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sábado, 6 de junho de 2015

Ecos de um tempo alienígena

As coisas são simples: objetos, cores
plantas. Entram pela realidade dentro
Nuno Júdice, in Figura do canto *
Aqui há uns dias, um senhor, que pelos vistos faz coreografias “multifacetadas” – seja lá isso o que for! – sobre uma coisa a que ele chama aparições e mensagem de Fátima, atirou-se ao vereador da Cultura da câmara de Guimarães. Em plena reunião quinzenal.
Que bela coreografia o tal dito coreógrafo multifacetado deve ter feito em Santa Clara!
Juro que adorava ter assistido ao espetáculo. É verdade que nunca fui um particular apreciador de dança, mas isso não seria problema. Veneraria ver o espalhanço de quem só quer uma porta aberta e as luzes acesas!
Claro que José Bastos, o responsável pela vereação da Cultura em Guimarães – aquela cidade que já deu uma capital europeia ao mundo, sabem? –, foi melhor na sua corografia do que a encenação lá do senhor diretor de uma tal companhia de dança.
Só não entendo é por que razão José Bastos, para além de lembrar ao senhor diretor de uma tal companhia de dança que em Guimarães todas as respostas são dadas, mesmo as que alguns iluminados por milagres de um sol umbigal não querem, e que em Guimarães não há, que se saiba, azinheiras ou milagres de sol; por Guimarães os milagres fazem-se de muito trabalho.

* Bumerangue 3

quarta-feira, 11 de março de 2015

Ganhar a que preço?

Bem sabemos que a democracia no nosso país tem muita opacidade e hábitos muito poucos democráticos.
António José Seguro, in Compromissos para o Futuro
gravura: impactogranja.com
A credibilidade de um líder de um partido político decorre grandemente da capacidade de mobilização em torno de um projeto comum e exequível, escreve José Fontes, no jornal Público (15.03.06).
Todos, certamente, estamos de acordo com estas palavras. E então em momentos de desnorte politico como o que vivemos em Portugal!

Miguel Sousa Tavares (Expresso, 15.03.07) pergunta “quem terá a coragem de dizer toda a verdade aos portugueses e prometer governar de acordo com essa verdade? Quem, quem reclama o nosso voto em branco e porquê?”
São duas perguntas tremendas; perguntas que fazem todo o sentido quando olhamos na direção do vazio que grassa nas lideranças político-partidárias em Portugal.

No jornal Público, edição de aniversário, Áurea Sampaio escreve: “cada vez mais vigiados e escrutinados por cidadãos e media, com dificuldades em seguir uma agenda própria e quase sem espaço temporal de decisão, os políticos vivem no eterno pânico de ser perderem nos circuitos do timing”.
Confirma-se, portanto, não é líder político quem quer (ou acha que o pode ser seja a que preço for e da forma que quer). Pelo menos com classe e qualidade.

E depois ainda há quem se admire com as realidades que as sondagens vão mostrando. Esperemos pelas próximas!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Justiça em cima da mesa

Só o PSD é que questionou o apoio que a câmara de Guimarães atribuiu ao Centro Social de Guardizela.
Vá lá saber-se porquê!
A CDU, pela voz de Torcato Ribeiro, não tem dúvidas de que não há “qualquer anormalidade” no apoio recentemente dado pela autarquia vimaranense.
Por sua vez, e pela voz de Domingos Bragança, a câmara de Guimarães faz questão de vincar que o mal para as necessidades do centro social da freguesia vimaranense de Guardizela, onde Manuel Silva fez e faz um trabalho importante, está nos senhores da Segurança Social que se borrifam para os protocolos que “viabilizem o funcionamento de novas valências”.
E os utentes daquele espaço de solidariedade também sabem que sem apoios ficarão muito mal.

Mas sejamos claros: percebe-se a solidariedade do PSD de Guimarães para com um seu parceiro de coligação.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Credibilizar a política

É um desafio de regenerar a ação politica e devolver a esperança e confiança aos cidadãos.
Maria José Gonçalves, na apresentação da sua candidatura à federação de Braga do PS.

Um caminho, promete Maria José Gonçalves, que será feito “com coragem, frontalidade e determinação”.
Um caminho, estou certo, que será tremendamente difícil; não por quem tem de o percorrer, melhor, por quem lidará esse percurso credibilizador, mas porque, também por Braga, as dores feitas fantasmas do cinzentismo, o atavismo de quem ainda não percebeu que o calendário tem ritmos que cilindram os convencidos de que são eternamente presentes, se fazem de violências que nunca deixam registos na História.

sábado, 24 de maio de 2014

Grande Vitória

No ano passado, a subir a escadaria no Jamor, só eu sei o que ouvi.
Jorge Jesus, Revista, 14.05.23

Ah! Grandes vitorianos!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Como nos enganam

Pelos vistos, diz Leitão Amaro, secretário de estado da administração local, que o governo de Passos e Portas – os portugueses sabem, pelas piores razões, quem é este governo – vai atribuir novas competências aos municípios.

Atchim!
E, pasme-se, disse o secretário de estado na Póvoa de Lanhoso (no decurso do congresso “história e futuro do município e municipalismo português”) que a “descentralização vai acontecer no domínio das funções sociais e desenvolvimento local”, onde a aposta políticas de senhores que foram os paus mandados de Angela Merkel, nos próximos tempos vão “privilegiar mais parcerias e mais descentralizações”, isto depois (ou a par) de “uma pequena mudança de prioridades”.

Felizmente na próxima segunda-feira esta treta toda passa à história. Os portugueses respirarão mais sossegados e dirão ao governo de Pedro e Paulo que não podem brincar com a seriedade de quem lhes dá fabulosos exemplos de bem gerir a coisa pública.

domingo, 18 de maio de 2014

Opaca linguagem

Está de volta a idade maior. Uma segunda vida bate nas costas sombrias do destino
     (não; não é no caminho da misericórdia!)
tantas e tantas vezes que faz doer o desejo de ser agora barragem enorme
    (nem sequer o maior desejo de triunfar! - não esquecerei o sorriso... - do anjo rebelde?)
na mão do amanhã; vontades controladas e o fio do amanhecer ainda húmido.

A idade maior? Perdeu-se na cidade; nas ruas sujas de vaidades e focos desfocados. A cidade?
Ora! Ora! Como era o personagem do início?
Não sabes? Vou ajudar-te a recuperar a memória.
- Acabo agora mesmo de ler: “quando as marionetas não podem dar beijos”…
- Conheces?
- Se conheço! Enquanto se espera uma novidade que nos agarre à cidade; às suas ruas belas e à urbanidade…
- …espera lá. De que cidade nos falas?
- De todos os espaços urbanos onde as pessoas são o elo de ligação fundamental às memórias, ao presente tenso ao futuro por inventar.
- Não das vaidades polidas que matam cada vez mais gente, pois não?
- Ah! a Cidade é mesmo o nosso recanto. Não desistas, por favor.
- Morrerei a seguir sabes? Já sinto o último esforço e um sabor inglório…
- Vais desistir?
- Não, da cidade, não. Deixa-me abraçar a idade maior! Há por aí muita gente que não sabe o que é isso.
- Obrigado! Há tantas misturas na cidade!
- Tens razão. Nem percebemos o que querem os que querem os que dizem que dizem querer desenhar o futuro ou os que fazem rodopios de vontades a que chamam, (outros) oportunismo da filha do chefe no gabinete de quem decide, pois não?
- Só te digo (outra vez) são uns violentos hipócritas. Perceberão quando a cidade lhes rebentar nas mãos. Nessa altura nem a montanha os acolherá.

sábado, 10 de maio de 2014

Pareceria sólida ou casa vazia?

foto:radiofundacao.net
Quando se põe em causa a atividade sindical, põe-se em causa a democracia.
Maria Augusta Torres, Jornal de Noticias, 14.05.09

Rui Barreira, o máximo responsável pela Segurança Social no distrito de Braga e que no último natal fez questão de só transmitir votos de boas-festas a alguns dos colaboradores da instituição – “…nesta casa quase todos valorizamos a amizade e o companheirismo”, lembram-se? –, e alegando que a ação “iria atrapalhar o normal funcionamento dos serviços”, impediu, segundo a coordenadora do sindicato da função pública do norte, a distribuição de comunicados sobre realidades que dizem respeito aos trabalhadores da administração pública, no interior das instalações da Segurança Social na cidade de Braga.

E pronto! Eis o líder da bancada do PP na assembleia municipal de Guimarães.
Qualidade democrática acima de tudo!

Eu, se estivesse no lugar de André Lima, estava em pânico com tal parceiro de coligação.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Viva a revolução

foto: jn.pt
A ideia de revolução não está nada na moda. Não está na ordem do dia, mas, mais cedo ou mais tarde, a coisa vai explodir de alguma forma.
Bruno Cabral, Revista, 14.04.18

sábado, 19 de abril de 2014

Alterações da trama

O reconhecimento do trabalho efetuado no domínio da ciência nacional e internacional trouxe Paulo Macedo, ministro da Saúde, até junto de Rui Reis.

É bom constatar que ainda há alguém no governo de Passos e Portas – que mais parece uma plantação de eucaliptos ou um incêndio sem controlo em campo de erva seca (não; não estou a pensar na destruição de serviços de saúde de qualidade do centro hospitalar do alto Ave, ou melhor, também estou, mas fundamentalmente na total incaraterização de um país que morre, morre e morrerá) – a reconhecer que o investigador do 3Bs do AvePark não brinca em serviço.

E se, sei lá!, aquele senhor que parece que tutela a Edução em Portugal olhasse com mais atenção para o que Rui Reis vai dizendo sobre o ensino e a investigação em Portugal, se fosse aproximando das pessoas, como o vice-reitor da Universidade do Minho vai pedindo – até podia ser só descer ao patamar de Paulo Macedo, o país de Passos e Portas não seria um bocadinho menos escuro?

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )