de algo ou de alguém.
à janela da cidade
depois de um certo olhar
quarta-feira, 8 de abril de 2026
sexta-feira, 3 de abril de 2026
labirinto de ideias
declínio;
caras erguidas
em guerras abertas - mistério de saída
para grandes espaços.
trivializa a solidão e evapora a vida
onde
o silêncio dos corpos calcinados
entre
terra e mar há portas — frases que se perdem
no
desejo de serem palavra.
em guerras abertas - mistério de saída
para grandes espaços.
trivializa a solidão e evapora a vida
onde o silêncio dos corpos calcinados
entre terra e mar há portas — frases que se perdem
no desejo de serem palavra.
quarta-feira, 1 de abril de 2026
chave de entendimento do mundo
Gonçalo [M. Tavares] é o único português
que pode voltar a conquistar
o Nobel da Literatura. A sua escrita
é uma chave
de entendimento do mundo.
Luis Osório escritor, jornalista e cronista,
Diário de Noticias, 26.03.05
sexta-feira, 27 de março de 2026
outra vez o vento
outra vez o vento; a infância e as ervas verdes – quase a dessecarem
(recordo tão bem o carvalho do lado esquerdo do caminho;
mesmo encostado ao muro onde a fotossíntese luminosa das pedras
musgosas separava o passado saído do monte do caminho de ensaibro
que me levava á escola!)
silenciosa e despida nas folhas e nos meninos – desfrutando
de uma roda para extrair água do poço; dizem que seco!
o recreio empedrou-se e magoa os corpos.
vestiram- se de cimento e dor ensanguentada por entre o mato também morto
e nós, sentados à beira do que resta,
inventamos um tempo que não se mede em olhares.
quarta-feira, 25 de março de 2026
Realidades feitas Epopeia II
Estúpida como um tijolo fica a cabeça
do homem
moderno diante do perigo
sem forma e sem causa aparente.
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos
(Relógio d’ Água)
domingo, 22 de março de 2026
“rex non est patronus”
olha sempre em frente meu amor –
como quem atravessa o campo adusto
depois do lume; há cinzas nas momices: um rumor verde a crescer
onde ninguém ousa prometer o devir. caminhamos meu amor! não te angusties
por amansar a béstia das belezas antigas; memórias de lugares expirados.
não te detenhas nas margens do que fomos – há rios que só existem
esquecendo a nascente; e nós – feitos de tardes interrompidas –, aprendemos
a beber daquilo que nunca regressa. lembra-te: o silêncio não é ausência;
a forma mais inteira de dizer o mundo; quando as mãos
se encontram sem urgência e tudo o que arde se torna suportável.
em brito as casas – ainda –
respiram devagar, como se guardassem
o segredo de não partir; ou os resquícios dos olhares de “rex non est patronus”,
a pia batismal e nós, sentados à beira do que resta, inventamos um tempo
que não se mede pelos dias apressados onde vestias a liberdade – em brito;
sítio onde esqueço tudo o
que destrói os dias; os lugares onde bebemos
as cores gritantes de quem alimenta
os pelos de uma puberdade em lágrimas do mundo.
depois do lume; há cinzas nas momices: um rumor verde a crescer
onde ninguém ousa prometer o devir. caminhamos meu amor! não te angusties
por amansar a béstia das belezas antigas; memórias de lugares expirados.
não te detenhas nas margens do que fomos – há rios que só existem
esquecendo a nascente; e nós – feitos de tardes interrompidas –, aprendemos
a beber daquilo que nunca regressa. lembra-te: o silêncio não é ausência;
a forma mais inteira de dizer o mundo; quando as mãos
se encontram sem urgência e tudo o que arde se torna suportável.
o segredo de não partir; ou os resquícios dos olhares de “rex non est patronus”,
a pia batismal e nós, sentados à beira do que resta, inventamos um tempo
que não se mede pelos dias apressados onde vestias a liberdade – em brito;
quarta-feira, 18 de março de 2026
Realidades feitas Epopeia
A maluqueira na América
está dez pontos acima
da maluqueira do
mundo.
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos
(Relógio d’ Água)
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Realidades feitas Epopeia III
Tudo o que está longe de nós está perto de algo ou de alguém. Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)
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