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domingo, 24 de janeiro de 2021

Batalha mental


Na história do pensamento social usou-se abundantemente a metáfora do dia que corre. Para onde vamos? Ainda vamos a tempo ou é irreversível o desastre?

José Luís Lisboa, le Monde diplomatique, novembro 2019

 

A ideia, sempre presente em 1984 de George Orwell, do telecrã – que massacrava os ouvidos com estatísticas, provando que atualmente as pessoas tinham mais comida, mais roupa, melhores divertimentos” pode ser comparada aos gabinetes de comunicação das instituições, governos, empresas e desejos exacerbados de poder que proliferam cada vez com mais força e maior perigosidade?

O senhor George Orwell quando escrevia – para publicação em 1949 – o seu romance distópico 1984 já estava nos dias que correm, não estava?

Terá sido por isso que inventou a Policia do Pensamento?

 

Nota de rodapé: aconselho vivamente a leitura do texto Gonçalo M.Tavares no Expresso (revista E) deste fim-de-semana.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Caído do céu

Se o escritor tem medo do horror, o melhor é arrumar a caneta. Se o escritor não tem coragem, então dedique-se à criação de galinholas.

Rui Nunes, E, 20.03.07

 

Há realidades na vida de cada um de nós que fazem a diferença; diferenças. E há uma ou outra diferença – há, não se duvide – que é para melhor. Uma realidade que faz a diferença!

E esta verdade que acontece com cada um de nós, estende-se também às instituições ou aos jornais.

É verdade!

 

Quem lê o quinzenário O Conquistador percebe imediatamente que as noticias saídas do município de Guimarães são emanadas do Município de Guimarães Comunicação. Não são, nunca forma (pelo menos nos últimos tempos) textos da redação dos jornais.

 

Se lermos as mesmas notícias em muitos órgãos de comunicação social até parece que houve jornalistas a tratar as notas de imprensa saídas de Santa Clara. Que triste anda o jornalismo por alguns sítios!

E a verdade é que isso acontece em Guimarães, Braga e no Minho.

Dúvidas?

Compare-se os textos publicados nesses órgãos de comunicação social: é copiar/colar.

domingo, 6 de dezembro de 2020

Caiu o meu ídolo


Os cães é que são fiéis aos donos. Homens e mulheres não são fiéis. Ninguém é fiel a ninguém, porque a palavra não faz sentido.

José Gabriel Pereira Bastos, psicanalista, E, 19.07.13

 

Rui Rio quer matar António Costa.

Perdão! O líder do PSD quer que a legislatura de António se fique pelo caminho.

Só que Rui Rio, sempre acelerado em Chegar primeiro, esquece o essencial: à parte a estúpida estupidez dos confinamentos feitos a régua e esquadro, já nada liga o PSD e o PS.

O PCP de Jerónimo de Sousa sabe bem disso. Sempre soube! Sabe melhor do que muitos (considerados) senhores políticos deste país à beira-mar plantado das verdades políticas.

E o PCP não vai alinhar em antecipação de eleições.

Não vai.

Há dúvidas?

Basta um pouco de bom senso e leitura de números. Seja de militantes, seja de contas. Em suma, tenham eles a dimensão ou orientações que tiverem!

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Aventura gélida


Se quisermos tirar partido da vida, é bom ouvir quem já viveu.

Miguel Esteves Cardoso, Público, 20.11.10

 

1. O que quererá dizer o atual líder vimaranense do PSD quando fala de “unidade vimaranense politica”?

Confesso que não sou capaz de entender.

Sim!, percebo – todos vimaranenses percebem – que os tempos pandémicos que vivemos exigem de todos nós serenidade e unidade; caso contrário a luta contra um inimigo comum e altamente perigoso não terá sucesso.

Mas unidade politica, não! Não percebo.

 

2. Recuando no tempo encontrei algo parecido com o desafio do presidente da Comissão Politica do PSD vimaranense. Foi “um contrato com os vimaranenses”, no ano de 2013. Era um contrato que pretendia “repensar Guimarães” que, como se viu, os vimaranenses ignoraram.

Recuei ainda mais no calendário e achei um slogan quase, quase a desmentir a ideia de unidade – “mudar de vida já!” –, num desafio provocador: para quê mais quatro anos? Só que já em 2009, o PSD não colheu as simpatias dos vimaranenses.

 

3. Daí que por mais que procure sinto-me incapaz de perceber se de facto “somos todos Guimarães” ou se queremos mesmo uma “unidade vimaranense politica”.

Mas é, seguramente uma falha minha. Acredito que Bruno Fernandes terá uma explicação convincente. E se assim for, os vimaranenses entenderão as suas palavras e os seus desafios.

 

PS – Ah! No ano de 2017 o PSD queria manter os vimaranenses juntos por Guimarães. Também não foi capaz de fazer passar a sua mensagem.

Será que “unidade vimaranense política” vai ser o slogan laranja em 2021?

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Gestos mínimos

Hoje zanguei-me com um padeiro. O círculo está completo. A minha passagem para o inferno está garantida.

Miguel Esteves Cardoso, Público, 20.11.06

 

O diretor do jornal Público escreve em editorial (edição do passado dia 12) que o PS sobe por vezes tão alto na propaganda da sua superioridade moral que arrisca estatelar-se com estrondo. Ontem aconteceu.

Fiquei intrigado.

Mas, continuando a leitura do jornal, percebi: Não sou fofinho com os tiranos, tinha afirmado no dia anterior o ministro Santos Silva, na Assembleia da República.

Pois!

 


 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Aprisionante discussão


 

Francisco publicou uma encíclica histórica, “Frateli Tutti”, com orientações proféticas para o futuro de uma Humanidade ameaçada e desorientada e ela passou quase despercebida; veio agora declarar que os casais homossexuais têm direito a uma cobertura legal, e isso é uma das maiores notícias. Isto revela bem a obsessão que a Igreja tem vivido.

Anselmo Borges, Expresso, 20.10.24

domingo, 18 de outubro de 2020

Da calma à euforia *

Os crentes continuarão a pedir a Deus que não se esqueça dos esquecidos de tudo, mas faziam melhor se pedissem à assembleia orante que não esqueça da primeira e última pergunta de Deus: que fizeste do teu irmão.

Bento Domingues, Público, 20.09.27

 

amor e exilio, amor infatigável, amor na morte

para! cruzar gerações – bem sabes, é cruzar o fim do mundo

o quê? o que é que te deu? de que falas?

da realidade! desafio-te a pensar nesta afirmação de Anselmo Borges (E, 20.08.15): a visão do papa Francisco a caminhar sozinho na praça de São Pedro completamente deserta será certamente uma das limagens mais fortes que ficará desta calamidade pandémica.

ena! desafio aceite. tomara que os destinatários destas palavras prestassem atenção a este professor; também presbítero católico!

 

pronto! aqui chegados só posso olhar para as palavras de Pacheco Pereira (Público, 20.08.29) – como se pode ser mais bem preparado sem ler?

* toda a vida [de Jesus] foi revolucionária, porque é contra a prática da religião do templo e dos sacerdotes

Anselmo Borges (E, 20.08.15)

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Anjo do pensamento

sede (?) do PS Monção, por estes dias

A esfera mediática, em Portugal, determinada pela obesidade patológica da opinião, transformou-se num mundo timótico.

António Guerreiro, Ípsilon, 19.07.12

 

António Costa, o crítico dos “joguinhos políticos” que o levaram ao poder, é o mesmo dirigente que noutros tempos – não muito distantes – fez o mesmo com o seu “poucachinho” a um outro dirigente?

Senhores à esquerda do PS, tenham cuidado! 

Ou não! 

Na verdade, basta olhar com atenção para o receio que um tal de César derrama sobre os vossos desafios! Sempre ele a fazer de escudo para tantas malvadezes de bastidores! 

Só mudaram as palavras, não foi?

 

sábado, 22 de agosto de 2020

Grito de alma

 

Nasci para me maravilhar com uma bola que rebola, com uma estrada que está a ser arranjada.

Pilar Del Rio, E, 17.04.22

 

A proteção civil de Guimarães, sinalizou e isolou – finalmente! –, uma das travessias na horta pedagógica. E fez muito bem.

Só que, uma destas tardes enquanto por lá fazia a minha habitual corrida, vi duas pessoas a levantar as tiras de sinalização e a atravessar alegremente o ribeiro de Couros.

