Mostrar mensagens com a etiqueta olhar com ambiente; olhar no território; olhar de reflexão local; olhar no devir. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta olhar com ambiente; olhar no território; olhar de reflexão local; olhar no devir. Mostrar todas as mensagens

sábado, 11 de setembro de 2021

Contra a indiferença

O acentuar de problemas económicos, urbanísticos e espaciais, com expressão nas cidades, tem contribuído para um despertar cívico, com impacto na gestão do poder.

Vitor Belanciano, Público, 20.02.20

 

1. Sim; sou um comodista.

Sim; também eu sou um dos milhões de urbanitas deste planeta à beira da rutura que só usa transporte pessoal para se deslocar para o trabalho diário.

Sim; tenho milhares de argumentos para dizer que não encontro outra forma para poder cumprir as minhas obrigações profissionais.

Sim; desloco-me onze quilómetros, entre a cidade e a vila mais rural do município de Guimarães, Serzedelo – uma ligação que é tremendamente complicada no que aos transportes públicos diz respeito – e sou um poluidor; comodista.

 

2. Tenho alternativa?

Tenho. Caminhar – fazendo uma parte do famoso e endeusado caminho real, que – era suposto já ter uma ecovia (ou será ciclovia?). São à volta de sete quilómetros. Mas chegar ao local de trabalho todo transpirado não dá lá muito jeito!

 

3. Tenho outras alternativas?

Claro! Partilhar o carro. Mas os horários (não os profissionais, mas os pessoais e familiares) diferentes; mesmo já não tendo crianças para deixar no infantário ou na escola, baralham as costas ecológicas.

3.1. Quanto a rede de transportes públicos, não, não tenho alternativa. Ninguém tem, na verdade. Pelo menos na ligação de Guimarães a Serzedelo.

 

 

Nota de rodapé: Tenho saudades dos tempos de camaradagem quando diariamente percorria a distância entre Brito e Pevidém pelo monte de Currelos para cumprir as minhas oito horas de trabalho.

Sim, sei muito bem!, os tempos são outros. Muito mais comodistas!

Mas também tempos finais.

 

domingo, 29 de agosto de 2021

Estranhos prazeres


 

Temos visto noutras cidades que um grande aumento no número de visitantes pode resultar num aumento dos preços e numa exaustão dos recursos, portanto é crucial que cada cidade tenha preparada uma estratégia sustentável. A cultura é a chave para o fazer.

Justine Simons, vereadora da Cultura e Indústrias Criativas de Londres, Público, 19.11.12

 

Perder-me na cidade? Que bom!

Eu quero conhecê-la. Entrar e sair nos seus pequenos recantos, nas suas ruas esquecidas.

Sentir os silêncios impulsionados pela agitação e os ruídos entremeados no meio dos sossegos quentes.

Que grande emoção! A cidade agitada. E eu à deriva.

 

O que é que na noite da cidade pertence ao domínio do possível?

Os ruídos do quotidiano? Que alteram a cada momento?

A cidade do jogo. Está deserta?

É mais uma máscara que cai no rasto do voo sobre a cidade. Uma cidade inchada de gente.

Há tantos estranhos sonhadores.

domingo, 8 de agosto de 2021

Recuperação de Ecossistemas


O Antropoceno é essa época que teria começado a partir do momento em que o ser humano se teria tornado uma força geológica, uma força geomorfológica, uma força capaz de impulsionar os movimentos fundamentais a partir dos quais se desenha o rosto da Terra.

Fréderic Neyrat, filósofo francês, Ípsilon, 18.08.10

 

 

De acordo com a Assembleia Geral das Nações Unidas a degradação dos ecossistemas causou um impacto direto no bem-estar de cerca 3,3 mil milhões de pessoas. A pensar nesta situação aquele órgão da ONU declarou 2021-2030 a Década das Nações Unidas para a Recuperação dos Ecossistemas. É uma iniciativa conjunta entre o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) e a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que pretende acelerar a promoção global da recuperação de ecossistemas degradados. E um contributo importante para as metas do combate à perda de biodiversidade, mitigação e adaptação às alterações climáticas e, por esta via, o assegurar, de forma mais justa e equitativa, o aprovisionamento, a segurança alimentar e a disponibilidade de água.

 

Na nossa região existe uma realidade incontestável e incontornável: a biodiversidade está cada vez com mais saúde. A prova deste facto foi a criação de parques de lazer, em que foi realizada arborização, introduzindo-se novos indivíduos que deram nova vida em diferentes locais da região; a criação das várias pistas de pesca ao longo das margens do rio, onde aliás, se vêm realizando campeonatos internacionais é a consequência do aumento do número de peixes. Mas também têm sido avistadas ao longo destes anos, espécies de animais que regressam ao vale do Ave, com especial destaque para lontras, e para as garças.

Em suma, a região do Ave, onde Guimarães se integra de forma bem simpática, tem, desde a primeira hora, criado condições para que o equilíbrio biológico possa ser uma boa realidade.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Por cima do vazio

Faz mal ir à cidade. Venho de lá exaurido. Amarrotado. Basta-me um par de horas nessa terra de ninguém e já estou pelos cabelos com as ruas atravancadas de carros.

Jorge Morais, Tal & Qual, 21.06.30

 

Este mundo é muito ingrato…

Sem dúvida! E depois há uns ingratos que o poem ainda mais ingrato.

É, não é?!

Olha para a nossa cidade e para as coisas lindas que vão surgindo, mas que estão a ser postas em causa por atitudes irresponsáveis.

Como por exemplo?

Já pensastes se haverá alguma razão para que tanta gente desça nos seus carros a rua da Caldeiroa, em sentido proibido, e nos obrigue a saltar contra os carros que saem do estacionamento de Camões?

É aquela rua onde o novo passeio virou local de estacionamento; mesmo ao lado do parque de Camões?

 

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...