sexta-feira, 15 de maio de 2026

o teu amor: luz que não se apaga? II

 

luz que não se apaga; o teu amor não é sopro: é o silêncio

onde as palavras aprendem a ficar. olhar que insiste; sentado

na demora do tempo – quando a noite pesa é ele que acende

o corpo e chama o coração – pelo nome caminha contigo; mesmo

sem voz, mesmo sem forma o teu amor: espelho aberto

horizonte ferido – raízes que prendem, asas que rasgam

e ainda assim – luz que não se apaga.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Realidades feitas Epopeia VI

 Ámen, a gasolina seja louvada,

Diz Blom

Com sarcasmo.

Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

o teu amor: luz que não se apaga?

o teu amor não é só estirpe ou sopro debandando

com o vento – silêncio onde cabem todas as palavras.

ou olhar que teima em sentar-se na serenidade demorada

do teu olhar. o teu amor é quem te faz sorrir

quando a noite pesa sob as palavras. é quem o teu coração

chama, é quem caminha contigo

                (luz que não se apaga!)

o teu amor é espelho e horizonte, raízes e asas, ferida e cura,

luz que não se apaga.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Realidades feitas Epopeia V

Alguém que vive apenas para prosseguir vivo, como a tartaruga
ou a bactéria mais simples, entra de imediato na espécie animal mais reles, e do fundo do barco de Noé.
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

labirinto de ideias IV

entre a terra e o mar, a agitação escumante - profunda e lendária

suporta a narrativa enérgica do silêncio dos corpos calcinados -

a solidão trivializada tenta em vão soltar a vida evaporizada!

entre a terra e o mar o misterioso declínio da narrativa mais enérgica

de nós; caras eretas olhando o clima de guerras abertas – misterioso

declínio onde o silêncio se agita húmido por entre o silêncio que aparta

terra e mar.

 

entre a terra e o mar – solidão e vida evaporada! - há portas 

húmidas e frias – frases que perdem valor na agitação marítima

e no desejo de serem o que sempre foram: palavras ordenadas

em silêncios petrificados - corpos calcinados, vida se evapora,

na solidão trivializada que comanda os dias fatais no silêncio do teu rosto.


sexta-feira, 24 de abril de 2026

e o mundo engolindo o que resta de nós

 Se o mundo está a arder, se as chamas e as altas temperaturas se tornarem um dado estrutural, então há boas razões para dizer que estamos na era do Piroceno.

António Guerreiro, jornalista, Ípsilon, 25.08.22


quarta-feira, 22 de abril de 2026

o teu amor: luz que não se apaga? II

  luz que não se apaga; o teu amor não é sopro: é o silêncio onde as palavras aprendem a ficar. olhar que insiste; sentado na demora do ...