Rodrigo Guedes de Carvalho, Ideias
(Expresso), 26.08.14
à janela da cidade
depois de um certo olhar
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Mais preocupações para os bombeiros
quinta-feira, 9 de julho de 2026
quarta-feira, 24 de junho de 2026
mergulho sensorial (deriva)
grito - claro? — não: som lâmina que abre o sonho ao meio
erguido – não por mãos gastas. alicerces gastos
(cinza sobre cinza sobre cinza)
liberdade? vento frio a atravessar ossos
máquina cega a mastigar o que ainda pulsa
memórias? suspensas — presas entre espanto E riso;
um intervalo que não fecha e depois outro grito
(severo, ardente, sem corpo)
esmaga os dias, esmaga a ideia o que sobra
(não de nós, mas do lugar onde
estivemos)
da cápsula de sabores? de odores?
cápsula oca, um eco aromático da pele
aragem quase nada
antes do incêndio
reaprender o nome
II
ruína repete ruína, liberdade repete ausência
frio
silêncio
um campo onde o espanto falha o riso
outro grito
(depois? antes? dentro?)
quente – demasiado quente – até o tempo ceder
dias em chamas, dias esmagados, dias sem superfície
o que resta?
o que resta do cinzento quando o cinzento arde?
aragem outra vez; agora corta, agora fere
olhares: grito dentro do grito
noite ferida. fecha a janela — fecha o visível
esconde o que insiste em não morrer sob a cinza.
há um fogo pronto a aprender a regressar
janela: não abre, não fecha; oscila e nesse intervalo
—
as coisas lindas de nós sobrevivem inteiras
sexta-feira, 19 de junho de 2026
vocês são loucos, mas são bons
Os
ratos assustam; é verdade
Aqueles ratos tinham-lhe dado a volta à cabeça
e tudo ficaria melhor quando tivessem desaparecido.
Albert Camus, in A Peste, (Editora
Livros do Brasil)
terça-feira, 16 de junho de 2026
o teu amor: luz que não se apaga V
secreta do pulsar, o intervalo invisível onde o coração aprende a existir.
nos teus olhos, nada vejo: atravesso - horizontes que se desfazem, fronteiras
do abrigo. e a tua voz - não som, mas memória anterior ao som - canta
o que o tempo esqueceu antes de nascer. és a ternura que me reconstrói
dos escombros que fui, a luz obstinada que impede a noite de me possuir
por inteiro. e quando o tempo - esse artesão da perda - tenta dividir-nos,
o teu nome não cede: lateja gravado na matéria invisível do eterno.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Realidades feitas Epopeia IX
sexta-feira, 29 de maio de 2026
o teu amor: luz que não se apaga IV
o
teu amor é um rio secreto que corre dentro de ti
trazendo sede e saciando-a num só gesto. é chama oculta –
e mesmo quando o mundo se fecha –, ele abre uma janela
no coração; quem te guia, quem te devolve a ti mesmo quando te perdes
que
não queima, mas aquece. é sombra fresca
num
deserto de ausências.
o
teu amor tem rosto de estrela, olhar de manhã clara,
não
é apenas quem amas – é também quem te habita,
o
teu amor és tu e é outro, é encontro e é mistério
é
pergunta sem resposta, é eternidade que se renova
em cada instante.
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