Os
ratos assustam; é verdade
Aqueles ratos tinham-lhe dado a volta à cabeça
e tudo ficaria melhor quando tivessem desaparecido.
Albert Camus, in A Peste, (Editora
Livros do Brasil)
depois de um certo olhar
Os
ratos assustam; é verdade
Aqueles ratos tinham-lhe dado a volta à cabeça
e tudo ficaria melhor quando tivessem desaparecido.
Albert Camus, in A Peste, (Editora
Livros do Brasil)
o
teu amor é um rio secreto que corre dentro de ti
trazendo sede e saciando-a num só gesto. é chama oculta –
e mesmo quando o mundo se fecha –, ele abre uma janela
no coração; quem te guia, quem te devolve a ti mesmo quando te perdes
que
não queima, mas aquece. é sombra fresca
num
deserto de ausências.
o
teu amor tem rosto de estrela, olhar de manhã clara,
não
é apenas quem amas – é também quem te habita,
o
teu amor és tu e é outro, é encontro e é mistério
é
pergunta sem resposta, é eternidade que se renova
em cada instante.
nos diálogos de um coração abatido
a palavra perde-se em equívocos
e é testemunha árida das chuvas
na areia
onde te vi na viagem às réstias
de luz
na palavra de um hóspede de
solidão
encontro tua voz a cortar as
ervas amargas
que criam as nuvens da deusa fria
do destino
e sinto as guitarras que moram no
banco do tempo
na selva densa da palavra o sol é
violento
mas é lá que vivo à procura de
ti!
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)
Antes de o Ocidente cair
a espécie humana estará extinta,
como a morte dos corais e dos oceanos
anuncia em vão.
Clara Ferreira Alves, E (Expresso),
25.06.06
Os ratos assustam; é verdade Aqueles ratos tinham-lhe dado a volta à cabeça e tudo ficaria melhor quando tivessem desaparecido. Albert C...