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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Memória futura

Percorrem as mulheres a violenta
noite dos homens. Sempre longe, dentro
duma infindável diferença.
Carlos Poças Falcão, in O número perfeito
Carla Cruz, cabeça de lista da CDU pelo distrito de Braga, esteve (mais uma vez) na Universidade do Minho, a defender que é preciso apoiar mais os alunos com dificuldades em continuar a sua preparação do futuro.
Não esperava outra coisa; de Carla Cruz e da proposta eleitoral da CDU. E, já agora, não é só “mais segurança para os campis universitários” –, que é muito importante, obviamente –, é mesmo “o aumento da dotação financeira para a ação social escolar”. É assim mesmo: direto e conciso.
Gosto da clareza nas propostas políticas. Estou convencido que a Universidade do Minho e os seus diferentes órgãos agradecem esta atenção de quem sabe olhar no futuro.
Tomara que outros tivessem a normalidade da ação de Carla Cruz. Sim em Braga.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Euforia e cautela

Regressavam às suas terras, atravessando as vilas em rebanhos do silêncio.
José Cardoso Pires, in O Hóspede de Job

Parece que o gigante da internet que domina o mundo; as nossas vidas, nós e os nossos silêncios quer dar mais visibilidade ao minho. Sim, a Google Cultural Institute (uma plataforma digital dedicada à divulgação e partilha de arte e da cultura) vai promover a sé de Braga e o castelo de Guimarães. Não importa a ordem; são referências minhotas.
Gosto (muito) da ideia.
Penso, todavia, que o minho tem a obrigação de disponibilizar outras maravilhas. Infelizmente estamos no minho; há muitos umbigos piores que a dimensão da internet.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Caminhante que faz perguntas

Comunicamos cada vez mais depressa, mas dizemos cada vez menos.
Joana Pereira Bastos, E, 15.06.27
Bem me parecia que havia “mouro na costa”!
Agora, Braga quer uma “melhor coordenação” das agendas culturais do Quadrilátero minhoto.
Quem o diz é Ricardo Rio, o edil bracarense, para quem “não é muito defensável que possam existir duas iniciativas no mesmo âmbito em simultâneo”.
Também concordo que essa coisa de espetáculos à medida da gaveta de cada município não é lá grande espingarda!
Mas a “melhor coordenação” não estará a olhar noutras direções; com olhares vazios?

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Manter identidade

Reconheço hoje que falhei,
às vezes, de não ter previsto que falharia.
Fernando Pessoas, in Livro do Desassossego
foto: prof2000.pt
Caldas das Taipas merece ser reabilitada?
Ui! que pergunta!
Claro! A área urbana da vila termal precisa como pão para a boca (como gosto desta expressão na politica!) de uma regeneração. Porque a vila está gasta, quase carcomida e o seu centro é o espelho de quem diz que a dirige.
Ela avançará, entre a avenida da República e a rua da Charneca, ou seja, a velha Taipas vai-se embora. Espera-se que (algumas) as memórias vaidosas também sejam apagadas.
Ena!
Para além de este passo em frente demonstrar (clarinho, clarinho) como Bragança e Constantino se levantam em lugares públicos para dar abraços efusivos, ele prova que havia pelas Taipas gente que dormia na forma!
Não, não estou a exagerar! E havemos de falar disso, daqui a ano e meio.
Só um pormenor de rodapé: os dorminhocos de Caldelas têm muitas cores. Até as cores (ditas) progressistas. Não sei porquê! Há quem diga que tem a ver com castas, mas como de castas só conheço as das videiras…
Ah! Pois é! Também as há na India.

sábado, 14 de março de 2015

Mar nervoso para libertar o riso

Quando ontem me disseram que o empregado da tabacaria se tinha suicidado tive uma impressão de mentira. Coitado, também existia! Amanhã esquecê-lo-emos.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: cm-guimaraes.pt
Espera lá!
Braga está disponível para ser “piloto” nas áreas de saúde e do social?
O quê?
Onde? No Quadrilátero Urbano?!
É. Ricardo Rio, o presidente bracarense, foi quem o disse; pelo menos falou assim na última assembleia municipal bracarense que teve lugar no Centro Social de Esporões.
Não digo mais nada, por agora. Estou a ferver por dentro.
Aguardo novidades vimaranenses.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Desculpa, quem és tu?

À noite bebo água quieta, durmo as chamas desatam-se. E é com isso que sonho.
Herberto Helder, in Do Mundo
foto: esquerda.net
21 de janeiro. José Bastos, vereador da cultura da câmara de Guimarães, recorda – e muito bem – os três anos que já passaram sobre o estrondoso sucesso que foi a Capital Europeia da Cultura (CEC 2012) em Guimarães.
Nesse dia, o vereador da cultura vimaranense não teve dúvidas em referir, vincando-o como tinha que ser, que, graças à CEC 2012, Guimarães continua a produzir “mais e melhor cultura”.
E nem vale a pena, por tão óbvio, vincar o que o vereador disse na sua intervenção na reunião do executivo do dia seguinte – “Guimarães estimula o crescimento da sua economia criativa” – porque isso está à vista de todos (mesmo de quem insiste em inventar cenários catastróficos do fim da cultura em Guimarães), mas fundamentalmente porque, como José Bastos, sou dos vimaranenses que não tem dúvidas de que Guimarães é, indiscutivelmente, “uma cidade expandida económica, simbólica e convivialmente” assente na indústria, comércio locais, nas indústrias criativas e uma nova realidade cultural, cientifica e educativa que é mais reconhecida fora de Guimarães
Não? Olhe-se à volta e veja-se as imitações vizinhas do que de bom se vai fazendo por cá. 
Pena que os parceiros locais dos vizinhos digam o contrário, por cá.
Lamentavelmente eles insistem que não é por cá que se faz o futuro!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

É preciso caminhar

O olhar é um pensamento.
Herberto Helder, in Do Mundo
foto: maisnorte.pt
O conselho geral da Universidade do Minho (UM) já deu luz verde a António Cunha para que possa iniciar conversações com o governo de Pedro e Paulo, com o objetivo de que a UM passe a ser uma fundação pública de direito privado, isto é, para que a universidade minhota possa ter maior autonomia, e não fique presa diante de quem faz que não faz e não faz.
Não imagino o que o senhor Crato fará, mas imagino (muito bem) o que o reitor António Cunha pretende para a ‘sua’ universidade.
Nós, os que por cá sentimos no dia-a-dia a importância do maior empregador da região, também.
E será impossível não estarmos com António Cunha.
Por mim estou, com certeza.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O problema é dos vivos

Todos os devaneios acabam um dia. É tão inesperado quanto inevitável.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
O semanário Expresso não para de surpreender. Nem espera pela novidade dos outros; ele é a novidade.
E então a última edição! Excelente!
Consegue o feito (notável) de – editando-se a 1 de Janeiro (ainda não havia acordo ortográfico) de 1999 – ser capaz de antecipar o futuro; retratando os dias violentos que fazem baixar o ministro da solidariedade, emprego e segurança social.
Não é verdade?
Reparemos então no que Pedro Lima escreve nos Baixos (Economia) sobre o ministro da mota: “Pedro Mota Soares, não convenceu com o programa de estágios para maiores de 30 anos em empresas como forma de criar emprego, recebendo críticas de patrões e sindicatos; foi alvo de contestação devido à intenção de colocar cerca de 700 trabalhadores no regime de mobilidade especial; e ainda viu, uma vez mais, o Tribunal de Contas dizer que há falta de transparência nas contas da Segurança Social”.
Ah!, escreve João Garcia (Expresso, 15.01.17) que «no dia em que o Governo votou isolado, contra o parecer do Conselho Económico Social (que critica a politica económica seguida por travar o desenvolvimento), o provedor de Justiça não reconheceu haver “fundamento bastante” para a dispensa de 697 funcionários do Instituto da Segurança Social”».

O pior é que, seguindo à sua maneira as indicações do ministro, não falta por aí quem lhe queira mostrar vassalagem tentando fazer ainda pior. Repare-se em um ou outro despacho saído de Braga para Vieira do Minho. Distrito onde quem contesta, ou melhor, quem defende os seus direitos, é arrumado para os cantos. Muito distantes.
Ah! E não há quem, estando a cheirar o poder, vá dizendo que a luta em defesa da dignidade no emprego no Instituto de Segurança Social é só feita por uns tipos mais à esquerda?
Que bom que é para a alma poder ir lendo Milan Kundera!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Coincidências?

Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho e Trofa fugiram da Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE).

Nada que possa surpreender.

O que pode surpreender (ou não, não é?) é a coincidência dos três municípios.

Não?
E se Famalicão também tivesse feito o mesmo era mais claro?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A morte saiu à rua

Houve, há poucos dias, uma vigília na cidade de Braga. Em defesa da Segurança Social. Desde logo – e fundamentalmente –, em protesto contra a colocação de funcionários em regime de qualificação; ou seja, aquela coisa que muito mais do que ser a antecâmara do despedimento – criada pelo ministro da mota –, é a tristeza hipócrita de quem diz que acredita num amanhã melhor.
Apesar de existirem trabalhadores em Braga que “fazem falta em muitas secções”, a verdade é que há muita gente que passará a receber “apenas 40 a 60 por cento do salário”, “acabando por ser despedidos”.

(um parêntesis para dizer que, ao que me dizem, é aqui que entrarão as misericórdias)

E, ainda por cima, dizem os trabalhadores, vive-se “um ambiente de medo”. Que assusta; que afasta, que apaga todas as memórias lindas.
Braga? A minha região!...
E o pior: será alguém de Guimarães que quer matar o futuro de tanta gente?
Se é verdade, este alguém só pode cair da cadeira feita da desgraça; o mais depressa possível.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Transparência em grande

Pelos vistos, a câmara de Vizela é a “autarquia do distrito de Braga com melhor classificação no índice de Transparência Municipal (ITM).
Boa!
O que para mim, cidadão vimaranense dos sete costados, me alegra mesmo é verificar que o município classificado em terceiro lugar – por sinal não muito longe do primeiro – é só o maior município da região.
Sim da região, porque isso do minho já foi!
Parabéns aos senhores que, em Guimarães, abriram um espaço com vidro, ali na entrada de Santa Clara.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Só há Rio?

É essencial que se promovam politicas e projetos conjuntos de desenvolvimento sustentado da região”, defendeu Ricardo Rio no debate “Os desafios da governação local”, promovido pelo Rotary Club de Guimarães.
Curiosamente este debate teve também a participarão de Domingos Bragança, presidente de câmara de Guimarães.

Desafio os leitores dos diários, principalmente um certo diário bracarense, a mostrar as palavras do presidente de câmara de Guimarães. É que ninguém acredita que estivesse só a ouvir Ricardo Rio.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Realidade ganhadora

foto: josé caldeira
Há trabalho muito sério a ser realizado em Guimarães ao nível da formação desportiva.
Eliseu Sampaio, editorial mais guimarães, julho 2014

sábado, 21 de junho de 2014

O jogo de máscaras

foto: radiovizela.pt
Entrando a matar (“não há um líder no distrito de Braga”) Dinis Costa, o presidente de câmara de Vizela, concedeu há dias uma entrevista ao diário bracarense Correio do Minho (14.06.07) que merece ser lida com atenção.
Conduzida pelos jornalistas José Paulo Silva e Rui Alberto Sequeira, esta conversa é um regalo para quem pensa que já viu tudo em política. Aquela entrevista ao autarca do município que já foi Guimarães – agora é apenas fonte de “um relacionamento ótimo”, desde que seja para servir a vontade vizelense (olhe-se bem: “fica-me mal dizer que o concelho de Vizela é um mundo de maravilhas”) – é um encanto para a união em que tantos dirigentes apregoam à volta de uma unificação do minho.

Repare-se bem no que o antigo deputado municipal na assembleia municipal de Guimarães diz:
porquê o Quadrilátero Urbano? A mim não me diz nada? (…) Se for para fazer um filme, também arranjamos seis municípios e sabemos como é que se chama. Se for para fazer uns passeios e umas reuniões, também arranjamos. O que é que o Quadrilátero Urbano vale? Zero”.

Com uma afirmação destas até vali a pena perguntar se Vizela não estaria melhor fora do minho! E nem é por só pelo seu presidente questionar-se “porque apareceram as comunidades intermunicipais? A do Ave não tem o peso político que tinha a associação de municípios”; é mesmo porque há identidades que ou são coletivas ou não interessam a ninguém.

Há, pelo menos, que dar a mão à palmatória numa leitura de Dinis Costa. Com palavras simpáticas para Guimarães: “costumava dizer que a maior freguesia do concelho de Guimarães era o Vitória de Guimarães”.
Mas atenção o presidente de câmara de Vizela parece só querer olhar para a pequenez e insignificância do seu município: “temos de fazer uma política intermunicipal. Se calhar, o pavilhão multiusos de Guimarães, servia também muito bem o concelho de Vizela”.

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )