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segunda-feira, 1 de março de 2021

Emboscada violenta

As cidades estão petrificadas pelo medo, todos nos transformamos em inimigos e lobos para os nossos vizinhos.

Bernard-Henri Lévy, TSF, 20.07.16 (entrevista de Reis Polónio)

 

Tenho medo.

No fragor da noite escuto uma afronta impressionante. Palavra!,

(as coisas importantes resumem-se num parágrafo.)

continuo com medo; a minha janela projeta a escuridão. Estampada em desesperos. Silêncios; ausências.

                (não circula vivalma; do outro lado da janela. a janela vive no desmazelo de sempre. poeirenta. sem brilho.)

Tenho medo.

Vou esconder-me dos sítios secretos, da casa vazia, dos empedrados gastos. Não quero ensanguentar os pés nem empoeirar os sapatos exaustos.

(não circula vivalma; do outro lado da janela.)

Tenho medo!

(não circula vivalma.)

Quem sou eu para duvidar desta dor; feita afirmação intensa de silêncios, tantas dúvidas e ausências?

 

Sim! Cá estou eu, outra vez.

 

sábado, 9 de janeiro de 2021

Caído do céu

Se o escritor tem medo do horror, o melhor é arrumar a caneta. Se o escritor não tem coragem, então dedique-se à criação de galinholas.

Rui Nunes, E, 20.03.07

 

Há realidades na vida de cada um de nós que fazem a diferença; diferenças. E há uma ou outra diferença – há, não se duvide – que é para melhor. Uma realidade que faz a diferença!

E esta verdade que acontece com cada um de nós, estende-se também às instituições ou aos jornais.

É verdade!

 

Quem lê o quinzenário O Conquistador percebe imediatamente que as noticias saídas do município de Guimarães são emanadas do Município de Guimarães Comunicação. Não são, nunca forma (pelo menos nos últimos tempos) textos da redação dos jornais.

 

Se lermos as mesmas notícias em muitos órgãos de comunicação social até parece que houve jornalistas a tratar as notas de imprensa saídas de Santa Clara. Que triste anda o jornalismo por alguns sítios!

E a verdade é que isso acontece em Guimarães, Braga e no Minho.

Dúvidas?

Compare-se os textos publicados nesses órgãos de comunicação social: é copiar/colar.

sábado, 21 de novembro de 2020

Canções de liberdade II

A tragédia devolve-nos a verdadeira liberdade, um lugar onde podemos decidir entre o bem e o mal.

Angélica Liddell, E, 17.09.24

 

As diferenças do final de semana costumam ser substanciais; pelo menos no que à rotina e labuta diárias diz respeito.

Senti e vivi, nos dois últimos fins de semanas uma diferença acentuada no que a esta afirmação diz respeito. Duas manhãs de música, de uma música que ganhou corpo, propagação e asas a partir das noites intensas não é coisa habitual. Por isso o espanto lindo de José Nobre: nunca esperei dizer bom dia no Guimarães Jazz! 

Jazz de manhã? Foi estranho, mas depois das luzes se apagarem só a música deu vida a este alienígena modo de vida que é o confinamento por via de um ser microscópico e o ter que recolher ao nosso recanto. 

Em suma, duas manhãs de cultura, na minha cidade. A seguir virão mais manhãs de cultura, na minha cidade.

Com música, reflexão e participação. Mas – vinco, a música; sempre – a música a dirigir os anseios de espírito e do génio. Depois voltamos para casa.

Mas isso, já tínhamos sido avisado: voltem outra vez para casa. Fechem as portas e as janelas.

 

As janelas não fechei; a música continua a alimentar a alma. Desafiando o espírito sem máscaras.

 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Gestos mínimos

Hoje zanguei-me com um padeiro. O círculo está completo. A minha passagem para o inferno está garantida.

Miguel Esteves Cardoso, Público, 20.11.06

 

O diretor do jornal Público escreve em editorial (edição do passado dia 12) que o PS sobe por vezes tão alto na propaganda da sua superioridade moral que arrisca estatelar-se com estrondo. Ontem aconteceu.

Fiquei intrigado.

Mas, continuando a leitura do jornal, percebi: Não sou fofinho com os tiranos, tinha afirmado no dia anterior o ministro Santos Silva, na Assembleia da República.

Pois!

 


 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Caminhos cúmplices

Os políticos têm de deixar de sair pela garagem, com os vidros fumados e têm de passar a sair pela rua.

Vitorino Silva (Tino de Rans) Diário de Noticias, 19.02.09

 

Não voa como uma borboleta nem fura como uma abelha, mora num casarão rodeado de árvores. Onde um montador solitário se passeia se nas zonas de conflito…

Que palratório é esse?

Na verdade, é apenas um suspiro de preocupação com os dias. Pesados e com ausência de líderes e políticos de confiança. Leste o texto de editorial do jornal Público, do passado dia 29 de outubro?

Li, sim senhor! E fixei muito bem as palavras de Ana Sá Lopes – Infelizmente, vivemos tempos emque tudo, mesmo o inimaginável, pode acontecer.

Nem mais! Um cruzamento de vontades à deriva com o terror dos vazios liderantes.

Pois é! E que nos deixa uma imagem ténue de nós num tempo que se faz de imagens balofas.

Sabes que, já este mês, também num texto de editorial do jornal Público, Ana Sá Lopes volta a acordar-nos para os dias perversos que vivemos?

Sei sim senhor!, quando a diretora-adjunta daquele jornal nos entra pela consciência e pelo pensamento com estas palavras: Para espanto de muitos, o PSD escolher achar aceitável o tal partido “em muitos casos de extrema-direita” para seu compagnonde route.

Caramba, que tiro tão certeiro, não te parece?

Sem dúvida! Com uma bala ao coração da vida secreta de vendedores de sonhos, não é?

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Ao lado dos melhores


Requisitos necessários para que os deuses, mesmos os omnipotentes, possam ser deuses: primeiro, precisamos de ser venerados; segundo precisamos que o Homem se mantenha Deus.

Ricardo Araújo Pereira, E, 19.06.29

 

À exceção da RUM (Rádio Universitária do Minho) – que, na verdade nem é bem uma rádio local –, não ouço rádios locais. Por isso tenho andado a leste da “guerra de audiências”.

Só que, num destes dias ao ler o jornal famalicense Opinião Pública (21 a 27 de outubro de 200) deparei-me com esta manchete: Fama Rádio lidera FM em Famalicão e Guimarães e é a segunda no online no distrito.

Não tenho nenhum motivo para não acreditar neste estudo do Bareme Rádio da Marketest, fiquei, apenas espantado.

Mas… afinal não era de Guimarães a rádio local mais ouvida em Portugal?

 

Nota: o diretor da rádio famalicense, com poucos meses de vida, já esteve por Guimarães; numa das rádios locais. Nesse tempo estive algum tempo na rádio, sim. E cruzamo-nos; pelos corredores da Gil Vicente.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Cerimonial do costume


O homem é um animal em movimento num universo em movimento.
Clara Ferreira Alves, E, 19.07.06

1. Vai com deus e não te esbarres eram as palavras, gritadas em tremenda felicidade, por três crianças. Tão inocentes! Tão coitadas! A mais velha gozava os seus sete, oito anos e as duas mais pequenas com uma diferença de dois anos entre si; diferença também para o mais velho. Era Brito. Por aquela altura, uma freguesia assustadora à noite, sem luz, demasiados ruídos e buracos pelos caminhos e uma desolação total em tempos de inverno.
O vai com deus e não te esbarres era entoado em coro, três putos em uníssono que corriam feitos desalmados, ao lado das bicicletas que deixavam o Bonfim – lugar de referência em Brito por ali ter existido um antigo cemitério – em direção a Pevidém. Nomes sonantes na caravana: Manuel, Casimiro, José e António.
Como eles gostavam de pedalar nas suas pasteleiras vistosas rumo aos seus empregos em Pevidém! Outros tempos! Aquele grupo de grandes amigos (o meu pai usava a palavra parceiros), rumava ao seu trabalho noturno na Sociedade Têxtil Albano Coelho Lima, S.A.R.L; depois Coelima, S.A..
Ponto final. Já me falta fôlego.

2. Na sexta-feira, dia 20 de dezembro, chorei num armazém da empresa J. Pereira Fernandes, em S. Jorge de Selho. A empresa criada por João Pereira Fernandes que, paulatinamente, criou uma referência têxtil na vila de Pevidém.

3. Obrigado Capivara Azul. Obrigado Teatro Coelima. Obrigado Inês Vila Cova. Obrigado Excentricidade. Fizeram-me reviver memórias intensas de uma realidade triste que para nós, crianças felizes com o pouco que nos restava, eram gritos de felicidade. Foram tempos de crescimento que nos trouxeram ao futuro.
Tempos tristes? Foram tempos que o tempo não apagará. Tempos sinceros e realistas. Num tempo em que as memórias são cada vez mais apagadas da Memória é obrigatório reter o que aconteceu na sexta-feira, dia 20 de dezembro.

4. Entre a dor do abandono – sim o meu pai dormia durante o dia e a minha mãe, atravessando o monte de Currelos que separa as localidades de Brito e S. Jorge de Selho, logo a seguir ao almoço entrava no turno da tarde (eram as bobinadeiras, não eram mãe?) da Coelima e o meu pai na mesma fiação (eram os abridores, não eram, pai?). Restavam pela casa e pelo lugar três crianças: a Ana, a Adelaide e eu.

5. Do que vi e ouvi ao vivo e no ecrã, vinco o essencial: as memórias, mesmo as mais dolorosas, são memórias que nos inquietam por momentos e tempos. Era o ano de 1976! E era janeiro.
Tenho um poema dessa altura, escrito no mês de maio:

Gosto de ser da Coelima
por ser muito grande e boa.
E por estar por cima
de todas as de Lisboa.

É grande e muito bela.
Bem organizada está.
É por isso que gosto dela
e por isso estou cá.

Sou um pequeno trabalhador.
Mas tudo se arranjará.
Ainda que seja com suor!

Então continuarei lá
a trabalhar com ardor
O resto logo se verá.

Nota de rodapé: felizmente, para além das memórias, existe a vontade e a resiliência.
Segunda nota de rodapé: é claro que este soneto retrata um contexto muito próprio; impossível nos dias que correm. Tinha 15 anos; porra!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Realidades portuguesas à luz de Churchill

Miguel Sousa Tavares no semanário Expresso (15.01.10) e a propósito da história de Wiston Churcill oferece um conjunto de afirmações históricas do histórico líder. São tantas que, por aqui ficam apenas duas.
Dirigidas a altos dignatários deste país à deriva.


  1. A Cavaco Silva: “ocasionalmente os homens tropeçam na verdade, mas a maior parte deles levanta-se e prossegue como se nada tivesse acontecido”.
  2. A Passos Coelho: “sucesso consiste em seguir de falhanço em falhanço sem perder o entusiasmo”.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Ai se fosse sexta-feira 13

A  [destruição da segurança social] não preocupa este grupo; os mercados estão contentes: negócios fraudulentos a troco de luvas.
A esta gente o que importa é que os seus colarinhos se mantenham rigorosamente brancos.
A vossa alma estará sempre nua.
Joaquim Teixeira, BE

Há palavras que me arrepiam quando vêm dos socialistas.
Paula Damião, PSD


Vou ter que explicar bem o que quero dizer porque qualquer coisa que diga é aproveitada.
Domingos Bragança, presidente de câmara

A pergunta da noite
Como está o programa de lâmpadas no concelho?
Joaquim Teixeira, BE

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...