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quarta-feira, 10 de março de 2021

Bom pressentimento

Eu sou um grande fã de cidades. Sempre quis que elas fossem personagens dos filmes.

Woody Allen, E, 19.10.19

 

 06H58. E a lua já subiu na cidade.

Desde as cinco horas que acompanho o seu percurso.

Agora o céu aclarou.

Tem manchas vermelhas no regaço. A cidade continua calma.

É domingo. E já recebi a prometia visita clinica. O dia promete.

 

07H24 o céu mesclou-se de azul e vermelho. Que beleza!

 

A tarde, depois de um almoço que parecia saído das mãos de um chef de um dos restaurantes com marca, tornou-se nostálgica. Deu para ouvir Deep Purple (que bom ter alguma música na memória do telemóvel). É o que faz não ter intenet por estas bandas!

Mas sabe sempre bem recordar grandes bandas.

E no piso dez; enquanto olho a cidade até não se está mal.

 

Ah! Chorar faz-se longe de casa.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Emboscada violenta

As cidades estão petrificadas pelo medo, todos nos transformamos em inimigos e lobos para os nossos vizinhos.

Bernard-Henri Lévy, TSF, 20.07.16 (entrevista de Reis Polónio)

 

Tenho medo.

No fragor da noite escuto uma afronta impressionante. Palavra!,

(as coisas importantes resumem-se num parágrafo.)

continuo com medo; a minha janela projeta a escuridão. Estampada em desesperos. Silêncios; ausências.

                (não circula vivalma; do outro lado da janela. a janela vive no desmazelo de sempre. poeirenta. sem brilho.)

Tenho medo.

Vou esconder-me dos sítios secretos, da casa vazia, dos empedrados gastos. Não quero ensanguentar os pés nem empoeirar os sapatos exaustos.

(não circula vivalma; do outro lado da janela.)

Tenho medo!

(não circula vivalma.)

Quem sou eu para duvidar desta dor; feita afirmação intensa de silêncios, tantas dúvidas e ausências?

 

Sim! Cá estou eu, outra vez.

 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Caminhos da tolerância

O extremismo político nunca fez nada de bom pela raça humana.

Woody Allen, E, 19.10.19


Em declarações ao Jornal de Noticias, Rui Vieira de Castro, reitor da Universidade do Minho, garantiu que a UM foi “surpreendida” pela informação veiculada nas redes saciais sobre uma estapafúrdia coisa com que, alguns estudantes, fizeram para denegrir a praxe estudantil. Por isso, o reitor da UM vê “com profundo desagrado e veemente condenação” este tipo de iniciativas, ofensivas da dignidade humana, leio na edição do passado dia 10 no JN. Um trabalho com assinatura de César Castro e Delfim Machado.

É um trabalho que nos conta que “vários caloiros do curso de Biologia e Geologia da UM estão a ser acusados de racismo por se terem caraterizado de negro (“blackface, uma prática na qual pessoas negras são ridicularizadas para entretenimento de brancos).

Contra racismos, fascismo e estupidezes continuarei a lutar; consciente de que estou cada vez mais cerceado dos meus limites interventivos!

O que, naturalmente, não me impede de estar em sintonia com o reitor da UM. Também vejo parvoíces desta natureza “com profundo desagrado e veemente condenação”.

 

domingo, 18 de outubro de 2020

Da calma à euforia *

Os crentes continuarão a pedir a Deus que não se esqueça dos esquecidos de tudo, mas faziam melhor se pedissem à assembleia orante que não esqueça da primeira e última pergunta de Deus: que fizeste do teu irmão.

Bento Domingues, Público, 20.09.27

 

amor e exilio, amor infatigável, amor na morte

para! cruzar gerações – bem sabes, é cruzar o fim do mundo

o quê? o que é que te deu? de que falas?

da realidade! desafio-te a pensar nesta afirmação de Anselmo Borges (E, 20.08.15): a visão do papa Francisco a caminhar sozinho na praça de São Pedro completamente deserta será certamente uma das limagens mais fortes que ficará desta calamidade pandémica.

ena! desafio aceite. tomara que os destinatários destas palavras prestassem atenção a este professor; também presbítero católico!

 

pronto! aqui chegados só posso olhar para as palavras de Pacheco Pereira (Público, 20.08.29) – como se pode ser mais bem preparado sem ler?

* toda a vida [de Jesus] foi revolucionária, porque é contra a prática da religião do templo e dos sacerdotes

Anselmo Borges (E, 20.08.15)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Olha, olha o futuro que aí vem!

O acaso é mãe da pedra
E da água
Casimiro de Brito, in Subitamente o silêncio
foto: publico.pt
1. O papel da política monetária do Banco Central Europeu parece não conseguir inverter a desinflação na zona euro e mesmo a recaída em termos de inflação negativa.
Expresso (Economia), 15.10.02

2. Cultura da conveniência, trocas de bons procedimentos e instituições superpoderosa constituem os ingredientes principais do bolo de Bruxelas. Como uma cereja, o conflito de interesses ocupa o topo do bolo.
Vickey Cann (investigadora na Corporate Europa Observatory CEO) le Monde diplomatique, setembro 2015

3. Ah! Como entendo todas as parvoíces, feitas cenários necessários, para salvar Portugal.
Caramba! E todos – os do costume – tão felizes!

sábado, 3 de outubro de 2015

Dores que nos matam o futuro

imagem: opanorama.pt
Nunca os humores do eleitorado foram tão escrutinados, comentados, rejeitados, qualificados de impossíveis e injustos ou recebidos com alívio e gratidão, conforme das convicções de cada um.
Editorial, Público, 15.10.02

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Escuridão do passado

Os foragidos acabaram por conhecer o caminho certo das patrulhas e, naturalmente, passaram a evitá-lo.
José Cardoso Pires, in O hóspede de Job
Secretas passam informação a empresas privadas, admite antigo dirigente [dos serviços secretos] escreve em título o jornal Público (15.09.25)
Pronto!
Assim vai Portugal; um país à deriva, com enormes rombos no casco de um navio que devia já estar no mar alto da normalidade democrática.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sem manias de realeza

Ainda não acredito em algumas delas [pessoas] e sinto-me menos sozinho com elas do que com as libelinhas e os caranguejos.
Valter Hugo Mãe, E, 15.09.26
1. A política é, sempre foi ao longo da história dos homens, uma coisa tipo casa de alterne. Na política cabe tudo; até o parvo que insiste em dizer que é um deus; o deus da salvação da Humanidade.
Com o passar dos dias; acordamos dos sonhos e do sono em que nos querem manter e vemos, com cores violentas, que há deuses em todo o lado. O melhor é deixarmo-nos com os novos demónios. São violentos; parvos até. Tiram o sono, mas – porra! – são sinceros; não criam; cenários.

2. É domingo. Hoje não quero subir ao centro da cidade. Não estou cansado; pelo contrário! Mas odeio ser enganado por desejos parvos ou por encenações baratas.

3. Nestas coisas de campanha eleitoral, Guimarães – a cidade que adoro –, pelos vistos, só tem direito a uma arruada. Ai o gajo!

4. Sabes, diz-me um amigo aqui mesmo ao meu lado, qual é uma das vantagens que encontro em viver? Pensar; por mim. E não me deixar iludir com arruadas onde a pressa nem é capaz de mostrar quem vai lá dentro. As bandeiras agitam-se muito e ninguém vê nada.
Sempre gostei de amigos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Retrato de uma depressão

A mentira e a denegação são os dois recursos tradicionais do discurso politico.
António Guerreiro, Ípsilon, 15.09.18
1. João Silvestre, na rubrica Altos e Baixos do Expresso (Economia) escreve que António Costa (a descer), ao “cortar 1.000 milhões durante quatro anos em prestações sociais, é demasiado relevante para não ser explicado antes das eleições”. Pois é, mas o senhor não sabe como explicar.

2. Ao ler estas palavras de João Silvestre vêm-me à cabeça este maravilhoso naco de prosa de João Adelino de Faria (Dinheiro Vivo, 15.0919): “Novo e arrojado em comunicação política seria, desta vez, ver um político a assumir os erros e as omissões da sua família partidária”. Pois! E como sossegara, de seguida, todos os compadres, comadresajudantes de campo e transportadores de ilusões?

3. Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 15.09.19) mata, de vez, e espera-se que definitivamente, a falta de classe de Pedro Passos Coelho e António Costa. Olhe-se; mas com toda a atenção, ou seja, olhe-se mesmo para esta afirmação: “diz-se a palavra plafonamento para que não se perceba. Omite-se o buraco de 600 milhões para que não se compreenda, PSD e PS não estão amnésicos. Usam analgésicos. O resto virá depois”.

4. Há quem, sendo o assunto Portugal, se lembre de Eça. É natural, embora injusto para Camilo, prolífico retratista capaz de nos descobrir os dotes mais solapados. Para quando o retrato dos ridículos delfins de agora?, escreve Ana Cristina Leonardo a revista E, 15.09.19. O título – à espera do infante – é fabuloso, cara Ana Cristina Leonardo!

5. Em suma, quer seja o senhor Costa – que , ao “cortar 1.000 milhões durante quatro anos em prestações sociais, é demasiado relevante para não ser explicado antes das eleições” –, quer ser a falta de classe de Pedro e António, é urgente o retrato dos ridículos delfins de agora. Ou não?
Ai Portugal, Portugal!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Elevador da existência

Todos somos mais ou menos manipulados, trocando afetos por comportamentos que nos são mais confortáveis.
José Gameiro, E, 15.09.19
Recuando no tempo: o nacionalismo político-jurídico nasceu racista e é racista. O direito construiu-se na ideia desta pertença à comunidade e como instrumento de gestão das relações dentro da comunidade e entre cominardes, pode ler-se no editorial dos cadernos SOS Racismo, nº5
No nosso tempo: Onde é que está a tão propalada solidariedade europeia? Faltam acordos e vozes como a de [António] Guterres, alto comissário da ONU para os refugiados, escreve Bernardo Ferrão no Sobe, Expresso do último sábado.
De encontro à opinião do professor da universidade católica de Lovaina, na Bélgica, Paul De Grave: os argumentos morais deveriam ser suficientes para manter as nossas fronteiras abertas, pode ler-se no semanário Expresso (Economia) de sábado passado.
Recuando (outra vez) no tempo: A Cartade Lampedusa assume-se como um momento político em que os migrantes, mais do que números de uma sinistra contabilidade macabra da gestão geopolítica da imigração, se tornam sujeitos políticos e atores reais das políticas migratórias numa lógica da rutura com a ideologia mercantilista e utilitarista que os reduz apenas a números (in cadernos SOS Racismo, nº5).
Em suma, a Carta de Lampedusa, que defende a liberdade de circulação, garantindo que estes direitos se manterão na esfera dos direitos e, assim, inalienáveis e inegociáveis; sendo que a fronteira, mais do que a realidade geográfica, é uma construção politica, defende aberta e categoricamente as fronteiras, as simbólicas e as físicas, as sociais e as culturais, as jurídicas e as politicas.
Recunhado (ainda mais) no tempo: Diz Pedro Bacelar de Vasconcelos (JN; 15.09.18) que “contam-se por muitas centenas de milhares os portugueses que atravessaram ilegalmente as fronteiras da Europa, desde o princípio dos anos sessenta até abril de 1974. É por isso com profunda consternação que vemos notícias dos muros que se erguem e das fronteiras que se fecham por essa Europa fora”.
Olhando (outra vez) no nosso tempo: “os refugiados na Grécia querem “seguir para a Europa”, título do Público (15.09.18?
É estranho não é? Não, não é o título, é a realidade que (uma certa) Europa nos vai impondo.
Olhando (mais uma vez) no tempo que corre: “estando o mundo em explosão demográfica porque é que continuamos a dizer que não há crianças? Elas existem, não estão é na Europa”. (Maria João Valente Rosa, E, 15.09.19)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Centro de uma loucura

Parece ser inevitável que a idade nos traz uma postura mais conservadora e menos dada a aventuras desconhecidas, como se o tempo que nos resta tivesse de ser obrigatoriamente calmo.
José Gameiro, E, 15.09.12
Houve, um destes dias e na cidade de Braga, uma “festa contra estigma das instituições”. Festa contra estigmas das instituições! E para a tal coisa, feita pela, ao que parece, Segurança Social de Portugal – aquela instituição pública que (quase sempre) é injusta para com os que sofrem, mostrou uma encenação, capaz de juntar “cerca de 23 instituições”.
A coisa feita encenação para eleitor ver, diz o responsável máximo da Segurança Social do distrito de Braga, terá servido para desmistificar o trabalho desenvolvido pelas instituições. Ups! Desmistificar o trabalho desenvolvido pelas instituições!
Encenações! Sem classe; forçadas. O pior – e isso sim!, é gravíssimo e tem que morrer já no próximo dia 4 – é que no palco da vida, do dia-a-dia de quem sabe o que é não ter dinheiro para sobreviver, o responsável da Segurança Social em Braga nunca pôs os pés.
Há encenações que não são uma treta; são uma tremenda agonia. Só possível em palcos silenciosamente castrados, onde os atores sofrem, sofrem e os encenadores não sabem o que fazer.

domingo, 13 de setembro de 2015

Descida agreste

Os governos caem debaixo
do peso dos alforges das suas bestas
Agustina Beça-Luis, in O mistério da légua da Póvoa
Já ninguém liga a eleições em Portugal; muito menos à abstenção. A começar por aquela coisa economicista da liga portuguesa de futebol.
E, ainda por cima, são uns doutos senhores que têm a ‘lata’ de falar em agendas!
Que país é este que só vê futebol à frente do nariz?
Com o crescimento deste “F” parvo, os outros dois de que Salazar tanto gostava – a começar por aquele que transformou um fenómeno solar no centro do país em fenómeno nacional, até ficam com ciúmes. Não; o “F” do fado é suficientemente português para não se deixar embarcar em parvoíces baratas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O paciente português *

A todos a dor visita e é vento
Que fere, devasta e transfigura
Casimiro de Brito, in Nem senhor nem servo
Há na edição de agosto da revista Courrier internacional um texto extraordinário sobre Portugal. É uma visão alemã sobre a crise lusa e os seus dramas humanos; É uma peça jornalística excelente de George Blume que o jornal Die Zeit, editado em Hamburgo.
Dessa prosa escorreita e muito clara retenho as palavras do extraordinário escritor português António Lobo Antunes: “que pensa a Alemanha fazer depois de desfazer a Grécia, Espanha e Portugal?
Da leitura deste texto extraordinário não esqueço a afirmação do jornalista George Blume: “O país [Portugal] parece ter perdido a fé após quatro anos de austeridade. Progressos económicos tímidos nasceram profundas desigualdades”.
Depois da leitura atenta deste trabalho, estou certo, que mandaremos dar uma volta os tipos que dizem que Portugal à frente.

* título do trabalho da revista Courrier internacional

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Confirmações á vista de olhos

Deixei que a minha mente fosse livre como o vento
Casimiro de Brito, in Subitamente os silêncio
foto: Nuno Botelho (Expresso)
Leio um título do semanário Expresso, no seu caderno de Economia que, de repente, me faz pensar que houve engano daquele semanário: “Estado gasta € 12 milhões em edifícios que não usa”.
Infelizmente ao ler o resto da peça jornalística, mormente – em três anos, duplicou o númerode imóveis particulares arrendados ao Estado: em 2012 eram 1097, em 2015 são 2033 – não só fica confirmado o título como desaparecem todas as dúvidas. Foi este governo, o tal de Pedro e Paulo, quem mais fez pelos imóveis particulares, deu-lhes vida e muito dinheiro a ganhar aos seus donos.
Caramba! E são os tais que agitam bandeiras tão enganadores!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Pior é impossível

O que nasce, então, traz consigo
esse nome: morte? Ou algo que cresce
no silêncio dos muros.
Nuno Júdice, in Bumerangue 1
foto: publico.pt
1. Ana Cristina Leonardo escreve (E, 15.08.29) clarinho, clarinho sobre a dura realidade que perpassa a Europa. Transcrevo uma afirmação: “eis senão quando aos que atravessam o Mediterrâneo para o lado de cá (aquele onde escrevo) se deixou de chamar ‘refugiados’ e se passou a chamar ‘migrantes’. Refugiado é uma palavra com conotação dramática evidente”.

2. Se dúvidas houvesse sobre estas palavras e, obviamente, sobre a violenta realidade que entrou na casa da velha senhora; sempre vaidosa, veja-se o editorial do semanário Expresso do último sábado – A União Europeia errou ao ajudar na queda de Kadhafi sem pensar no que se seguia na Líbia e ao deixar o caos instalar-se na Sérvia. Só quando as sucessivas vagas de migrantes e refugiados lhe bateram à porta é que acordou“.
Percebemos melhor para onde vai a tal senhora pomposamente vaidosa.

3. Ou seja, “o Ocidente ganhou milhares de milhões a explorar pobres e ignorou os pobres que acabaram explorados. E agora, quando eles nos batem à porta e nos morrem aos pés, os lideres europeus olham uns para os outros. Gastaram-se milhares de milhões em guerras que criaram calamidades, mas discutem-se tostões para ajudar as vítimas das bombas“ (Miguel Conde Coutinho, Jornal de Noticias, 15.08.29)

4. Pois é! John Weizierda (Banda Anon Diül II, E, 15.08.29), “as revoluções são sempre estúpidas e só servem para substituir um cretino por outro cretino".
Será assim tão descabida esta afirmação?

sábado, 29 de agosto de 2015

Esperança perdida

E a cidade
morria. Pequenas derrocadas, abandonamos
derivações do sonho, violências.
Carlos Poças Falcão, in O número perfeito
Porque está na hora de começar a por ordem um passado, ainda recente, onde o entusiasmo tomou conta de grande parte dos meus dias, vou ousar (hoje) transcrever este excerto de um SMS enviado (por mim) em 14.10.17 para um amigo:
Viva, tudo bem?
Posso fazer-te uma pergunta difícil?
Estou mesmo, mesmo a desistir de estar ao lado onde tenho estado. Por isso, peço desculpa e ouso perguntar: vamos continuar a ter um lado seguro para onde caminhar?

Sei muito bem qual foi a resposta do meu amigo. Essa não a divulgarei, mas – caramba! –, não é que o meu amigo já antecipava o futuro: está tudo a bater certinho. Infelizmente!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Realidade tão crua; o valor de nós

As memórias são náufragos
que regressam
Vasco Ferreira Campos, in A voz à chuva
foto:pedraformosa.blogspot.pt
Já perdemos todas as memórias; se, ao menos, fossemos capazes de olhar o futuro com olhos de futuro!
Continuamos (todos) à deriva; queremos lá saber das nossas origens. Saber como era dantes para quê?
A Sociedade Martins Sarmento e a Câmara de Guimarães até podem fazer tudo para manter vivas muitas memórias, mas ninguém quer saber. E então em Guimarães, onde a vaidade circula em topo de gama ao domingo de manhã pelo Toural!
Estas duas instituições de referência em terras de D. Afonso até podem ter gasto uns milhares de euros por ano para garantir que as pessoas possam usufruir da citânia de Briteiros, mas (só) olhar para aquele recanto histórico quando o fogo entra pela citânia dentro, faz de nós vimaranenses vaidosos e ditos eruditos uns bananas.
A sério! Às vezes questiono-me se saberei mesmo se há alguém que quer para saber para onde vamos.
Queremos mesmo as pedras da memória espalhadas pelo chão da nossa indiferença ou o fogo destruidor das nossas memórias a percorrer o antanho de nós?

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Desafios em fragmentos

Uma torrente de morte flui em silêncio
a caminho da infância.
Vergílio Alberto Vieira, in As sequências de Pêgaso
foto: educris.com
O mundo tem atualmente 60 milhões de refugiados.
Assustador!

domingo, 23 de agosto de 2015

País decadente; nação perdida

Por cá, a política parece particularmente empenhada em cultivar a sua própria insignificância. (…) Não se discutem propostas eleitorais uns por inabilidade em as apresentar, outros porque fogem a discuti-las.
Afonso Camões, editorial, Jornal de Noticias, 15.08.23
foto: diariodigital.sapo.pt
Desde há muito que me habituei a ler com toda a atenção o que Henrique Monteiro publica. Sigo-o; sempre atento aos seus desafios. Às vezes, sabe muito bem por que o faz, até parece iludir-nos com as suas palavras; mas, mal entramos no seu pensamento, percebemos logo onde nos leva.
É o caso do seu texto na edição (em papel) do semanário Expresso de ontem: “na travessia do deserto, durante 40 anos, Moisés acenou com a Terra Prometida. Nunca a viu. Temo que esta nova religião da Economia, dos gráficos, das estatísticas e dos números prometidos seja, também, uma terra que jamais veremos em vida.”

Claro que – pelo meio, pelas travessias violentas que vão desfazendo Portugal, Sandra Monteiro (Le Monde diplomatique, agosto 2015) – “depois de retirar cada vez mais poder de compra aos atuais pensionistas e de abandonar à lei da selva grande parte dos que excluiu da proteção social (a começar por metade dos desempregados), a coligação no Governo entende ser a altura de dizer o mínimo possível sobre os próximos cortes a infligir aos pensionistas atuais” – sabe muito bem onde pôs o seu dedo.

E não é que o meu conterrâneo José Machado também!
Reparemos nas palavras do cabeça de lista do PCTP/MRPP, na entrega da lista distrital de Braga daquele partido: “É um crime que se está a cometer contra o futuro de Portugal gastar milhões de euros no futuro dos nossos jovens, para os oferecer de mão beijada aos outros países que os acolhem.”

Pois é! Saberemos nós portugueses (esmagados pela estúpida acção de um governo que não o é, antes voz do dono que berra de Bruxelas) dar a resposta conveniente a gente sem escrúpulos e sem respeito pelas pessoas?

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Quando o Homem apagar a noite

Nem a mais arrebatadora das graças escapa à lei do envelhecimento.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
foto: portugalsenior.org
Leio este título do jornal Público (15.08.14) – Crime de abandono de idosos atirado para a próxima legislatura – e só posso dizer (por mais estranho que possa soar): claro!
Os idosos (na sua grande maioria) não votam!
Ai se votassem…
Tudo seria, não um desejo adiado, mas a certeza de que alguém viria, a seguir, afirmar: fomos nós.
Que parca é a política em Portugal!
Aproxima-se cada vez mais de senilidade que arrasa a raça humana; que destrói o Homem.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...