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domingo, 21 de março de 2021

Circulação incessante

O tempo do fim está aí, diante de nós, a assombrar-nos, e já não é apenas no plano existencial e metafórico: a frase anuncia a forma contemporânea do desastre, já não é “o deserto cresce”, mas a “extinção aproxima-se”.

António Guerreiro, Ípsilon, 18.11.09

 

1. Nunca dou nada por adquirido. E nos dias que correm as certezas não param de escassear.

Mas há, não se duvide, vontade, atitude e modos de olhar o futuro que fazem diferenças. Qua aquecem a frieza e a solidão dos dias.

Senti-o bem recentemente. E não foi, apenas, no décimo piso.

 

2. Rememorando – se é que um internamento se recorda –, a minha passagem pelo piso 10 há uma certeza que me fica: a solidão, a reflexão e o sentimento sempre foram ajuda fundamental que acertam o rumo da Humanidade.

Senti-me, por uns dias, um cidadão do mundo. Não pela dor e confinamento, mas pela real certeza de que nunca se pode viver só. E porque senti como importa refletir contra a agitação dos dias.

 

3. Quando, depois da passagem pelo décimo piso, voltei para casa confirmei essa certeza: a Zé – também ela infetada com o vírus mais conhecido dos dias que nos amarguram, embora com sintomas ligeiros –, foi também atriz de uma realidade que nos transportou a um palco diferente.

Não conheço o encenador da dor que criou a triste realidade covídica, mas conheço muito bem o palco dos dias que nos agitam sob as luzes cénicas; da vida.

Voltamos, pois, a ser atores! Tenho a certeza de que com interpretações ainda mais robustas.

 

Nota de rodapé: voltaremos a Melgaço, não tarda. Para mais um grande momento de nós.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Obrigado imenso

O tempo covid está dissolvido na água dos dias iguais.

Clara Ferreira Alves, E, 20.10.17

E (quase) no final de um percurso que se fez de dores, agitações, muitas incertezas e dúvidas, importa trazer aos dias que correm a importância da realidade.

Importância que é, no fundo desta realidade pandémica, o contacto com quem sabe.

 

1. A médica e a enfermeira de família; da minha família, foram sempre presença nos momentos covidícos por que passamos. Por telefone sempre orientaram e ajudaram. Muitas vezes, com chamadas ‘fora de horas’, mas sempre com o mesmo tipo de preocupação e orientação.

E quando assim é, sentimo-nos mais seguros, não é?

 

2. Por via de qualquer dúvida: fiz o teste à covid-19 no dia 25 de janeiro; às 13H00. No mesmo dia, cerca das 23 horas, recebi a sentença: positivo.

O rastreio de contatos aconteceu no dia seguinte, a meio da manhã. O telefonema foi rápido. Porque as respostas eram óbvias.  

 

segunda-feira, 15 de março de 2021

Confiança alta

Ficamos em casa, lemos livros e assistimos a séries na televisão, mas de facto, estamos a prepara-nos para a grande batalha de uma nova realidade, que nem somos capazes de imaginar, chegando devagarinho à conclusão de que nada jamais será como era antes.

Olga Tokarczuk, Prémio Nobel da Literatura, Expresso, 20.04 25

 

1. Afinal, mesmo estando já em casa, não larguei o pijama; tenho confinamento obrigatório de uma semana!

Estou, é verdade!, sozinho, no meu quarto de sempre.

(A Zé foi ‘corrida’ para o outro quarto, mas não me deixa em paz. Gosto dessa casmurrice tão carinhosa!

Obrigado Zé! És um amor.

Sem forças e com esta dificuldade em mexer as pernas o que seria de mim sem a tua proximidade?)

 

2. Num desafio (ou preocupação) gostava de deixar uma sugestão para quem vai ser internado:

objetos a levar: uns fones; ou auscultadores. Evitam tardes de TV em modo arraial.

 

Ah! Agora já não tenho o corpo em suspensão.

domingo, 14 de março de 2021

Viagem abençoada

Ao mesmo tempo que mudamos, os sítios também mudam.

