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sábado, 17 de julho de 2021

Euforia e desencanto

Nunca na história moderna houve empresas tão poderosas e nunca as empresas mais poderosas foram as de comunicação, o significa que eles desenham o poder.

Francisco Louçã, Expresso, 20.08.04

 

Na televisão ninguém te pede que cantes; faças ou não de conta!

O que importa para a televisão é a parvoíce que transmites; sem esforço e convencido de que és uma estrela.

E quanto maior for essa parvoíce melhor!

A televisão, a TV é agora – nestes dias cada vez mais vazios e frios –, apenas, cifrões (ou euros) e parvoíces.

Não é?

Então o que é hoje a TV?

 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Guerra antiga

Quando se é pequeno ainda não existe dimensão para o entender, mas o sofrimento alheio atrai pelo lado dramático: como num filme.

Rui Vítor Costa, O Comércio de Guimarães, 20.03.11

 

Ao ler O som e a fúria, de Wlliam Faulkner chorei. Pela simples razão de que ainda não fui capaz de apagar da memória palavras como estas: “quando um homem trabalha o dia todo gosta de se ver rodeado pela família à hora da ceia”.

Parece que estou a ouvir o pai.

É verdade que a hora da (nossa) ceia era bem cedo; o pai tinha que conquistar o monte de Currelos, puxando a bicicleta, a velha pasteleira.

Para estar, na hora certa, no sítio certo.



 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Harmonia desordenada

Todos nós, enquanto indivíduos, respondemos aos ambientes em que nos encontramos.

Charles Montgomery *, Smartcities, julho 2019

 

Outra das coisas que não entendo e que vejo logo pelas sete horas da manhã é o ruído e a poeira que uns aspiradores que a mesma Vitrus utiliza para limpar os jardins.

Ali na alameda S. Dâmaso é tremendo o barulho e a poeira no ar!

E depois sejamos realistas, o que polui mais as folhas que antigamente erram varridas ou os gases libertados por aqueles aspiradores? Ou serão bufões?

 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Estranha sedução

Quando digo que acredito em deus estou fora do campo da razão.

Frederico Lourenço, E, 16.09.10

Deus é paciente, dizes tu, mas nunca ninguém o viu nas filas da segurança social; ou nas respostas sérias aos isolamentos profiláticos.

Não gozes! Há loucuras intensas, sim! para quem conserva a alma por escrever; uma alma sempre fria e à espera de abrir a porta branca que incendeia o substancial do acesso a deus.

Posso desafiar deus?

Tu lá sabes! Mas pela forma como usas as minúsculas dás-lhe pouca importância…

 

Não é verdade que os momentos não duram nem é suposto durarem?

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Beleza dos grandes olhares


À beira da morte, queres é viver…

Álvaro Costa, E, 17.08.05

 

No fim, mesmo à beira da defunção: nunca te rendas aos dias vazios. Nem a pessoas cavas.

Segue, existindo. Na felicidade dos concertos lindos; mesmo que ruidosos!

São atos criativos; todas as alegrias. Depois, nos outros dias, já basta a parvoíce dos arrais apressados, dos patriarcas à procura de si e dos lerdos que se julgam senhores do mundo.

Coitados!

É, pois, chegado o momento de seguir em frente.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Cada vez há mais

Há quem pense que o exemplo das cidades durante a epidemia deveria ser uma lição e levar as autoridades a fazer com que as cidades, depois, um dia, fossem mais ou menos o que são hoje: desertas. Ou com uma beleza do silêncio dos cemitérios. Tanto disparate!

António Barreto, Público, 20.04.12

 

Reler 1984, de George Orwell, em tempos pandémicos e em confinamento faz-me pensar o que um qualquer Grande Irmão – independentemente do seu tamanho –, faz de cada ser humano o que quer. Brinque com os seus dias e as suas dores. E depois ponha na mão dos investigadores da verdade a certeza de que o final será igual a todos os outros: desolador; destruído pelos atropelos.

Ou seja, como do romance, esta afirmação de O’Brien: “toda a gente se cura, mais tarde ou mais cedo. Depois, acabaremos por te dar um tiro”!

Coitado de Winston!

 

É bem o retrato de uma humanidade esquelética, sob todos os pontos de vista.

É, não é?

Isabel Lucas (Ípsilon, 21.02.26) deixa-nos uma janela aberta muito interessante: [1984] continua a ser o livro que nos dedicamos quando a verdade é mutilada, alinguagem é distorcida e o poder é abusado, e quando queremos saber quão más ascoisas podem ficar.


 

domingo, 7 de março de 2021

Espaço em volta


É nos cinzentos que se encontra muitas vezes a verdade.

Mário Cláudio, Minha, janeiro 2020

 

As nuvens daqui do décimo andar agarram formas belas; mais belas que as nuvens de todos os dias.

Umas, serão deuses para quem não vê que deus é uma criação do homem. Outras serão, seguramente, animais míticos e bélicos mais poderosos. Também essas assumem criações pias.

O que quer que sejam, aquelas formas sublimes sobre a cidade colocam-me na bandeja da felicidade um final de tarde fabuloso, extraordinariamente belo; cheio de luz.

Quem disse que um internamento, mesmo que pelo vírus dos dias que correm, não pode ser (para a grande maioria) um momento menos intenso, quando olhado pelo lado do desejo poético dos olhares?

 

Uma nota de rodapé: Não percebo por que há tanta gente a dizer que a comida no Hospital não é boa. Só quem faz questão em manter uma alimentação salgada é que pode dizer isso.

 

Ah! Virá, depois, uma luta dura.

sábado, 6 de março de 2021

Linha dos dias; subtil

Se perguntar o que é o amor, a ciência não sabe responder.

Carlos Fiolhais, E, 19.02.09


1. É sábado, sinto-me perdido e com a impressão de que toda a gente em todo o mundo sabe tudo sobre mim. Observa-me. Como eu que examino a cidade do décimo andar. 

Odeio os parvos, e são muitos, que cruzam a circular urbana. Como detesto, os outros, que, passeiam pelas ruas da cidade. Deve ser alguém para quem a palavra confinamento não existe.

Não os quero ver aqui. Aconselho-os vivamente as escutarem as palavras do António Durães, com aquela voz maravilhosa que não deixa ninguém indiferente, a dizer-nos como o vírus entra na festa.           

Equipa covid; na urgência covid – eu com frio e cansado, desorientado –, sossega o descontrolo que me faz perder o desejo de devir e sossega-me num repouso até ao internamento. Uma equipa (em trabalho seguido num conjunto enorme de dias) que foi dos grandes exemplos do melhor espírito de grupo e de trabalho em equipa que vi.

Tanta juventude por ali! Tanto empenho e tanto carinho!

2. Do meu lado, esquerdo – fui um felizardo!, fiquei à janela – mais duas pessoas. Já sei os seus nomes e as suas origens. Tal como eu, na paragem do tempo onde é costume mandar embora o vírus.

As Está a incansável equipa médica, enfermagem e auxiliar. Podem mudar de turno, mas a disponibilidade na ação, a atitude profissional, sempre atenta e carinhosa, estão sempre presentes.

Equipa covid; na urgência covid – eu com frio e cansado, desorientado –, sossega o descontrolo que me faz perder o desejo de devir e sossega-me num repouso até ao internamento. Uma equipa (em trabalho seguido num conjunto enorme de dias) que foi dos grandes exemplos do melhor espírito de grupo e de trabalho em equipa que vi.

Tanta juventude por ali! Tanto empenho e tanto carinho!

3.Pneumonia’ sempre foi uma palavra que me assustou; mesmo quando não a conhecia. Agora que a sinto bem dentro de mim e a chatear-me solenemente, descubro também a associação perfeita que faz dos dias com a beleza do caminhar: coragem. E então quando este ânimo vem de mão dadas com a motivação, as vistas da cidade têm outro encanto.

E dali do décimo andar!

Que dimensão de realidades belas! Como o deste final de tarde de sábado.

Com uma luz linda, diluindo-se no silêncio da cidade.

Vale, pois, prestar atenção ao Espaço em volta. Vem já a seguir.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Baluarte da confiança

Foto: Brendan SmialowskiN(AFP) 

Voltamos a aprender que a democracia é preciosa. Que a democracia é frágil. E nesta hora, a democracia prevaleceu.
Joe Biden, na tomada de posse como presidente dos EUA, 21.01.20


 Como gosto deste título do jornal Público do passado dia 22: Joe Biden riscou o legado do “trumpismo” com uma caneta.

A peça, com assinatura de Alexandre escalpeliza o título: 17 decretos para desfazer as decisões emblemáticas do antecessor, como o muro.

Ah! O muro na fronteira com o México caiu.

 E, muito, muito importante, os Estados Unidos voltaram ao Acordo de Paris e há uma ordem para evitar a saída dos Estados Unidos da Organização Mundial de Saúde.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Batalha mental


Na história do pensamento social usou-se abundantemente a metáfora do dia que corre. Para onde vamos? Ainda vamos a tempo ou é irreversível o desastre?

José Luís Lisboa, le Monde diplomatique, novembro 2019

 

A ideia, sempre presente em 1984 de George Orwell, do telecrã – que massacrava os ouvidos com estatísticas, provando que atualmente as pessoas tinham mais comida, mais roupa, melhores divertimentos” pode ser comparada aos gabinetes de comunicação das instituições, governos, empresas e desejos exacerbados de poder que proliferam cada vez com mais força e maior perigosidade?

O senhor George Orwell quando escrevia – para publicação em 1949 – o seu romance distópico 1984 já estava nos dias que correm, não estava?

Terá sido por isso que inventou a Policia do Pensamento?

 

Nota de rodapé: aconselho vivamente a leitura do texto Gonçalo M.Tavares no Expresso (revista E) deste fim-de-semana.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Clerezia insurreta

Pensávamos que nos tínhamos libertado de Deus, mas não, parece que Deus está a voltar e, com Deus, vem toda a violência, vem o fanatismo.

Adolfo Luxúria Canibal, Ípsilon, 19.09.27

Deuses de pedra rasgando os desejos; todos os desejos de fraqueza e fragilidade. Crenças? As pessoas vão e chegam, só os problemas se mantêm. Se quisesse ser dono da verdade fundava uma religião…

Que coisa!

A culpa e a religião sempre se misturaram, bem sabes.

Sim, sim! Manuel Pinto (7Margens, 21.01.09), olhando os dias violentos que nos destroem, deixa-nos uma dica: É oportuno recordar a intervenção de um arcebispo católico [Carlo Maria Vigano], escondido em parte incerta e inimigo figadal do Papa Francisco, que promoveu novenas e fez protestos de adesão à presidência de Trump e que voltou, nestes dias mais recentes a entrar em ação.

Deus é paciente!

Se calhar! Mas voltemos a olhar para o que Manuel Pinto escreveu no 7Margens do dia seguinte: Perante um Presidente que, em lugar de unir, dividiu a sociedade, fechou as portas aos imigrantes, propagou a mentira, pôs em causa a democracia e acicatou a violência, várias igrejas preferiam apoiá-lo ou calar-se, pelas vantagens que receberam ou pela concordância em matérias como o aborto.

Ui! Que é que o tal arcebispo católico americano queria (ou continua a querer)?

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Medo do futuro

A realidade mostra como a política do medo é sempre construída em cima da propaganda.

Pedro Filipe Soares, Público, 20.01.10

Há uma onda de medo em terra; percorrendo o planeta de lé-a-lés, sabes? E o pior é que o medo tornou-se o tic-tac mais ouvido por todo o lado; em todos os ouvidos serenos.

Estás com medo de quê?


Do mundo, deste mundo à deriva. Sem líderes hábeis.

E, acredita, não considero nada exageradas estas palavras de Henrique Raposo (Expresso, 21.01.07): a tarde de 6 de janeiro é o episódio mais grave deste século. É pior que o 11 de setembro, é pior do que o Bataclan, é pior do que a crise de 2008, é pior do que a pandemia, porque nos indica um futuro possível que é terrível e, sim, apocalíptico.

Se calhar! O que aquela tropa parva e sem lei fez não é só doloroso e violento é um precedente perigosíssimo para a democracia.

Nem mais! Foi isso mesmo que escreveu António Barreto (Público, 21.01.09): avistar uns labregos desalinhados nos gabinetes dos mais altos responsáveis políticos parlamentares, assim como hordas de selvagens a tomarem conta das salas de sessões, deixa recordação para o resto da vida. Mas o sociólogo dá-nos um recado solene: Trump faz parte do mundo que nós criamos. Fomos nós que o fizemos.

Sem dúvida! Até parece que a vitória da esperança sobre o medo deixou de ser possível. Mas insisto, como bem sabes, aliás que não tenho dúvidas de que o medo se domina pela ação. E que a indiferença é um dos piores males. Assusta-me. Tenho-lhe um medo de morte.

Tens razão; não podemos andar a bordo do nosso futuro com o medo sempre entre mãos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Beleza doméstica

A pandemia ensina-nos que somos uma das muitas espécies na Terra, que temos um corpo frágil e mortal e que as nossas possibilidades são limitadas.

Olga Tokarczuk, Prémio Nobel da Literatura, E, 20.08.08

 

A camisola interior que – dizem os especialistas da coisa – se tornou saloia, não daria uma imagem menos saloia a quem se põe todo à mostra para que vacina entre?

 

Bom fim-de-semana.

 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Centro de poderes

foto: Leonardo Negrão (Global Imagens)
 

A palavra “elite” entrou em regime de inflação, no nosso espaço público.

António Guerreiro, Ípsilon, 19.06.28

 

1. Desde que votei pela primeira vez (e integrei a comissão concelhia de Guimarães da candidatura de Maria de Lurdes Pintassilgo) habituei-me a olhar para uma eleição presidencial e de uma forma diferente para os díspares candidatos presidenciais; diferença no que concerne à forma como se é sem deixar de ser, sem ser o que as máquinas políticas tanto desejam. E diferença na simplicidade e frontalidade dos olhares; seja para as realidades políticas, seja, principalmente, para as realidades sociais.

Neste ano, um ano dominado por Marcelo; comentador, chefe do governo, populista e presidente, tinha desistido de pensar nas eleições presidenciais do próximo mês. Mas os últimos avanços rumo à última semana de janeiro agitaram-me, levando-me para o sítio onde, na verdade, nunca nenhum de nós devia sair: a participação cívica.

 

2. Sendo certo que não olharei (agora) para Marisa Matias, por mais que aprecie o seu trabalho como deputada no parlamento europeu, restam-me dois candidatos: Ana Gomes e João Ferreira.

 

3. Aprecio imenso João Ferreira, que não para de mostrar como é um político com todas as janelas de futuro abertas. Considero-o o homem do horizonte de esperança. Estarei muito atento aos seus próximos passos.  

 

4. Só que neste momento solene de decisões, e sendo certo que o atual inquilino de Belém só a espaços se lembra que é presidente de todos os portugueses – seja no silêncio premeditado sobre atitudes pouco dignas no que à justiça diz respeito, seja nas provocações para fazer de conta que não existe em Portugal um governo livremente escolhido pelos portugueses –, continuo a ser fiel à aprendizagem que fiz aquando da candidatura de Maria de Lurdes Pintassilgo.

 

5. Ana Gomes é um sobressalto muito importante contra a apatia reinante; uma apatia que tem duas bases principais e perigosamente complementares: António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.

O primeiro porque quer continuar a ‘dar-se’ com o segundo; e este segundo, tal como o primeiro, só olha para os interesses defendidos, desde sempre pelo centrão (como dizem os brasileiros), uma zona cinzenta do espetro politico que não é nada meiga no que às dificuldades dos mais necessitados diz respeito.

