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terça-feira, 2 de março de 2021

Cá estou eu, outra vez


A dor é o que nos lembra da profundidade do nosso amor e, como ele, não é negociável.

Nick Cave, in Cartas (que o músico australiano escreveu no sítio The Red Haud Fig), Ípsilon, 18.11.16

 

E pronto!

Começa aqui uma torrente de sentires, dores, ausências; tantas dúvidas e indecisões. Um receio solene e real do devir.

Mas com uma certeza sempre presente: é bom seguir em frente.

 

O que se segue, pelos próximos dias, por estes lados não são, apenas, olhares, emoções e temores de uma passagem forçada pelo décimo piso. É também a certeza constatada da pequenez do corpo; da exiguidade do caminhar de cada ser humano. E a confirmação de que não somos, nem por sombras, o que estávamos convencidos que éramos.

 

Foi uma viagem intensa; uma jornada que por aqui se fará de verdade e ficção; realidades que seguiram – e seguem – de mãos dadas. Onde tudo aconteceu num contexto específico.

Muito doído!

 

Felizmente que há tantas aclamações azuis!

sábado, 28 de novembro de 2020

Heróis de verdade

 Parar de pensar em alternativas é que é mau.

Hiroshi Ishss, Público, 19.12.31

 

Há ironias e ironias!

Gosto; sempre gostei da ironia.

Nos tempos que correm violentamente castradores da liberdade, movimentação das pessoas – por necessidade de sobrevivência ou simplesmente para mudar de ares – e de criação, não deixa de ser irónico que duas pessoas nascidas num país, agora, cada vez mais castrador de liberdades, sejam heróis num país grande e aberto ao acolhimento.

Sim!, estou a olhar para o casal de médicos turcos, que cedo se deslocou para a Alemanha – os dois integram a maior comunidade imigrante daquele país – Özlem Türeci e Ugur Salim, que fundou a BioNTech e que – roubando o título ao semanário Expresso, revista E (20.11.20) – “eles vão vacinar o mundo”.

Haverá ironia mais perfeita para os dias chauvinistas que atravessam o continente europeu?

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Fintar a fatalidade

foto: maisguimarães

Após o planeta, é a sociedade que está em risco de sofrer alterações profundas, irreversíveis.
A. Betâmio de Almeida, Público, 20.01.20

Se há forma de estar na vida pública e mais concretamente na ação política que aprecio é ter sempre a coerência à mão; como prática corrente, como atitude diferenciadora e como afirmação pessoal.
Aquilo que Ângela Oliveira anunciou por estes dias, retirando-se da assembleia municipal de Guimarães por não se identificar com uma direita que não é a sua (saída do último congresso do CDS/PP), é um excelente exemplo de que a coerência é coisa fundamental no dia-a-dia de quem está na vida pública.
Sendo certo que, noutros tempos, já tivemos alguns desfasamentos de pontos de vista, importa-me aqui e agora vincar a atitude de Ângela Oliveira e seu gesto nobre. Chamo a isso dignidade.

Ah! Gosto tanto da sua vontade em não ser uma evangélica política. Muito mais que coerência é sensatez.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Há um urso em palco; olhar sombrio

Um dos malefícios de pensar é ver quando se está pensando. Os que pensam com raciocínio estão distraídos. Os que pensam com emoção estão dormindo. Os que pensam com a vontade estão mortos.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Caramba! O meu país – que é Portugal, caso os mais distraídos não tenham entendido –, é um espanto!
Como adoro ver um país que se verga, levanta e volta a vergar!
Ui! Que foi? Que disse eu?
Transcreverei, somente, o título do semanário Expresso (15.06.27): MNE reabre embaixada para chefe de gabinete de Passos.
Ui! Será aquela embaixada (era UNESCO, não era?) encerrada à pressa, porque não interessava aos senhores do governo?
É?
Porque raio tenho que continuar em Portugal, um país que não sabe o que quer para si?

sábado, 28 de março de 2015

Quotidianos

O mal em queda chega num segundo, o bom deus desce como quem flutua, sem pressas. Quando chega cá abaixo: o caos, a desordem e a violência instalada.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos

foto: comumonline.com
É uma aposta de Carlos Videira, presidente da associação académica da universidade do minho: a Policia de Segurança Pública vai reforçar “a vigilância nas zonas mais frequentadas pelos estudantes” da UM.
É muito bom!
Desde logo, e como muito bem salientou Gomes do Vale, comandante daquela policia, no ato público de assinatura de protocolo entre as duas instituições, porque “a vulnerabilidade dos estudantes tem a ver com o facto de transportarem com frequência aparelhos eletrónicos”.
Gosto muito da decisão da polícia. E, claro!, vinque-se a teimosia de Carlos Videira.
Aposto que os estudantes da academia minhota agradecem imenso.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...