Piotr Anderzewski, E, 19.09.21

 

O meu regresso a casa depois da alta hospitalar foi feito numa ambulância do Centro Hospitalar do Ave; dois jovens simpáticos e prestáveis como já não via há muito. Em termos profissionais foram excelentes! Mas não só, a maneira como um e outro se disponibilizaram para ajudar devia constar dos cânones de certas empresas.

Que gente prestável e simpática!

 

O fim de tarde estava frio. E chovia. Foi o pior!

Não esqueço o esforço que fizeram para entrar na garagem do bloco onde vivo para que eu não sentisse a chuva e o frio. Quando assim é nem a chuva o frio nos travam.

Obrigado, meus senhores!

Infelizmente o veículo era mais alto!

 

Nota de rodapé – fico muito feliz pelo reconhecimento por parte da ARS Norte na boa prática clínica ao Hospital de Guimarães; no que á covid diz respeito. Senti bem de perto aspetos salientados na avaliação, por enquanto por lá estive. 

Uma nota final que me fez pensar: três semanas seguidas, quer o Ípsilon, quer a E, três capas negras. O que me terá escapado? 

Mas, apesar da cor das capas, aí está a Confiança alta.

 

quarta-feira, 10 de março de 2021

Bom pressentimento

Eu sou um grande fã de cidades. Sempre quis que elas fossem personagens dos filmes.

Woody Allen, E, 19.10.19

 

 06H58. E a lua já subiu na cidade.

Desde as cinco horas que acompanho o seu percurso.

Agora o céu aclarou.

Tem manchas vermelhas no regaço. A cidade continua calma.

É domingo. E já recebi a prometia visita clinica. O dia promete.

 

07H24 o céu mesclou-se de azul e vermelho. Que beleza!

 

A tarde, depois de um almoço que parecia saído das mãos de um chef de um dos restaurantes com marca, tornou-se nostálgica. Deu para ouvir Deep Purple (que bom ter alguma música na memória do telemóvel). É o que faz não ter intenet por estas bandas!

Mas sabe sempre bem recordar grandes bandas.

E no piso dez; enquanto olho a cidade até não se está mal.

 

Ah! Chorar faz-se longe de casa.

terça-feira, 2 de março de 2021

Cá estou eu, outra vez


A dor é o que nos lembra da profundidade do nosso amor e, como ele, não é negociável.

Nick Cave, in Cartas (que o músico australiano escreveu no sítio The Red Haud Fig), Ípsilon, 18.11.16

 

E pronto!

Começa aqui uma torrente de sentires, dores, ausências; tantas dúvidas e indecisões. Um receio solene e real do devir.

Mas com uma certeza sempre presente: é bom seguir em frente.

 

O que se segue, pelos próximos dias, por estes lados não são, apenas, olhares, emoções e temores de uma passagem forçada pelo décimo piso. É também a certeza constatada da pequenez do corpo; da exiguidade do caminhar de cada ser humano. E a confirmação de que não somos, nem por sombras, o que estávamos convencidos que éramos.

 

Foi uma viagem intensa; uma jornada que por aqui se fará de verdade e ficção; realidades que seguiram – e seguem – de mãos dadas. Onde tudo aconteceu num contexto específico.

Muito doído!

 

Felizmente que há tantas aclamações azuis!

segunda-feira, 1 de março de 2021

Emboscada violenta

As cidades estão petrificadas pelo medo, todos nos transformamos em inimigos e lobos para os nossos vizinhos.

Bernard-Henri Lévy, TSF, 20.07.16 (entrevista de Reis Polónio)

 

Tenho medo.

No fragor da noite escuto uma afronta impressionante. Palavra!,

(as coisas importantes resumem-se num parágrafo.)

continuo com medo; a minha janela projeta a escuridão. Estampada em desesperos. Silêncios; ausências.

                (não circula vivalma; do outro lado da janela. a janela vive no desmazelo de sempre. poeirenta. sem brilho.)

Tenho medo.

Vou esconder-me dos sítios secretos, da casa vazia, dos empedrados gastos. Não quero ensanguentar os pés nem empoeirar os sapatos exaustos.

(não circula vivalma; do outro lado da janela.)

Tenho medo!

(não circula vivalma.)

Quem sou eu para duvidar desta dor; feita afirmação intensa de silêncios, tantas dúvidas e ausências?

 

Sim! Cá estou eu, outra vez.

 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Chama de emoção


Não houve nenhum outro campo em que Guimarães se tenha posicionado internacionalmente ao mesmo nível que foi capaz de fazer na Cultura.

Samuel Silva, reflexodigital, 19.12.19

Guimarães Cidade Natal é uma iniciativa lançada pela câmara de Guimarães há três anos. Desde logo, olhei para esta realização como uma mais-valia muito interessante e capaz de animar quem, por terras vimaranenses, tem coisas lindas para mostrar. Mas também como um espaço de fruição, com luzes e animação, de fazer crescer água na boca aos mais pequenos.

Esta Guimarães Cidade Natal cresceu; sempre no acolhimento à bonita realidade que é a mostra de coisas lindas que se desenvolvem em território vimaranense.

Só que – porcaria de vírus! – há sempre um todavia nas coisas lindas da vida, este ano a Guimarães Cidade Natal não vai ser, porque não poderá acontecer.

Perdão! Vai ser e vai acontecer, mas de uma forma diferente, mas não menos motivadora. E a ideia de os artistas vimaranenses – e há gente tão criativa em Guimarães – fazerem as suas coisas lindas; criando encantamentos em árvores de natal para “angariar alimentos, roupa, livros e brinquedos para oferecer a seis instituições” que trabalham no território vimaranense é uma coisa linda. Muito interessante. Não só porque aumenta a solidariedade – sim é um veículo muito bom com os criadores vimaranenses! – e leva prendas a quem lhes dará o melhor uso.

E isto é solidariedade! Sim! Ativa e sincera.

Ah! E as árvores de natal farão a delícia dos vimaranenses nos diferentes espaços citadinos.

Ou seja, sendo certo que a “magia do natal é para todos”, importa muito enaltecer – para além da possibilidade de travar um consumismo desenfreado que, antes, nestes tempos ditos natalícios, provocavam nas pessoas (escrevi no pretérito perfeito porque o espero sincera e ansiosamente que da pandemia possa nascer a alegria da fraternidade) esta novidade de mostrar os encantos natalícios como eles sempre deviam ser: a harmonia solidária e o espanto pela luz que desce na noite.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Ao lado dos melhores


Requisitos necessários para que os deuses, mesmos os omnipotentes, possam ser deuses: primeiro, precisamos de ser venerados; segundo precisamos que o Homem se mantenha Deus.

Ricardo Araújo Pereira, E, 19.06.29

 

À exceção da RUM (Rádio Universitária do Minho) – que, na verdade nem é bem uma rádio local –, não ouço rádios locais. Por isso tenho andado a leste da “guerra de audiências”.

Só que, num destes dias ao ler o jornal famalicense Opinião Pública (21 a 27 de outubro de 200) deparei-me com esta manchete: Fama Rádio lidera FM em Famalicão e Guimarães e é a segunda no online no distrito.

Não tenho nenhum motivo para não acreditar neste estudo do Bareme Rádio da Marketest, fiquei, apenas espantado.

Mas… afinal não era de Guimarães a rádio local mais ouvida em Portugal?

 

Nota: o diretor da rádio famalicense, com poucos meses de vida, já esteve por Guimarães; numa das rádios locais. Nesse tempo estive algum tempo na rádio, sim. E cruzamo-nos; pelos corredores da Gil Vicente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Acolher e festejar a diversidade

 

Em Portugal, que eu saiba, o melhor lugar para ouvir as cigarras é a poesia de Eugénio de Andrade.

José Tolentino Mendonça, E, 20.07.04

Guimarães vai ter na sua programação normal um festival de música com referência nacional?

Parece que sim. A sério!

Pelo menos João Carvalho, o homem e o rosto do Festival Parede de Coura, já disse publicamente – no decurso de uma conversa bem interessante e bem agradável que teve lugar na tarde do passado domingo, dia 12 de julho no mercado municipal –, que gostava de ver o Primavera club de volta. Afinal, como afirmou, a música é arte; das mais importantes e, sendo certo que há pessoas com muito bom gosto em Guimarães, estão lançados os dados para um festival de música de impacto nacional em terras afonsinas. 

Naquela conversa, com moderação de Ana Cotter, quer João Carvalho, quer Edgar Pera, um realizador de referência em Portugal, pensaram o futuro de Guimarães em termos culturais e arquitetónicos – a moderadora é arquiteta de profissão, o que acrescenta mais ‘provocação’ às ideias de futuro para Guimarães –, no âmbito da discussão pública sobre o Bairro C.. João Carvalho – para quem a cultura traz alma à cidade e Guimarães é uma cidade que tem alma, cumplicidade em termos culturais – é de opinião de que também seria muito interessante ver a acontecer um festival de cinema; um bom festival de cinema, em Guimarães. Ideia que com Edgar Pera também concorda, desde logo, porque os festivais são fundamentais para o lançamento de filmes.

Ah! Se o festival musical nascer na cidade-berço até já tem nome; pelo menos Rodrigo Areias, presente na plateia, já o pronunciou publicamente: festival paredes de Couros.

Por mim, e corroborando as palavras de João Carvalho, Guimarães é uma cidade que tem alma, cumplicidade em termos culturais, acredito nestas novidades conversadas no terrado do mercado municipal.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

À sombra da montanha


O investimento na cultura deve duplicar ou quintuplicar quando a missão e a urgência é salvar o humano.
Mário Lúcio Sousa, escritor, músico e antigo ministro da cultura de Cabo Verde, Público, 20.07.01

Num documento que a Prodata tornou público recentemente são analisados um conjunto de indicadores sobre Guimarães e a sua realidade em diferentes vertentes. De entre esses olhares diferenciados sobre a terra de D. Afonso, há um dado que merece destaque; pelo menos para mim: “o número dos espetáculos culturais registou um aumento considerável”. Vinque-se que no período em análise passou de 104 espetáculos para 372.

Segundo aqueles dados – de 2018 e 2019 – o projeto da Fundação Francisco dos Santos, mostra também realidades de que não gosto. Como por exemplo a diminuição da construção. É pouco animador e permite perceber o custo do arrendamento que por aí anda.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Cenário de liturgia

foto Nelson Garrido (Público)

Maravilha-me que haja refúgios e momentos de harmonia e de poesia.
Pilar Del Rio, E, 17.04.22

Nuno Faria é o diretor artístico do Museu Cidade do Porto.
O jornal Público – página 38 e numa peça de Ana Rita Moutinho – escreve em título que o Museu Cidade do Porto é como uma linha de metro: sempre em expansão.
Mesmo ao jeito de Nuno Faria! Sempre pronto a novas velocidades e olhares construtores de devires e desejo de normalidade.
Fico só com uma valente dor de cotovelo – sim, porque o Nuno Faria deixou-nos. Em Guimarães; ali no CIAJG.
Felicidades Nuno Faria!
Mas quem tem uma bitola de trabalho como o Nuno Faria só pode ter sucesso.
Nós, por cá, é que temos saudadas tuas, Nuno.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Visão dos pássaros


Politica não são os partidos, é tudo. A gente debaixo desse viaduto é política.
Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

1. Do fim-de-semana chegam-nos sempre momentos diferentes; uns simpaticamente bons e calmantes das dores dos dias, outros nem tanto. Do último fim-de-semana, que foi excelente – com teatro de qualidade em Pevidém onde estive na sexta-feira – (grande mostra senhores do Teatro Coelima com esta mostra internacional de teatro!) a dar-nos a comédia da marmita, uma comédia latina de Plauto, pela mão da Nova Comédia Bracarense) – e dança de cortar a respiração (aquele início de noite no último sábado com o coletivo com origem em Inglaterra Akram Khan Company com outwitting the devil foi fabuloso) lá em cima em Vila Flor.

2. Mas guardo, infelizmente, dois registos com dor. Uma com a pena de Miguel Sousa Tavares (Expresso, 20.02.08): a lição que agora recebemos de Washington é que a democracia deixou de ser aquilo que nos ensinaram desde pequeninos. Uma posição que subscrevo sem receios; muito menos sem pensar nas moedas de ouro do senhor Euclião (que vi no palco em Pevidém).
O outro, com escrita de Paula Santos (Baixos, no Expresso, 20.02.08) Carlos César Presidente do PS
Agitar a bandeira da demissão de um governo perante uma votação já não é uma novidade, mas exibi-la no arranque de uma legislatura, soa a banalização de uma ameaça. O PS governa em minoria, sem acordo parlamentar assinado.

3. Não sou capaz de enquadrar em nenhum dos momentos fabulosos de um fim-de-semana de se lhe tirar o chapéu.
Felizmente que a vida, o nosso caminhar diário, não tem sempre descidas de um qualquer presidente de um partido politico; se não todos os espantos sobre os populismos seriam puras encenações em palcos sujos, mas com muitas luzes brilhantes a tapar a poeira.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Cerimonial do costume


O homem é um animal em movimento num universo em movimento.
Clara Ferreira Alves, E, 19.07.06

1. Vai com deus e não te esbarres eram as palavras, gritadas em tremenda felicidade, por três crianças. Tão inocentes! Tão coitadas! A mais velha gozava os seus sete, oito anos e as duas mais pequenas com uma diferença de dois anos entre si; diferença também para o mais velho. Era Brito. Por aquela altura, uma freguesia assustadora à noite, sem luz, demasiados ruídos e buracos pelos caminhos e uma desolação total em tempos de inverno.
O vai com deus e não te esbarres era entoado em coro, três putos em uníssono que corriam feitos desalmados, ao lado das bicicletas que deixavam o Bonfim – lugar de referência em Brito por ali ter existido um antigo cemitério – em direção a Pevidém. Nomes sonantes na caravana: Manuel, Casimiro, José e António.
Como eles gostavam de pedalar nas suas pasteleiras vistosas rumo aos seus empregos em Pevidém! Outros tempos! Aquele grupo de grandes amigos (o meu pai usava a palavra parceiros), rumava ao seu trabalho noturno na Sociedade Têxtil Albano Coelho Lima, S.A.R.L; depois Coelima, S.A..
Ponto final. Já me falta fôlego.

2. Na sexta-feira, dia 20 de dezembro, chorei num armazém da empresa J. Pereira Fernandes, em S. Jorge de Selho. A empresa criada por João Pereira Fernandes que, paulatinamente, criou uma referência têxtil na vila de Pevidém.

3. Obrigado Capivara Azul. Obrigado Teatro Coelima. Obrigado Inês Vila Cova. Obrigado Excentricidade. Fizeram-me reviver memórias intensas de uma realidade triste que para nós, crianças felizes com o pouco que nos restava, eram gritos de felicidade. Foram tempos de crescimento que nos trouxeram ao futuro.
Tempos tristes? Foram tempos que o tempo não apagará. Tempos sinceros e realistas. Num tempo em que as memórias são cada vez mais apagadas da Memória é obrigatório reter o que aconteceu na sexta-feira, dia 20 de dezembro.

4. Entre a dor do abandono – sim o meu pai dormia durante o dia e a minha mãe, atravessando o monte de Currelos que separa as localidades de Brito e S. Jorge de Selho, logo a seguir ao almoço entrava no turno da tarde (eram as bobinadeiras, não eram mãe?) da Coelima e o meu pai na mesma fiação (eram os abridores, não eram, pai?). Restavam pela casa e pelo lugar três crianças: a Ana, a Adelaide e eu.

5. Do que vi e ouvi ao vivo e no ecrã, vinco o essencial: as memórias, mesmo as mais dolorosas, são memórias que nos inquietam por momentos e tempos. Era o ano de 1976! E era janeiro.
Tenho um poema dessa altura, escrito no mês de maio:

Gosto de ser da Coelima
por ser muito grande e boa.
E por estar por cima
de todas as de Lisboa.

É grande e muito bela.
Bem organizada está.
É por isso que gosto dela
e por isso estou cá.

Sou um pequeno trabalhador.
Mas tudo se arranjará.
Ainda que seja com suor!

Então continuarei lá
a trabalhar com ardor
O resto logo se verá.

Nota de rodapé: felizmente, para além das memórias, existe a vontade e a resiliência.
Segunda nota de rodapé: é claro que este soneto retrata um contexto muito próprio; impossível nos dias que correm. Tinha 15 anos; porra!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Não parem


Estes senhores (ter-se-ão) despedido (dos palcos) no último sábado; ali mesmo na Ramada.
Não pode, pois não?
Deram um espetáculo enorme.
Façam lá a vossa pausa, mas não se esqueçam: dois anos é muito tempo!

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Para reserva futura

Confio naqueles que, seja em que situação estiver, me dizem: estou aqui.
Manuel Alves, E, 15.09.12
foto: sol.pt
Sempre a correr. Os dias de Maria de Belém começam cedo, seja no seu gabinete na Assembleia, em comissões ou a trabalhar para várias instituições a que pertence. E enquanto não corre para outros projetos vai aproveitar os momentos da manhã para ler principalmente os jornais estrangeiros, que guarda. “Têm opinião sobre aspetos com pouca reflexão em Portugal”.
Leio o que escreve Carolina Reis na revista E (15.09.19) e olho para a memória. Deixo que ela traga suavemente aos meus dias e me mostre a imagem da mulher – baixinha que é! E tão simpática.
Eu (também) sou dos que concordam com Carolina Reis; ficando à espera do empenho sempre forte de Maria de Belém.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

O sucesso atrai sempre aves de mau agoiro

Houve um tempo em que vivi obcecado
Pela acumulação dos objetos.
Casimiro de Brito, in Nem senhor nem servo
José Bastos, o vereador responsável pela Cultura em Guimarães, resolveu – em boa hora, vinque-se –, lançar uma certa “arte para sonhar”. Uma realidade (que já não é apenas um olhar, mas um olhar inteligente) sobre a realidade de que se faz a Guimarães cultural.
Essa excentricidade, confesso que me surpreendeu, mas é muito interessante; algo que só pode merecer (todo) o apoio de (todos) os vimaranenses.
Se é verdade que Guimarães é uma cidade de cultura – disso só alguns estranhos acicatados do desejo cinzento de outros tempos (ou, quiçá, desejosos desses tempos)  duvidarão –, torna-se fundamental espalhar a boa realidade por todo o território concelhio. E isso, caramba!, é bom. E, estou certo, não porá (nunca) em causa uma identidade cultural vimaranense; reforçá-la-á. E ver isso só para quem tem olhar de lince.
Acho excelente a ideia, senhor vereador. Sim, Guimarães, cidade de cultura, (também) gosta de eXcentricidades (bela ideia esta!).

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sempre presente

É preciso tonificar os músculos para manter saudável a coluna vertebral. Os princípios essenciais não admitem piruetas.
João Paulo Baltazar, E, 15.05.01
foto: publico.pt
Deve ser defeito meu – até já me dizem que não tenho emenda –, mas não serei daqueles que ficarão à espera do dia 5 de outubro; mesmo que, mais à esquerda outras decisões sejam diferentes. É que eu nunca fui dos que se deixam limitar por timings partidários ou outros com dimensões que escapam à minha leitura dos dias.
Escrevo – assumindo já, pública e definitivamente –, que a anterior presidente do PS, Maria de Belém, é, para mim, uma pessoa de confiança; uma mulher que merece todos os apoios de quem acredita que o futuro nem sempre se faz de jogos baixos ou cedências da coluna que compõe o esqueleto humano.
Sempre gostei de olhar no passado e esmiuçar o trabalho desenvolvido por quem sabe o que faz: Maria de Belém Roseira conhece o que é Portugal e como esta nação deve rumar ao futuro.
Como gosto de Maria de Belém e não dependendo de calendários políticos, Maria de Belém é a minha candidata à presidência da República. Com toda a naturalidade. Eu sei que PCP e BE estão com Sampaio da Nóvoa, mas isso não me fará mudar.
Ah! Considero fundamental dizer que é um prazer estar com a segunda mulher candidata à presidência da Republica em Portugal. Adorei, há uns anos, o facto ter participado – ativamente e muito próximo – na candidatura de uma outra mulher extraordinária: Maria de Lurdes Pintasilgo.
São realidades diferentes, bem sei!, mas são mulheres de armas; as duas. E quando assim é!

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...