 

Nota de rodapé: há (supostos) dirigentes políticos dos dias que correm que só lhes falta (mesmo) mostrar a ferida aberta na coluna para inserção da mola que já não os suporta publicamente; tal é o seu fracasso liderante. Com a sua curvatura incapaz de os conduzir ao devir. Porque se agitam com a menor movimentação de ar.

O pior é que eles estão mesmo ao nosso lado!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Bola de espelhos

 

A grandeza hoje está no pequeno gesto que pode ajudar a reciclar o mundo.

Vitorino Silva (Tino de Rans), Diário de Noticias, 19.02.09

 

Quando o medo nos conduz a uma qualquer luz, até pode ser a luz pálida de um pirilampo, cheira-nos a salvação; vai daí seguimo-la. Aos trancos e aos mancos, mas seguimo-la, porque nos sentimos perdidos. Não, não estou a olhar para as palavras de Luís Pedro Nunes (E, 20.12.04) – os especialistas em história de pandemias estão em grande. Ainda há um ano ninguém sabia sequer que existiam e hoje são convidados de luxo em programas de televisão internacionais onde bebemos as suas palavras.

Mas por muitas (outras) razões, muito embora as palavras de Luís Pedro Nunes sejam bem claras e objetivas.

Estou mesmo a olhar com preocupação para as palavras de André Lamas Leite, na edição do passado dia do jornal Público, 20.12.01: a pandemia é uma lança apontada ao coração da democracia e a prostituição dos valores rule of low * bem pode despertar Victor Hugo do sono eterno. 

Se temos memória das nossas infâncias, não é verdade que íamos atrás dos pirilampos quando estávamos à deriva, perdidos dos pais e a fugir das sombras?


* estado de direito


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Barbas a arder

Não desejo uma vida difícil a ninguém, pois as dificuldades, a pobreza e a dor não faz ninguém melhor pessoa.

Joacine Katar Moreira, E, 19.12.28

 

Como adoro este título do Jornal de Noticias do passado dia 4: greve de fome de sete dias termina com piza e croquetes. Não, não estou a brincar. Gosto mesmo!

A peça de Rui Pedro Pereira atira os meus olhos para as câmaras televisivas. Onde vi ali muito gozo; tanto escárnio e tanta vontade de fazer dos espetadores verbos de encher.

Registo no texto do jornalista do JN que os transeuntes pediram para tirar selfies com o chef. Só que, o chef terá reagido ao nível de “isto parece mesmo um zoo*, entre dentes, para que não ficasse registado.

Não, senhor! Não falta atirar amendoins. Mas há quem considere heróis em gente assim.

 

Sem mais palavras sob a minha pena, importa vincar este ponto de vista do músico Miguel Guedes (Jornal de Noticias, 20.12.04): sabes se a presença em frente ao Parlamento de nove empresários em greve de fome, habitualmente bem nutridos nas suas vidas normais garbosa e luxuosamente exibidas nas redes sociais), faz mais ou menos pelas reivindicações do setor da restauração, hotelaria e diversão noturna é algo de muito questionável.

 

* minha senhora, estou muito fragilizado! Respondeu entre chã, água e pilhas de jornais do dia, uma bandeira de Portugal e muitos cigarros, Ljubomir a uma mulher que lhe pedia para tirar uma selfie. (JN, 20.12.04)

 

domingo, 6 de dezembro de 2020

Caiu o meu ídolo


Os cães é que são fiéis aos donos. Homens e mulheres não são fiéis. Ninguém é fiel a ninguém, porque a palavra não faz sentido.

José Gabriel Pereira Bastos, psicanalista, E, 19.07.13

 

Rui Rio quer matar António Costa.

Perdão! O líder do PSD quer que a legislatura de António se fique pelo caminho.

Só que Rui Rio, sempre acelerado em Chegar primeiro, esquece o essencial: à parte a estúpida estupidez dos confinamentos feitos a régua e esquadro, já nada liga o PSD e o PS.

O PCP de Jerónimo de Sousa sabe bem disso. Sempre soube! Sabe melhor do que muitos (considerados) senhores políticos deste país à beira-mar plantado das verdades políticas.

E o PCP não vai alinhar em antecipação de eleições.

Não vai.

Há dúvidas?

Basta um pouco de bom senso e leitura de números. Seja de militantes, seja de contas. Em suma, tenham eles a dimensão ou orientações que tiverem!

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Caminhos cúmplices

Os políticos têm de deixar de sair pela garagem, com os vidros fumados e têm de passar a sair pela rua.

Vitorino Silva (Tino de Rans) Diário de Noticias, 19.02.09

 

Não voa como uma borboleta nem fura como uma abelha, mora num casarão rodeado de árvores. Onde um montador solitário se passeia se nas zonas de conflito…

Que palratório é esse?

Na verdade, é apenas um suspiro de preocupação com os dias. Pesados e com ausência de líderes e políticos de confiança. Leste o texto de editorial do jornal Público, do passado dia 29 de outubro?

Li, sim senhor! E fixei muito bem as palavras de Ana Sá Lopes – Infelizmente, vivemos tempos emque tudo, mesmo o inimaginável, pode acontecer.

Nem mais! Um cruzamento de vontades à deriva com o terror dos vazios liderantes.

Pois é! E que nos deixa uma imagem ténue de nós num tempo que se faz de imagens balofas.

Sabes que, já este mês, também num texto de editorial do jornal Público, Ana Sá Lopes volta a acordar-nos para os dias perversos que vivemos?

Sei sim senhor!, quando a diretora-adjunta daquele jornal nos entra pela consciência e pelo pensamento com estas palavras: Para espanto de muitos, o PSD escolher achar aceitável o tal partido “em muitos casos de extrema-direita” para seu compagnonde route.

Caramba, que tiro tão certeiro, não te parece?

Sem dúvida! Com uma bala ao coração da vida secreta de vendedores de sonhos, não é?

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Arte da violência?

 na foto: uma das maravilhas de Portugal; Sistelo. Cada vez com mais agitação. 

 
Temos – penso – dificit agravado de atenção e de escuta. Apaixonados pela técnica, dependentes de um telemóvel, facilmente deixamos de estar presentes nos sítios onde estamos.

João Aguiar Campos, Igreja Viva, 18.09.13

 

Ele há coisa que me não entram na cabeça. Na minha cabeça; pelo menos.

Ele há coisas que só acontecem mesmo no mundo alucinado de certos detentores de poder.

Sem alongar mais, importa perguntar por que carga de água há autarquias que gastam milhares de euros em chamadas de valor acrescentado?

Para promoverem os seus territórios?

Não haverá outra forma de o fazer?

Se for verdade que a autarquia trofense “efetuou inúmeras chamadas telefónicas ou de valor acrescentado na candidatura de que era promotora [Santeiros de S. Mamede de Coronado] para Maravilha de Portugal, efetuando uma despesa de 75 mil euros em telefonemas”, é uma anormalidade.

E, portanto, é uma coisa que não me entra na cabeça.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Ao lado dos melhores


Requisitos necessários para que os deuses, mesmos os omnipotentes, possam ser deuses: primeiro, precisamos de ser venerados; segundo precisamos que o Homem se mantenha Deus.

Ricardo Araújo Pereira, E, 19.06.29

 

À exceção da RUM (Rádio Universitária do Minho) – que, na verdade nem é bem uma rádio local –, não ouço rádios locais. Por isso tenho andado a leste da “guerra de audiências”.

Só que, num destes dias ao ler o jornal famalicense Opinião Pública (21 a 27 de outubro de 200) deparei-me com esta manchete: Fama Rádio lidera FM em Famalicão e Guimarães e é a segunda no online no distrito.

Não tenho nenhum motivo para não acreditar neste estudo do Bareme Rádio da Marketest, fiquei, apenas espantado.

Mas… afinal não era de Guimarães a rádio local mais ouvida em Portugal?

 

Nota: o diretor da rádio famalicense, com poucos meses de vida, já esteve por Guimarães; numa das rádios locais. Nesse tempo estive algum tempo na rádio, sim. E cruzamo-nos; pelos corredores da Gil Vicente.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...