da demência geral do mundo.
Gonçalo M. Tavares, E, 21.04.23
depois de um certo olhar
rostos elevados em clima de guerra aberta: misterioso
declínio do olhar – sempre pronto a rasgar saídas
para grandes espaços; ali o silêncio dos corpos calcinados
dissolve o alento na solidão trivializada – entre o silêncio
que aparta terra e mar; tantas portas: frases que perdem o desejo
de serem palavras ordenadas, fixando-se nos silêncios petrificados,
onde os corpos calcinados persistem adormecidos. a vida evapora-se
dia após dia, no silêncio fatal do teu rosto.
decadência no muro do tempo: aparências levantadas
em clima de combates descerrados – misteriosa decadência
abrindo passagens por espaços ocos; além da noite fria – onde o
silêncio
dos corpos calcinados dissolve a vida numa solidão trivializada.
o desejo de serem palavras ordenadas, fixando-se em silêncios
petrificados, onde os corpos calcinados persistem e a vida se
evapora,
dia após dia, no silêncio fatal do teu rosto.
Gonçalo [M. Tavares] é o único português
que pode voltar a conquistar
o Nobel da Literatura. A sua escrita
é uma chave
de entendimento do mundo.
Luis Osório escritor, jornalista e cronista,
Diário de Noticias, 26.03.05
As novas confissões avançam no campo da demência geral do mundo . Gonçalo M. Tavares, E, 21.04.23