhos?

quem está farto da minha cidade enche-se
de mim, há sempre lugar para acreditar. e o tempo
que não passa por ti!
(é a paixão que me faz voltar à noite; sempre)

quem está saciado conhece todos os meandros: trevas
para os silêncios. pão e lágrimas. deitado na cama serena
vejo o universo encantado adormeço. silêncio
na minha cidade; palavras em linha.

sábado, 18 de abril de 2015

Lista com comida

Dessa que a mão compõe a sintaxe dos botões
luzindo Que passando lhes trava o nome do mundo crescia tanto.
Herberto Helder, in Do Mundo
E o que é que a cidade tem?
O centro histórico do berço da nação é o 4º favorito na lista de lugares da UNESCO, segundo escreve Sara Raquel Silva no Dica da semana de 15.04.16
Gosto – já sabia, aliás –, desta notícia. Percebo que a sua inclusão num espaço comercial permite chegar a muitos públicos, mas dá cá um prurido! Sei lá, do tipo: posso ver um chouriço nas paredes da rua de Santa Maria ou o pão de marmelos estava frio; dependurado naquelas paredes frias do centro histórico?

Contra o esquecimento

Que ele se erga
um hóspede de pedra
numa terra inóspita
Charles Tomiliuson, in Poemas
O presidente da câmara municipal de Guimarães diz estar disponível para “trabalhar com um conjunto de municípios do norte de Portugal na tentativa de reivindicar à ANA o pagamento da mesma taxa turística que aquela operadora concorda pagara ao município lisboeta”.
Será que chega só disponibilidade?
O exemplo vindo da capital obriga a um norte mais unido contra certas motivações centralistas (e dominadoras).

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Não pode haver heróis da derrota

Um maluco autodidata ficou maluco sem a ajuda de ninguém, nenhum inimigo, nenhum amante, nenhuma escola de fazer amantes.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto: transartists.org
O presidente da câmara de Vila Nova de Famalicão quer que “os famalicenses tenham a oportunidade de se realizar profissionalmente em todas as áreas”.
Foi no dia nacional da juventude que o presidente da autarquia famalicense, eleito pelo PSD, anunciou a criação de um gabinete de indústrias criativas, pelos vistos “uma notícia bem recebida junto dos universitários bolseiros”; diz alguma imprensa da cidade dormitório, a jusante de Guimarães.
Esta notícia, se calhar, até passou ao lado dos vimaranenses, mas não podia, nem devia. No mínimo, obriga (devia) a pensar.
Por cá, pelo burgo afonsino, terá que se dizer que parece já nada resistir dos bons exemplos criativos que já fizeram diferença? Só pode ser impressão minha!
Em Braga, já moram alguns saídos de terras afonsinas.

Território da experiência

Um calendário na mão e tenta orientar-te e não é essa a forma, não é esse o entendimento.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Amanhã não poderei, com o imensa pena, estar presente na sessão – ali mais abaixo, no laboratório da paisagem – da apresentação do programa preliminarecovia de Guimarães” e do “plano de ação da promoção da bicicleta” no concelho de Guimarães.
Pela novidade, pela vontade mudança de mentalidades e pela coragem de ser e fazer diferente não poderia deixar passar em claro esta iniciativa com o dedo do vereador Amadeu Portilha, confesso que fico com pena. Conforma-me saber que os utilizadores da bicicleta estarão em peso. É que é a primeira vez que poderão ouvir (e sentir) o que sempre almejaram para o seu território.
Assim, não duvido que a ecovia de Guimarães será um “projeto emblemático e estruturante na construção de um novo nível de exigência para consolidar o estatuto de Guimarães como cidade de excelência”.
Em suma, enaltecendo a decisão da autarquia vimaranense, não posso deixar de endereçar parabéns ao Alcino Casimiro, primeiro presidente da Ave; lembro muito bem da apresentação da sua ideia da ciclovia em Guimarães há uns anos atrás.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

História verdadeira

A vida é uma luta de todos contra todos.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
As fases finais concentradas dos campeonatos nacionais universitários (CNU 2015) trarão até Guimarães cerca de 2.300 jovens universitários de todos o país.
Excelente!
Passando ao lado da qualidade – indiscutível – das instalações desportivas que povoam o território vimaranense, importa, fundamentalmente, registar o facto notável de que tal só é possível, porque há, em Guimarães, espaços. De qualidade.
Ah!, por via de algumas dúvidas que possam surgir ali de uns certos espaços da praça mais central – contra o sol ou do lado da sombra –, registo (com prazer) as palavras do vice-presidente da câmara de Guimarães, Amadeu Portilha, na conferência de imprensa de apresentação destes campeonatos: [Guimarães e Braga] “são duas cidades vizinhas, duas cidades que querem fazer destes os melhores CNU”.

Nota de rodapé: os jogos em Guimarães terão lugar em sítios como a UM, em Azurém, Taipas (pavilhão co CART), e, claro!, a cidade desportiva. É muita fruta!
A sombra, no Toural, já nem as bandeiras agita. 

Palavras fortes, belas; com ironia

Existem muitos autarcas e candidatos a autarcas que gostam de encher a boca com a palavra “estratégia” para adjetivarem positivamente as suas intervenções; é que assim influenciam o entendimento que os ouvintes devem ter do seu discurso.
Manuel Ribeiro, Reflexo, abril 2015

Ao ler esta prosa forte, intensa e extraordinariamente próxima de chegar às proximidades de perfeição (lembro que – em ano da luz – é importante olhar para Vladimir Naboskov: “o lenço baloiça sobre o abismo, e o senso diz-nos que a nossa existência não é mais que um breve espasmo de luz entre duas eternidades de escuridão”) – sinto uma vontade intensamente profunda de escrever que nem todos os candidatos a autarcas (ou autarcas) sabem o que é “estratégia”, mas não digo.
Digo, apenas, que não falta quem goste de saltar da cadeira no meio do povo para dizer que sabe falar. E fala, fala, e fala e nada diz. O povo baixa a cabeça e pergunta: quem é este artista? E mexe-se na cadeira. Muda o cotovelo e volta a dormir.
Ah! Estamos no ano da luz!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Boas novas além da dança de cadeiras loucas

O lema que hoje mais requere definição de um espirito é o de criador de indiferenças.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
No mar bravio, frio e agitado, cada vez mais à deriva, como é o país de Barreiras, Soares, Portas, Passos e Cavacos vão surgindo noticias que nos fazem acreditar que o futuro pode ser um pouco menos violento do que o desenhado por estes senhores; noticias que nos garantem que amanhã estará alguém à nossa espera para nos (tentar) ajudar a viver com mais dignidade.
Reparemos nesta; tão simples: a associação de Psicologia da universidade do Minho deverá (arrisco escrever: será) uma (muito boa) realidade a breve prazo. Quem o diz é a presidente da Escola de Psicologia da UM, Isabel Soares.
Primeira constatação: a câmara de Guimarães – que é (será) um dos parceiros da associação – já disponibilizou espaço no seu centro, para instalar a APSI.
Segunda constatação: Guimarães, como sempre, continua atenta a quem pode arriscar precisar de ajuda por culpa dos Barreiras, Soares, Portas, Passos e Cavacos, ao mesmo tempo que está atenta (não, não me enganei na repetição; o pleonasmo existe em português; para reforçar a força das ideias) a quem “pode prestar serviço à comunidade do município vimaranense”.
Terceira constatação: os vimaranenses só podem agradecer a quem ajuda a ultrapassar as dores que Barreiras, Soares, Portas, Passos e Cavacos causam.

Olhar do silêncio III

Gravura: libertarianismo.org
A grande questão que hoje nos conforta é a de saber se a democracia conseguirá sobreviver – enquanto garantia da conciliação da liberdade e da igualdade como direitos universais – àquela “diversidade quase atroz” de que testemunha o narrador fictício da “Lotaria na Babilónia” – o conto admirável de Jorge Luís Borges.
Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 15.04.09

terça-feira, 14 de abril de 2015

Rajada de palavras

A crítica é saudável e ajuda a que as coisas tenham uma existência.
Rui Massena, E, 15.02.22

A comissão permanente do caminho cultural do Atlântico vai promover, ao longo do ano em curso – já estamos no quarto mês do ano da graça de 2015, para quem não tenha reparado! –, “encontros profissionais de setores culturais e identificar programas de ajuda europeia a fim de conseguir financiamento”.
Caramba! Ainda não estão identificados os programas? E, quiçá, as ações…
Os profissionais do setor cultural sabem muito bem de que falam, o que fazer e o que querem; caramba!

Será por isso que nalguns municípios (antes, grande referências da ação cultural) a oferta e a qualidade culturais caem a pique?

Colossal falhanço

As avós são presidentes da república e as mães primeiros-ministros.
Carmo Afonso, E, 15.04.11
1. Na sua habitual coluna semanal no Expresso, Pedro Santos Guerreiro é um fenómeno. De popularidade. De bem escrever. De antecipar o futuro. De dizer o que cada um de nós gostaria, mas não faz. Por falta de espaço; por medo das palavras ou simplesmente por causa disso; das palavras.
É obrigatório em Portugal, um país que ruma ao precipício e que de lá não sairá tão cedo, ler o jornalista que transitou de antigo diretor do Jornal de Negócios.
No último sábado Santos Guerreiro mata, de vez, o futuro do PS. Por isso, também, é obrigatório lê-lo. Vamos então devagarinho.

2. “Foi o PS que matou Sampaio da Nóvoa”, começa por escrever Pedro Santos Guerreiro. Para de seguida, e muito bem e com muita classe, não mostrar medo das palavras: “o problema não é haver Nóvoa e não haver Guterres, o problema é o PS”.
Que mais se poderá dizer? Por mim, assino por baixo, lamentando a estapafúrdia estratégia do senhor António Costa.

3. Então o PS vai morrer?
Não, não vai!, mas matará quem o quer matar.
Depois das próximas eleições – até lá confirmaremos como António Costa não só não presta, como é um político saído das punhaladas de quem mata por dentro para dizer que existe e nem sabe porque existe –, o PS em Portugal será aquilo que foi, mas já não é. Infelizmente!

4. Pedindo desculpa por esta derivação (no ponto 3.) importa voltar ao texto de Pedro Santos Guerreiro: “quando toda a gente de fora podia estar a olhar para a subida do desemprego e toda a gente de dentro poderia amolar facas para a sucessão, é para o PS que se olha e do PS que se fala – do que o PS faz e como o PS se desfaz”.

Olhar do silêncio II

gravura:elo.com.br
A escolha de um dos garantes da democracia [presidente da República] parece agora ficar à mercê dos que melhor souberem utilizar e manipular os media.
João Adelino Faria, Dinheiro Vivo, 15.04.11

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Problema de protagonismo

Há uma erudição do conhecimento, que é propriamente o que se chama erudição e há uma erudição do entendimento, que é o que se chama cultura. Mas há também uma erudição da sensibilidade.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: cm-guimaraes.pt
Diz José Bastos que a orquestra de Guimarãesconstitui um bom exemplo da estratégia da autarquia no incentivo à criação artística”. E que ela é também “uma resposta para um conjunto de jovens talentos das várias escolas de música da região”.
Estou completamente de acordo com o vereador da cultura na autarquia vimaranense; é fundamental que exista no território vimaranense uma estrutura que potencie o talento dos jovens.
Estou também certo que o vereador José Bastos está de acordo comigo se eu escrever que nós vimaranenses já devíamos saber quais são as outras possibilidades para ‘ocupar’ outros jovens com talento; e há-os muito bons noutras áreas musicais (e não só).
Sim, eu sei!, vai acontecer um dia, quando as bandas de garagem tiverem o seu espaço…
Sim, eu sei, no verão e em Barco, já se vai vendo algo…

O passado sempre foi um filão para vontades atávicas

A História nega coisas certas. Há períodos de ordem em que tudo é vil e períodos de desordem em que tudo é alto. As decadências são férteis em virilidade mental; as épocas de força em fraqueza de espírito.
Fernando Pessoas, in Livro do Desassossego
Há uma entrevista, de Valdemar Cruz (Expresso, 15.04.03) a Anselmo Borges que importa reter e, porque não?, guardar junto ao missal sempre exposto sobre certos altares da celebração. Pelos sinais de preocupação em relação a uma igreja que “precisa de estruturas mais democráticas e mais participadas”, mas, fundamentalmente, pela forma direta como o professor de filosofia põe o dedo numa ferida sempre por cicatrizar: “estamos habituados a ler a história como a história dos vencedores. É preciso lê-la no seu reverso, que é a história dos ofendidos, dos colonizados, das mulheres”.

E ler (ou escutar) o padre Anselmo Borges é ter os olhos sempre abertos para as dores do dia-a-dia; sempre direcionados para quem tem responsabilidades na sua igreja: “não percebo como é que num tempo de crise, em que há gente a passar muito mal, em vez de andar à procura da canonizar este e aquele, não se canoniza o padre Américo, que é o exemplo vivo do evangelho junto dos mais pobres”.
E, diz este professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que “quem tomou conta do mundo já não é o Deus do amor, mas o ídolo do dinheiro”. Ninguém acredita, claro! Que o bom do padre Américo não é santo por causa disso. Era o que faltava!
Ah! A admiração de Anselmo Borges pelo atual líder dos católicos não deixa dúvidas: “o papa Francisco dizia que a igreja, na sua história, está cheia de fragilidades. Diria de crimes, inclusivamente”. É verdade, não é?

É sempre bom sentir olhares refrescantes do lado de onde nem sempre os ventos são os melhores para quem se sente cansado dos horrores que matam os dias.

Olhar do silêncio

foto: odisseiasnosmares.com
O país parece uma barca a meter água. E a inclinar-se para o litoral. Para dentro é o deserto. Falham os empregos. Fecham os cafés. As escolas estão sem almas, os médicos arrepiam caminho. Tira-se água com um balde, a ver se o barco aguenta.
Domingos Andrade, Jornal de Noticias, 15.04.11

domingo, 12 de abril de 2015

De volta à origem

Ouço (mesmo junto à surdez dos meus ouvidos); por aqui, uma voz dizendo-me que somos confinados a ir além da natureza. Será?
Ao que me diz esta voz melodiosa, mas de timbre de mel forasteiro nenhum ser humano esquece o momento em que perde o pai; não acredito que pudesse ser de outra forma! Recordarei sempre o momento em que, com o corpo já irrespirável, encontrei o meu pai de saída. Foi ingrato! Era mesmo final de dia; um dia diferente que me tinha colocado na caminhada violenta que (todos) sabíamos onde levava.
Senti diferenças; dificuldades, muito ruido respiratório. Mas – raio de calendário! –, mesmo depois de um feriado é preciso voltar a casa. Mais uma noite pela frente. Junto de outros corpos quase moribundos. E a merda do telefone! Eu chorava.

Fomos. De volta à (minha) terra natal. Abrimos a porta – tão depressa que a abrimos!, afinal as raízes são já ali!, foda-se…
Antes; pouco tempo antes, tinha olhado o horizonte, a noite a crescer e o vazio engolidor do dia a devorar outros olhares, evasivos, sem vigor.

O que se passou naquele princípio de noite em que atendi o telefonema (há muito já marcado) foi mesmo o dia que morri.
O corpo gasto pela doença. Segui-o! No início, era uma pintura – pintava tudo; tudo. Aproveitei, depois, a explosão de pinceladas e tentei seguir a arte campestre. A arte urbana – naquela noite – nada me deu. Havia, que bom!, a simplicidade da natureza.

O meu pai? Então aquele quadro ali mais acima, no campo – a agra antes intensa que morre agora!? Os verdes e as novidades já não o são? Vicissitudes não há.

A terra; a nossa terra continua a engolir-nos. E a chamar.

Existem oportunidades *

Pior que ser lento é só conseguir andar em linha reta.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Parece que a realização de um rali em Guimarães é uma grande solução para o sossego citadino.
Não, não, não estou a brincar.
Na sexta à noite fugi do barulho dos motores aqui ao lado do multiusos, passei pelo Toural sem trânsito e mergulhei no miolo urbano e caminhei pelo centro histórico.
Que silêncio!
Que calma!
Que paz!
* Guimarães haverá de ser uma cidade verde.

sábado, 11 de abril de 2015

Contra o esquecimento

Não pode haver equilíbrio físico num espaço em que todas as coisas são medidas em dinheiro.
José Pires da Cruz, 2, 15.03.08
foto: sol.pt
Finalmente! A GNR de Lordelo vai ter uma casa; nova.
Boa Miguel Larangeiro!
Anabela Rodrigues percebeu que existem “deficientes condições” onde os homens da Guarda estão e reconheceu o “deficiente estado de conservação”, bem como a falta de espaço para coisas tão naturais para “atendimento” e “apoio à vítima”.
Espera-se, agora, que a senhora ministra da Administração Interna não se esqueça da resposta que deu ao deputado vimaranense e não deixe seguir para as calendas gregas  as palavras feitas promessa.

Olhar (local) do silêncio V

Este é um dos tais assuntos que nunca irá merecer unanimidade. São muitos os interesses envolvidos e nem sempre se está a falar da mesma coisa. Dificilmente teremos em simultâneo uma ligação ao Avepark e uma requalificação da estrada nacional 101 até Caldas das Taipas.
Alfredo Oliveira, editorial, Reflexo de abril 2015

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Credibilidade com rosto

Ali vai a manada de homens a fingir que não sabe de quê, com um chefe que ninguém identifica.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto: partiuintercambio.org
1. O semanário Expresso (Economia) publicava um destes dias (15.03.28) uma peça jornalística fundamental para se perceber (melhor) realidades que vão passando no e pelo mundo do jornalismo. É um trabalho de Adriano Nobre. Onde se pode ler que “vêm aí regras para os jornalistas nas redes sociais”. Passando a pente mais ou menos fino os dias que se vivem nos e pelos profissionais da comunicação, os jornalistas em particular.
Diz-nos Adriano Nobre que jornais como o Diário de Noticias ou Expresso ou televisões como a SIC e TVI “discutem os primeiros códigos de conduta para regular a atividade dos seus jornalistas”. É uma discussão interessante, mas não se poderá dizer fundamental. Desde logo, porque há (será que devia haver?) quem afirme que o que o cidadão que é jornalista, quando escreve nas redes sociais, é o que escreve no órgão social. Uma treta! Mas respeito imenso os jornalistas que há muito deixaram de emitir opinião na rede, limitando-se a linkar os seus trabalhos publicados nos órgãos onde trabalham.
Grande dúvida: O que é pessoal e o que é profissional tem mesmo que ser balizado? Um bom profissional sabe separar claramente a sua ação, mas estarão todos os jornalistas interessados nessa separação?

2. O debate sobre ética jornalista sempre foi atual, por isso, ele nunca acaba. Terá nuances? É natural. Ainda bem! No jornalismo, e nos dias que correm ainda mais – leia-se esta afirmação de Mário Zambujal (E, 15.03.14), “há 49 ou 50 anos o jornalismo não estava enfiado no universo dos mercados. O jornalismo não era uma mercadoria” – importa ser jornalista. Sem mais comentários. Em suma, o bom senso e a ética são a única regra a ter em conta, digo eu.

3. Da reportagem do semanário Expresso ressalta a opinião dos responsáveis pela imprensa portuguesa. Desses destaco duas afirmações: “é inevitável que os jornalistas expressem a sua opinião. O bom senso e as regras tácitas definem o jogo”, afirma Bárbara Reis, diretora do jornal Público.
Já Sofia Branco, presidente do sindicato dos jornalistas, não tem dúvidas: “a haver regras, elas devem resultar da autorregulação, decidida pelos conselhos de redação com as direções de informação”.


4. Confesso que depois do que li na peça jornalística do semanário Expresso considero fundamental vincar estas palavras de David Pontes, no editorial do Jornal de Noticias (15.03.28): “com tinta ou com pixéis, a missão do jornalismo como pilar da democracia continua bem presente e a minha crença, a minha fé, é que, para lá de todos os sobressaltos, os cidadãos tenham consciência de que uma imprensa livre é um bem essencial pelo qual vale a pena pagar, na qual vale a pena acreditar”.

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...