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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Vamos medir a sustentabilidade II


 

Não podemos resolver a pandemia ou o aquecimento global se não retomarmos a inter-relação ecológica e não olharmos de forma séria para o modelo insustentável de habitar o planeta.

Timothy Morton, filósofo do Antropoceno, Ípsilon, 20.05.15

 

Domingos Bragança, presidente de câmara de Guimarães subiu no “sobe e desce” do Jornal de Noticias (20.06.15). E na mesma edição daquele diário Delfim Machado escreve que Guimarães quer travar expansão da “favela dos ricos.

E porque sobe Bragança? Porque o autarca vimaranense assumiu publicamente que já era tempo de impor regras na construção que não para de subir a montanha da Penha. Tal como o JN vinca: depois de anos de alerta, a autarquia desenhou um plano de pormenor com regras apertadas para travar a escalada de habitações.

 

Sendo certo que é uma boa medida, ela já vem tarde, nas palavras de Carlos Coimbra, presidente da junta da freguesia da Costa. Já para Roriz Mendes, da Irmandade da Penha, a vontade é classificar a Penha como paisagem protegida, o que vai impedir algumas condições do urbanismo.

Tardia ou não esta decisão da câmara de Guimarães é uma boa notícia. É que mais vale tarde o que nunca, apesar de as águas já escorrerem montanha abaixo numa pressa destruidora.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Força dos factos

O futuro será pela ferrovia.

Rogério Mota, num debate organizado pela AJEG, Mais Guimarães, 20.01.13


Entre a realidade e a ilusão dos políticos existe uma realidade incontestável: Só 5%dos quilómetros previstos no Ferrovia 2020 estão concluídos. *

Este título do jornal Público que mostra pela mão do senhor Carlos Cipriano – ninguém mais em Portugal conhece a realidade da ferrovia do que este jornalista – como em Portugal tudo serve para fazer de conta.

Um tal de… como era mesmo o nome do senhor?

Ah! Pedro Marques largou o governo do senhor Costa e foi para Bruxelas – pelos vistos era para ser comissário! Ora toma!

Sem um centímetro de novidades. Mas é assim que se endeusam certos políticos de trazer ao ombro (do parceiro)! 

Infelizmente a realidade que Carlos Cipriano conta com todos os números (e palavras, claro!) não deixa ilusões.

Muito mais aqueles que ainda acreditam numa ligação ferroviária entre as duas principais cidades de entre o Ave e o Cávado.


Ah! Para todos os políticos convencidos e encantados pelas quimeras aconselho vivamente a leitura da página 24 do jornal Público do passado dia 30 de dezembro.

* Em Ano Europeu do Transporte Ferroviário, vale a pena lembrar que só três capitais europeias não têm comboios internacionais.  Lisboa é uma delas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

atestado de vitalidade


lugares de memória; expôs-nos

a contextile 2020 – olhar

de firmeza

olhar relevante;

 

ação certa numa cidade posta

em elite; tão intensa! sempre

no lado da felicidade

dos dias – eternamente lugares de memória.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Centro de poderes

foto: Leonardo Negrão (Global Imagens)
 

A palavra “elite” entrou em regime de inflação, no nosso espaço público.

António Guerreiro, Ípsilon, 19.06.28

 

1. Desde que votei pela primeira vez (e integrei a comissão concelhia de Guimarães da candidatura de Maria de Lurdes Pintassilgo) habituei-me a olhar para uma eleição presidencial e de uma forma diferente para os díspares candidatos presidenciais; diferença no que concerne à forma como se é sem deixar de ser, sem ser o que as máquinas políticas tanto desejam. E diferença na simplicidade e frontalidade dos olhares; seja para as realidades políticas, seja, principalmente, para as realidades sociais.

Neste ano, um ano dominado por Marcelo; comentador, chefe do governo, populista e presidente, tinha desistido de pensar nas eleições presidenciais do próximo mês. Mas os últimos avanços rumo à última semana de janeiro agitaram-me, levando-me para o sítio onde, na verdade, nunca nenhum de nós devia sair: a participação cívica.

 

2. Sendo certo que não olharei (agora) para Marisa Matias, por mais que aprecie o seu trabalho como deputada no parlamento europeu, restam-me dois candidatos: Ana Gomes e João Ferreira.

 

3. Aprecio imenso João Ferreira, que não para de mostrar como é um político com todas as janelas de futuro abertas. Considero-o o homem do horizonte de esperança. Estarei muito atento aos seus próximos passos.  

 

4. Só que neste momento solene de decisões, e sendo certo que o atual inquilino de Belém só a espaços se lembra que é presidente de todos os portugueses – seja no silêncio premeditado sobre atitudes pouco dignas no que à justiça diz respeito, seja nas provocações para fazer de conta que não existe em Portugal um governo livremente escolhido pelos portugueses –, continuo a ser fiel à aprendizagem que fiz aquando da candidatura de Maria de Lurdes Pintassilgo.

 

5. Ana Gomes é um sobressalto muito importante contra a apatia reinante; uma apatia que tem duas bases principais e perigosamente complementares: António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.

O primeiro porque quer continuar a ‘dar-se’ com o segundo; e este segundo, tal como o primeiro, só olha para os interesses defendidos, desde sempre pelo centrão (como dizem os brasileiros), uma zona cinzenta do espetro politico que não é nada meiga no que às dificuldades dos mais necessitados diz respeito.

 

Nota de rodapé: há (supostos) dirigentes políticos dos dias que correm que só lhes falta (mesmo) mostrar a ferida aberta na coluna para inserção da mola que já não os suporta publicamente; tal é o seu fracasso liderante. Com a sua curvatura incapaz de os conduzir ao devir. Porque se agitam com a menor movimentação de ar.

O pior é que eles estão mesmo ao nosso lado!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Atender às exigências

Ser político implica falar com as pessoas, ouvi-las e tentar suprir as suas necessidades.

António Rodrigues, Público, 20.10.23

 

1. Faz parte do ciclo normal da atividade politica local incluir no discurso programático a urgência de uma ligação ferroviária entre Guimarães e Braga. Nem sempre este discurso ou necessidade teve a correspondência das diferentes forças partidárias, escreve o antigo vereador eleito pela CDU na câmara de Guimarães Torcato Ribeiro (reflexodigital, 20.10.29).

Ontem como hoje o discurso repete-se e não ata nem desata esta sempre adiada ligação.

 

2. No final do século XIX e primeiros anos do século XX os projetos de ferrovia – que ligariam as sempre beligerantes cidades de Guimarães e Braga – eram como os cogumelos. Hoje os cogumelos têm sabores controlados e mais esmerados e são um grande negócio, mas também uma bela iguaria.

Esperemos, pois, caro Torcato que não tenhas razão; uma lógica pouco coerente por quem procura alinhar desejos à posteriori – depois de ignorar as oportunidades de os concretizar enquanto membros de partidos responsáveis pelos sucessivos governos da Nação.

Pelo menos desta vez, tomara que te enganes!

2.1. Mas estamos todos prontos e, agora – parece – que ainda mais desejosos de “apanhar o comboio”.

 

3. Convém, no entanto que a história se faz de muitas estórias. Tenhamos presente que também assim foi em 1865 quando a 27 de março, a câmara municipal de Guimarães deliberou solicitar às suas homólogas de Fafe, Felgueiras, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto, Ribeira de Pena e Póvoa de Lanhoso que estas “representassem ao Governo” para que Guimarães fosse “considerada ponto forçado nos estudos a fazer no caminho-de-ferro do Porto a Braga”.

Outros tempos! Que, na verdade, também só fizeram páginas curis ensoleiradas em jornais cada vez mais próximos das pessoas.

 

4. Convém também recordar que uns anitos depois (26 de dezembro de 1877) a câmara de Braga manifestou interesse em que a ligação por caminho-de-ferro até Chaves seguisse da sua cidade, pela margem do rio Cávado. Com o apoio das congéneres de Famalicão, Celorico de Basto, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Chaves.

E, vai daí, a câmara Municipal de Guimarães decidiu diligenciar no sentido de que a ligação àquela cidade transmontana se estabelecesse com passagem por Guimarães e Fafe, continuando por Arco de Baúlhe e Vidago.

Caramba!

 

5. O comboio ainda chegou a Fafe, na verdade.

Importava valorizar uns terrenos em Paçô Vieira. Por ali morava um conde que ia dando grandes retoques nas cortes do reino.

O apeadeiro, cada vez mais moribundo, ainda por lá anda. Testemunha imóvel e moribunda da passagem dos muitos ciclistas que fazem a ciclovia de Guimarães até Fafe.

domingo, 1 de novembro de 2020

Argumentos esquisitos


Dependemos daquilo que nos é contado. Contar é, em última instância, falsear.

Javier Marias, E, 19.01.12

 

O guião continua a ser fielmente seguido.

Sim! na Europa; seja onde for que as pessoas pensem por si!

Com a pandemia a crescer, a Europa volta a cancelar a cultura, é uma peça com assinatura de Daniel Dias e Luís Miguel Queirós, no jornal Público (20.10.29) que tem que ser lida. Por toda a gente. Principalmente quem tem a responsabilidade, atribuída (ou assumida sabe-se lá como) de olhar para a realidade cultural como olha para as realidades com muitos zeros.

Mas, antecipando a leitura ou deixando pistas, importa dizer que é sempre assim – o guião continua a ser fielmente seguido. Na Europa, do outro lado. E aqui.

Estamos mesmo tramados! 

sábado, 31 de outubro de 2020

Conspeção de incremento

foto: expresso.pt
Não vamos pôr apenas uma máquina no AvePark; vamos pôr máquinas e pessoas a trabalhar com essas máquinas.

Rui Oliveira, coordenador do Centro de Computação Avançada do Minho, Expresso (Economia), 20.10.24

sábado, 16 de maio de 2020

Recortes dos dias II



Condenada a uma replicação acrítica da contabilidade de novos contágios em cada dia, a imprensa vimaranense prescindiu de fazer o seu trabalho.

Samuel Silva, reflexodigital, 20.05.07

Volto a olhar para fora do meu pequeno mundo fechado e vejo outro vizinho no prédio da esquerda. Já nos conhecemos de tantos olhares se cruzarem, nas varandas e na rua. Mantivemos a distância – menos do que a distância a que o meu escritório improvisado nestes dias de distância com dos dias de antanho –, mas quando um de nós voltar a olhar do prédio a prédio já mostramos confiança no olhar.

Do outro lado, o vizinho – homem viúvo e só; já com anos contabilizados na década dos setenta – coloca uma toalha bordada em cores berrantes sobre a mesa de plástico na varanda. Posta mesmo do lado esquerdo da sua varanda. Fico a olhar.
Ele caminha em sentido contrário.
Depois volta ao mesmo lugar.
Leva agora na mão um vaso enorme de flores azuis. Parecem-me miosótis.
O tempo para por momentos entre o meu olhar e o olhar do homem; volta a pegar no pincel e senta-se em frente à mesma tela de ontem.

domingo, 19 de abril de 2020

Realidade com tradição


Que saudades tenho desses tempos, mas também dos eventos culturais que o Vila Flor ou a Plataforma das Artes, nos “serviam” semana a semana e que agora estão suspensos, não podendo ser entregues ao domicílio, via “Ubereats” ou outra plataforma similar.
António Rocha e Costa, Mais Guimarães, 20.04.15


Li, por entre os dias duros na mão do monstro feito vírus destruidor de corpos, pessoas, famílias, amizades empregos e futuros que “Guimarães ultrapassa a média nacional com um aumento de 62 por cento na cultura”, título da peça que o Joaquim Martins Fernandes assina na edição do dia 4 de abril do jornal bracarense Diário do Minho.

O que o jornalista escreve no diário bracarense não me surpreende rigorosamente nada. Por muitas razões e uma delas o jornalista aponta-a: “Guimarães conquistou” entre os anos de 2010 (antes da CEC 2012, vinque-se, porque há uma tendência mórbida em esquecer este dado muito, muito importante) e 2018, “uma maior independência financeira face ao poder central que se expressou numa descida de 55,3 para 45,7 % das transferências do Estado no orçamento municipal”.

Duas notas, antes de avançar: para quem tem dúvidas de que o estado central se borrifa para quem paga impostos e alimenta as vaidades centralistas, houve uma diminuição nas transferências do estado central para Guimarães; para a cultura que acontece em Guimarães. A segunda nota: Guimarães sempre soube o que as suas gentes, os cidadãos, os fazedores de realidades lindas no campo cultural – leia-se associações –, os vimaranenses, em suma, apreciam.

Se Guimarães marcou e marcará (não tenho a menor dúvida) positivamente a cultura, deve-o em grande parte às suas gentes. A começar pelos decisores públicos que acarinham sempre a criação, a criatividade, a memória futura e a fruição das coisas da Cultura. E não é de agora. Mas também o deve e muito – pela memória criativa, reivindicativa e diferenciadora – aos dirigentes e associações culturais (e recreativas) existente no seio da sociedade vimaranense.

Só uma nota final para subscrever o ponto de vista do António Rocha e Costa. Tão mais intenso, na verdade, depois de um certo desejo centralista de criar um festival (só na televisão) para certos amigos da música.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Senhores do adeus


Das coisas que eu mais sinto saudades de ouvir, nos outros e mesmo em mim, é a lapidar frase eu não tenho opinião sobre o assunto. Não ter opinião é refrescante pois, hoje em dia toda a gente tem opinião sobre tudo.
Rui Vítor Costa, O Comércio de Guimarães, 19.12.18

Qual a diferença entre a posição de vanglória do PSD vimaranense sobre o IMI nos centros históricos, dizendo que a autarquia de Guimarães terá – assumo o futuro indefinido da afirmação; única possível na indefinição de uma posição concreta, real e pronta a dar a mão à palmatória – e a derrota saída nas novas regras sobre cobrança do Imposto Municipal sobre Imóveis nas zonas Património da UNESCO?
Acredito que Bruno Fernandes, líder incontestável da concelhia laranja em Guimarães, tem a resposta. Séria. Concreta. Sem qualquer tipo de oportunismo.
O populismo social-democrata em Guimarães até poderia ficar bem na fotografia, não fosse o detalhe (pode parecer pequenitote, mas é fundamental): são as câmaras que decidem o IMI nos seus centros históricos.
Ah! Pode ler-se no Jornal de Noticias (19.12.23) quer os autarcas com centros históricos estão satisfeitos. Os “proprietários não”, vinca o JN.
Como entendo!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Violação sem precedentes *


Por cá, tivemos décadas de apostas e investimentos para tornar Guimarães uma referência cultural, que a todos nos orgulha, e em projetos de referência ambiental em grandes investimentos de diversa ordem. E Guimarães evoluiu muito.
Tiago Laranjeiro, Mais Guimarães, 19.11.27

* o tempo, meus senhores!, mostra-nos sempre o futuro.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Perfume(s) de futuro

O algoritmo é um predador do sucesso que existe em cada um de nós e vende os nossos dados a quem pagar.
Clara Ferreira Alves, E, 15.09.19
A boa notícia para vincar e, quiçá, estampar no rosto de uns desnaturados incrédulos: a partir de ontem a direção da Associação Académica da Universidade do Minho assegura o “transporte de estudantes da universidade do Minho e os campis de Gualtar e Guimarães”.
Natural!
Estranho mesmo é a existência da dúvida de que não haveria transporte para o campus de Couros que – sejamos justos –também integra os campis da UM.
Portanto, como diria um certo senhor: qual é a dúvida?

domingo, 20 de setembro de 2015

Talvez a glória saiba a morte

Para mim mudar, passar de uma coisa para outra, é uma morte parcial.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: tvi24.iol.pt
Enquanto subo à cidade – sim, porque agora moro na baixa; quase sou aldeão! – é sempre momento para me questionar, umas vezes, outras, para confirmar ideias que vou alimentando com prazer. Daí que, parecendo um tanto ou quanto a destempo; para alguns ou descabido para outros, não sou capaz de resistir e transcrever (parte) de uma conversa escutada numa destas noites, ali pelo centro histórico – como gostei de ouvir Catarina Martins!
- Eu até votava no BE, mas o BE não tem candidato de Guimarães.
- Não é verdade; o senhor Joaquim Teixeira não é de Guimarães?
- Sei lá quem é esse senhor!
- Até está na assembleia municipal de Guimarães e tudo!
- Está? Continuo a não saber quem é. Como queres que tenha coragem de dar o meu voto a quem nunca foi capaz de se mostrar? É verdade que o cabeça de lista do BE pelo distrito de Braga é uma pessoa capaz de fazer pensar e que sabe fazer mudar o rumo dos acontecimentos. Mas, caramba!, em Guimarães tem que haver gente com mais pinta. A não ser que se trate de alguém com medo de o afirmar publicamente.
A conversa continuou. Mas aquele cantinho, entre a igreja da Oliveira e a capela de S. Nicolau, mostrou-me caminhos e amigos que quase já tinha apagado da memória.
Ah! Talvez que, de Guimarães, surjam outros horizontes.

sábado, 19 de setembro de 2015

Uma questão (fundamental) para Guimarães

Uma cidade pode ser mordida como se fosse um organismo, e quando uma cidade é mordida quem vive lá dentro não pode escapar pois há este acontecimento antigo que é o contágio.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
1. Há quem, tendo chegado ao poder, se considere o suprassumo de tudo o que seja a estapafúrdia estupidez de (re)aprender a olhar alto (ou do alto) – como todos nós fazíamos enquanto adolescentes –, seja a parvoíce de se deixar esmagar (ou ultrapassar) por quem, estando ao seu lado, nos sítios onde se julga dono absoluto da verdade, apunhala no segredo dos gabinetes; seja a explosão sacana de que o chinelo é mau demais para certos convencidos da retórica. Por isso, há quem – é o que se vai ver! –, esbracejando para chegar ao poder, acabe confirmado que, na verdade, perdeu – será que alguma a vez a teve? – a noção de si e do que está para além de si.

2. Felizmente existe – como sempre existiu, claro! – quem nunca se sinta incomodado com palavras ocas e vazias; quem jamais deixe de pensar e agir pela sua cabeça!

3. Esses não têm; nunca tiveram, ilusões. Não têm problemas em dizer, de forma bem vincada: mesmo não prestando, porque não são o que dizem e tentam iludir dizendo ser o que nunca serão; já ninguém se sente incomodado com a parvoíce das vossas palavras. Sabem que o tempo é um tipo extraordinário?

4. Para as duas estipres de mordedores da cidade – como adoro ler e ficar a pensar nas suas palavras, Gonçalo M. Tavares! – seja o que baixou – coitado, parece um moço de recados! –, seja o outro, o que diz que subirá além do chinelo (parece mais um gordito à procura de chocolate!), só se pode dizer (voltando ao ponto 1): estão em horizontes vazios. E isso ou é senilidade ou mania de que se pode dizer (fazer) as asneiras que se quer, ou pronunciar; de ânimo leve (mesmo com novas tecnologias), disparates feitos palavras só porque sim. Vocês são uma treta!

5. Os dias que correm (podendo parecer) não são balofos. Por isso só pode dizer-se: cresçam; caso contrário Guimarães vai estampar-se, não demora nada!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Estar no tempo

Estou sozinho, nas estantes, restos
da minha vida.
Eugénio de Andrade, in Rente ao dizer

Aquando da visita à feira de artesanato de Vila do Conde tive a oportunidade de pegar e ler um desdobrável – certificar o artesanato valorizar a identidade portuguesa – que me deixou feliz. E vaidoso por ser vimaranense.
Lá estava Bordado de Guimarães. E um pequeno texto de onde destaco “a profusão dos motivos aliada à riqueza dos pontos utilizados confere ao bordado de Guimarães uma expressão única e marcante”.
Gostei. Ali mesmo em Vila do Conde onde os bilros se exibem em grande formação.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Espreitar o futuro

As coisas que mais amamos, ou julgamos amar, só têm o seu pleno valor real quando simplesmente sonhadas.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Roriz Mendes defende que é chegada a hora de a montanha da Penha ser vista como um complemento do centro histórico de Guimarães.
Por outro lado, o diretor do Centro de Formação Francisco de Holanda é de opinião que aquele espaço de excelência em Guimarães “tem que estar na primeira linha da candidatura de Guimarães a capital verde europeia.

Há cada vez mais vida na serra de Santa Catarina. Boa!
Ah! Gosto da ideia defendia pelo Juiz da Irmandade da Penha – “objetivo estratégico”, diz Roriz – de atingir o estatuto de Património Natural Classificado.
Excelente contributo para uma Guimarães que se afirma – lentamente, é verdade! –, rumo a um futuro verde.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Ameaça invisível

A expressão “no meu tempo…” costuma ser entendida como sinal de (mau) envelhecimento.
Ana Cristina Leonardo, E, 15.05.30

Festival para gente sentada faz onze anos e “reinventa-se em Braga”, é o título de uma peça assinada por Samuel Silva no jornal Público (15.07.30).
Pelo tamanho do texto seria coisa para passar ao lado da insignificância – cada vez mais maior e insuflável – dos minhotos no panorama noticioso nacional, não fosse – e isso é que é o pior! – existirem vimaranenses que apreciam Guimarães e que ficam com dor de cotovelo com esta coisa do “festival para gente sentada” que se “reinventa” em Braga. Quer dizer, faz de nós, coitados de vimaranenses que nos limitamos a ‘comer’ pacotes bacocos de promoções de grupos de espetáculos uns coitados.
E Braga, caramba! Está a carregar (valente) sobre uma cidade que já foi cidade europeia da Cultura.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Temos que sentir; o silêncio da ausência

No silêncio, os dias têm a cor
amarelada do papel.
Al Berto, ritos do 11 de janeiro, Bumerangue 1
Tive a oportunidade de estar presente no primeiro dia da feira de artesanato de Vila do Conde deste ano.
Fiquei tão bem!
Recordei outros tempos, vi coisas lindas; criação e vi Guimarães. Curiosamente, uma Guimarães (ali em Lordelo) que não conhecia. De todo.
Mas vi uma realidade que, a um vimaranese com memória, deve trazer saudades: a feira de artesanato de Guimarães (não tendo o âmbito nacional da de Vila do Conde) era assim uma coisa tão má que não justifique o seu regresso?

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Nunca deixes de sonhar

Há um espaço no corpo que pode ser um lugar.
Daniel Faria
foto: publico.pt
Há uma novidade boa que, espera-se, veja a a luz do dia, que é como quem diz, a realidade já no próximo ano: a nova biblioteca e centro de estudos da Universidade do Minho. Lá em cima em Azurém.
António Cunha, o reitor da UM, considera-a uma obra “de extrema importância, tanto para a universidade, como para Guimarães”.
E, afirma o reitor, será um espaço que vai estar aberto à noite e fins-de-semana.
Que mais se pode dizer; ou desejar?

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Apagar ligações

Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem veem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
1. Tive a oportunidade de participar – pouco; muito menos do que gostava – nos debates sobre o futuro de Guimarães que a Associação de Socorros Mútuos Artística Vimaranense (ASMAV) tem levado a cabo.
Felizmente que no meu primeiro dia de trabalho logo após as férias deste ano, pude escutar Cândido Capela Dias.
É sempre um prazer ouvir o antigo deputado (por pouco tempo; infelizmente) e antigo vereador na câmara de Guimarães.

2. Cândido estruturou uma intervenção que obriga a pensar. Desde logo porque no futuro de Guimarães haverá nuvens negras nascidas nas ousadas realidades do presente. Sim! Não é só a falta de uma ideia seriamente coerente no turismo – com a descarga de turistas que dormem no Porto e descem a colina sagrada até ao centro histórico e se vão embora sem sentir a cidade, as pessoas e outras realidades, é a forma como cada vez mais se compram pacotes de noites brancas, se enchem espaços com feiras medievais – neste particular, pessoalmente, considero a feira afonsina um pouco diferente da maioria das feiras medievais que por aí proliferam; pela identidade e pela obrigação de ter elementos identificadores da história de Guimarães.

3. O que o também membro da assembleia de Caldas das Taipas abordou na ASMAV é algo que nos tem que tira da apatia dos dias.
Ah! O futuro de Guimarães também passa por opções do passado que nem sempre auguram boas novas. E Cândido não esquece opções de planeamento que hoje têm peso nas decisões políticas municipais.

4. Em suma, não só a ASMAV, mostra vitalidade na forma como olha para o futuro e promove a discussão, como a CDU – foi esta coligação que ali esteve, como vincou mais do que uma vez, Cândido Capela Dias – mostrou (mais uma vez) que tem ideias muito claras para Guimarães.

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )