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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Barbas a arder

Não desejo uma vida difícil a ninguém, pois as dificuldades, a pobreza e a dor não faz ninguém melhor pessoa.

Joacine Katar Moreira, E, 19.12.28

 

Como adoro este título do Jornal de Noticias do passado dia 4: greve de fome de sete dias termina com piza e croquetes. Não, não estou a brincar. Gosto mesmo!

A peça de Rui Pedro Pereira atira os meus olhos para as câmaras televisivas. Onde vi ali muito gozo; tanto escárnio e tanta vontade de fazer dos espetadores verbos de encher.

Registo no texto do jornalista do JN que os transeuntes pediram para tirar selfies com o chef. Só que, o chef terá reagido ao nível de “isto parece mesmo um zoo*, entre dentes, para que não ficasse registado.

Não, senhor! Não falta atirar amendoins. Mas há quem considere heróis em gente assim.

 

Sem mais palavras sob a minha pena, importa vincar este ponto de vista do músico Miguel Guedes (Jornal de Noticias, 20.12.04): sabes se a presença em frente ao Parlamento de nove empresários em greve de fome, habitualmente bem nutridos nas suas vidas normais garbosa e luxuosamente exibidas nas redes sociais), faz mais ou menos pelas reivindicações do setor da restauração, hotelaria e diversão noturna é algo de muito questionável.

 

* minha senhora, estou muito fragilizado! Respondeu entre chã, água e pilhas de jornais do dia, uma bandeira de Portugal e muitos cigarros, Ljubomir a uma mulher que lhe pedia para tirar uma selfie. (JN, 20.12.04)

 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Batalha sem futuro


Estamos a usar a cultura como uma forma de melhorar a vida dos jovens. Estamos a usá-la também na regeneração urbana – quando novos grandes projetos urbanísticos são lançados, a cultura tem que fazer parte.

Justine Simons, vereadora da Cultura e Indústrias Criativas de Londres, Público, 19.11.12

  

o pai e eu sentados na esplanada ao fim de tarde. sem nada para dizer um ao outro. sem nenhum olhar para trocar. estamos distantes? não;

quando estamos cansados ou com vontade de afogar a agressividade dos estupores dos dirigentes,

é só um fim de tarde. muito calmo…

(não é pai, é coisa que se perde nos dias parvos e brancos que nos levam)

porquê este confinamento cego?

 

leste as palavras de José Ornelas, presidente da conferência episcopal portuguesa (7margens, 20.11.27 sobre o futuro de todos nós?

não;

pede ao Tiago que me traga um copo de água. para acalmar a separação que vai crescendo entre o velho e o novo, entre a realidade boa e as realidades assustadoras que por aí circulam.

os olhos do pai são transparentes, de uma transparência que leva à ausência da cor. olhemos as palavras do líder católico português que mais tem agitado as águas do comodismo:

Essas atividades [culturais] são altamente penalizadas, mas são fundamentais para sairmos da crise com uma sociedade bem organizada.

e acrescenta: No campo da cultura nem tudo pode ser feito à distância, o público faz parte da própria festa. O público faz falta. Tem de ser a sociedade no seu conjunto a dar a mão aos artistas.

 

de frente, mesmo na diagonal dos olhos azuis do pai, está uma moça linda; toca

o telefone no meu bolso esquerdo

a diferença entre a calma de agosto e o início da agitação de setembro mede-se no movimento de automóveis na rua.

e a cidade torna-se mais fluida. Vivendo à vez, em distanciamentos parvos e segregadores. E a segregação é fria. E mata com tanta solidão

 

outra certeza pai:

o chefe do governo não sabe do que fala; está sempre a sair da cidade sitiada….

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Caminhos cúmplices

Os políticos têm de deixar de sair pela garagem, com os vidros fumados e têm de passar a sair pela rua.

Vitorino Silva (Tino de Rans) Diário de Noticias, 19.02.09

 

Não voa como uma borboleta nem fura como uma abelha, mora num casarão rodeado de árvores. Onde um montador solitário se passeia se nas zonas de conflito…

Que palratório é esse?

Na verdade, é apenas um suspiro de preocupação com os dias. Pesados e com ausência de líderes e políticos de confiança. Leste o texto de editorial do jornal Público, do passado dia 29 de outubro?

Li, sim senhor! E fixei muito bem as palavras de Ana Sá Lopes – Infelizmente, vivemos tempos emque tudo, mesmo o inimaginável, pode acontecer.

Nem mais! Um cruzamento de vontades à deriva com o terror dos vazios liderantes.

Pois é! E que nos deixa uma imagem ténue de nós num tempo que se faz de imagens balofas.

Sabes que, já este mês, também num texto de editorial do jornal Público, Ana Sá Lopes volta a acordar-nos para os dias perversos que vivemos?

Sei sim senhor!, quando a diretora-adjunta daquele jornal nos entra pela consciência e pelo pensamento com estas palavras: Para espanto de muitos, o PSD escolher achar aceitável o tal partido “em muitos casos de extrema-direita” para seu compagnonde route.

Caramba, que tiro tão certeiro, não te parece?

Sem dúvida! Com uma bala ao coração da vida secreta de vendedores de sonhos, não é?

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

atração e repulsa

 

Quando brancos ricos, de forma errada, transferem a culpa do seu impacto ambiental para a taxa de

natalidade de negros ou morenos, muito mais pobres, a sua chamada de atenção reforça as narrativas. E é inerentemente racista.

Goerge Moubiot, cronista do The Guradian, citado pro António rodrigues, Público, 20.08.28

 

continuávamos a ir ao parque, lembras-te?

não líamos contos cruéis, apenas contos à lupa, pintados sobre as paredes da infância.

só que, repentinamente o teólogo Leonardo Boff (Fraternizar, junho 2020) – uma coisa ficou clara a propósito do covid-19: caiu um meteoro rasante em cima do capitalismo neoliberal desmantelando o seu ideário. Ele ficou gravemente ferido– soprou-nos ao ouvido o óbvio

e nós, não coramos de vergonha nem ficamos de coração partido;

passamos mesmo por cima das cores da sombra

 

e pronto! no início da noite fomos ver o filme

da escola para a marginalidade

de manhã levantamo-nos de costas voltadas para os dias

que continuam a ser uma permanente declaração de dor.


domingo, 20 de setembro de 2020

mais do que um silêncio


 As máquinas partidárias impuseram a sua lei. Cada dia que passa um deputado é mais dependente. Com a perda de poder, o Parlamento sente-se ameaçado e fecha-se. O Governo acompanha-o.

António Barreto, P2 (Público), 20.08.16

 

quando queres calar, abafar; ignorar quem te faz sombra

recorres aos baixos jogos da comunicação: mentes; iludindo

atacas, assustando – recorres à mentira.

 

sejam divulgadas elas (as ‘verdades’) onde forem.

pode até ser em meio quente; assanhado de parvoíces

dos convencidos e de supostos donos de diplomas – ou então não!

pode ser mesmo aí. onde tu estás; morrendo sem saber.

 

depois; não! não és porque já cedeste, deste o que era só teu.

e eles – máquina infernal – vão dizer-te que também tudo podes lá estar.

ilusão destruidora!

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Anjo do pensamento

sede (?) do PS Monção, por estes dias

A esfera mediática, em Portugal, determinada pela obesidade patológica da opinião, transformou-se num mundo timótico.

António Guerreiro, Ípsilon, 19.07.12

 

António Costa, o crítico dos “joguinhos políticos” que o levaram ao poder, é o mesmo dirigente que noutros tempos – não muito distantes – fez o mesmo com o seu “poucachinho” a um outro dirigente?

Senhores à esquerda do PS, tenham cuidado! 

Ou não! 

Na verdade, basta olhar com atenção para o receio que um tal de César derrama sobre os vossos desafios! Sempre ele a fazer de escudo para tantas malvadezes de bastidores! 

Só mudaram as palavras, não foi?

 

domingo, 7 de junho de 2020

É só questão de tempo


Vivemos a época de maior liberdade opinativa de que há memória na História. Paradoxalmente, é essa mesma época que vê aumentar o número dos que se queixam de não poder fazê-lo.
Ana Cristina Leonardo, E, 18.11.24

Num texto com assinatura de Margarida Gomes – Isabel Moreira acusa governo de ignorar Parlamento – inserido na edição do jornal Público (20.06.03) pode ler-se estas palavras de Isabel Moreira: [António Costa] distribui competências aos ministros que são da ministra da Saúde. Restringe diretamente direitos, liberdade e garantias, quando não o pode fazer.
E pronto! Assim vai um governo em tempos pandémicos e de paraministros! Em Portugal.

Ah! Vítor Caldeira, presidente do Tribunal de Contas, numa conversa com Joana Nunes Mateus inserida no caderno de Economia do semanário Expresso (20.06.06) diz que as situações de emergência têm riscos que devem ser minimizados. E os primeiros responsáveis são os gestores públicos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Centro de uma loucura

Parece ser inevitável que a idade nos traz uma postura mais conservadora e menos dada a aventuras desconhecidas, como se o tempo que nos resta tivesse de ser obrigatoriamente calmo.
José Gameiro, E, 15.09.12
Houve, um destes dias e na cidade de Braga, uma “festa contra estigma das instituições”. Festa contra estigmas das instituições! E para a tal coisa, feita pela, ao que parece, Segurança Social de Portugal – aquela instituição pública que (quase sempre) é injusta para com os que sofrem, mostrou uma encenação, capaz de juntar “cerca de 23 instituições”.
A coisa feita encenação para eleitor ver, diz o responsável máximo da Segurança Social do distrito de Braga, terá servido para desmistificar o trabalho desenvolvido pelas instituições. Ups! Desmistificar o trabalho desenvolvido pelas instituições!
Encenações! Sem classe; forçadas. O pior – e isso sim!, é gravíssimo e tem que morrer já no próximo dia 4 – é que no palco da vida, do dia-a-dia de quem sabe o que é não ter dinheiro para sobreviver, o responsável da Segurança Social em Braga nunca pôs os pés.
Há encenações que não são uma treta; são uma tremenda agonia. Só possível em palcos silenciosamente castrados, onde os atores sofrem, sofrem e os encenadores não sabem o que fazer.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Há um urso em palco; olhar sombrio

Um dos malefícios de pensar é ver quando se está pensando. Os que pensam com raciocínio estão distraídos. Os que pensam com emoção estão dormindo. Os que pensam com a vontade estão mortos.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Caramba! O meu país – que é Portugal, caso os mais distraídos não tenham entendido –, é um espanto!
Como adoro ver um país que se verga, levanta e volta a vergar!
Ui! Que foi? Que disse eu?
Transcreverei, somente, o título do semanário Expresso (15.06.27): MNE reabre embaixada para chefe de gabinete de Passos.
Ui! Será aquela embaixada (era UNESCO, não era?) encerrada à pressa, porque não interessava aos senhores do governo?
É?
Porque raio tenho que continuar em Portugal, um país que não sabe o que quer para si?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Conhecedor de intrigas

Como tudo é vão! Arrasa uma cidade,
ergue-te do pó dessa cidade
assume um cargo e finge para evitares expor-te.
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado
Li, já foi há uns dias (já é do passado dia 10) uma notícia no jornal Público que me fez pensar que, às vezes (muitas vezes, afinal) nem tudo o que parece é. Li que a câmara de Braga “paga seis mil euros em consultas de dentistas por ano a famílias carenciadas”.
Ui!
Ao ler isto pensei: caramba! Guimarães tem que fazer algo parecido, não é? Isto parece extraordinário.
Não?
Não, não e não.
Trata-se de uma iniciativa que envolve uma clinica privada onde – leia-se com toda a atenção – “o acesso ao serviço não será generalizado a toda a população”.
Repita-se para que não reste nenhuma dúvida: nem todos os bracarenses com dificuldades poderão usufruir de consultas para tratar dos seus dentes.

Há pormenores que, não se estando atento, fazem a diferença. E a forma como se vende coisas ao desbarato para iludir está na moda. Cuidado!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Realidades portuguesas à luz de Churchill

Miguel Sousa Tavares no semanário Expresso (15.01.10) e a propósito da história de Wiston Churcill oferece um conjunto de afirmações históricas do histórico líder. São tantas que, por aqui ficam apenas duas.
Dirigidas a altos dignatários deste país à deriva.


  1. A Cavaco Silva: “ocasionalmente os homens tropeçam na verdade, mas a maior parte deles levanta-se e prossegue como se nada tivesse acontecido”.
  2. A Passos Coelho: “sucesso consiste em seguir de falhanço em falhanço sem perder o entusiasmo”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sinais que ardem

Nem me vou referir à quantidade de personalidades socialistas vimaranenses que em maio apareciam eufóricas ao lado de [António José] Seguro garantindo “pelas alminhas” que era o futuro primeiro-ministro de Portugal e em julho, aquando da visita do mesmíssimo Seguro, estranhamente não foram vistos na comitiva.
Luis Cirilo, depois falamos, 14.07.31

Meu caro amigo Cirilo, como bem sabes, prefiro sempre tomar um café contigo ou ficar nas escadas da assembleia municipal numa cavaqueira curta, ou seja, nunca publicamente trocamos ideias.
Não resisto hoje.
Apenas para te dizer que, independentemente das dores que (também) já sentiste dentro do teu partido, estou tentado a assinar por baixo as tuas palavras sobre a visita do secretário-geral do meu partido a Guimarães, sabes?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Realidade no inferno

foto: expresso.sapo.pt
Felizmente que o país pode contar com Soares dos Santos para colmatar este défice [de elites] – e para chamar mentirosos aos políticos que não cumprem as promessas. Felizmente que Soares dos Santos toma decisões empresariais tendo em conta os interesses do país. E que disponibilizou assistência jurídica para os seus trabalhadores saberem gerir os ordenados de 700 euros. É desta massa que se faz a verdadeira elite nacional.
Nicolau Santos, Expresso (Economia), 14.06.28

Será por isso que «a tesouraria do grupo Jerónimo Martins será transferida para Genebra porque a banca não dá resposta”»?

sábado, 28 de junho de 2014

Na ausência da motivação


- Quando os dirigentes partidários, coniventes com a ausência de abertura aos cidadãos, escolhem os seus amigos sem consultar os órgãos dirigentes – sejam ou não militantes (não, não confundir com os que vão às sedes partidárias como quem vai a uma agência de empregos) – não estão a mandar às malvas os que acreditam na democracia interna de um partido?
- Não me digas que há alguém que, a seguir, dirá, de megafone na mão, aos cidadãos eleitores; às pessoas sem conveniência do calendário do surgimento público, que a forma como se dirige o presente marca definitivamente o futuro?

- Pois é. Há

(estranhamente)
cada vez mais gente que adora imolar-se publicamente em assanhamentos

(assanham-se a si e fazem tudo em assanhar os outros; em vez de pensar pela sua própria cabeça)

Vivemos tempos difíceis.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Cinismo sem limites

foto: jn.pt
Uma sugestão para combater a abstenção: seguir o caminho do governo, sortear uns automóveis pelas pessoas que fossem votar”, escreve, em editorial, Alfredo Oliveira, no Reflexo de junho.
Nem pensar, meu caro Alfredo! Não falta por aí quem queira cartões dourados, nada de carros!



E depois, como é que alguns taipenses – que depressa perceberão que estão no sítio errado –, poderão fazer de conta que sorriem com os resultados obtidos pelo seu partido, para, de seguida, esfregarem as mãos e apontarem noutras direções?

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Dificuldades de audição


TC contrata intérprete de língua gestual do funeral de Mandela para explicar a Passos Coelho.
O Inimigo Público, 14.06.06

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...