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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Evocação do medo

A cultura, esse bem essencial, sem o qual o homem tende progressivamente a mergulhar nas trevas, onde medra facilmente a barbárie, tem sido um dos setores sacrificados em tempo de pandemia.

António Rocha e Costa, Mais Guimarães, 20.11.25

 

 

Leio no jornal Público (21.09.27) este título: CCB condenado por violar direitos laborais de técnicos de espetáculos.

Fico entre o espantado e o medo de que esta realidade – que fere de morte os desejos e as vontades de quem é habitual consumidor de cultura – violenta e mais ou menos com nascimentos medievais e repercussões num certo estado novo, possa fazer parte dos dias que vivemos.

Depois, lendo a peça com a assinatura de Ana Henriques, permanece em mim uma realidade preocupante – no pensamento e na lista de preocupações: os Juízes do Tribunal da Relação de Lisboa deram razão a 12 trabalhadores que haviam visto ser posto em causa os seus desempenhos diários.

São doze pessoas que sofrem na pele e nas dores dos dias o atropelo profissional!

 

Por via de qualquer dúvida menos objetiva ou com intenções menos esclarecidas, aconselho vivamente uma leitura atenta ao trabalho da jornalista Ana Henriques do Público.

Com uma preocupação em cima da mesa: e se não for só no CCB; no que aos centros culturais portugueses diz respeito, que há violação dos direitos de trabalhadores da cultura e de técnicos de espetáculo?

 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Destruindo o ego *

 

Quando Trump se for embora levará com ele a saída de emergência de milhares de cronistas encurralados.

Miguel Esteve Cardoso, Público, 21.01.12

 

É terrível; um relógio vermelho batendo a hora fatídica sem a sentir. Mas ela existe, sabes? E tudo fica desfeito, as pessoas ficam em pânico, incrédulas e incapazes de reagir…

… que destruição gigante!

O pior é que há tanta gente a fomentar a destruição dos fins de tarde; gente com responsabilidades enormes nos dias…

... como nos filmes de ficção?

Não é filme nenhum! Olha só para as palavras de Bruno Viera Amaral (E, 21.01.15): quem diria que o Capitólio dos Estados Unidos, em vez de ser destruído por extraterrestres ou invadidos por terroristas estrangeiros, serviria de palco a um dos mais bizarros ajuntamentos zoológicos da história da Humanidade? Deuses nórdicos, negacionistas, trumpistas, aves raras, teóricos da conspiração.

É já amanhã que tudo muda ou teremos mais uma hora fatídica?

* Ou será uma observação gasta?



sábado, 29 de agosto de 2020

A imagem cresceu *


 O afastamento dos eleitores dos partidos é um sinal grave que devia preocupar muito PS e PSD. À sua volta está tudo a mudar.

Ricardo Costa, Expresso, 20.02.22

 

1. Os portugueses identificam-se cada vez menos com um partido politico, dando espaço a que a decisão quanto ao voto em eleições conjunturais, como o contexto económico ou a popularidade dos lideres partidários. Esta afirmação é a entrada de uma peça – Costa falhou maioria absoluta no “melhor contexto” possível – que Leonete Botelho assina no jornal Público (20.02.21).

É um trabalho que analisa o estudo que uma equipa do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e onde fica claro o cada vez maior afastamento dos partidos e das pessoas, seja qual for a direção de afastamento assumida. 

2. É uma realidade que já não oferece dúvidas a ninguém. Pessoalmente – e já fui militante partidário – nos dias que correm, preocupa-me muito mais causas que a todos dizem respeito do que o caminho seguido pelos partidos.

Uma nota de rodapé: o facto de o senhor Costa ter falhado a maioria absoluta, no “melhor contexto” só fortalece a democracia portuguesa; mormente a ação diária da sua casa mais importante: a Assembleia da República.

E sim!, esta realidade mostra como os portugueses, apesar de pouco participativos, estão atentos às realidades políticas, ou melhor, à forma como são ignorados pelos políticos que os mandam às malvas – Muitos dos parlamentares alienaram a lealdade para com o povo que os elegeu e transformaram-se em fiéis servidores dos grupos económicos. (Paulo Morais, Público, 20.03.02).

 

* Retardado, mas não esquecido.

Infelizmente desatualizado na discussão na casa da democracia e na pressa que o senhor Costa resolveu fazer de conta que pode voltar a geringonçar.

Outras notas de rodapé: se não houver acordo, é simples: não há orçamento e há uma crise politica, António Costa, SIC, 20.08.29

Marcelo esvazia dramatização de Costa, título do Expresso (20.08.29) ou Cenário de crise politica é uma ficção, avisa Marcelo. (Cristina Rita, i, 20.08.28)

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Já não há heróis *

 

A condescendência normaliza o racismo e confere-lhe direito de cidade.

Manuel Carvalho, editorial, Público, 20.08.14

 

Há ou não racismo no meu país?

Há.

E cresce a olhos vistos. Só quem não quer ver é que dirá o contrário.

As últimas noticias não auguram nada de bom. Se se mantiver a indiferença dos democratas.

Vinco, por isso, estas palavras: a decência só vence a intimação resistindo aos instintos, preservando a dignidade, acreditando nas regras, valorizando o que construímos. A miséria moral só se combate de alma cheia, de cabeça levantada e sem medo do futuro. (do editorial, Expresso, 20.08.15)

Felizmente que ainda há quem lute contra esta triste realidade. E em vários quadrantes da sociedade portuguesa. Daí que valha a pena recordar estas palavras: Os estrangeiros devem ser acolhidos e protegidos com a mesma respeitabilidade que se deseja para os portugueses que vivem em qualquer outro país, palavras de José Traquina, bispo de Santarém, Público, 20.08.14

 * ou uma urgência de ação?

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Atos inquietantes *

A nossa cultura e a nossa história são feitas disto mesmo, de monumentos grandiosos e de momentos sinistros, de brilho e de vergonha.
Francisco Louçã, Expresso (Economia), 20.06.13

Cada vez mais me sinto mais repugnado com as “festas” que a câmara de Guimarães vai fazendo pelo território vimaranense fora. Quem manda uns tipos fardados à moda do antigamente colocaram-se em sentido por detrás dos palcos onde o presidente de câmara do território onde vivo, usa da palavra?
São umas bandeiritas vermelhas triangulares nas mãos de uns supostos militares – não duvido de que o tenham sido – de lanceiros, militares de tempos velhos. Uns tipos sedentos dos militarismos mais ou menos fascistas e sem sentido de tempos que a democracia foi apagando.
Como vimaranense sinto asco quando dou de frente com as imagens que são dadas por quem diz olhar para a coisa pública em terras afonsinas, embandeirado em militarismos.
Até me apetece dizer ao presidente da autarquia vimaranense que não pode brincar com a memória de quem sofreu num passado fascista, mas não o faço. Simplesmente porque não acredito que aceite regressos sem rosto. E, não dê palco aos vaidosos da lança.
Não é por nada, a não ser deixar de pôr em causa a história democrática de um país que, penso, o senhor não quer voltar a ver.

* ou será a adoção confusa de sobressaltos do que é a vida democrática, mesmo que engalada com travos de antanho.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Recortes dos dias


As populações, confinadas, infantilizadas, tão estarrecidas quanto aterrorizadas pelos canais de informação em contínuo, tornaram-se espetadoras, passivas, abatidas.
Sandra Monteiro, le Monde diplomatique, maio de 2020

É quarta-feira, terceiro dia de abertura, ou melhor, de possibilidade de podermos circular (um pouco) mais pela rua. Saio; um pedacito. A rua está outra vez sem espaço para estacionar carros; já são tantos!
Volto para casa. Organizando ideias; olhando em volta. Ouvindo – é mais escutando, na verdade! – a partitura para violino solo do Samuel Martins Coelho. Não paro de me espantar contigo Samuel!

Volto a olhar para fora do meu recanto. Em frente da minha janela – que é escritório, sala de jantar, de televisão (raramente) e leitura. Estou, assim de repente, baralhado olhando, em frente, o miúdo que ‘conheci’ neste sábado, enquanto fomos arrumar o lixo, vi-o encostado à parede mais próxima de mim. Vi-o pela primeira vez na primeira semana de confinamento – não gosto desta palavra.
Gestos, muitos gestos; expressivos!
A vida continua.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Esperança negra



Por substantivos se adivinham as ideologias, as hierarquias sociais que cada um projeta para o mundo.
Fábio Monteiro, Fumaça, 20.02.20

1. Quando olho para os dias apressados dos políticos sedentos de protagonismos insalubres fico sempre com dúvidas sobre o que leva o homem-politico a correr. Contra o tempo; contra si mesmo ou contra valores que noutros tempos eram para si substanciais. Referências; pela coragem.

2. Quando leio do filósofo de referência que é José Gil (Expresso, 20.02.22) – as declarações recentes do ministro Pedro Nuno Santos sobre o futuro aeroporto do Montijo revelam a cegueira dos políticos: em nome do bom senso e da boa consciência ecológica, justifica-se a continuação das escolhas mais duvidosas – penso nos dias apressados dos políticos sedentos de protagonismos apressados.

3. E tenho medo de homens assim.

Nota de rodapé: Não foi o partido do senhor Pedro Nuno Santos que ‘impôs’ o parecer das autarquias localizadas na área dos (possíveis) equipamentos a construir, mormente aeroportos?

terça-feira, 3 de março de 2020

Espelho do mundo


Qual a razão pela qual existe a convicção de que as leis, e em especial as de natureza proibitiva, resolvem os problemas sociais, económicos, políticos?
Teresa Pizarro Beleza, Público, 20.02.27


À atenção de um tal “chamado ‘Chega’ sobre castração química”.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Cemitérios: espaços de memória


Cidadãos exigentes fazem decisores políticos mais competentes. Cidadãos acomodados fazem decisores políticos exigentes.
José João Torrinha, Mais Guimarães, 18.12.19

O jornal Público faz título na sua edição da passada sexta-feira, dia 14 – um data feita altar do consumismo; o tal dia feito dia dos namorados à custa de tantas promoções comerciais e americanices! – com a novidade de haver um novo diretor-geral do Património.
Não seria nada do outro mundo; muito menos uma americanice à dia dos namorados, não fosse o pequenitote detalhe de o senhor Bernardo Alcobaça ser um gestor cuja área de especialização é o imobiliário!
Não conheço o senhor, nem isso importa, na verdade! O que, pelo menos para mim, e me obriga a pensar sobre o devir das realidades patrimoniais em Portugal é dizer que conheço alguns promotores imobiliários, pessoas que trabalham nesta área de negócio que só não vendem a mãe se não der dinheiro. E conheço, de facto e com mágoa!
E o governo do meu país está nas mãos do senhor Costa, um socialista dos sete costados! Ai se não estivesse...
Ah! Espero não ver nunca nenhuma placa, tipo placa das imobiliárias – por aí à solta ou dependurada nos mais belos espaços do Património Cultural Português.
Que cena do efémero!

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )