domingo, 12 de setembro de 2021

analogia de desequilíbrios

carro ligeiro serra acima; acelerador apertado no ruído absurdo!

gases poluentes amparando a subida sem contemplações.

entro na montanha virgem; de verde sagrado. pássaros fogem assustados.

plantas abraçadas à ternura dos dias são tenores

na sinfonia afinada contra o bafo negro da passagem por caminhos

prestimosos. assistem à pesada herança dos pecados

saborosos que cantam no interior do monstro de metal.

 

vou feliz; descontraído. não sinto os gases poluentes violentando

o verde vegetal. não ouço o ruído absurdo do motor; ferindo

pássaros assustados. acelerador a fundo sou mais um precipitando

o fim deste sítio belo; encanto onde vivo.  aproximando-me

do fim em cada aceleração de prazer.

 

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Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )