sexta-feira, 8 de maio de 2026

o teu amor: luz que não se apaga?

o teu amor não é só estirpe ou sopro debandando

com o vento – silêncio onde cabem todas as palavras.

ou olhar que teima em sentar-se na serenidade demorada

do teu olhar. o teu amor é quem te faz sorrir

quando a noite pesa sob as palavras. é quem o teu coração

chama, é quem caminha contigo

 (é luz que não se apaga)

o teu amor é espelho e horizonte, raízes e asas, ferida e cura,

luz que não se apaga.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Realidades feitas Epopeia V

Alguém que vive apenas para prosseguir vivo, como a tartaruga
ou a bactéria mais simples, entra de imediato na espécie animal mais reles, e do fundo do barco de Noé.
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

labirinto de ideias IV

entre a terra e o mar, a agitação escumante - profunda e lendária

suporta a narrativa enérgica do silêncio dos corpos calcinados -

a solidão trivializada tenta em vão soltar a vida evaporizada!

entre a terra e o mar o misterioso declínio da narrativa mais enérgica

de nós; caras eretas olhando o clima de guerras abertas – misterioso

declínio onde o silêncio se agita húmido por entre o silêncio que aparta

terra e mar.

 

entre a terra e o mar – solidão e vida evaporada! - há portas 

húmidas e frias – frases que perdem valor na agitação marítima

e no desejo de serem o que sempre foram: palavras ordenadas

em silêncios petrificados - corpos calcinados, vida se evapora,

na solidão trivializada que comanda os dias fatais no silêncio do teu rosto.


sexta-feira, 24 de abril de 2026

e o mundo engolindo o que resta de nós

 Se o mundo está a arder, se as chamas e as altas temperaturas se tornarem um dado estrutural, então há boas razões para dizer que estamos na era do Piroceno.

António Guerreiro, jornalista, Ípsilon, 25.08.22


quarta-feira, 22 de abril de 2026

sexta-feira, 17 de abril de 2026

labirinto de ideias III

rostos elevados em clima de guerra aberta: misterioso 

declínio do olhar – sempre pronto a rasgar saídas 

para grandes espaços; ali o silêncio dos corpos calcinados

dissolve o alento na solidão trivializada – entre o silêncio

que aparta terra e mar; tantas portas: frases que perdem o desejo

de serem palavras ordenadas, fixando-se nos silêncios petrificados,

onde os corpos calcinados persistem adormecidos. a vida evapora-se

dia após dia, no silêncio fatal do teu rosto.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Realidades feitas Epopeia IV

No hospital não se fala do efeito
de estufa,
nem de cataclismos longe no espaço
ou no tempo.

                                                                                   Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

o teu amor: luz que não se apaga?

o teu amor não é só estirpe ou sopro debandando com o vento – silêncio onde cabem todas as palavras. ou olhar que teima em sentar-se na ...