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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Acolher e festejar a diversidade

 

Em Portugal, que eu saiba, o melhor lugar para ouvir as cigarras é a poesia de Eugénio de Andrade.

José Tolentino Mendonça, E, 20.07.04

Guimarães vai ter na sua programação normal um festival de música com referência nacional?

Parece que sim. A sério!

Pelo menos João Carvalho, o homem e o rosto do Festival Parede de Coura, já disse publicamente – no decurso de uma conversa bem interessante e bem agradável que teve lugar na tarde do passado domingo, dia 12 de julho no mercado municipal –, que gostava de ver o Primavera club de volta. Afinal, como afirmou, a música é arte; das mais importantes e, sendo certo que há pessoas com muito bom gosto em Guimarães, estão lançados os dados para um festival de música de impacto nacional em terras afonsinas. 

Naquela conversa, com moderação de Ana Cotter, quer João Carvalho, quer Edgar Pera, um realizador de referência em Portugal, pensaram o futuro de Guimarães em termos culturais e arquitetónicos – a moderadora é arquiteta de profissão, o que acrescenta mais ‘provocação’ às ideias de futuro para Guimarães –, no âmbito da discussão pública sobre o Bairro C.. João Carvalho – para quem a cultura traz alma à cidade e Guimarães é uma cidade que tem alma, cumplicidade em termos culturais – é de opinião de que também seria muito interessante ver a acontecer um festival de cinema; um bom festival de cinema, em Guimarães. Ideia que com Edgar Pera também concorda, desde logo, porque os festivais são fundamentais para o lançamento de filmes.

Ah! Se o festival musical nascer na cidade-berço até já tem nome; pelo menos Rodrigo Areias, presente na plateia, já o pronunciou publicamente: festival paredes de Couros.

Por mim, e corroborando as palavras de João Carvalho, Guimarães é uma cidade que tem alma, cumplicidade em termos culturais, acredito nestas novidades conversadas no terrado do mercado municipal.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Evolução da motivação

Quase esquecimento esta brancura
Carlos Poças Falcão, in O Número Perfeito
Para além do anúncio do arranque – espera-se que para (muito) breve – das obras de recuperação na igreja romana de Serzedelo, Domingos Bragança, o presidente da câmara de Guimarães, foi à vila de Serzedelo dar conta de uma outra grande novidade: a ponte do Soeiro, uma travessia medieval sobre o rio Selho, mesmo junto da foz no rio Ave, vai ser requalificada. Pela câmara de Guimarães. Até que enfim! Boa malha a de Torcato Ribeiro!
Grandes notícias! As duas, pois claro!
Pessoalmente, acredito que a ponte do Soeiro ficará em ordem, depressa. Já a igreja vai ter que fazer uma longa travessia pelos corredores de um estado centralista; de uma coisa estapafúrdia que tem um nome estranho que nem recordo agora.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Construções de futuro

Os homens são bravos porque sofrem
Casimiro de Brito, in Subitamente o silêncio
foto: cm-guimaraes.pt
 A ideia de criação de bacias de retenção ao longo da ribeira de Couros; mormente a montante da Ramada, não é nova; já há uns mandatos atrás ela entrou na assembleia municipal, pela voz do líder parlamentar da altura, Martins Soares. Recordo-me muito bem (na altura até estava ao lado de Martins Soares como vice-presidente da bancada socialista) dos sorrisos amarelos, estranhos e cínicos que muitos deputados municipais (alguns ainda por lá andam – tanto tempo, ó senhores!).
Pois é, a verdade é que os 196 mil metros cúbicos de água que ficaram retidos (no passado dia 15 de setembro) ali nas Hortas provaram que há em Guimarães quem olhe o futuro muito antes de alguns apelidarem de lirismo as medidas que abrem horizontes para as pessoas deixando que elas sejam o que são: cidadãos à espera de decisões acertadas de quem os governa.
Já não vivo na zona (sim, é verdade!, vivi anos e anos a metros das dores de quem ainda mora na Ramada, de onde via o Campo da Feira afogado em água) hoje estou afastado do centro; mais cá por baixo.
É verdade que vi o Couros alto, vi sim senhor! Mas sem estragos na Horta Pedagógica e na veiga de Creixomil; que estão (para mim) mais ao pé da porta.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O gajo do canto

É preciso agitar esta desordem
beber a turbulência que há dentro da paz
Carlos Poças Falcão, in O número perfeito
foto: reflexo.pt
José Nobre é responsável pelo futuro da Casa da Memória.
Grande notícia! Grande pontapé no marasmo instalado. Garantia de trabalho sério.
Ah! E é já em março! Que dia escolhido para a abertura de portas! não sei porquê, mas 19 de março não foi nada inocente.
De qualquer forma, sou dos que nem hesitam um segundo:
com José Nobre haverá uma Casa da Memória em Guimarães.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

“Escavações mais profundas das coisas humanas” *

Se caíres, levanta-te de imediato! A tua palavra é um contrato! A resposta a natureza.
Manuel Alves, E, 15.09.12

Nada como viver o desejo de conquistar um título para uma cidade; uma instituição ou um clube; sei lá, uma empresa. E então para uma cidade! Os seus políticos e a ação concreta (pelo menos a que vai chegando ao público) é capaz de pegar – agarrando com as duas mãos – naquilo que foi rejeitado tantos e tantos anos.
O que (pensando bem e olhando no passado) até é normal; afinal os protagonistas mudam.
Por isso mesmo, merece todo o apoio quem pretende ser referência fora de portas, quer se trate de disputar lideranças tipo capitais, quer seja noutras marcas que diferenciam as cidades.

* Dimitris Dimitriadis

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Morte encaixota

Jamais a tribo dos homens regressa.
Casimiro de Brito, in Subitamente o silêncio
Assisti a uma conversa num destes dias, algures pelo centro histórico; sei lá, talvez um pouco mais abaixo, que me fez duvidar da dignidade humana e pensar que a estupidez de algumas pessoas não é um exagero; é uma estúpida parvoíce que não para de crescer e que nos tira o sono.
É verdade! Havia uma senhora que gritava a altos foles que a câmara de Guimarães não tinha nada que atribuir casas aos refugiados que sofrem, nessa Europa à deriva e que brevemente (alguns deles) estarão em Portugal, para deixar outras pessoas, de cá da terra, na rua.
Ui! Mas o que é isto?!
Felizmente; outra senhora, com voz de trovão, mostrando não ter medos nem peneiras respondeu como tem que ser; clarinha, clarinha: isso é treta! Parvoíce bem ao teu jeito. Quem fala assim é gente que está sempre à espera de apoios públicos para andar por aí sem fazer nada; à deriva e sem nunca trabalhar.

Caro presidente de câmara de Guimarães vá em frente com tudo que possa ajudar quem foge dos horrores da guerra e da estupidez humana. A forma como abraçamos os outros faz-nos grandes. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

O sucesso atrai sempre aves de mau agoiro

Houve um tempo em que vivi obcecado
Pela acumulação dos objetos.
Casimiro de Brito, in Nem senhor nem servo
José Bastos, o vereador responsável pela Cultura em Guimarães, resolveu – em boa hora, vinque-se –, lançar uma certa “arte para sonhar”. Uma realidade (que já não é apenas um olhar, mas um olhar inteligente) sobre a realidade de que se faz a Guimarães cultural.
Essa excentricidade, confesso que me surpreendeu, mas é muito interessante; algo que só pode merecer (todo) o apoio de (todos) os vimaranenses.
Se é verdade que Guimarães é uma cidade de cultura – disso só alguns estranhos acicatados do desejo cinzento de outros tempos (ou, quiçá, desejosos desses tempos)  duvidarão –, torna-se fundamental espalhar a boa realidade por todo o território concelhio. E isso, caramba!, é bom. E, estou certo, não porá (nunca) em causa uma identidade cultural vimaranense; reforçá-la-á. E ver isso só para quem tem olhar de lince.
Acho excelente a ideia, senhor vereador. Sim, Guimarães, cidade de cultura, (também) gosta de eXcentricidades (bela ideia esta!).

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Esquecer a distância do céu

E os céus parecem desertos e vazios
sobre as cidades escuras
Sophia de Melo Breyner Anderson, in o Homem (Contos exemplares)
1. “O Centro Cultural Vila Flor começa hoje a comemorar uma década de vida, condicionado por constrangimentos financeiros que o têm fragilizado nos tempos mais recentes. O lugar que colocou a cidade no mapa é hoje motivo de preocupação”. Começa assim, o excelente texto que o jornalista Samuel Silva assina no Ípsilon de sexta-feira, dia 4.
Trata-se, infelizmente para todos os vimaranenses que gostam de Guimarães, de uma realidade triste para Guimarães. Para mim, vimaranense sempre preocupado com as coisas cá terra, faz-me doer por dentro; muito, saber que há quem queira apagar Vila Flor.

2. Ao ler as palavras do diretor-executivo de Vila Flor, Frederico Queiroz - é aqui que entra o problema criado pela lei 50/2012” -
constantes do trabalho jornalístico, percebe-se a razão de ser da preocupação. Logo vi que tinha que existir um corpo estranho na dinâmica daquela casa de excelência na minha terra. Ui! É aquela treta do setor empresarial do estado? Então já se percebe quase tudo.
Que raio de lei esta, saída das mãos do governo de Pedro e Paulo – que, curiosamente, nem uma palavra merece dos seus correlegionários em terras de D. Afonso – é esta? (ou então merece; como sempre; sabendo - porque sabem -, gostam do espectáculo das perguntas para jornalista nas reuniões de câmara, sobre o que disse o governo.

3. E se a dissolução das cooperativas lançar no desemprego tantos trabalhadores? Ainda bem que Domingos Bragança, na última reunião do executivo municipal, foi claro: “não contem comigo para isso; não farei isso”.
Lendo com atenção a peça jornalística do Ípsilon importa reter – porque continua a ser verdadeira – a afirmação de Rui Dias, responsável da editora vimaranense Revolve!: “há uma Guimarães antes do Centro Cultural Vila Flor e outra Guimarães depois do Centro Cultural Vila Flor”.

4. Ou seja, dez anos de vida em Vila Flor são uma excelente celebração da novidade, da criatividade e da promoção em terras vimaranenses. Algo, que terá produzido pruridos em pessoas da mesma área de umas outras que, noutros tempos, punham em causa, por exemplo, o estádio do Vitória. Alguém se lembra?

5. Parabéns Vila Flor! Obrigado. Imensas horas de prazer cultural por ali já pude usufruir.
Claro que quero mais; faz favor!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Bons sintomas

Uma resposta, mesmo uma resposta desastrada, não pode pesar para todo o sempre na cabeça de um soldado sem experiência
José Cardoso Pires, in O Hóspede de Job
A associação comercial e industrial de Guimarães (ACIG) vai organizar, entre os dias 3 e 18 do próximo mês de outubro, a quinzena de acolhimento ao caloiro. Com o apoio da autarquia vimaranense – e, pelos vistos, “em conjugação com a associação académica” da academia minhota. Ou seja, parece que faz sentido que, “a quem vem instalar-se ou frequentar” a cidade de Guimarães, se faça um acolhimento.
Um acolhimento?
Ena!, que coisa tão vaga! Mas, enfim!, é sempre difícil saltar patamares para quem nunca fez qualquer tipo de exercício.
O que importa vincar é que a realidade universitária na cidade de Guimarães (e estudantes novos) vai passando (ou começando a passar) – finalmente! –, por entre os umbigos citadinos e as vaidades com fecho de castidade para quem chega à cidade com hábitos assim à espécie de coisa estranha para os conservadorismos reinantes.
E isso é bom!
Ah! Parece que, afinal, a ACIG tem algo de novo: “descontos e promoções”. Nunca se sabe! Com a crise que grassa por aí!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Realidades boas. Verdes; ao pé da porta

As poetisas autorizam as poetisas
a escrever sobre rosas
Adília Lopes, in Bumerangue 1
Acreditando no que vou lendo – e não tenho razão nenhuma para duvidar – do que os meus olhos leem a câmara de Guimarães “vai proceder à limpeza e manutenção regular e programada de 103,2 quilómetros ao longo do concelho”.
É um texto que vi em vários sítios, desde as notas de informação da autarquia vimaranense aos órgãos de comunicação social do distrito; mesmo aquele que é responsável pela comunicação e imagem de um dos municípios minhotos, coisa estranha não? Deve andar muita gente a dormir por aí.
Já me perdi, caramba!
Mas então a autarquia presidida por Domingos Bragança contratou (ou vai contratar) serviços para limpar bermas e valetas de parte da rede viária vimaranense. Boa!
Uma coisa destas só pode vir de Amadeu Portilha; se há vereador com visão para além do rio Ave (seja em que margem for) é ele!
Por mim - por hoje - fico-me por um pequerrucho comentário de rodapé: já chega de outros levarem louros que não merecem!

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )