à janela da cidade
depois de um certo olhar
quinta-feira, 9 de julho de 2026
quarta-feira, 24 de junho de 2026
mergulho sensorial (deriva)
grito — claro? — não: lâmina som que abre o sonho ao meio
erguido – não por mãos gastas. alicerces gastos
(cinza sobre cinza sobre cinza)
liberdade? vento frio a atravessar ossos
máquina cega a mastigar o que ainda pulsa
memórias? suspensas — presas entre espanto E riso
um intervalo que não fecha e depois outro grito
(severo, ardente, sem corpo)
esmaga os dias, esmaga a ideia de dia o que sobra
(não de nós, mas do lugar onde
estivemos)
eápsula de sabores? de odores?
cápsula oca, um eco aromático da pele
aragem quase nada
antes do incêndio
reaprender o nome
II
ruína repete ruína, liberdade repete ausência
frio
silêncio
um campo onde o espanto falha o riso
outro grito
(depois? antes? dentro?)
quente – demasiado quente – até o tempo ceder
dias em chamas, dias esmagados, dias sem superfície
o que resta?
o que resta do cinzento quando o cinzento arde?
aragem outra vez; agora corta, agora fere
olhares: grito dentro do grito
noite ferida. fecha a janela — fecha o visível
esconde o que insiste em não morrer sob a cinza.
há um fogo pronto a aprender a regressar
janela: não abre, não fecha; oscila e nesse intervalo
—
as coisas lindas de nós sobrevivem inteiras
sexta-feira, 19 de junho de 2026
vocês são loucos, mas são bons
Os
ratos assustam; é verdade
Aqueles ratos tinham-lhe dado a volta à cabeça
e tudo ficaria melhor quando tivessem desaparecido.
Albert Camus, in A Peste, (Editora
Livros do Brasil)
terça-feira, 16 de junho de 2026
o teu amor: luz que não se apaga V
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Realidades feitas Epopeia IX
sexta-feira, 29 de maio de 2026
o teu amor: luz que não se apaga IV
o
teu amor é um rio secreto que corre dentro de ti
trazendo sede e saciando-a num só gesto. é chama oculta –
e mesmo quando o mundo se fecha –, ele abre uma janela
no coração; quem te guia, quem te devolve a ti mesmo quando te perdes
que
não queima, mas aquece. é sombra fresca
num
deserto de ausências.
o
teu amor tem rosto de estrela, olhar de manhã clara,
não
é apenas quem amas – é também quem te habita,
o
teu amor és tu e é outro, é encontro e é mistério
é
pergunta sem resposta, é eternidade que se renova
em cada instante.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
deusa fria
nos diálogos de um coração abatido
a palavra perde-se em equívocos
e é testemunha árida das chuvas
na areia
onde te vi na viagem às réstias
de luz
na palavra de um hóspede de
solidão
encontro tua voz a cortar as
ervas amargas
que criam as nuvens da deusa fria
do destino
e sinto as guitarras que moram no
banco do tempo
na selva densa da palavra o sol é
violento
mas é lá que vivo à procura de
ti!
Realidades feitas epopeias IX
Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Uni...
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