o
teu amor não tem um só nome; é um sopro
escondido no vento, um olhar que se demora no silêncio
é quem te faz sorrir quando a noite pesa,
é quem o teu coração chama mesmo sem voz,
é quem caminha contigo mesmo quando não está presente.
o teu amor é espelho e horizonte, raízes e asas,
ferida e cura, luz que não se apaga.
onde cabem todas as palavras. o teu amor.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
o teu amor: luz que não se apaga III
sexta-feira, 3 de abril de 2026
labirinto de ideias
declínio;
caras erguidas
em guerras abertas - mistério de saída
para grandes espaços.
trivializa a solidão e evapora a vida
onde
o silêncio dos corpos calcinados
entre
terra e mar há portas — frases que se perdem
no
desejo de serem palavra.
em guerras abertas - mistério de saída
para grandes espaços.
trivializa a solidão e evapora a vida
onde o silêncio dos corpos calcinados
entre terra e mar há portas — frases que se perdem
no desejo de serem palavra.
sexta-feira, 16 de julho de 2021
em absoluta liberdade
não há
pensamentos neutros; delícias
metodizadas enganam a razão; os pensamentos
humidificam a
negação do passado; escondem
privilégios
ocultos. espantam-me as cores
da vingança e o
silêncio
das mulheres em
cima da tempestade.
sábado, 10 de julho de 2021
estranhos movimentos
o homem no seu labirinto: encontro branco
na tempestade perfeita dos dias
o homem no seu labirinto; novo herói
do século vinte
e um
continua, na realidade,
perdido
no seu labirinto; labirinto
sábado, 12 de junho de 2021
vivo na palavra
nos diálogos de um coração em risco a palavra
gera equívocos. a
deusa fria do destino pousa-me; à escuta
das guitarras
confinando o banco do tempo; carregando
a bandeira das
geografias amarelas. sinto-a
testemunha
estéril de chuvas travestidas na areia;
onde te
encontrei na viagem às réstias de luz. palavra
de um hóspede de
solidão. encontro teus olhos
numa pintura
insólita dos delírios da alma; ervas amargas
na horta com nuvens
cinzentas. sobre a selva densa
da palavra o sol é violento. é lá que vivo à procura de ti!
quinta-feira, 10 de junho de 2021
silêncio na planície
vergado ao peso dos anos, coreia entre plantas viçosas.
acarinha-as. mata-lhes a sede. cava espaços
para novas companheiras. lança sementes em segredo à terra
esventrada pelas suas mãos. ao frio. ao vento. ao calor. à
chuva.
cumprindo os dias. ritualizando a vida. acelerando o fim.
dando razão à sina prescrita no silêncio do nascimento rural.
enxada na mão endireita a vida. mata a fome; a sede. embeleza.
faz crescer. destrói companhias ingratas. que impedem
crescimentos
por lá anda vergado; companheiro fiel da terra que o viu
nascer.
alimentando harmonias verdes. assobia e cantarola pesadas
canções.
passa os dias no seio da mãe-natureza. dá vida ao verde
tornando-se cinzento. cava o caminhando rumo ao silêncio final.
domingo, 30 de maio de 2021
Intimidades
na
sala cheia de luz onde estamos
que
mais falta para nos afastar
do
fio invisível que nos envolve
in
dentro de deus
quarta-feira, 19 de maio de 2021
radicalidade do humano
recuso-me a cair
montanha abaixo sem escutar
o chilrear dos
pardais; recuso ligações vigiadas
em altares
pintados de deuses.
fiz as pazes com
a infância e desenhei
os dias que
trago na mão
recuso políticos
que trauteiam pelas veredas: silêncio –
dizem mais os
seus coros! – é a vulgocracia!
sim! recuso
políticos que desfazem a harmonia.
a ignorância
mata. é vácua e vã
regressamos à
brisa marítima ou ao chilrear
dos pardais?
levamos os dias na mão, não é?
sábado, 1 de maio de 2021
detonador dos desejos
espaço da luz; instante
inquietante dos
dias. ou apenas instantâneos
transparentes?
cores que
iluminam a decência; também
o pejo.
a lua altiva não
para de ofertar dádivas
aos perdidos.
todos temos uma
história; no espaço
da luz
terça-feira, 27 de abril de 2021
rainha da noite
constróis uma
roda; em círculo
à volta de ti.
depois
o inseto ri.
olhas outra vez e desenhas
círculos; cada
vez mais curtos
o inseto ri e foge.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
um outro olhar
supostamente distantes – com os olhares cruzados –
observo dois gatos;
namorando. é noite.
não muito escura! ouço
a coragem
da coruja que resiste a
cantar
sempre perto de casa – costuma
serenar os sinos
da igreja em frente
onde agora só se vê o
relógio.
é noite. não muito
escura
quarta-feira, 10 de março de 2021
Bom pressentimento
Eu sou um grande fã de cidades. Sempre quis que elas fossem personagens dos filmes.
Woody Allen, E, 19.10.19
Desde as cinco
horas que acompanho o seu percurso.
Agora o céu aclarou.
Tem manchas vermelhas
no regaço. A cidade continua calma.
É domingo. E já
recebi a prometia visita clinica. O dia promete.
07H24 o céu mesclou-se
de azul e vermelho. Que beleza!
A tarde, depois
de um almoço que parecia saído das mãos de um chef de um dos restaurantes com
marca, tornou-se nostálgica. Deu para ouvir Deep
Purple (que bom ter alguma música na memória do telemóvel). É o que faz não
ter intenet por estas bandas!
Mas sabe sempre
bem recordar grandes bandas.
E no piso dez; enquanto
olho a cidade até não se está mal.
Ah! Chorar faz-se longe
de casa.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
melodia da promessa
um limite negro
cobre a cidade dos ruídos
carros sem alma
aceleram a pressa de existir
e incendeiam o
branco atávico das caras gastas
na água escura
dos dédalos formais
ferem o vazio da
festa caótica dos dias.
é o fim da
música da palavra
perdida na
língua das borboletas
que erram na cata
das raízes do Homem
terça-feira, 5 de janeiro de 2021
sonhos de grandeza
um olhar; uma
máscara – outro olhar!
o espanto
depois
olhamo-nos
enquanto tentas esconder
o vazio
da tua presença!
seguimos
em frente;
sempre em frente
num outro olhar
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
atestado de vitalidade
lugares de memória; expôs-nos
a contextile
2020 – olhar
de firmeza
olhar relevante;
ação certa numa
cidade posta
em elite; tão
intensa! sempre
no lado da
felicidade
dos dias – eternamente
lugares de memória.
domingo, 20 de dezembro de 2020
apelo à calma
eu? estou aqui –
e o meu pensamento
divide-se
acompanha as
palavras;
as redes são tão
voláteis!
eu? a calma
sempre foi apelo
nos dois
sentidos; aparição do desejo
anúncio abusivo.
eu? abuso
vermelho
com incidência
no umbigo;
a prominência da
barriga conceberá
todas as calmas.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
Batalha sem futuro
Estamos a usar a cultura como uma forma de melhorar a vida dos jovens. Estamos a usá-la também na regeneração urbana – quando novos grandes projetos urbanísticos são lançados, a cultura tem que fazer parte.
Justine Simons, vereadora da Cultura e Indústrias Criativas de Londres, Público, 19.11.12
o pai e eu
sentados na esplanada ao fim de tarde. sem nada para dizer um ao outro. sem
nenhum olhar para trocar. estamos distantes? não;
quando estamos cansados ou com
vontade de afogar a agressividade dos estupores dos dirigentes,
é só um fim de
tarde. muito calmo…
(não
é pai, é coisa que se perde nos dias parvos e brancos que nos levam)
porquê este
confinamento cego?
leste as
palavras de José Ornelas, presidente da conferência episcopal portuguesa (7margens,
20.11.27 sobre o futuro de todos nós?
não;
pede
ao Tiago que me traga um copo de água. para acalmar a separação que vai
crescendo entre o velho e o novo, entre a realidade boa e as realidades
assustadoras que por aí circulam.
os
olhos do pai são transparentes, de uma transparência que leva à ausência da
cor. olhemos as palavras do líder católico português que mais tem agitado as
águas do comodismo:
Essas
atividades [culturais] são altamente penalizadas, mas são fundamentais para sairmos
da crise com uma sociedade bem organizada.
e acrescenta: No
campo da cultura nem tudo pode ser feito à distância, o público faz parte da
própria festa. O público faz falta. Tem de ser a sociedade no seu conjunto a
dar a mão aos artistas.
de frente, mesmo
na diagonal dos olhos azuis do pai, está uma moça linda; toca
o telefone no
meu bolso esquerdo
a diferença
entre a calma de agosto e o início da agitação de setembro mede-se no movimento
de automóveis na rua.
e
a cidade torna-se mais fluida. Vivendo à vez, em distanciamentos parvos e
segregadores. E a segregação é fria. E mata com tanta solidão
outra certeza
pai:
o
chefe do governo não sabe do que fala; está sempre a sair da cidade sitiada….
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
certa graça ao discurso
dou à ignição. o carro arranca; funcionou
percebo que o veículo, como eu, já não
tem a mesma aceleração. o tempo é tremendo!
para os corpos; metálicos ou não!
depois – como sempre – aquele corpo velho
feito lata velha ruge; mas fica tão feliz!
sigo; sei lá por onde! mas sigo depois
o veiculo vestido com umas dezenas
de anos menos que o meu corpo acende
a luz; vai dizendo que está no fim; as luzes
são laranja. as minhas não têm cor; entram
nos exames de rotina, até quando?
Realidades feitas epopeias IX
Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Uni...
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Para apanhar o comboio da mudança é preciso chegar a horas à estação. Pedro Lacerda, Expresso ( Economia ), 21.06.25 O que aconteceu ...
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