Só pensei: e se aquela ponte cedesse agora, a responsabilidade de um possível acidente seria de quem?

sexta-feira, 1 de maio de 2020

trabalho e dignidade



1 DE MAIO: Sindicatos denunciam que coronavírus está feito com o patronato.

Os patrões alertam que o distanciamento social não permite aproximar os salários portugueses dos europeus e que as pausas para as idas à casa der banho têm de ser encurtadas.
o Inimigo Público, 20.05.01

E se os senhores deste se não aconteceu podia ter acontecido souberem mais do que aquilo que os nossos olhos vão vendo e a comunicação oficial nos vai tentando impor pela sedução; em palavras brancas e sorrisos pálidos?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Animalização do humano


Antes de atacar um abuso, deve ver-se se é possível arruinar os seus alicerces.
Luc de Clapiers

Se eu fosse uma pessoa vestida de ventura andaria vaidoso entre o mundo dos vaidosos que subiram a S. Bento.
Se eu fosse uma pessoa coberta de ventura daria pulos de felicidade por, num instante previamente controlado e encenado, assustar quem por S. Bento corre; feito perdigueiro da felicidade politica.
Se eu fosse uma pessoa repleta de ventura, escondendo a dor vermelho-clubística que dá lucro em todo o lado; até nos patamares mais insuspeitos, fixava os olhos no ecrã assutado dos ais e diria: é verdade! Todos vós estás a passar por uma letargia tremenda. Todos vós dormis sobre as novas estranhas verdades, fazendo de conta que sentem as dores dos dias. Só que todos vós, na verdade, ignoram a populaça que vos deu uns votinhos para a vossa indiferença e comodismo.
Ouçam o povo; não façam de conta que o ouvem!
Ah! Se eu fosse uma pessoa apinhada de ventura desenhava um mundo armilar como a esfera dos anos quarenta do século passado e diria ao povo eleitor – que coitado!, sabe lá o que é viver, o que é a esfera armilar do senhor Ferro (o António, não o Rodrigues) – fez mais pela nação do que uns tipos eleitos por motivações patético-partidárias.
Ah!! Ventura à parte, deixem-se, por favor, senhores deputados da nação eleitos pelo povo português, de parvoíces!
O que o senhor Ventura – muito mais concentrado nos dias e nas suas dores violentas – quer é dizer que ele é deus e vocês seus discípulos.
Acordem!
Nem sempre a ressurreição se faz com o afastamento da pedra do sepulcro!
Ignorem os poderes obscuros e olhem com a atenção para os dias que correm. Não faltam atiradores de areia para os olhos das pessoas.

Nota de rodapé: o texto que Maria Lopes assina na página 20 do jornal Público (19.12.20) dirá muito mais.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Para reserva futura

Confio naqueles que, seja em que situação estiver, me dizem: estou aqui.
Manuel Alves, E, 15.09.12
foto: sol.pt
Sempre a correr. Os dias de Maria de Belém começam cedo, seja no seu gabinete na Assembleia, em comissões ou a trabalhar para várias instituições a que pertence. E enquanto não corre para outros projetos vai aproveitar os momentos da manhã para ler principalmente os jornais estrangeiros, que guarda. “Têm opinião sobre aspetos com pouca reflexão em Portugal”.
Leio o que escreve Carolina Reis na revista E (15.09.19) e olho para a memória. Deixo que ela traga suavemente aos meus dias e me mostre a imagem da mulher – baixinha que é! E tão simpática.
Eu (também) sou dos que concordam com Carolina Reis; ficando à espera do empenho sempre forte de Maria de Belém.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sempre presente

É preciso tonificar os músculos para manter saudável a coluna vertebral. Os princípios essenciais não admitem piruetas.
João Paulo Baltazar, E, 15.05.01
foto: publico.pt
Deve ser defeito meu – até já me dizem que não tenho emenda –, mas não serei daqueles que ficarão à espera do dia 5 de outubro; mesmo que, mais à esquerda outras decisões sejam diferentes. É que eu nunca fui dos que se deixam limitar por timings partidários ou outros com dimensões que escapam à minha leitura dos dias.
Escrevo – assumindo já, pública e definitivamente –, que a anterior presidente do PS, Maria de Belém, é, para mim, uma pessoa de confiança; uma mulher que merece todos os apoios de quem acredita que o futuro nem sempre se faz de jogos baixos ou cedências da coluna que compõe o esqueleto humano.
Sempre gostei de olhar no passado e esmiuçar o trabalho desenvolvido por quem sabe o que faz: Maria de Belém Roseira conhece o que é Portugal e como esta nação deve rumar ao futuro.
Como gosto de Maria de Belém e não dependendo de calendários políticos, Maria de Belém é a minha candidata à presidência da República. Com toda a naturalidade. Eu sei que PCP e BE estão com Sampaio da Nóvoa, mas isso não me fará mudar.
Ah! Considero fundamental dizer que é um prazer estar com a segunda mulher candidata à presidência da Republica em Portugal. Adorei, há uns anos, o facto ter participado – ativamente e muito próximo – na candidatura de uma outra mulher extraordinária: Maria de Lurdes Pintasilgo.
São realidades diferentes, bem sei!, mas são mulheres de armas; as duas. E quando assim é!

