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sábado, 17 de julho de 2021

Euforia e desencanto

Nunca na história moderna houve empresas tão poderosas e nunca as empresas mais poderosas foram as de comunicação, o significa que eles desenham o poder.

Francisco Louçã, Expresso, 20.08.04

 

Na televisão ninguém te pede que cantes; faças ou não de conta!

O que importa para a televisão é a parvoíce que transmites; sem esforço e convencido de que és uma estrela.

E quanto maior for essa parvoíce melhor!

A televisão, a TV é agora – nestes dias cada vez mais vazios e frios –, apenas, cifrões (ou euros) e parvoíces.

Não é?

Então o que é hoje a TV?

 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

A força da verdade


 A liberdade de imprensa está consagrada na Constituição, mas o Estado nem sempre viveu bem com ela.

Ana Sá Lopes, editorial, Público, 21.01.15

 

Olhando para aquilo que os portugueses ouviram e leram – infelizmente são cada vez menos os que leem e escutam, não são? – recentemente, sobre uma realidade carrancuda e temerária que nos diz que dois jornalistas em Portugal teriam sido espiados, seguidos ou controlados, há uma dor preocupante que percorre a democracia em Portugal: a liberdade está em causa. E quando assim é!

 

Sendo sério e perigoso este acontecimento, o que na verdade não deixa dormir sossegadamente é o silêncio de quem tem responsabilidades públicas. E ocupa lugares de destaque na estrutura dirigente em Portugal.

 

E o que escreveu, no seu texto de editorial no jornal Público, na edição do passado dia 15 Ana Sá Lopes, devia tirar-nos o sono. Pelo silêncio apático e pelo querer ficar bem na fotografia.

Recordo uma das afirmações de Ana Sá Lopes: Marcelo é hoje Presidente da República e tem que se pronunciar sobre este inqualificável ataque à liberdade de imprensa. O ataque à liberdade de imprensa é agora muito mais grave do que aquele que aconteceu com a sua dispensa da TVI.

Por via de qualquer tipo de dúvidas convido a um olhar atento a estas palavras do anterior diretor do semanário Expresso (21.01.15) Pedro Santos Guerreiro: espiar jornalistas para descobrir as suas fontes não é atacar jornalistas e fontes, é atacá-lo a si. Desde logo, porque a liberdade de imprensa está protegida constitucionalmente e ninguém, nem a Justiça, tem o direito de utilizar os seus interesses para benefício próprio.

 

Mas será que a maioria de nós terá percebido (e continua a perceber) o que se passou?

PS – Gosto desta tomada de posição em defesa de uma comunicação social livre!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O real não mente

A aceleração cria um vácuo que entontece
parece reunir tudo ou renascer do fogo
Carlos Poças Falcão, in O número perfeito
foto: fotos.noticias.bol.uol.com.br
Samuel Silva, escreve na edição semanal (reflexodigital, 15.09.24) do Reflexo que “seria o momento de começarmos a prestar atenção a este fenómeno [do exagero do preço das rendas em Guimarães], para que se possa discutir qual o tipo de papel podem ter os poderes públicos no sentido de regular o desequilíbrio que começa a manifestar-se”.
É uma questão que merece reflexão, sem dúvida! Mas, sinceramente, não acredito que, por Guimarães, a coisa não passe de um desejo; só um desejo por concretizar. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Regresso às cinzas

Portugal nunca foi um país onde os escrúpulos tivessem força de opinião. São mais medo de perder o emprego do que de perder a alma.
Agustina Bessa-Luis, in O mistério da légua da Póvoa
foto: extra.globo.com
1. A bizarra entrevista em direto televisivo a um estafeta atarantado que ia entregar uma piza na casa onde Sócrates está em prisão domiciliária é um episódio vexatório para quem se presta a esse tipo de pseudojornalismo, escreve Martim Silva, na rubrica Do Céu ao Inferno da revista E do passado sábado.
Não podia estar mais de acordo.

2. O suplemento do jornal Público das sextas-feiras, o Imigo Público, é para alguma gente que nunca gostou de pensar, uma coisa sem sentido. Parvoíce! Só diz uma coisa dessas quem é parvo. Reparemos neste (curto, mas belo) pedaço de prosa:
Entregadores de pizas em protesto contra jornalismo de sarjeta
Mais de cinco mil estafetas de pizas ao domicílio foram para a rua em várias cidades do país em protesto contra o jornalismo que explora banalidades.
E é só a brincar, não é?

3. Em suma, eis o resultado na pena de João Adelino Faria (Dinheiro Vivo, 15.09.12): Quem é o entregador de pizas mais famoso de Portugal? Não há dúvida! Quase toda a gente ficou a conhecer o simpático rapaz que foi entregar uma piza à casa onde vive agora José Sócrates. Sem saber onde se ia meter.

4. Ah! O gato fedorento, na segunda-feira mostrou tudo na TVI. Direitinho; com pinta. Vale a pena ver (ou rever).

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O paciente português *

A todos a dor visita e é vento
Que fere, devasta e transfigura
Casimiro de Brito, in Nem senhor nem servo
Há na edição de agosto da revista Courrier internacional um texto extraordinário sobre Portugal. É uma visão alemã sobre a crise lusa e os seus dramas humanos; É uma peça jornalística excelente de George Blume que o jornal Die Zeit, editado em Hamburgo.
Dessa prosa escorreita e muito clara retenho as palavras do extraordinário escritor português António Lobo Antunes: “que pensa a Alemanha fazer depois de desfazer a Grécia, Espanha e Portugal?
Da leitura deste texto extraordinário não esqueço a afirmação do jornalista George Blume: “O país [Portugal] parece ter perdido a fé após quatro anos de austeridade. Progressos económicos tímidos nasceram profundas desigualdades”.
Depois da leitura atenta deste trabalho, estou certo, que mandaremos dar uma volta os tipos que dizem que Portugal à frente.

* título do trabalho da revista Courrier internacional

sábado, 5 de setembro de 2015

Escrever depois de tudo

Um dia
Deixarei de caminhar
Abandonarei a ilusão do poder
Casimiro de Brito, in Nem senhor nem servo
Há por aí – é difícil encontrá-la e só em certos cantinhos do burgo ela se vê, para pegar um exemplar a conta-gotas – uma revista muito bem feita. Uma revista que desfia tantas manias à volta de um minho dominado por máquinas comunicacionais que criam arrepios e tiram o sono.
Chama-se Guimarães cidade visível.
Do ponto de vista gráfico é uma peça excelente; muito bem conseguida. Está preparada para chegar a grandes públicos. Até é bilingue e tudo!
Anda por aí (para quem tiver a sorte de o encontrar) o número 1 da Guimarães cidade visível; à solta. Ou não! Coitado dele, parece prender-se (ou perder-se) por certos sítios eruditamente especiais. Tenho pena dela; é bela e com pinta!
Ah!, a capa é muito tentadora; mas linda!
Há por ali excelentes textos, mas caramba!, por que raio não será possível os vimaranenses tocar-lhe, vê-la, lê-la e poderem dizer o que pensam desta Guimarães cidade visível?

Nota de rodapé: Domingos Bragança tem razão, Guimarães é uma cidade de futuro e com futuro, e, por isso, uma cidade mais visível.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Está difícil virar a página

Eles erguem os mastros na concha dos navios
e distendem os mares e polvilham as ilhas
Carlos Poças Falcão, in Bumerangue 1
foto: jornaldemafra.pt
Odeio notícias deste tipo – há tantas outras, que metem dó; que, ou denotam desconhecimento jornalístico (o que acredito) ou provam controlos (ao pormenor) que por aí circulam. Noticias com títulos assim: “António Marinho e Pinto o candidato a primeiro-ministro do Partido Democrático Republicano (PDR) …” (Diário do Minho, 15.08.13)

Caramba! as eleições do próximo dia 4 de outubro são para escolher os representantes dos portugueses no parlamento (na AR) português. Só.
Tudo o resto é treta; conversa sem sentido.
Sim, eu sei que é isso que os partidos vendem, mas não se pode comprar tudo; mesmo que esteja em saldos. E há por aí coisas ditas partidos que morrerão após a certeza de que oportunismos balofos ou disfarces políticos nunca são solução para as pessoas.
E o jornalista que se preza olha, investiga, confirma e não deixa que Marinho e Pinto vá por aí fora. Ai dele!

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Atenção aos sinais de sentido contrário

O ar condicionado torna as pessoas menos autênticas.
José Gameiro, E, 15.07.18
foto: peretolk.ru
Um assessor – principalmente se ele é responsável da imagem da instituição que representa – deve deixar-se fotografar junto do chefe?
E se for o mesmo assessor a gerir a página social (ou rede social) daquele que é (em principio e pelas funções que ocupa) a figura pública, o assessor tem que posar em todas as fotos?
Perguntas – que não sendo inocentes – nos devem obrigar a pensar!

Claro que aquele que é objeto de notícia não saberá (nem tem que saber) de que forma são feitas coisas destas. A verdade é que nos dias que correm, cada vez mais, quem brilha, pelo menos no exercício da ação política, são os assessores, que – sabemos lá porquê – tudo fazem para ‘abafar’ o chefe, o presidente, o líder, em suma, o objeto da imagem. E da comunicação.

terça-feira, 16 de junho de 2015

À porta do inferno

Não sinto nada
já sentiram tudo por mim
Marta Duque Vaz, in Aclive


Apesar de contar com oito votos contra, o Azerbaijão foi o único país a candidatar-se a ‘ganhar’ a realização dos primeiros Jogos Europeus.
Curiosamente (será por acaso?) este país “deteve pelo menos 34 jornalistas e críticos do regime” no último ano. E, segundo as organizações de direitos humanos, a “repressão está a aumentar”.
Vale a pena ler – e pensar sem ficar de braços cruzados – o trabalho que Félix Ribeiro assina no jornal Público (15.06.12).
Sem pretender influenciar a leitura, importa vincar o “silêncio do comité olímpico”.
Afinal nem todas as medalhas devem ser celebradas!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Como resistir à tentação?

Depois da luta e depois da conquista
fiquei só
Camilo Pessanha, in Clypsidra
Em frente dos meus olhos dois olhares. Um em papel diz:”Guimarães liga-se ao Ave park com uma via de consenso” e é um título do Diário do Minho, 15.05.14.
O outro está no ecrã do computador e pisca-me assim: ”Câmara de Guimarães estuda nova alternativa ao acesso ao Avepark” e é do Reflexodigital, 15.05.14.
Fico baralhado!
E fico a pensar: em que ficamos?

sexta-feira, 15 de maio de 2015

As crónicas da RUM

A vida é muito mais imperialista do que eu.
Carmo Afonso, E, 15.04.11
foto:uminho.pt
Domingos Bragança, também (já) tem a sua crónica da Rádio Universitária do Minho (RUM).
Não gosto nada!
E não é por ser o presidente de câmara de Guimarães, não!
Percebo a lógica da entrada na rádio universitária de Bragança, mas não concordo. Sei muito bem que Ricardo Rio já tinha, antes de ser presidente de câmara, a sua crónica naquela estação. E continua com esse espaço, mesmo sendo presidente do município bracarense.
Respeito, obviamente, o critério da RUM, mas preferia nem ouvir Domingos Bragança nem Ricardo Rio. Pelo menos no espaço no início da manhã com repetição ao final de tarde.

domingo, 3 de maio de 2015

Chegar com as andorinhas

Os poetas não costumam dar bons empreendedores.
Ana Cristina Leonardo, E, 15.03.28
foto: mulher.net
Carlos Abreu Amorim – podia estar aqui Inês de Medeiros, do PS, ou Telmo Correia, do CDS, mas o projeto de Lei que ressuscitava o ‘exame prévio’ na comunicação social é a cara chapada das fogosas ideias deste deputado do PSD. (…) É a tentaçãozinha controleira e o tiquezinho antidemocrático a vir ao de cima.
José António Lima, Sol (sombra), 1504.30

