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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Falência iminente

 

A velha divisão entre a esquerda e a direita vai ser substituída pela clivagem entre populistas e anti populistas na política ocidental.

Carlos Gaspar, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais, Expresso, 18.12.29

 

O discurso racista mata, é violência e foi-se banalizando em Portugal, foi assumido pelo Chega, teve a cumplicidade de muita gente na sociedade portuguesa, sem que as instituições da República fizessem um repúdio frontal, palavras de Álvaro Vasconcelos, fundador do Instituto de Estuados Estratégicos e Internacionais de Lisboa que enforma um excelente trabalho – discurso racista do Chega criou condições para ataques – com assinatura de Joana Gorjão Henriques (Público, 20.08.14).

Vinco do lide: ultrapassou-se uma linha vermelha com os ataques da última semana, dizem os analistas.

 

Nota: como gostava de ver manifestadas estas preocupações pelos partidos do centrão; acomodados como lapas ao poder.

sábado, 20 de junho de 2015

A realidade já não é o que foi

Maravilho-me do que não consegui ver. Estranho quanto fui e que vejo que afinal não sou.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
1. Na edição de junho do le Monde diplomatique questiona-se se “será a política um desporto de elite”, tendo como pano de fundo a derrota eleitoral “estrondosa” dos trabalhistas ingleses.
Hoje, por aqui, não me interessa falar senão da Grécia. Mas a pergunta sobre a politica faz sentido quando se olha para o que está a acontecer na e com a Grécia. Começo por Alexis Tsipras (em entrevista a um diário austríaco, mas citado pelo JN do dia 20: “na Europa temos a ilusão de que somos o umbigo do mundo, cooperando com os nosso vizinhos mais diretos. Mas o centro do mundo mudou de lugar”. Realidade que não queremos aceitar.

2. Pensando calmante sobre as duas afirmações é tremendo pensar – ainda que ao de leve – no que vai ser a Europa já a seguir.
Esta afirmação de Ricardo Reis (Dinheiro Vivo, 15.06.20) pode dar uma ajuda: “estamos hoje numa situação de ver o berço da civilização afastar-se da Europa e abraçar a influência russa”.

3. Não terá Nicolau Santos (Expresso/Economia) razão ao escrever que “o mundo dos poderosos uniu-se contra o governo do Syriza. Porque o Syriza ousou desafiar o status quo, e isso é perigoso”?

4. Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 15.06.20) parece dar razão a Nicolau Santos. Reparemos: “o Syriza tornou-se inacreditável e Bruxelas intolerável. Fazemos ou desfazemos a Europa?”

5. Vale a pena ver o que pensa Yanis Varoufakis, citado pela revista E: Nós não estamos especialmente preocupados em manter as nossas posições. Portanto, isso destabiliza o outro lado. Eles estão habituados a políticas que fazem realmente questão de manter as suas posições. E nós não somos assim. Não nos importa. Queremos fazer o que é correto, e se não podemos fazer o que é correto, vamos embora”.

6. Aconteça o que acontecer a seguir é importante ler a reportagem de Penny Bouloutz, in Kathimerlni (Atenas) do dia 15 de março e citada pelo Courrier internacional de junho: “na Grécia, tantos os doentes como as farmacêuticas têm de ter nervos de aço se quiserem obter medicamentos. As farmacêuticas internacionais estão a fornecer o mercado a conta-gotas. Resultado: faltam aspirinas, vacinas, antidepressivos, antiepiléticos e antipiréticos nas prateleiras das farmácias”.
Perceberemos o que é e o que será a Grécia e o caos que por ali reina.

7. Volto a Pedro Santos Guerreiro “Sem rasgo na Europa rasga-se a Europa”.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Lugar de aflitos

A vida é curta para que me ensodes misérias várias pela goela abaixo.
Ruy Cinatti, in antiguidades burlesco-sentimentais
foto: revistaepoca.globo.com
Então!? Qual é, meu caro, a tua desilusão sobre a Europa?
Andas mesmo distraído, não andas?
Talvez, quando ouço que a senhora Merkel foi uma segunda escolha; uma escolha conveniente…
Pois tens razão. O tempo e a pressa de viver fazem-nos esquecer as coisas simples. Dizias tu que…
Que a Europa está no fim. Coisa que não nos deve espantar, obviamente! Desde logo, porque aquele senhor alemão que manda na Europa, o senhor que, infeliz e lamentavelmente, vive numa cadeira de rodas, só pensa no seu país.
Achas?
Não acho, tenho a certeza. Por isso, aquilo que Manuel Carvalho da Silva (que belo presidente da República portuguesa podia ser!) escreve no Jornal de Noticias (15.03.14)
Pouco a pouco, a União Europeia (UE), ou a Zona Euro, está transformar-se numa estranha espécie de federação – uma federação do poder financeiro e económico, construída à margem das opiniões e interesses dos cidadãos, uma UE desprovida de instituições realmente democráticas.
É oportuníssimo!
Talvez tenhas razão! Já agora olha para o que Nicolau Santos escreve na última edição do Expresso (Economia):
A produção industrial na Europa, com exceção da Alemanha, está em colapso. O que quer dizer
1)       Que a moeda única favoreceu o modelo alemão (exporta a preços mais competitivos do que se o fizesse com base no marco alemão
2)       A crise rebentou com a indústria na generalidade dos países europeus.
Esperar que isto não tenha consequências é uma ilusão perigosa.
Estás a ver?

Só quem não quer é que não vê…

segunda-feira, 2 de março de 2015

Criar a partir do caos

Virgens são os caminhos nas escarpas do céu
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado
Na 23ª assembleia-geral do Eixo Atlântico o presidente de câmara de Guimarães, e no decurso da sessão plenária, fez questão de tornar público que o AvePark é estratégico para a dinamização daquela eurorregião e que aquela infraestrutura de futuro, situada em S. Cláudio de Barco, é uma “âncora para a reindustrialização”.
Boa! Até me apetecia ficar por aqui, não fosse Domingos Bragança, já depois de assembleia-geral ter terminado, reforçar o seu ponto de vista, vincando que o AvePark “será uma das principais âncoras para a reindustrialização da nossa região, tal como a União Europeia a pensa”.
Ótimo!
Aguardemos então o que é que a União Europeia tem para fazer desta e nesta eurorregião; mas, peço desculpa pela incredibilidade, que trouxe a União Europeia para esta eurorregião até ao momento?

E o que se vê no horizonte augura algo de maravilhoso?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Devotar indígenas

Na placenta do medo
a escória procura alimento novo
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado
foto: rr.sapo.pt
Líderes europeus fazem “mea culpa” (Título do Jornal de Noticias do último sábado), sobre a realidade que já sabíamos, mas que só agora foi valorizada porque Barroso já não é, onde se pode ler que “ninguém assume paternidade da austeridade e todos criticam Barroso.

É uma peça de Helena Teixeira da Silva sobre a realidade, cada vez mais violenta, sem sentido e desnorteada dos senhores que dizem querer salvar a Europa. Infelizmente um deles fala a mesma língua de Camões!
Naquele texto fica-se também a saber das asneiras que matam o desejo de um futuro melhor para os portugueses. Desde a carta de Vítor Gaspar – o tal “arquiteto do ajustamento” – até às palavras de Christine Lagarde que falou, há tempos, em mais tempo para Portugal pagar a sua dívida.
E agora Portugal é exemplo, tentam impingir-nos. Exemplo para quem?
Ah! É só o Portugal do PSD e do PP.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Moços de fretes da nossa história sofrida

Não gosto de tipos que se levam muito a sério, tipos de ar compungido a quem, certamente, mas também não quero ir ver, não cabe um feijão no apertado lugar onde o sol não brilha.
Manuel S. Fonseca, E, 15.02.07
Escreve Sílvia de Oliveira na edição de Dinheiro Vivo (15.02.14) que “agora sim, juntaram-se todos à esquina, Presidente da República incluído, na gasta concertina – mais uma vez, não vá não ter ouvido – de que Portugal não é a Grécia, de que nós, portugueses, somos muito diferentes dos gregos”.
Excelente afirmação! Cheia de razão e perfeitamente enquadrada nos olhares que têm que ser lançados sobre um país que tudo faz para se vergar a outro país, a Alemanha.
Claro que é, no mínimo, pouco recomendável esta atitude do presidente da República. Talvez por isso, Bernardo Ferrão (Expresso, 15.02.14) tenha colocado Cavaco Silva nos Baixos, escrevendo que ele “mostra uma colagem não só à linha o governo como à cartilha de Berlim”. Para, de seguida, perguntar: “será que é assim que se defende o projeto europeu?” e terminar com uma realidade que só quem não quer não vê: “não admira que a sua popularidade esteja uma vez mais em queda”.
É claro que Pedro Bacelar de Vasconcelos (Jornal de Noticias, 15.02.13) tem toda a razão: “o Governo, a maioria parlamentar que o sustenta e o Presidente da República portuguesa incomodados pela flagrante demonstração do fracasso das políticas que infligiram ao país durante os últimos anos, perderam a compostura e desataram a insultar o governo legítimo de outro estado-membro da União Europeia – a Grécia”.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Nem todos os militares são sisudos

Wollgang Schäuble resumiu a reunião com o homólogo grego dizendo: “concordamos em discordar”. Yanis Varoufakis nem com isso concordou.
Sérgio Aníbal na peça Grécia encontra na Alemanha obstáculos ao acordo, Público, 15.02.06
foto: tvi24.iol.pt
1. As eleições na Grécia ainda estão ao rubro. O resultado, esse já pouco importa, a não ser para eleitores que olharam o futuro com outra esperança. Porque agora o que se agita os donos das vontades e dos dominadores do futuro são outras coisas. Que nem sempre os eleitores entendem. É o dar-se por certo a certeza de que não se pode dominar tudo o tempo inteiro. E isso enerva quem quer continuar a dominar a seu bel-prazer. É claro que haverá ainda muito sangue até que tudo volte a ser como dantes. Tal e qual como antecipa Teresa de Sousa (Público, 15.02.06): “depois de receberem algumas palmadinhas nas costas e até uma gravata de seda, Alexis Tsipras e o seu ministro das Finanças regressaram a Atenas sem grande coisa para contar, a não ser algumas más noticias”.

2. Mas todos, mesmo os que dizem ter tudo controlado, estão expetantes. E nervosos. Em constantes telefonemas pelo telefone mais discreto. E dão recados de bonecos ou de histórias para criancinhas de outros tempos, mandam atoardas como se de verdeiros pensamentos se tratasse e fazem de conta que os outros, aqueles que aparecem agora, estão no mau caminho. Repare-se nestas palavras de João Viera Pereira – Expresso (Economia) 15.02.07 “aqui ao lado, em Espanha, o PSOE reza todos os dias pela queda da Grécia, a única coisa que pode realmente travar a ascensão meteórica do Podemos”.

3. Ainda há quem não vá na mesma direção da grande maioria – “levemos a sério os sinais de sobressalto cívico que nos vêm da Grécia, porque só com crescimento e emprego se derrota a austeridade”. (Afonso Camões, editorial, Jornal de Noticias, 15.02.07), o que obviamente dá azo a que se pense em alternativas. O que em democracia não só é salutar; é a salvação.

4. Uma coisa é certa, por cá, por continuarmos a fazer de conta e ficarmos à espera do que diz o chefe, tudo é como dantes. Reparemos: “sobre a questão grega, Passos Coelho não muda de opinião: está sempre com Merkel. António Costa também não muda: está sempre do lado de onde sopra o vento”. (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.02.07) Até ver! Porque o mundo também se faz de militares de sorrisos abertos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sim é verdade, as notícias morrem. Os efeitos duram, duram,…

Só bate e mata quem antes nunca foi escutado.
Gonçalo M. Tavares, Noticias Magazine, 14.12.28
Imagem:/bip.inesctec.pt
Segundo se pode ler no editorial do jornal Público (15.01.30) “lidar com os ventos helénicos está a perturbar partidos portugueses. Cá dentro, o PS está mais ou menos na mesma, talvez embraçado pelo tsunami que varreu o seu homólogo Pasok da cena política grega, talvez incapaz de saber como tirar o partido da situação, como ainda há dois dias provou no parlamento”.
Curiosa leitura do Público! Que, quer queiramos, quer não, é uma realidade que nos faz (devia fazer) pensar a nós portugueses sempre contentes com o nosso umbigo. Desde logo, porque “a vitória do Syriza conseguiu o milagre que a política nacional não conseguiu: pôr a esquerda a falar em uníssimo” (Expresso, 15.01.31), ou seja, os partidos portugueses dizem até ao fim que todos fazemos de conta que o que é mau é só para os outros; nós somos excelentes.

Por mim, independentemente de sublinhar a posição de João Garcia (Expresso, 15.01.31) – o debate do pós-eleições gregas está a mostrar que a Europa enquanto instituição ou coletivo não existe. (…) Cada país anuncia a sua convicção e marca lugar. Espeta o alfinete onde bem quer e junto dos aliados que lhe interessa –, faço questão de vincar, sem receio de ser arrumado do sítio onde estou há muito (quem sabe se há tempo demais!) que os partidos portugueses fazem de conta que (tal como outras instituições, afinal vizinhas na ação diária), só a sua verdade é absoluta; total e só ao alcance dos iluminados. Que, por isso, têm que pertencer ao cubículo.
Há muito que perdi a vontade de suportar vontades alicerçadas em vaidades, sempre em bicos de pé, de tipos inertes, vazios e incapazes. Isto é, só posso subscrever as palavras de João Adelino Faria (Dinheiro Vivo, 15.01.31): detesto usar gravata, mas não tenho alternativa. Parece que precisamos de ter um nó de sede na garganta para podermos ser levados a sério.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Inimigos da tolerância

Quero ter a raça humana toda contra mim. É uma alegria que me consolará de tudo.
Baudelaire


foto: geledes.org.br
Inserido na edição do passado dia 15 o jornal Público, com o título Charlie Hebdo: uma reflexão difícil, publica um texto de Boaventura Sousa Santos que importa, desde logo, reter para pensarmos com toda a calma e ponderação no que por aí vai. E pode vir.

Do extraordinário texto retenho duas ideias.
A primeira – “é sabido que a extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeito a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas” – não deixa dúvidas sobre a forma como o mundo está cada vez mais dividido sobre o futuro e sobre a ideia de quem domina (ou, dizem alguns, deve dominar) quem.
Depois, a segunda, vinca de forma clara como «uns são melhores que os outros» e, por isso têm que dominar. Escreve o sociólogo: “a resposta francesa ao ataque mostra que a normalidade constitucional democrática está suspensa e que um estado de sítio não declarado está em vigor, que os criminosos deste tipo, em vez de presos e julgados, devem ser abatidos”.

Mas não é só em França, agora que as coisas em mudança são mais nítidas, não que tudo está em mudança. Também em Inglaterra se abriram muito as portas para o exagero: “se em Inglaterra um manifestante disser que David Cameron tem sangue nas mãos, pode ser preso”. E termina assim a sua ideia o sociólogo: “em França, as mulheres islâmicas não podem usar o hijab”. Ou seja, há muito que Inglaterra e França vão fazendo de conta que respeitam a liberdade de alguns e principalmente a liberdade de expressão.
foto: blogdaboitempo.com.br
O pior é que nenhum estado europeu (mas não só, diga-se) está preocupado com o essencial: “a crise social causada pela erosão da proteção social e pelo aumento do desemprego, sobretudo entre jovens, não será lenha para o fogo do radicalismo por parte dos jovens que, além do desemprego, sofrem a discriminação étnico-religiosa”?, vinca Boaventura Sousa Santos.
Mas a isso, nós cidadãos acomodados e sempre prontos a abanar com a cabeça, dizemos nada. Talvez adoremos o poeta francês tenha razão e desejemos ter a raça humana toda contra nós.
Por isso, o editorial do semanário Expresso (15.01.17) – “a ressaca dos acontecimentos de Paris obriga-nos a ter cuidado sobre novas legislações securitárias” – não deixa (não devia deixar) dúvidas. A ninguém.

Nota final: é fundamental sublinhar as palavras de Elísio Summavielle (i, 15.01.17): “por Deus há seres humanos que matam seres humanos, e por Deus aconteceu a barbárie de Paris. (…) Sou sempre da liberdade, e gostaria muito de crer que Deus também”.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Portugal sem rei nem roque, não é?

foto: economico.sapo.pt
Quase no fim do ano António Guterres, concedia uma entrevista ao jornal Público (14.12.28). Quando toda a gente estava à espera que um dos melhores primeiros-ministros que Portugal teve, falasse da sua ida para Belém, Guterres foi igual ao que sabemos dele: “a Europa vai viver uma progressiva perda de influência à escala mundial. Pode fazê-lo de forma desornada e com um preço muitíssimo mais elevado para os europeus, ou pode fazê-lo assumindo coletivamente os seus valores”.

Sendo verdade que “a vida da comunidade internacional tem sido marcada por múltiplas tensões, cuja raiz remonta à crise financeira mundial de 2008, elas têm sido enfrentadas com panaceias e propostas de solução que não ultrapassam o limiar da determinação retórica, ou até, como é o caso da União Europeia, com medidas que trocam o alívio no curto prazo por um preço astronómico a pagar no futuro”. (Viriato Soromenho-Marques, Visão,15.01.01)
Ponto de vista, aliás, com o qual concordo inteiramente, opinião que o mesmo autor também publica no Diário de Noticias (14.12.29): “a condição periférica que ciclicamente ameaça Portugal não resulta de uma fatalidade geográfica, mas sim de uma incapacidade de liderança politica para perceber os desafios da história”.

A culpa é nossa, portugueses acomodados. Daí que sublinhe o ponto de vista de António Guterres.
E ainda há por aí quem, abusivamente, teime em dizer que só gostava de conspirar no sótão!

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )