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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Debate à porta fechada

Onde o céu da Alemanha enegrece a terra
o seu decapitado anjo procura um túmulo para o ódio.
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado

1. Comecemos pelo jornal Público. E pelo seu olhar em editorial da última sexta-feira: «as palavras de [Jena-Claude] Junker parecem encaixar que nem uma luva na mensagem do Syriza: “não negociaremos o orgulho e a dignidade do nosso povo”, disse Alexis Tsipras na semana passada no parlamento».

2. Olhemos agora para o que Henrique Monteiro (Expresso, 15.02.21) escreve sobre a forma como a Europa faz de conta que é uma realidade democrática: “na Europa, seja Schäubler seja Varoufakis, seja Maria Luís ou Moscovici nenhum tem uma alternativa boa. Discutindo o mal menor, já perdemos liberdade”.

3. Pensemos então, agora e com muita calma e ponderação, por favor!, no que Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 15.02.21) sublinha: “a declaração política de Junker sobre a dignidade dos gregos, portugueses e irlandeses é uma bomba contra Passos Coelho e Maria Luís, que embaraçosamente (mas não embaraçadamente) foi esta semana sentada ao lado de Wolfang Schäubler para se mostrar como um produto português made in Germany.

4. Perguntemo-nos, então e agora, por favor com toda a ponderação, serenidade e com a razão sobrepondo-se à emoção: que merda de povo somos nós, portugueses?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Devotar indígenas

Na placenta do medo
a escória procura alimento novo
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado
foto: rr.sapo.pt
Líderes europeus fazem “mea culpa” (Título do Jornal de Noticias do último sábado), sobre a realidade que já sabíamos, mas que só agora foi valorizada porque Barroso já não é, onde se pode ler que “ninguém assume paternidade da austeridade e todos criticam Barroso.

É uma peça de Helena Teixeira da Silva sobre a realidade, cada vez mais violenta, sem sentido e desnorteada dos senhores que dizem querer salvar a Europa. Infelizmente um deles fala a mesma língua de Camões!
Naquele texto fica-se também a saber das asneiras que matam o desejo de um futuro melhor para os portugueses. Desde a carta de Vítor Gaspar – o tal “arquiteto do ajustamento” – até às palavras de Christine Lagarde que falou, há tempos, em mais tempo para Portugal pagar a sua dívida.
E agora Portugal é exemplo, tentam impingir-nos. Exemplo para quem?
Ah! É só o Portugal do PSD e do PP.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Inventar mudando

Novas tabelas de IRS só são válidas até às 19 horas do dia das eleições legislativas.
O Inimigo Público, 15.01.16
Escreve Nicolau Santos (Expresso/Economia,15.01.17) que “os mercados estão agora tranquilos com a capacidade de Portugal pagar os seus compromissos”, acrescentando uma justificação – quase escatológica – para tal realidade que, infelizmente, passa despercebida à maioria de nós: “valha-nos São Draghi para explicar isto”.

Não pretendendo (era o que faltava!) brincar com coisas sérias, como são os bolsos vazios dos portugueses e a estapafúrdia mania de que uns pretensos donos da verdade têm que que ser os desgraçados dos cidadãos (sem dinheiro e sem direitos) a pagar todos os males que bancos, banqueiros e gestores públicos vão deixando por resolver, até parece que a realidade apontada por Nicolau Santos não faz sentido. Faz!, e de que maneira!
Se não fossem as medidas que estão a ser tomadas, a partir de Bruxelas, e mais concretamente do banco central que comanda os destinos europeus, ninguém duvida de que o nosso destino era o estampanço contra o muro mais próximo ou a queda na rabina que surge a seguir aos muros que os tais donos do mundo vão criando.

Apesar deste aparente milagre de Draghi, e mesmo consciente do tom que o Inimigo Público utiliza, sou dos que acredita que, logo a seguir às próximas eleições legislativas, quer vença o senhor António Costa, quer continue o atual primeiro-ministro, tudo voltará a ser como nos dias violentos que matam cada vez mais pessoas sem recursos.
Não?
Por mim nem me passa pela cabeça fazer a experiência de verificar se é verdade.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Atlântico unido

foto: bragatv.pt
Espero para ver o que vai ser o caminho cultural do Atlântico, muito embora esteja convencido de que as quinze cidades portuguesas, francesas e espanholas que já se haviam encontrado na Galiza, sejam capazes de agitar alguma apatia.
Mas o facto de o vereador da Cultura de Guimarães, José Bastos (como gosto da sua pose fotográfica ao lado de Ricardo Rio, denotando como a cultura em Guimarães há muito entrou em velocidade de cruzeiro, quando em Braga ainda precisa da mão presidencial para sair de um labirinto que fere os bracarenses!) estar à frente deste desafio internacional, dá garantias de que haverá novidades na ação.

domingo, 25 de maio de 2014

Por que nos dão dias assim?


O sorriso dos que nos são próximos é sempre perfeito. Vistam eles as cores, os fatos ou os olhares que vestirem. E os que nos são próximos são sempre perfeitos; seres que de tão próximos de nós, só podem ser iguais ao nosso desejo de afirmação. Ou seja, jamais os que nos estão sempre a olhar na porta e não da janela, podem ser nossos adversários, amigos suspeitos ou concorrentes.
     (o sorriso dos que nos são próximos é sempre perfeito)

Que bom seria que o mundo e os dias violentos que não param de nos espalmar fossem assim, sempre olhados na porta!
Que bom seria que a solidariedade – independentemente da cor ou do tom partidareco ou da devoção – fosse a porta que nos coloca no mundo!

Mas o mundo é uma conversa cada vez mais por acabar; uma treta com que fazemos questão de iludir os martirizados espaços violentos a que, teimosamente, chamamos os dias vindouros.
     (o sorriso dos que nos são próximos é sempre perfeito)

Não, não podemos afirmar que depois de nós não há mais nada; podemos e devemos mandar à merda os vendedores de ilusões e enganadores de sorrisos rasgadamente hipócritas, estampar na estupidez saloia dos que se vestem da moda babosa das especulações e dos fatos da moda em bolsa; gravatas vistosas e vaidades sempre sublimadas
           (Também vão morrer amanhã ainda que o seu mausoléu caminhe já em direção ao céu em pedras pomposas).

O último coveiro que conheci tinha um defeito: esmagava violentamente com a pé a terra mole. Ficava espalmadinha e sem vaidades que dava dó!

         (o sorriso dos que nos são próximos é sempre perfeito)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Que mortes se espalham a meus pés?

Francisco Assis, o cabeça de lista do PS ao parlamento europeu, escreve (mais um; são tantos!) um texto no jornal Público (14.04.17) que tem que estar ao lado do teclado de quem vai escrevendo (e, obviamente, pensando) sobre a tristeza do país de Pedro e Paulo, os senhores Coelho e Portas que fazem de conta que nós somos uns laparotos que nos esbarramos em qualquer cancelo (não, não escrevi portas) por onde vão fugindo os coelhos que não prestam.

A qualidade de um governo mede-se, em grande parte, pelo nível intelectual e politico dos secretários de estado que o integram”, escreve Assis, que acrescenta: “é como o teste do algodão: nunca engana”.
Pedro Lomba, foi o que disse Francisco Assis ao falar do secretário de estado no atual governo?
Ah! acrescentou também Bruno Maçãs…

Percebo as suas palavras ”são o espelho do executivo que temos: ideologicamente primário”.
Aposto que por cá há um qualquer pedro lomba (ou será delfim de qualquer machado sempre à mão para destruir o que certos chefes querem?) onde a vontade pouco importa, desde que…

terça-feira, 29 de abril de 2014

Dias de mudança

O grupo anticorrupção Transparency Internacional publicou um relatório na última quinta-feira, dia 24 – Sistema de Integridade de UE – onde fica claro que os riscos de corrupção são sério; elevados.

Vem aí eleições europeias. Um bom momento para se discutir assunto tão sério.



Bom momento para, pelo menos nós portugueses, percebermos muitas das cosias que nos vão enfeitiçando o olhar por cá.
Terão os candidatos portugueses essa vontade de esclarecimento?

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...