quarta-feira, 25 de março de 2026

Realidades feitas Epopeia II

Estúpida como um tijolo fica a cabeça
do homem moderno diante do perigo
sem forma e sem causa aparente.

Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

domingo, 22 de março de 2026

“rex non est patronus”


olha sempre em frente meu amor – como quem atravessa o campo adusto
depois do lume; há cinzas nas momices: um rumor verde a crescer
onde ninguém ousa prometer o devir. caminhamos meu amor! não te angusties
por amansar a béstia das belezas antigas; memórias de lugares expirados.
não te detenhas nas margens do que fomos – há rios que só existem
esquecendo a nascente; e nós – feitos de tardes interrompidas –, aprendemos
a beber daquilo que nunca regressa. lembra-te: o silêncio não é ausência;
a forma mais inteira de dizer o mundo; quando as mãos
se encontram sem urgência e tudo o que arde se torna suportável.
 
em brito as casas – ainda – respiram devagar, como se guardassem
o segredo de não partir; ou os resquícios dos olhares de “rex non est patronus,
a pia batismal e nós, sentados à beira do que resta, inventamos um tempo
que não se mede pelos dias apressados onde vestias a liberdade – em brito;
sítio onde esqueço tudo o que destrói os dias; os lugares onde bebemos
as cores gritantes de quem alimenta os pelos de uma puberdade em lágrimas do mundo.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Realidades feitas Epopeia

 

A maluqueira na América

está dez pontos acima 

da maluqueira do

mundo.

Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

sexta-feira, 13 de março de 2026

no silêncio não há inocentes

desaparecido no carácter sombrio da noite; esbanjo
as palavras
(sempre prontas a propagar ideais – mesmo vindos
de afinidades improváveis)
todas as palavras; feitas serenos fulgores:
a linguagem da noite desfaz-se nas imensidades de factos
(do soalho à floresta há vida; há morte: veracidades sem filtro
ruídos discretos; inquietos – ordem abrindo as portas do fim
a sonoridade das palavras; som com outra profundidade – quando as memórias
mais antigas)
sobem ao palco dos dias cinzentos. onde nenhum silêncio é inocente.

quinta-feira, 5 de março de 2026

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Certeza confirmada


 Foto de Patrícia de Melo Moreira (AFP)

A eleição de António José Seguro demonstrou que a maioria dos portugueses é capaz de se unir para salvar a democracia. E é essa mesma democracia que precisa de ser aprofundada e melhorada, com maior justiça social, fazendo diminuir a desigualdade e proporcionando melhores condições de vida a toda a população.

Rui Tavares, diretor, Visão, 26.02.12


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Certeza segura XI

 foto Rui Gaudêncio (Público)

Estou convicta de que nos confrontos existenciais que nos aguardam, 

Seguro vai estar do lado certo.

Susana Peralta, Professora de Economia em Nova SBE, Público, 25.01.09

Realidades feitas Epopeia II

Estúpida como um tijolo fica a cabeça do homem moderno diante do perigo sem forma e sem causa aparente . Gonçalo M. Tavares, in O fim dos...