Mostrar mensagens com a etiqueta olhar no futuro do planeta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta olhar no futuro do planeta. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Caminho difícil


 É mais fácil viver no presente quando não há futuro.

Phocbe Bridgers, E, 20.06.13

 

Após dois anos de greves climáticas de Greta Thumberg, o mundo continua a negar a crise, é o título de uma peça de Patrícia Carvalho inserida na edição do dia 20 de agosto do jornal Público. Um texto curto, na verdade!, mas que merece reflexão.

Daí que importe destacar esta afirmação da jornalista: as mudanças do nosso modo de vida são inevitáveis para travar a crise em curso.

Subscrevo em absoluto esta afirmação, consciente de que, quando puser os pés na rua outra vez, mais uma vez!, os males do costume nos hábitos de cada um estarão por lá. A começar por uns putos que deixarão, outra vez, mais uma vez e tantas vezes, os restos indestrutíveis de uma comida rápida de uma multinacional na minha rua. E são cada vez mais,

Como seria se estes putos não tivessem tido ações de sensibilização para as dificuldades ambientais nas suas escolas?

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Atitude litúrgica

Quanto mais alto o homem, de mais coisa tem que se privar. No píncaro não há lugar senão para o homem só.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: sol.pt
Deitar uma beata para o chão custa milhões de dólares”, é um título do jornal online Observador (15.06.15). Ali pode, ainda ler-se que “viver em Calgary, em Alberta (Canadá), é ter a preocupação de proteger o ambiente. É estar sujeito a uma série de políticas que condicionam os mais simples gestos, em prol da natureza”.
Ah! Calgary é “a cidade mais limpa do mundo”.
Que belo exemplo a seguir por todas as cidades com pretensões verdes!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Final de ciclo

Todos nós temos um deus que amamos.
sempre. Às vezes. Nunca
nunca, quando o amamos o podemos ter.
Marta Duque Vaz, in Aclive
imagem: catoliscopio.com
1. Com um estrondo que ninguém esperava, Francisco, o líder católico mais aberto e com olhar muito para além dos dias, apresentou Laudato Si, uma encíclica, como tantas outras com que os papas vão marcado os seus pontificados. Só que este olhar sobre o cuidado da Casa Comum não é uma encíclica qualquer.
Percebe-se, portanto, que o semanário Expresso titule Papa contra o ‘depósito de porcaria’ (15.06.20), acrescentando que “Francisco defende o ambiente e critica submissão da politica à finança”.
Ou que o diário Público, também em título, escreva (15.06.19) que o “papa coloca igreja no centro do debate ambiental e climático”. Aliás, em editorial, o mesmo jornal vinca: “volta a fazer-se história no Vaticano”.

2. Para se perceber o que está em causa neste texto da responsabilidade do papa Francisco, ou melhor, do impacto que ele trará aos dias que correm, recorro a Isabel Varanda (Igreja Viva, 15.06.18): “sendo ainda a questão ecológica uma questão marginal de preocupação da maior parte dos nossos contemporâneos, não se estranharia que o anúncio da encíclica do papa suscitasse uma relativa indiferença. O facto é que se verifica o contrário”. O que, no mundo consumista e tremendamente destruidor é extraordinário. Recordo aqui o que escrevi sobre apoluição nas cidades.

3. Por que será? Importa voltar ao jornal Público e ao texto de Ricardo Garcia. A terra, o planeta onde todos nós habitamos, está a transformar-se “num imenso depósito de lixo”. Daí que, diz o texto papal, os países ricos têm que pagar a “dívida ecológica” aos mais pobres. Muito bem, mas não chega. A Terra, assim, vai-se; para pobres e ricos.

4. O texto Laudato Si é um documento com 192 páginas que “junta a fé e a moral à razão e ao engenho”. Mas, é verdade!, não é um texto qualquer. Para além dos habituais destinatários dentro da igreja católica, desta vez, a igreja de Roma, saiu do seu habitual resguardo vaticanista e olha para a Casa Comum. Ótimo. Afinal, a Terra é universal.

5. O que importa mesmo vincar por ‘culpa’ desta ousadia do papa Francisco é que é urgente a Humanidade perceber que tem que mudar “o seu estilo de vida, de produção e de consumo”. Mas será que vamos entender? Aqueles que se limitam aos altares chegarão a toda a Terra?

6. Felizmente que a encíclica foi bem recebida e saudada por líderes religiosos, ambientalistas, investigadores e dirigentes de organizações internacionais. O que se pode ser um excelente sinal de que haverá mais acções para além da excelente iniciativa do Vaticano.

domingo, 21 de junho de 2015

Cuidado com o futuro

Quando as centrais a carvão lançam fumos em Pequim, a Califórnia tosse.
John R. Platt, Takepart, 15.04.01 (in Courrier internacional, junho 2015)
 
O tema de capa da Courrier internacional de junho, edição portuguesa, é a poluição; a poluição nas grandes cidades.
O título um planeta sufocado, numa capa a negro e uma foto com tubos a exalarem montanhas de fumo diz tudo. E deixa bem claro que a Terra está cada vez mais escura; o seu futuro está negro, até.
É um dossiê que reproduz textos dos principais títulos mundiais – The Guardian, International New York Times, Courrier internacional, The Indian Express, Jinggi Guacha Bao e Take Part.
Lendo os diferentes trabalhos, assusta ver a torre Eiffel, em Paris, “envolta numa nuvem de partículas” ou perceber que em Cracóvia, a cidade “do ar imundo” e “enquanto os residentes da histórica cidade se queixam de tosse e hemorragias nasais, há uma nova lei que proíbe a combustão de madeira e carvão nos lares”. Ou que Lagos, “a maior cidade do continente africano, sufoca com partículas mortais, amianto, dióxido de enxofre e protóxido de azoto”.
Paris já proibiu (já a partir do próximo dia 1 de julho) os carros a gasóleo, “podendo o diesel ser proibido em 2020”.
É um trabalho excelente para guardar – não porque sim, mas porque é uma realidade séria; para discutir, pensar e, obviamente passar à ação.
Sim, é nestas alturas que acredito em quem sonha com cidades verdes é quem sabe o que quer do futuro. E agradeço viver numa que o será brevemente.
Sim, é nestas alturas que fico terrivelmente assustado com o “futuro de cidades que querem ser verdes, mas que não param de aumentar a emissão de fumos; cidades pintadas de negro. Seja em dia de ralis, seja na promoção da combustão em competição.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A sobrevivência humana é um exagero

Temos a chave das latrinas e tal é suficiente para ter o domínio da casa e aí começa a tua ambição que vai ao centro da cidade, dá a volta e bate depois com a cabeça contra a parede.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
São deitados para o lixo – sublinhe-se com mágoa – para o lixo, todos os anos 1,3 milhões de toneladas de alimentos.
São arremessadas tantas toneladas de alimentos para a lixeira onde?
Na União Europeia, meus senhores!
Na Europa que sempre se diz rica e solidária; a mesma Europa que quer lá saber que 200 milhões de pessoas noutras paragens do globo deixem de ter fome.
Que mundo civilizado este!
Que europa da treta esta!
Ah! É o mundo que dá lucro a alguns e mata tantos e tantos! É a europa que só alguns querem.

Segundo a FAO “deitamos fora cerca de um bilião de euros por dia em alimentos desperdiçados (…), contudo, ao mesmo tempo, estima-se que existam cerca de 805 milhões de pessoas com fome”.

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )