Os ratos assustam; são animais transportadores do diabo a quatro.
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)
depois de um certo olhar
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)
Antes de o Ocidente cair
a espécie humana estará extinta,
como a morte dos corais e dos oceanos
anuncia em vão.
Clara Ferreira Alves, E (Expresso),
25.06.06
o
teu amor não tem um só nome; é um sopro
escondido no vento, um olhar que se demora no silêncio
é quem te faz sorrir quando a noite pesa,
é quem o teu coração chama mesmo sem voz,
é quem caminha contigo mesmo quando não está presente.
o teu amor é espelho e horizonte, raízes e asas,
ferida e cura, luz que não se apaga.
onde cabem todas as palavras. o teu amor.
A América mete motor em tudo;
em parte a gasolina substitui o pensamento.
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)
luz
que não se apaga; o teu amor não é sopro: é o silêncio
onde
as palavras aprendem a ficar. olhar que insiste; sentado
na
demora do tempo – quando a noite pesa é ele que acende
o corpo e chama o coração – pelo nome caminha contigo; mesmo
sem
voz, mesmo sem forma o teu amor: espelho aberto
horizonte ferido – raízes que prendem, asas que rasgam
e
ainda assim – luz que não se apaga.
Diz Blom
Com sarcasmo.
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)
o
teu amor não é só estirpe ou sopro debandando
com
o vento – silêncio onde cabem todas as palavras.
ou
olhar que teima em sentar-se na serenidade demorada
do teu olhar. o teu amor é quem te faz sorrir
quando
a noite pesa sob as palavras. é quem o teu coração
chama, é quem caminha contigo
(luz que não se apaga!)
o
teu amor é espelho e horizonte, raízes e asas, ferida e cura,
luz que não se apaga.
Os ratos assustam ; são animais transportadores do diabo a quatro. Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)