A mania (doentia) que os políticos têm de que só eles são os detentores da verdade e os donos do futuro devia ser esmagada por quem diz aos políticos que estão onde estão porque lhe deram um voto.
Infelizmente, os dadores de votos, são cada vez mais como os dadores de sangue que salvam vidas: nem todos o podem fazer num país que vira as costas a quem pensa. Ou age de forma diferente da maioria.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Credibilidade com rosto

Ali vai a manada de homens a fingir que não sabe de quê, com um chefe que ninguém identifica.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto: partiuintercambio.org
1. O semanário Expresso (Economia) publicava um destes dias (15.03.28) uma peça jornalística fundamental para se perceber (melhor) realidades que vão passando no e pelo mundo do jornalismo. É um trabalho de Adriano Nobre. Onde se pode ler que “vêm aí regras para os jornalistas nas redes sociais”. Passando a pente mais ou menos fino os dias que se vivem nos e pelos profissionais da comunicação, os jornalistas em particular.
Diz-nos Adriano Nobre que jornais como o Diário de Noticias ou Expresso ou televisões como a SIC e TVI “discutem os primeiros códigos de conduta para regular a atividade dos seus jornalistas”. É uma discussão interessante, mas não se poderá dizer fundamental. Desde logo, porque há (será que devia haver?) quem afirme que o que o cidadão que é jornalista, quando escreve nas redes sociais, é o que escreve no órgão social. Uma treta! Mas respeito imenso os jornalistas que há muito deixaram de emitir opinião na rede, limitando-se a linkar os seus trabalhos publicados nos órgãos onde trabalham.
Grande dúvida: O que é pessoal e o que é profissional tem mesmo que ser balizado? Um bom profissional sabe separar claramente a sua ação, mas estarão todos os jornalistas interessados nessa separação?

2. O debate sobre ética jornalista sempre foi atual, por isso, ele nunca acaba. Terá nuances? É natural. Ainda bem! No jornalismo, e nos dias que correm ainda mais – leia-se esta afirmação de Mário Zambujal (E, 15.03.14), “há 49 ou 50 anos o jornalismo não estava enfiado no universo dos mercados. O jornalismo não era uma mercadoria” – importa ser jornalista. Sem mais comentários. Em suma, o bom senso e a ética são a única regra a ter em conta, digo eu.

3. Da reportagem do semanário Expresso ressalta a opinião dos responsáveis pela imprensa portuguesa. Desses destaco duas afirmações: “é inevitável que os jornalistas expressem a sua opinião. O bom senso e as regras tácitas definem o jogo”, afirma Bárbara Reis, diretora do jornal Público.
Já Sofia Branco, presidente do sindicato dos jornalistas, não tem dúvidas: “a haver regras, elas devem resultar da autorregulação, decidida pelos conselhos de redação com as direções de informação”.


4. Confesso que depois do que li na peça jornalística do semanário Expresso considero fundamental vincar estas palavras de David Pontes, no editorial do Jornal de Noticias (15.03.28): “com tinta ou com pixéis, a missão do jornalismo como pilar da democracia continua bem presente e a minha crença, a minha fé, é que, para lá de todos os sobressaltos, os cidadãos tenham consciência de que uma imprensa livre é um bem essencial pelo qual vale a pena pagar, na qual vale a pena acreditar”.

sábado, 28 de março de 2015

Exemplos para vincar

Queremos aproximar-nos de si,
na expetativa de saber o que pensa
dos temas que nos alegram ou
entristecem os dias. (…) já na próxima edição queremos contar com o seu contributo.

Eliseu Sampaio, editorial, mais Guimarães, março 2015

sábado, 7 de março de 2015

Uma vida na estrada

Aqui onde o rio morre de mar
Espraio-me mais do que o horizonte.
Alberto Gomes, in Indícios de mar e silêncio
foto: publico.pt
Vivemos como se morrêssemos é o título do Jornal de Noticias (15.03.06) para a peça de Cristiano Pereira sobre o jornal Público que festejou 25 anos com uma Conversa sobre o tempo no CCB.
Como gosto desta ligação entre camaradas!
O Público esteve de parabéns, mas o JN merece parabéns pela forma como destacou as bodas de prata do sue colega.
Belo exemplo para ser seguido por outras bandas. Seja aqui; noutro lado.

Nota de rodapé: O país precisa de jornais como o Público. O país precisa de jornais. Parabéns Público. Venham mais 25 e muito mais.
Bernardo Ferrão, Expresso, 15.03.07

sexta-feira, 6 de março de 2015

Saber mudar

A globalização e a sociedade internacional precisam de regras, e as ideias progressistas de uma nova intensidade, tendo como preocupação as pessoas.
António José Seguro, in Compromissos para o Futuro
Há texto da investigadora no Centro de Intervenção e Estudos em Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), Liliana Pacheco, que deveria ser de leitura obrigatória para quem faz do jornalismo profissão.

Este texto – o lado sombrio do jornalismo está cada vez mais exposto – publicado na edição portuguesa de fevereiro do le Monde Diplomatique, não aborda só a “precaridade e a intermitência laboral”, mas valoriza a “progressiva proletarização e desprofissionalização do jornalismo”, o que – para alguns – podendo parecer de pouca importância, passa pelo cerne do que é ser jornalista nos dias que correm.
Haverá quem nunca tendo pensado um instante que seja ouse dizer que os jornalistas são uns tipos que dão jeito. Outros, como sublinha a investigadora vimaranense – sim a Liliana Pacheco é nascida e criada na cidade-berço –, vincarão que por “a profissão se revestir de um estatuto cultural único, situando-se (e aos jornalistas) no centro de vida pública e no debate politico”. O que é inteiramente verdade. Infelizmente – muito bem sublinhado por Liliana Pacheco – a “desprofissionalização” traz cada vez mais pior qualidade jornalística. Está à vista de olhos, não está?

Já nem vale a pena falar dos tremendos erros de ortografia ou dicção, mas principalmente na fragmentação de vontades de quem tem a obrigação de levar aos outros a realidade. Não uma realidade; nem que seja a sua realidade (e o jornalista tem que ter identidade) mas a Realidade.

Este interessante trabalho – não sei (ou como se diz já em certos momentos de descrédito: digo eu) podia estar no placard da maioria das redações dos órgãos de comunicação em Portugal. Noutros tempos, tínhamos o código deontológico policopiado em tudo o que era canto da redação. Ainda mantenho a minha. Em casa.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Crime sem castigo


Com a corda do silêncio tensa sobre a onda do sangue, dedilhei o teu coração vibrante.
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado

Ao ler o RV jornal publicado no vizinho concelho de Vizela, a peça assinada por Ângela Fernandes (Vizelenses consideram excessiva taxa sobre os sacos plásticos) – e sem discutir na sua forma e conteúdo – fico com saudades do tempo em que havia em, Guimarães, Jornalismo.
Na verdade, o que o jornal publicado na cidade de Vizela diz é que nem tudo o que parece é; pois estamos a ser enganados por supostas medidas protectoras do ambiente. 
Seria tão importante que essa realidade fosse escalpelizada por cá, em terras vimaranenses! Como outras realidades que mexem com as nossas vidas, não é?
Exagero meu! Alguém viu alguma reportagem onde fosse mostrado o extraordinário ganho que as grandes superfícies passaram a ter e terão em consequência de uma fiscalidade verde que de verde só tem o nome? O jornalismo local faz-se muito disto, não de sorrisos para a máquina fotográfica.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Conhecedor de intrigas

Como tudo é vão! Arrasa uma cidade,
ergue-te do pó dessa cidade
assume um cargo e finge para evitares expor-te.
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado
Li, já foi há uns dias (já é do passado dia 10) uma notícia no jornal Público que me fez pensar que, às vezes (muitas vezes, afinal) nem tudo o que parece é. Li que a câmara de Braga “paga seis mil euros em consultas de dentistas por ano a famílias carenciadas”.
Ui!
Ao ler isto pensei: caramba! Guimarães tem que fazer algo parecido, não é? Isto parece extraordinário.
Não?
Não, não e não.
Trata-se de uma iniciativa que envolve uma clinica privada onde – leia-se com toda a atenção – “o acesso ao serviço não será generalizado a toda a população”.
Repita-se para que não reste nenhuma dúvida: nem todos os bracarenses com dificuldades poderão usufruir de consultas para tratar dos seus dentes.

Há pormenores que, não se estando atento, fazem a diferença. E a forma como se vende coisas ao desbarato para iludir está na moda. Cuidado!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Olhar do silêncio II

gravura: entropia.blog.br
Depois de décadas a elogiar as virtudes do gratuito, do imediato, do descritivo e do emotivo, o jornalismo mainstream vê-se confrontado com o cansaço e a desfidelização de parte da sua audiência.
Sandra Monteiro, le Monde diplomatique, fevereiro 2015, E, 15.02.21

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Padrão invariável

Como o homem normal diz disparates por vitalidade, e por sangue dá palmadas (…) sangue, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida.
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

A última edição do jornal Reflexo (fevereiro de 2015) é para guardar. Pelos taipenses felizes pela aposta na qualidade do trabalho que se começa a desenvolver na sua terra e pelos vimaranenses que ficarão com argumentos para se convencer que o futuro de Guimarães não está escrito só em Santa Clara (cada vez mais) ou no Toural (cada vez menos).
Os principais interventores políticos vimaranenses foram até à vila e disseram o que lhes vai na alma; o que querem para Guimarães e como encaram o futuro coletivo em terras de D. Afonso. Desse belo trabalho jornalístico destaco:

foto: planoclaro.com
1. Começando pelo vereador da coligação de direita em Guimarães, André Lima, até me apetecia dizer que as suas palavras cumprem o papel da oposição, mas, pensando melhor, não. O líder laranja vai fazendo de conta que tem ideias, mas tem sempre alfinetadas incompressíveis – “a nossa postura tem sido responsável, sem nunca abdicar da função fiscalizadora que compete à oposição”.
Claro que o papel da oposição é fiscalizar, alertar e mostrar que há alternativas! Será por isso, que André Lima afirma que “[o PS] não tem tido para com as nossas iniciativas políticas a maturidade política que nós temos demonstrado com algumas iniciativas do PS”? Não creio. Mas o tempo é bom conselheiro e faz sempre justiça. Para já é o discurso oficial do PSD é o discurso de sempre. Coisas que já ouvimos e lemos, vezes em conta. Só assim se compreende esta afirmação: “na câmara de Guimarães e no PS há um princípio de desconfiança nas juntas de freguesia. Estamos perante uma câmara marcadamente centralista”.
Há uma ideia boa a perpassar a vontade política de André Lima: “Guimarães deve ambicionar ser um concelho verde, independentemente do título”.
foto: cm-guimares.pt

2. O outro parceiro da coligação de direita, Monteiro de Castro, não diz muito, é verdade!, mas deixa uma verdade que importa reter: “[a situação vivida com o orçamento participativo 2014] é seguramente um dos momentos mais negativos destes primeiros meses do mandato”.

foto: facebook.com

3. Por fim, Torcato Ribeiro, o vereador da CDU, como sempre, foca-se no essencial. Primeiro, no que está na moda: “a despoluição das nossas linhas de água é fundamental para a nossa qualidade de vida independentemente do título de capital verde europeia”. Depois naquilo que tem que mobilizar os vimaranenses: o Avepark: trata-se “de um projeto que é essencial para o nosso concelho e, infelizmente, não está a ter a devida discussão pública”.
O resto, porque não é de somenos importância, obriga a reter duas ideias: “num executivo democrático todas as vozes contam e a minha tem contado. Gostaria é que contasse efetivamente mais” e “tendo maioria absoluta, o executivo dá prioridade na realização e aprovação das suas propostas que constam do seu programa eleitoral”.

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