quarta-feira, 17 de abril de 2019

noite do homem


na minha morte quero arrastar-te comigo. gostava muito que fosse como até agora: com paixão.
sabes: o medo transfigura-nos – e nós nunca tivemos medo. que me lembre; mesmo que se visse!
não tenho uma explicação para o mundo; nem complicada, nem simples. não tenho pronto! adorava ter. porque estar errado é mentir. e, mesmo que seja inconscientemente, detesto a mentira.

aquilo que fomos já está enterrado. não acreditas? olha o luar. e as sombras brancas que ele desenha.
                (vês alguma coisa?
o dia nasceu.)

dantes, quando tudo era belo, sereno e amplo, era deus. só. deus e o espaço. sempre aberto. depois, vieram os homens; os homens que criaram religiões; religiões que construíram muros, barreiras entre o espaço, separações entre os homens e o espaço belo, sereno e amplo, religiões que construíram meros intermediários entre os homens e deus.
cada religião construiu o seu muro mais alto do que o da outra religião, com pulcritudes cada vez maiores que tapavam a beleza de deus
(a serenidade do espaço e amplitude que mostrava deus aos homens).
que chega de mansinho.

encara a ilusão que transpostas há tempos; infinitos: fomos deixando esquecido pelos pesadelos quase brancos que intensificaram as mulheres bonitas contra os nossos desejos.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Não parem


Estes senhores (ter-se-ão) despedido (dos palcos) no último sábado; ali mesmo na Ramada.
Não pode, pois não?
Deram um espetáculo enorme.
Façam lá a vossa pausa, mas não se esqueçam: dois anos é muito tempo!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

artistices vimaranenses

O espaço público é meu ou é teu?
Posso fazer dele o que quero, como quero e quando quero?
Por mim - turista desta vida onde acontecem as maiores parvoíces do universo –, e sendo dos que acredita que as parvoíces ficaram todas perdidas nos buracos negros (felizes e destruidores de nós e do devir), só posso dizer; sem medos: estamos em Guimarães. Terra de artistíces (não escrevo artistas, que fique bem claro!), terra de chicos espertos e terra de destruidores das coisas de todos.

Nesta primeira publicação de artistices vimaranenses está em disputa uma torta de Guimarães para quem identificar esta engenhoca que a foto regista e para quem for capaz de impedir uns certos chicos espertos de fazerem de conta que gostam de um território fabuloso; cruzando-o de bicicletas, as mais caras e vistosas do mercado.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Olhar do silêncio

foto: jornaldigital.com
Agora que a campanha terminou e boa parte do discurso mais demagógico tende a desaparecer ou a acalmar; o novo Governo devia olhar com atenção para os níveis de pobreza em Portugal e tentar ser frio na leitura dos números.

Editorial, Expresso, 15.10.10