sábado, 5 de setembro de 2015

O tempo sempre sabe o que quer

O meu gato é um sábio
Descuidado
Casimiro de Brito, in Nem senhor nem servo
foto: economico.sapo.pt
Mês após, mês, as vendas da McDonald’s afundam-se. Associada à comida de plástico, a multinacional sofre também a concorrência de marcas que se apresentam como diferentes: elas apresentariam alimentos naturais tratariam os seus empregados com respeito, favoreciam o comércio justo”.
Eis um texto baseado numa investigação de Benoît Bréeville e publicada no jornal le Monde diplomatique de agosto. E que texto!
Destaco (sem pensar em coisas mais próximas) uma afirmação simples: “tratariam os seus empregados com respeito”.

sábado, 22 de agosto de 2015

Oficina de mitos

Pode haver pior sorte do que nascer para criado do pobre?
José Cardoso Pires, in O Hóspede de Job
O Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) anunciou, um destes dias, que as obras de reabilitação no exterior e nas zonas comuns do bairro de Creixomil, em Guimarães – num investimento de 1,7 milhões de euros – vai avançar.
E para reforçar essa vontade intrínseca de ilusão, diz o departamento de estudos, planeamento e assessoria do IHRU que tal conquista épica é para avançar; já.
Não faço a mínima ideia  se é verdade ou não esta coisa, mas gostaria que em Guimarães – para além dos partidos do governo – me dissessem se é ou não é uma notícia a pensar no dia 4 de outubro próximo.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Futuro assombrado pelo futuro

Não temos capacidade direta para saber aquilo que somos. Só nos conhecemos deduzindo-nos por aquilo que não estamos a ser.
André E. Teodósio, E, 15.06.06
gravura: cidadeocidental.net
Deixei de acreditar nos (chamados) programas eleitorais dos partidos. São documentos balofos; aparentemente cheios de ideias, mas tremendamente vazios; evasivos. Na prática, são (apenas) a soma de umas coisas escritas para contentar grupos de interesses das máquinas dirigentes.
Por não acreditar nos programas partidários não serei capaz de afirmar (perentoriamente) que perdi a fé nos partidos; não. Afinal só três partidos em Portugal passaram pela governação. Daí que, como diz o povo, “a cara bate com a careta”, no que à governação diz respeito (ainda) que seja apenas com alguns.

Todavia que fico com uma enorme vontade de subscrever estas palavras de Vasco Pulido Valente (Público, 15.06.05) fico: “a confusão geral das cabeças está para ficar. Não há um único partido com um programa realista e lógico que mereça a mais leve confiança”.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Contas por acertar

O segredo deste fogo nasce da pedra
que ele consome
Nuno Júdice, in a Figura do canto
Para pensar; muito!
Recupero uma afirmação de Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia, citado no E (15.04.18): “sempre que políticos, funcionários religiosos, assumem os deveres de historiadores, sai delírio, não facto. Quero avisar o papa não repetir este erro”, para me questionar se as misturas entre desejos e afirmações de grupos não são um jogo perigoso.
Um jogo que degenera sempre em terríveis distrações e vidas amputadas; de ícones enganadores na mão.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Imensidão do tempo

Houve um tempo em que me irritavam aquelas coisas que hoje me fazem sorrir.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
1. Parece que o PS vai ser outro; um partido sem liderança bicéfala e à distância; um partido onde o que é futuro vai estar só nas mãos de quem que ser futuro, um partido com ideias. Parece!
Era bem preciso! Para não se ter que ler todas as semanas coisas como estas: “Carlos César deu o dito por não dito e mostrou como o PS não tem pejo em recorrer ao Estado para ganhar eleições. Depois de muito criticado, lá veio corrigir-se” (Bernardo Ferrão, Expresso, 15.03.28)

2. “O tempo, que parecia corre a favor de Costa e do PS, parece ter-se complicado”, escreve Henrique Monteiro na última edição do semanário Expresso. Tem toda a razão o antigo diretor daquele semanário. O tempo sempre soube o que fazer e como fazer. O tempo sempre separou o trigo do joio. O tempo sempre colocou ordem no caos precipitado. Daí que o tempo – certeiro como é – jamais deixará que se escrevam palavras como estas: “o menos que se pode dizer da operação que levou António Costa a secretário-geral do PS e a candidato a primeiro-ministro é que não foi elegante”, como escreve Vasco Pulido Valente no Público (15.04.03). Que acrescenta: “para nossa desgraça, António Costa, talvez por falta de inspiração própria, não mostrou até agora capacidade para inspirar ninguém”.

3. O tempo, sempre certeiro, faz o seu caminho e deixa que se façam caminho – o caminho que tem que ser feito e não se esbarra em caminhos paralelos, ultrapassagens sem regras ou à deriva e/ou precipitações feitas passos maiores que o chinelo. Henrique Neto – que “surpreendeu ao anunciar a sua candidatura à Presidência da República, revelando independência apesar da ligação ao PS. E é importante que surjam candidatos fora dos “guiões” partidários” (Pedro Lima, Expresso, 15.03.28) continua a fazer o seu.”

4. Volto a Henrique Monteiro e à sua coluna semanal na edição do semanário Expresso (15.04.03): "[a páscoa] é também um tempo em que muito muda na nossa política. Passos e o governo, parecem, gozar de um sopro de vida que lhes permite sonhar com a vitória. Depois, António Costa já se compenetrou de que não vai ter o passeio triunfal até à prometida maioria absoluta só pelo facto de existir”.
Ai o tempo que sempre coloca tudo na sua ordem! Depois (deste) tempo outro vem.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Passemos para onde não devíamos ter saído

Uma mão cheia de dor perde-se para lá da colina
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado
1. Pedro Santos Guerreiro, na sua coluna semanal do Expresso, tem sempre textos saborosos e fabulosos sobre a realidade portuguesa; análises extraordinárias de onde sobressaem as dores que vão matando (lenta e dolorosamente) o país e os portugueses.
Na última semana o que nos trouxe foi a realidade do PS; uma desoladora realidade no seu entender. É que, nos dias que correm, “o problema de António Costa não é escorregar numa frase em frente de chineses nem ter Sócrates preso. É não saber o que fazer ao país”.
Caramba! Terá sido para esta indefinição que Costa fez o que fez a Seguro, há uns tempitos atrás?

2. No mesmo semanário e na habitual rubrica Altos e Baixos, Pedro Lima coloca o atual líder do PS – caramba! Que terá o semanário dirigido pelo irmão do líder do PS contra o líder do PS? – em descida por António Costa, apesar de “bem se esforçar para apresentar Portugal como exemplo do falhanço de políticas de austeridade”, ter dado na semana anterior “um tiro no pé” ao dizer que «Portugal está “diferente”, dando a entender que está melhor».
O quê Portugal está melhor? Ó diabo! Seria boa ideia o presidente de câmara de Lisboa percorrer o país e tentar perceber que os portugueses que sofrem não têm carros que (já) possam entrar em Lisboa.

3. As últimas sondagens colocam o PS, de António Costa, à beira do fim; apesar de parecer um partido vencedor.

4. Os portugueses que se sentem (a cada dia que passa e a cada aumento de dores) enganados acreditarão que a entrevista de Pedro Passos Coelho no Expresso se fala verdade quando se admite um Bloco Central?

Outras mudanças começaram por menos!

sábado, 13 de dezembro de 2014

E agora matamos?

Há coisas tão distantes entre si que, de repente, se parecem tão próximas das realidades que nos matam todos os dias. Há verdades que só quem anda permanentemente distraído é incapaz de não perceber.
Repare-se no que Pedro Santos Guerreiro escreveu (Expresso, 14.12.06): “quando falamos de corrupção e de negócios de extração de valor, falamos de foras de lei e de foras da ética. Poucas pessoas repararam mas três bancos foram forçados pelo Banco de Portugal a deixar de o ser”.
Ou nesta ideia defendida por Sílvia de Oliveira (Dinheiro Vivo, 14.12.06): “Angel [Merkel] é, indiscutivelmente, o rosto mais evidente das políticas económicas erradas e ineficazes que têm governado a Europa nos últimos anos”.

Cá, entre barreiras, lá, sobre barreiras, a coisa é sempre a mesma…
E a seguir o que fazemos?

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...