Há uma série de coisas
que me dão a realidade. Os meus olhos não deixam de ver. Mas o que veem talvez
não coincida com a maior parte daquilo que as pessoas veem.
Rui Nunes, E,
20.03.07
Ponto
prévio – É de muito mau gosto afirmar de forma ligeira que
o partido A não tem pessoas com determinadas capacidades, só porque sim. Ainda
se o(s) dono(s) de tal afirmação estivesse(m) na cabeça de quem é a outra pessoa;
a pessoa que sabe gerir os dias e é sensível às dores desses mesmos dias!
1.
Esta forma pouco usual de olhar para as palavras de quem nos habituamos a
apreciar pela sua ação e coerência em prol de um objetivo digno (comum às pessoas
que olham com atenção as dores dos dias) só pode acontecer quando essa pessoa,
de repente nos diz algo que nada tem a ver com ela. Pelo menos com a forma como
nos habituou a mostrar os vazios dos dias. E isso, naturalmente, desilude. É
que, não sou capaz de entender como poderei estar onde não estou?
Se estou numa
luta ou no posicionamento de uma contenda em algo em que levo a bandeira,
jamais poderei abdicar de exibir essa bandeira.
Assim, vincaria
que não é habitual, no caso em questão, discordarmos muito. Estou certo que
continuamos a ter um rol de preocupações comuns e solenes com o devir. Mas lá
chega o momento em que importa vincar pormenores de diferenciação
2.
José Cunha é um defensor das causas ambientais. Os jornais Reflexo e o Jornal
de Guimarães sublinham essa realidade escrevendo que a sua colaboração
enquanto colunista se faz nesse exato papel de ambientalista. É, para mim,
sempre, um texto de leitura obrigatória.
Só que, às vezes
e ainda bem!, as pessoas têm diferenças. E Os meus votos são
diferentes dos do José Cunha. Desde logo, porque jamais serei capaz de afirmar que a
minha bandeira é melhor bandeira do que as outras bandeiras com os mesmos
elementos simbólicos. Se é uma bandeira de causas, de atitudes e de pontos de
vista...
3.
Daí
que considere que, quando temos responsabilidades
públicas ou conotações com essas bandeiras as palavras não podem ser
traiçoeiramente palavras de oportunismo verde ou outra qualquer cor.
Se empunhamos estandartes
pelos quais lutamos somos fiéis às suas cores. E diz a normalidade democrática,
que é nossa obrigação respeitarmos a cor dos outros.
Ou seja, é, no
mínimo imprudente afirmar que o cidadão A, porque leva uma bandeira do tipo
girassol na mão das suas contendas tem as melhores qualidades que todos os
outros para gerir os destinos coletivos. Se as tivesse ninguém levaria a mal a
prepotência nas palavras que saltam dos discursos maleáveis; dos discursos com teores
promocionais.
Depois, as
maiorias – tenham elas a dimensão que tiverem – não são sempre exibicionistas,
arrogantes ou prepotentes. A maioria das vezes dependem exageradamente do nosso
olhar. Ou da sua fixação.
4.
Em suma, caro José Cunha, respeito o não voto na maioria dos partidos que estão
em contenda em Guimarães no próximo domingo, mas não aceito que, mesmo sem “apelo ao voto em nenhum partido
específico”,
se possa escrever o desejo de que “a Mariana Silva possa até ser convidada para o pelouro do
Ambiente (com ou sem maioria do PS), até porque não existe nos candidatos a
vereadores do PS ninguém com perfil e sensibilidade para o Ambiente”.
Se isso não é apelo ao voto numa das candidaturas o que é?
Caramba! Que sensatez ambiental e que lucidez de dirigente
de uma associação ambiental!