Mostrar mensagens com a etiqueta olhar de reflexão; olhar preocupado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta olhar de reflexão; olhar preocupado. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de agosto de 2021

As dores violentas que aí vêm


 

Haverá preocupação mais humana senão aquela que teme pelo fim dos dias, não só de si próprio, mas pela aniquilação da sua comunidade ou espécie, consoante os contextos e o tempo histórico?

Tomás Sopas Bandeira, 7 Margens, 19.09.30

 

 

No desejo – temo que seja apenas um anseio meu – de que possamos, de facto, pensar (e pensar, não, não é fazer de conta que depois da eleição tudo é como sempre foi depois pontos de vista ignorados na eleição) que importa ter na mesinha de cabeceira dos dias violento que nos vão apagar.

Definitivamente:

 

1. Catástrofes naturais; sempre as houve, mas o modo como foi percebido e representado o dilúvio que devastou povoações inteiras, na Alemanha, revela que há hoje uma nova consciência, uma enorme sensibilidade às responsabilidades da ação humana na variação cosmológica em que nos encontramos.

António Guerreiro, Ípsilon, 21.07.23

2. Talvez os sobreviventes da próxima Arca de Noé possam levar para o seu recomeço algumas lições desta colossal tragédia planetária de que somos, tudo parece indicar, os exclusivos responsáveis.

Viriato Soromenho-Marques, Diário de Noticias, 21.07.24

 

Não sei quem vai ser o autor do Génesis II, mas temo que a linguagem lírica – e linda, na verdade! –, dos povos da Mesopotâmia já não seja escutada. Todos os povos nascido no Crescente Fértil, território onde a destruição já não é somente bélica.

É tarde demais!

terça-feira, 2 de março de 2021

Cá estou eu, outra vez


A dor é o que nos lembra da profundidade do nosso amor e, como ele, não é negociável.

Nick Cave, in Cartas (que o músico australiano escreveu no sítio The Red Haud Fig), Ípsilon, 18.11.16

 

E pronto!

Começa aqui uma torrente de sentires, dores, ausências; tantas dúvidas e indecisões. Um receio solene e real do devir.

Mas com uma certeza sempre presente: é bom seguir em frente.

 

O que se segue, pelos próximos dias, por estes lados não são, apenas, olhares, emoções e temores de uma passagem forçada pelo décimo piso. É também a certeza constatada da pequenez do corpo; da exiguidade do caminhar de cada ser humano. E a confirmação de que não somos, nem por sombras, o que estávamos convencidos que éramos.

 

Foi uma viagem intensa; uma jornada que por aqui se fará de verdade e ficção; realidades que seguiram – e seguem – de mãos dadas. Onde tudo aconteceu num contexto específico.

Muito doído!

 

Felizmente que há tantas aclamações azuis!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

A força da verdade


 A liberdade de imprensa está consagrada na Constituição, mas o Estado nem sempre viveu bem com ela.

Ana Sá Lopes, editorial, Público, 21.01.15

 

Olhando para aquilo que os portugueses ouviram e leram – infelizmente são cada vez menos os que leem e escutam, não são? – recentemente, sobre uma realidade carrancuda e temerária que nos diz que dois jornalistas em Portugal teriam sido espiados, seguidos ou controlados, há uma dor preocupante que percorre a democracia em Portugal: a liberdade está em causa. E quando assim é!

 

Sendo sério e perigoso este acontecimento, o que na verdade não deixa dormir sossegadamente é o silêncio de quem tem responsabilidades públicas. E ocupa lugares de destaque na estrutura dirigente em Portugal.

 

E o que escreveu, no seu texto de editorial no jornal Público, na edição do passado dia 15 Ana Sá Lopes, devia tirar-nos o sono. Pelo silêncio apático e pelo querer ficar bem na fotografia.

Recordo uma das afirmações de Ana Sá Lopes: Marcelo é hoje Presidente da República e tem que se pronunciar sobre este inqualificável ataque à liberdade de imprensa. O ataque à liberdade de imprensa é agora muito mais grave do que aquele que aconteceu com a sua dispensa da TVI.

Por via de qualquer tipo de dúvidas convido a um olhar atento a estas palavras do anterior diretor do semanário Expresso (21.01.15) Pedro Santos Guerreiro: espiar jornalistas para descobrir as suas fontes não é atacar jornalistas e fontes, é atacá-lo a si. Desde logo, porque a liberdade de imprensa está protegida constitucionalmente e ninguém, nem a Justiça, tem o direito de utilizar os seus interesses para benefício próprio.

 

Mas será que a maioria de nós terá percebido (e continua a perceber) o que se passou?

PS – Gosto desta tomada de posição em defesa de uma comunicação social livre!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Confiança sobrenatural

Teatro é paixão. Se não, não é teatro. Teatro é amar os outros. Se não, não é teatro. Pode até ser fé, mas não uma religião, pois não pode defender a exclusão e o ódio, como as religiões muitas vezes têm feito.

Rui Mendes, ator e encenador, Público, 18.04.11

 

Realidades pandémicas em Portugal: desde março do ano passado, quando foi decretada a pandemia, já foram cancelados cerca de 27 mil espetáculos, leio na edição do passado dia 13 de janeiro do Jornal de Noticias.

Se os dias destes atores da sociedade portuguesa já estavam pelas ruas da amargura, haverá alguma homilia, proferida de um qualquer púlpito deste país cada vez mais discriminatório, que ofereça a graça do perdão – ou será alívio? – das dores a quem vai perdendo palco e as suas vidas?

 

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )