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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Baluarte da confiança

Foto: Brendan SmialowskiN(AFP) 

Voltamos a aprender que a democracia é preciosa. Que a democracia é frágil. E nesta hora, a democracia prevaleceu.
Joe Biden, na tomada de posse como presidente dos EUA, 21.01.20


 Como gosto deste título do jornal Público do passado dia 22: Joe Biden riscou o legado do “trumpismo” com uma caneta.

A peça, com assinatura de Alexandre escalpeliza o título: 17 decretos para desfazer as decisões emblemáticas do antecessor, como o muro.

Ah! O muro na fronteira com o México caiu.

 E, muito, muito importante, os Estados Unidos voltaram ao Acordo de Paris e há uma ordem para evitar a saída dos Estados Unidos da Organização Mundial de Saúde.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Força dos factos

O futuro será pela ferrovia.

Rogério Mota, num debate organizado pela AJEG, Mais Guimarães, 20.01.13


Entre a realidade e a ilusão dos políticos existe uma realidade incontestável: Só 5%dos quilómetros previstos no Ferrovia 2020 estão concluídos. *

Este título do jornal Público que mostra pela mão do senhor Carlos Cipriano – ninguém mais em Portugal conhece a realidade da ferrovia do que este jornalista – como em Portugal tudo serve para fazer de conta.

Um tal de… como era mesmo o nome do senhor?

Ah! Pedro Marques largou o governo do senhor Costa e foi para Bruxelas – pelos vistos era para ser comissário! Ora toma!

Sem um centímetro de novidades. Mas é assim que se endeusam certos políticos de trazer ao ombro (do parceiro)! 

Infelizmente a realidade que Carlos Cipriano conta com todos os números (e palavras, claro!) não deixa ilusões.

Muito mais aqueles que ainda acreditam numa ligação ferroviária entre as duas principais cidades de entre o Ave e o Cávado.


Ah! Para todos os políticos convencidos e encantados pelas quimeras aconselho vivamente a leitura da página 24 do jornal Público do passado dia 30 de dezembro.

* Em Ano Europeu do Transporte Ferroviário, vale a pena lembrar que só três capitais europeias não têm comboios internacionais.  Lisboa é uma delas.

domingo, 8 de novembro de 2020

Aprender a desaprender?


 A grandeza hoje está no pequeno gesto que pode ajudar a reciclar o mundo.

Vitorino Silva (Tino de Rans), Diário de Noticias, 19.02.09

 

Comemos em excesso, importamos demasiado e desperdiçamos muito. Começa desta forma a peça que Carla Tomás – Mais de 70% dos alimentos que comemos vêm de fora – assina na edição do semanário Expresso (20.10.17).

Já sabíamos; ou pelo menos já tínhamos sido alertados. Quer por pessoas ligadas à Saúde, mormente na área da nutrição, quer pelos responsáveis da Organização Mundial da Saúde.

E comemos demais – nós portugueses, em particular – porque somos gulosos, é verdade, mas porque na hora de ir às compras perdemos o discernimento e vamos na onda das promoções que nos mergulham no exagero das aquisições a mais.

O pior é que o fazemos sem pensar em pegada ecológica, destruição de espaços verdes, maiores ou menores, ou consumos excessivos de água.

No caso português a peça da jornalista do Expresso traz uma preocupação tremenda: importamos 73% dos alimentos, e só o peixe e a carne que comemos ocupam cerca de um quarto do peso da “pegada alimentar nacional.

Estamos mesmo à beira do fim!

E este pais à beira-mar instalado a fazer de conta.

sábado, 17 de outubro de 2020

Angústia e morte


A natureza não nos pertence, nós é que pertencemos à natureza. Isto é o que sempre pensaram os indígenas das américas ou os camponeses da África.

Boaventura de Sousa Santos, i, 20.08.28

 

Segundo um estudo relativo à sustentabilidade publicado no caderno de Economia do semanário Expresso (20.10.10) a faixa etária entre os 18 e os 24 anos é, “a par com os mais idosos, a que menos recicla” os equipamentos elétricos e eletrónicos.

Porque será?

A peça, com assinatura de Fátima Ferrão – que sublinha a importância da “entrega premiada” como possível solução – aponta o caminho de “mais informação sobre o impacto ambiental e na saúde.

Mas será só a falta de informação?

E o desinteresse da Escola não terá uma palavra nesta má realidade ambiental?

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Andar ao contrário

Já ninguém está sozinho, estamos demasiado ocupados com os nossos telefones. É uma toxicodependência cósmica.

Ian Svenominus, Ípsilon, 20.09.11

 

1. Na Horta Pedagógica de Guimarães é proibida a entrada a animais. Está bem clara a sinalização em mais do que um local daquele espaço fabuloso.

Infelizmente o que tenho visto quando por ali vou correr, e vou com muita regularidade, é que ninguém quer saber da sinalização existente. Ou faz de conta que a não vê. E porque sabe que ninguém lhes chamará à atenção; não tenho memória de por ali ver a Policia. E não estou a pensar na PSP, não!

E depois os problemas naquele espaço de excelência de Guimarães não param de crescer.

Pessoalmente já mais do que uma vez que tive que fugir a alguns cães com os donos a berrarem: "não faz mal, não faz mal"! Mas fazem e eu já senti.

 

2. Daí que, por hoje, o que me traz outra vez ao assunto é o filme que assisti num destes dias. Que filme!

De um lado um cão jovem; cachorro cheio de vida; com uma cor linda (gosto de cães desta cor) e preso numa trela que o dono se vê grego para aguentar – já tive que saltar a uma investida deste animal! Do outro lado duas mulheres e dois cães, sem trela, embora as trelas estivesse na mão das senhoras. O cão que já me saltou atirou- se em salto a fazer lembrar outros voos a um dos cães das senhoras; o maior. Foi o bom e o bonito! Perdão!, foi assustador. Terrível!

O dono do cão, ainda cachorro, berra mais do que uma vez contra as senhoras. Que os seus cães tinham que estar presos numa trela (o dele tinha trela, sim senhor!).e, vai daí não tem mais nada, enfia um valente pontapé no cão das senhoras; o maior. Foi violento o estupor do pontapé! Até a mim me doeu! Ai se uma associação de defesa dos animais visse aquilo! 

2.1. E, depois, é que foi lindo de ver três mulheres atirando tudo para cima do cão ainda cachorro, mas já corpulento como um cavalo!; e do dono do dito.

As mulheres furibundas – berrando em voz alta, que conhecem o dono do cão em questão; o tal animal que foi o cerne da guerra canina na Horta Pedagógica de Guimarães (sublinho as maiúsculas na designação institucional) – berraram bem alto, antes de se afastarem sob a travessia da variante, que vão fazer queixa à polícia.

 

3. Por mim, até parei de correr para admirar aquele momento fílmico digno do melhor realizador do mundo.

Mas não deixei de olhar para a placa; mesmo ao lado: proibido a entrada de animais.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Adeus inesperado

Como se argumenta quando se quer dizer ao mundo que está a caminhar para o fim, mas que ainda há uma esperança?

Alexandra Prado Coelho, Ípsilon, 20.06.26

Portugal entre os piores da UE na morte de peões no espaço urbano, é o título de uma peça com assinatura de Abel Coentrão no jornal Público (20.07.17). É um texto que, muito mais do que informativo – e é-o, de facto –, nos deve levar a pensar e a exigir dos responsáveis políticos ou decisores públicos medidas urgentes.

Por via de qualquer dúvida, importa registar uma realidade preocupante: “em 2018, do total de mortos nas estradas, 23,1% seguiam a pé”.

Se passarmos para a página anterior da mesma edição do Público num trabalho conjunto com assinatura de Henrique Martins com Inês da Costa, Maria José Santana e Tiago Mendes Dias, facilmente percebemos da urgência de medidas na defesa das pessoas que utilizam a bicicleta. Por isso se saúda a forma democrática como os cidadãos preocupados com os atropelamentos “e em honra da jovem morta em Lisboa” saíram à rua pedindo “que não os matem”. Mas não chega: obviamente! Temos que obrigar os decisores políticos a tomar medidas que retirem o nosso país de entre os piores da UE na morte de peões no espaço urbano. 

terça-feira, 14 de julho de 2020

Ampliação do sentido

Uma bela rua vimaranense; mesmo ao lado do parque de estacionamento de Camões, na tarde do último domingo. 
Até que o fim chegue!
A consciência planetária do perigo da morte traz consigo uma certa perceção, imediata e concreta da humanidade como comunidade viva.José Gil, Público, 20.03.15

Uma sondagem revelada ontem*, escreve Leonete Botelho no jornal Público (20.06.12) mostra que os cidadãos europeus não querem voltar às cidades entupidas de carros nem aos níveis de pré-pandemia.

Na peça – europeus não querem cidades entupidas de carros, nem a poluição pré-pandemia – a jornalista salienta que uma grande maioria está disposta a fazer mudanças na mobilidade urbana, como abrir espaço público para formas mais limpas de transporte e proibir carros poluentes de entrar nos centros das cidades.

Esta realidade – boa e urgentemente necessária realidade! – fala-nos dos cidadãos.
E como serão as decisões dos políticos que sustentam o futuro da grande fatia do planeta que definha a cada momento? 

* a sondagem decorreu em 21 das maiores cidades de seis países europeus e foi levada a cabo pela Aliança de Saúde Pública e a Federação Europeia de Transportes e Meio Ambiente.

domingo, 12 de julho de 2020

A vida num canudo

A pandemia tornou evidente o quanto precisamos de espaços de respiração e de vida.
Luísa Schmidt, Expresso, 20.05.30

Os tempos, sabemos muito bem; por mais folclore de muitos que começaram a fazer de conta de que, não só “vai ficar tudo bem”, como já está tudo bem, estão tramados. Importa, desde logo trazer estas palavras de António Roma Torres (Ípsilon, 20.06.05) – nestes dias em que a Terra ensaia voltar a mover-se não há como não nos confrontarmos com o nosso próprio pensamento até porque o mais político vírus nos continua a ameaçar nosso nos movimentos gregários.
E porquê? Basta prestar atenção às palavras, sempre sensatas de Tolentino de Mendonça (Rádio Renascença, 20.06.11): não podemos olhar para a pandemia como mais uma mudança que nos aconteceu. Não. É uma mudança de tempo. Nós estamos numa mudança de época.
E nós humanos convencidos de que tudo o que nos rodeia é nosso, sempre foi e só temos que aproveitar, destruindo e matando, estamos prontos a aceitar o devir?
Vamos devagar!
José Gameiro (E, 20.06.20) escreve que ao confinarmos uma grande parte da população, tentamos condicionar o futuro. António Guerreiro (Ípsilon, 20.06.26) diz que submetidos a uma experiência nova, começamos a ver configuração no nosso quotidiano, tanto na vida privada como na vida coletiva.
Os tempos, sabemos muito bem, são tremendos!

Mas continuamos a dormir na forma à espera do fim, não é?

sábado, 11 de julho de 2020

Os vírus da destruição


Nunca imaginei a pandemia a dar cabo da vida, a minha, a vossa, a do planeta.Clara Ferreira Alves, E, 20.05.09

O vírus que atravessa os nossos dias separou os bons dos maus?
Os religiosos dos não religiosos?
Os defensores do ambiente dos destruidores de florestas e da vida sobre a terra?

Sabemos isso quando percebemos que o vírus continuará connosco – mesmo que muitos, por exemplo, teimem em fazer barulhos de motos a qualquer hora da noite. A circular a grandes velocidades – para nos puxar pelas orelhas. Ou obrigar a meter uma máquina respiratória dentro de nós.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Marcas solenes dos dias que passam


O horror coexiste sempre com a beleza, com o amor.
Svetlana Alexijevich (Prémio Nobel da Literatura 2015), Público, 16.04.27

Se uma das principais barreiras para o crescimento do vírus da moda é a água – lavando abundantemente as mãos; dizem-nos – por que carga de água teimamos em poluir este bem tão precioso?
Queremos mesmo matar-nos, não queremos? 
Ou será que o vírus que por aí vai destruindo vidas e manietando os nossos desejos e movimentos é mesmo um sinal para todos nós deixarmos as parvoíces diárias, aquelas que matam e destroem?


Nota de rodapé: O que o jornal Público nos diz hoje é que a despoluição do rio Ave é uma realidade; fabulosa. Basta olhar para a sua foz e contar as bandeiras azuis que por ali serão hasteadas este ano.


Sinto-me tão feliz por fazer parte da equipa que trabalha há mais de vinte anos por esta realidade.

domingo, 17 de maio de 2020

Recortes dos dias III


Não parece que o vírus esteja disponível para negociar com seres humanos que defendem conceitos de patriarcado, de autoritarismo e modelos ultraliberais.
Timotthey, filósofo do Antropoceno, Ípsilon, 20.05.15

É quarta-feira, terceiro dia de abertura, ou melhor, de possibilidade de podermos circular (um pouco) mais pela rua. E chega a noite.
Os meus serões? Só; em casa. Ouvir música. Ler e olhar a noite – tem estado tão bela!
E a televisão?
A quê?
Ouvir as pessoas do costume por estes dias que têm novo código – bué de estranho, diga-se! –, amanhã as nossas palavras dirão que a bola não entrou bem na baliza, mas o senhor do apito não terá visto.
Boa noite.
Continuarei a admirar a beleza da noite; à janela.
Volto à música do Samuel.

Eu não desisti de viver; muito pelo contrário. Mas que olho a vida, os dias e os silêncios e isolamentos com serenidade preocupante, é verdade!
O que sonhei está concretizado. O que continuo a sonhar é muito mais simples: está ao pé da porta. Facilmente esquecerei o que andei até aqui.

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )