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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Rua de desgostos

Contemplo
O meu lixo
Casimiro de Brito, in Subitamente o silêncio

Leio um título – recorrente; diga-se –, numa certa imprensa (Guimarães atrai cada vez mais turistas) e olho para o meu último sábado passado ali no Campo da Feira (já tinha saudades, caramba!, vivi ali trinta anos). Adorei a esplanada, como sempre, mas fiquei com pouca vontade voltar lá, para ficar na esplanada.
Porquê?
Ora!, para além do cheiro a cozinha dos autocarros (ditos) citadinos, o barulho, o fedor a gasóleo queimado pelos autocarros à espera de grupos (quase tudo gente idosa, não sei porquê) de pessoas – feitos cordeirinhos controlados, desde lá de cima da colina sagrada – por placas sempre em riste com as numerações e palavras muito altas dos donos das ditas –, sítio onde foram largados para descer no tal percurso ‘histórico’ – para entrarem nos autocarros, já fumegando à sua espera, para irem almoçar a Braga; até ouvi o nome de um dos restaurantes e tudo, mas não faço publicidade a quem não é de cá.
Que mania de nos tentarem dizer que Guimarães atrai cada vez mais turistas estrangeiros!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Refúgio da demência

Um hospital constrói-se em poucos meses, se necessário, deus é grande, os lobos são muitos, os médicos assobiam e cantam para esquecer o medo e talvez venha ajuda do céu.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
A comissão de utentes do hospital de Guimarães não para a sua contenda para que a assembleia da República revogue a Portaria 82/2014.
Sim! Aquela estapafúrdia portaria que mata o centro hospitalar do Ave, em Guimarães.
Ah! Dizem os senhores que compõem aquela comissão de utentes que querem sensibilizar as pessoas – vimaranenses ou não – que são potenciais utentes daquele hospital para a gravidade das consequências para Guimarães com a aplicação da tal portaria pirata. Como, aliás, bem sabemos todos nós vimaranenses que ainda há pouco tempo assinamos uma petição nesse sentido. Apagada da memória parlamentar portuguesa por quem está a leste do que se passa em terras de D. Afonso.
Como adoraria ver publicada (que é como quem diz) tornada pública – com coragem e dignidade – a posição do PSD e do CDS locais; e claro!, do diretor do hospital que ganha prémios por diminuir custos à custa das dores das pessoas e do massacre dos profissionais de saúde.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Por enquanto é tempo

O que é da água extraio, guardo
Ainda que o venha a entregar.
Walt Whitman, in Cálamo
Nota de abertura: a ribeira que atravessa a horta pedagógica em Creixomil não é só a ribeira de Couros, como temos a mania de a descrever; ela faz-se também, por exemplo, da ribeira de Santa Luzia. E, mas a jusante – em frente à nova horta –, da ribeira de Urgeses. Quem passa pelo interior daquele espaço de excelência na área do ambiente vimaranense sabe muito bem que há vários canais que o atravessam.

1. Feita está introdução importa dizer que na última quinta-feira, pelo menos entre as 19H30 e as 19H37 (enquanto eu, de fato de treino em punho, matava a agitação do dia e corria por entre os pequenos talhões lindos de que se faz a horta) senti um fedor tremendo a petróleo. Há quem lhe chame solventes ou pasta industrial; para o meu nariz já aliviado dos cheiros do dia, aquilo não oferecia dúvidas: era uma descarga industrial com fortíssima carga poluente. Não tenho receio em afirmar que o que corria – saindo do canal mesmo junto à casa de madeira que serve de apoio aos colaboradores municipais que ali trabalham – em direcção ao Selho era uma descarga de empresa têxtil que tem uma estamparia no seu processo produtivo.

2. O cheiro na Horta Pedagógica era catastrófico. Aquilo que percorria o canal que desemboca no Couros era assustador; quase fantasmagórico (pela cor). Como a foto documenta (peço desculpa pela qualidade da fotografia que ilustra o que venho descrevendo, mas não costumo fazer as minhas corridas de máquina fotográfica na mão). Mesmo assim a foto fala por si.

3. Tenho muita pena de Amadeu Portilha e daquela que é uma das suas grandes apostas pessoais e politicas para Guimarães. Por mais que o vereador com responsabilidades na área do Ambiente na câmara de Guimarães se empenhe para que Guimarães seja uma cidade verde, há alguém que faz tudo para matar o seu trabalho e empenho. Por mais que o vereador Portilha lute para que a cidade-berço receba o título de capital verde, sempre há um arista destruidor do ambiente que gosta de pintar as ribeiras de cores e odores que não servem o futuro. Por mais que Guimarães se queira afirmar sempre há engenhosos destruidores da afirmação de um território de futuro.

Nota final: a ribeira que atravessa a horta pedagógica – fui espreitar para ter certezas, sob a variante, já na ligação a Santo Tirso, isto é, o troço principal da ribeira –, não tinha qualquer descarga industrial, apenas o habitual saneamento doméstico que por ali vai correndo. Talvez não seja muito difícil perceber a origem deste atentado ambiental.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Paisagem desconhecida

Ambos olham o intruso com desconfiança.
José Saramago, in Alabardas
Pelos números do Instituto Nacional de Estatística, mormente os anuários estatísticos regionais, Guimarães está mal colocado ao nível do salário médio mensal.
Bem sei que os últimos números são de 2012, mas ver que os vimaranenses têm salários (médio) de 823,45, euros atrás de Braga, Famalicão e, espasme-se!, Vieira do Minho, Amares e Terras de Bouro, não me agrada mesmo nada.
E o pior – sem bairrismos de qualquer natureza – é perceber que a diferença para Braga é de 159 euros e para Famalicão de 119.
Assim, e sei bem que esta realidade está muito para além dos poderes públicos (enquanto empregadores), não se augura grande futuro aos grandes movimentos que têm sido levados a cabo para fixação de emprego por terras de D. Afonso.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Saudades de 2014?

Não gostei nada do ano que acabou de morrer. Então quando recordo matanças (de sonhos, principalmente) que levaram para longe tantos amigos meus, mas principalmente dos meus filhos – uma geração esmagada por um governo cego – tenho uma vontade enorme de perder a memória recente.
Porque não sou só eu que me sinto violentado nos sonhos de voantes de futuro recordo, como memória, pois claro!, o que outros dizem do que foi o ano enterrado ontem:

1. O ano que parte não deixa saudades na nossa vida coletiva. Ao longo de 2014 vimos partir a troika, é certo, mas continuamos a protestar contra o aumento de impostos e do desemprego.
Nuno Azinheira, noticias TV, 14.12.26
2. Usando a teoria de Nassim Taleb, 2014 foi o ano dos cisnes negros. Todos altamente improváveis, com um enorme impacto, e alvo das mais diversas teorias que tentam mostrar que afinal eram previsíveis.
João Vieira Pereira, Expresso (Economia) 14.12.27
E porquê esta desilusão e estas palavras?
Ora porque “durante três anos, o Governo ignorou todas as críticas da oposição – acusada de pretender impedir a regeneração do país e a recondução da economia à senda do crescimento e da prosperidade geral – e até se insurgiu contra o Tribunal Constitucional por não aceitar submeter-se ao interesse soberano dos “nossos” credores providenciais”.
Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 14.12.26

Ou seja, “a verdade é que o país de que Passos Coelho falou há dois dias só mudou assim tanto aos seus olhos, no seu Excel”.
Sílvia de Oliveira, Dinheiro Vivo, 14.12.27


Votos de um 2015 mais saudável. Sem esmagamento de sonhos.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...