Pertenço a
uma geração – ou antes a uma parte de geração – que perdeu todo o respeito pelo
passado e toda a crença ou esperança no futuro.
Fernando
Pessoa, in Livro do Desassossego
Guimarães
terá, espera-se que muito brevemente, catalogadas as “áreas com níveis de
exposição sonora” que ultrapassem o regulamento geral do ruído. E isso é muito
bom.
Mas, para
que a iniciativa saída da vereação de Amadeu Portilha atinja o excelente,
importa passar (já) da identificação à ação. É verdade que há (já), no terreno,
alguns sinais encorajadores. Gosto, por exemplo do desafio Zonas 30. Mas importa que
outros surjam.
Há nesta decisão
política, que me parece premente, um ar de visão de futuro. Dou um exemplo de
cariz pessoal: gosto de correr ali por entre os espaços da horta pedagógica e
ao longo da variante até ao caminho real; gosto muito mais das hortas onde tudo
é mais calmo (em termos de ruído, atenção!).
Ou seja, a
constatação já feita pelo município de que os eixos viários se encontram “em
níveis recomendáveis de exposição ao ruído” melhorarão, de certeza, com esta
medida saída da vontade política de Amadeu Portilha de “plantação de árvores
junto às principais vias como barreira acústica”.
E isso é
excelente; melhora o sossego citadino, acalma (mais) as pessoas e faz subir a
qualidade de vida. Em suma, será um excelente movimento contra o ruido que vai
matando lentamente.
Ah! Só uma
nota final: correr no parque da cidade (lá mais para cima) é muito mais
sossegado, só se ouve o silêncio.