domingo, 29 de março de 2015

visões da diáspora?

Pior que ser lento é só conseguir andar em linha reta.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Conversa à porta de uma tasca vimaranense; já a noite está muito fria:
O vigarista é inocente.
És burro...
Claro!, nasce-se assim.

sábado, 28 de março de 2015

Exemplos para vincar

Queremos aproximar-nos de si,
na expetativa de saber o que pensa
dos temas que nos alegram ou
entristecem os dias. (…) já na próxima edição queremos contar com o seu contributo.

Eliseu Sampaio, editorial, mais Guimarães, março 2015

Quotidianos

O mal em queda chega num segundo, o bom deus desce como quem flutua, sem pressas. Quando chega cá abaixo: o caos, a desordem e a violência instalada.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos

foto: comumonline.com
É uma aposta de Carlos Videira, presidente da associação académica da universidade do minho: a Policia de Segurança Pública vai reforçar “a vigilância nas zonas mais frequentadas pelos estudantes” da UM.
É muito bom!
Desde logo, e como muito bem salientou Gomes do Vale, comandante daquela policia, no ato público de assinatura de protocolo entre as duas instituições, porque “a vulnerabilidade dos estudantes tem a ver com o facto de transportarem com frequência aparelhos eletrónicos”.
Gosto muito da decisão da polícia. E, claro!, vinque-se a teimosia de Carlos Videira.
Aposto que os estudantes da academia minhota agradecem imenso.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Inventar mudando

Peço silêncio e peço que confirmem se o meu coração ainda funciona.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto: maiortv.com.pt
1. No dia em que celebrava o segundo ano à frente dos destinos da igreja católica, que é como quem diz, à frente do Vaticano, Francisco, o papa cada vez mais aclamado por católicos e não católicos, teve uma afirmação que, parecendo simpática, é aterrorizadora. Diz o líder católico que gostava de poder sair um dia, sem que ninguém o reconhecesse e ir comer uma pizza.
É forte! Não, não estou a pensar no que disse na mesma altura – “tenho a sensação” de que o pontificado “vai ser curto” –, mas na razão que impede um homem de poder ser o que é; ser referência numa sociedade cada vez mais à deriva.
Comer pizza, obviamente num espaço público, não é um ato social?

2. Há dias ouvi esta afirmação na rua: as religiões são importantes na ajuda que dão na organização social. São perigosas pela cegueira e conduta de muitas pessoas.
É uma afirmação e pêras! Forte e intensa. Como as palavras do papa Francisco.

3. Paulo Terroso, no suplemento do diário bracarense Diário do Minho, igreja viva (15.03.05) escreve que a realidade que ensanguenta os nossos dias; sejamos ou não religiosos. A da altura afirma: concorde-se ou não com a possibilidade da criação de uma ONU das religiões, os acontecimentos dos últimos meses conduziram-nos a um ponto onde todas as religiões são chamadas a tomar, em conjunto, uma atitude concreta e expressiva, contra a denominada “violência religiosa”.  é um ponto de partida fundamental para que todas as pessoas têm uma religião possa comer em paz e sossego um pizza em espaço público.

As frases [Para o futuro do Avepark] II

Gostaria que fosse um debate para os cidadãos.
Se não for via dedicada não temos dinheiro de Bruxelas, disse [Manuel] Castro Almeida [secretário de estado do desenvolvimento regional].
Este canal tira trânsito à estrada 101.
A câmara municipal de Guimarães receberá de braços abertos o que o governo fizer na estrada 101.
Qualquer estrada que estrague os parques de [S. João de]  Ponte e Caldas das Taipas é má.
Nós em Guimarães discutimos todos.
Se não fizermos alguma coisa – acessibilidade – há empresas que saem de lá e vão para Braga [para o Instituto de Nanotecnologia]
Domingos Bragança, presidente de câmara de Guimarães

As frases [Para o futuro do Avepark]

foto: uminho.pt
Nem o vice-reitor nem o professor se metem na discussão pública.
A encomenda que a câmara nos fez foi esta.
Esta estrada não precisa de estudo de impacte ambiental nos termos da lei; nós recomendamos que seja feito o estudo de impacte ambiental.
A UM acha que há um défice de competividade no Avepark e tem a opinião que se devia melhorar a acessibilidade.

José Mendes, vice-reitor da Universidade do Minho e responsável pelo estudo de ligação ao Avepark; do canal ou via dedicada.

quinta-feira, 26 de março de 2015

A frase [Para o futuro do Avepark]

Não sei de onde lhe vem essa arrogância.


José Mendes, responsável pelo projeto de ligação ao Avepark para José Cunha, presidente, da direcção da Ave – Associação Vimaranense Ecologia.

Para o futuro do Avepark

Um helicóptero que caia, por avaria ou medo, no meio de uma manada de homens primitivos será desmembrado.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto: antónio magalhães
Ontem à noite, no centro pastoral de Caldas das Taipas, teve lugar a primeira apresentação pública do estudo de uma equipa da Universidade do Minho, liderada pelo vice-reitor daquela universidade, José Mendes, sobre o canal ou via dedicada de ligação ao Avepark, sem S. Cláudio de Barco.
Foi um momento alto de discussão que, natural e democraticamente, tem que ser enaltecido.
Houve um pouco de tudo na noite de ontem, mas essencialmente ficou claro que, também no território que compõe uma zona importante do concelho vimaranense, as diferenças na atitude ou na aceitação do novo, são iguais a todos os sítios onde o individual se sobrepõe ao interesse da comunidade.
E quando cheira à possibilidade de grandes indemnizações tudo se complica!
Apesar das diferenças (aparentes porque suportadas só em realidades pessoais; empresas muito individualizadas) a discussão foi interessante. Intensa, em alguns momentos, mas importante para que tudo fique claro numa obra da importância como a que é a abertura de uma nova via.
Fica claro que se a União Europeia disponibilizar os fundos necessários, chegar de Barco ao aeroporto Sá Carneiro vai ser muito mais fácil. E isso é excelente.
O que se disse, sendo muito importante, vai ficar por ali; pelo caminho da discussão.
Uma nota importante para vincar a forma como Domingos Bragança liderou o debate.
Quem deveria ter ponderado algumas palavras seria seguramente José Mendes e Filipe Fontes.  

Por enquanto é tempo

A civilização do consumo é, antes de qualquer coisa, uma tentativa gigantesca para exorcizar a morte, o limite, o envelhecimento.
Luigino Bruni, in Avvnire, 15.03.03
1. Lendo o editorial do Jornal de Noticias do primeiro dia da primavera – Afonso Camões escreve que um estado que vota metade do seu chão ao despovoamento e ao abandono é uma nação inteira que abdica de si própria – leva-se um murro no estômago; um murro que nos diz que brincamos sempre (com políticos por perto ou não; isso pouco importa) com o futuro. O da Terra; o nosso (já ninguém repara nisso, caramba!) ou coletivo – então esse!

 2. O texto de Afonso Camões leva-nos a Ian McEwan (E, 15.03.21) – para mim, as mudanças climáticas são como a morte. Sabemos que vão acontecer-nos, mais tarde ou mais cedo, mas não queremos pensar no assunto. Sim, sei que são realidades diferentes, mas também sei que o resultado final é o mesmo.

3. Por mim, morrendo de medo com o amanhã com “chão despovoado e ao abandono”, só recordo uma frase que não para de circular em grande velocidade pelo meu silêncio: as guerras do século XXI já não são motivadas por fronteiras, religiões ou poder politico”.
Já estamos no século XXI e continuamos a agir como se o amanhã fosse ontem. E as guerras, cada vez mais silenciosas, mas incisivas, não param de delimitar o futuro. E quem o vai ocupar.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Relíquia futura

A prudência manda que no passado só se deve tocar com pinças, e mesmo assim desinfetadas para evitar contágio.
José Saramago, in Alabardas
foto: cm-guimaraes.pt
Uma equipa da Universidade do Minho (UM) considera que a melhor forma de melhorar o acesso rodoviário ao parque de ciência e tecnologia de Guimarães, Ave Park, é a criação de uma nova via rápida dedicada”, pode ler-se no jornal Público do passado dia 16 .
Sublinhe-se: “uma equipa da Universidade do Minho”.
Olhando para aquela equipa há um denominador comum: José Mendes, vice-reitor da UM, responsável por UM Cidades (uma plataforma da Universidade do Minho), e até à alteração da situação anterior, ou seja, da mudança funcional daquela estrutura de referência em Guimarães, no país e no mundo, presidente do conselho de administração do Avepark.
Coincidências. Seguramente.
Uma nota de rodapé: habituei-me a ter o maior dos respeitos pelo excelente trabalho desenvolvido pela Universidade do Minho; hábito que, óbvia e naturalmente, manterei.

O diabo anda à solta *

Há os preguiçosos e há os de boa vontade, boa coragem e músculos, que assuem que a força não é uma coisa que vem, mas uma coisa que se faz.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
As boas intenções que levaram à criação da Cresap [comissão de recrutamento e seleção para a administração pública], escreve Nicolau Santos (Expresso, Economia, 15.03.21) está a ser subvertida – seguramente porque, como diz o ditado, de boas intenções está o inferno cheio. E o diabo adora.
Ai a Cresp, a Cresp! Que deixa no mesmo sítio barreiras que matam tantos desejos!

* terá ele apetrechos a circundarem a bacia ou – como se diz aqui no minho, a barriguinha – que estão para além da irregularidade dos dias (que é como quem diz, do viver) prontinhos a explodir?

Olhar do silêncio III

É repugnante e um grave indício de degradação dos valores democráticos a banalização de uma cultura administrativa de profundo desprezo pelos direitos fundamentais e que perante o colapso de um sistema de proteção de cidadãos contribuintes apenas se lembra de cuidar do resgate e salvamento dos seus chefes e “eleitos”.
Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 15.03.20

terça-feira, 24 de março de 2015

Uma sombra que afasta o fim de tarde

Os outros não são para nós mais que paisagem, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida.
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego
1. Há duas discussões avançando em lume brando – quase, quase prontas a arder em altas chamas –, fundamentais para Guimarães e para o seu futuro que têm o mesmo sentido geográfico: Caldas das Taipas.
Não teriam nenhuma importância, nem sentido de meta final (isto é, objetivo fundamental) e da afirmação de Guimarães no futuro imediato (muito mais que a longo prazo) se não fossem fundamentais.
A primeira tem a ver com a poluição do rio Ave. O mesmo rio que, pelos vistos, só está poluído a montante da captação da água que serve os vimaranenses. Coisas que passam pelos olhares sempre sem explicação! É que nem todos temos sistemas-sofisticados-de-ultraqualquer-coisa para justificar o que fazemos; e com pompa e circunstância!

2. A segunda, que esteve abafada pela primeira, é a fundamental. Está em causa tudo. O futuro de uma aposta que agora já o é, quando não o deveria ter sido (como é o Avepark); o futuro de um território, que devia ter tido um nó de autoestrada e não tem (devia ter sido contemplado aquando da discussão sobre a ligação Guimarães Braga, mas caiu no esquecimento para dar lugar a uma via curta), mas que, repentinamente é o cerne da questão que baliza o crescimento de Guimarães.
Vale a pena a esse respeito recorrer à memória e a intervenções na assembleia municipal de Guimarães para se perceber melhor tudo o que agora parece ter um valor que há anos não teve.
Sim, hoje, já não é possível ir pelo Arquinho até Silvares e à autoestrada, mas que, ali em Brito, ainda é visível o local onde seria a ligação, é. Infelizmente já não vale de nada. E falar nisso agora seria levantar fantasmas que não interessam para um concelho que tem a certeza que sem crescimento nunca virá o futuro, por mais verde que seja. E isso, esteve arredado das preocupações dos decisores políticos vimaranenses durante tempo a mais. Pelo menos desde 1998.

3. Se um rio limpo e transparente é fundamental para que Guimarães alimente condignamente a enorme vontade de ser uma cidade verde (estou certo de que tal vai acontecer) urge vincar que uma ribeira sem poluição também o é. Seja pelos atalhos do desejo da ligação a um centro de excelência, seja (mesmo) pela urgência de uma cidade limpa.

4. Curiosamente, ou não, as grandes agitações vimaranenses do momento vão na mesma direção: Caldelas e, mais concretamente, a centralidade que é a vila de Caldas das Taipas. Deve ser coincidência. Ou então há coisas que passam ao lado da normal compreensão humana. Pelo menos dos vimaranenses que, vivendo na cidade, nunca percebem por que carga de água os cheiros pestilentos que a atravessam valem uma peva em comparação com a grande grandeza da outra margem do Ave.

Olhar do silêncio II

foto: igor martins (global imagens)
Ainda só estamos na Quaresma mas já há dois cordeiros da Páscoa. Nenhum foi servido em sacrifício para limpar os pecados do mundo, mas por uma causa bem mais prosaica: passar uma esponja pelos pecados do Governo no caso da lista VIP.
Editorial, Público, 15.03.20

Frio lá fora

É necessário instalar o inimigo na tua melhor poltrona.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Desde que me habituei a olhar para o que me rodeia, isto é, o que faz sofrer ou ficar feliz, há um nome incontornável nos meus olhares: Mário de Oliveira. A primeira vez que ouvi falar do senhor ainda vivia imbuído de uma certa carga colegial; momento solene em que deixou para trás o lado “enclausurado” da vida, momento solene que me provocou imensos desafios. Um deles era saber quem era esse tal de “padre Mário, o comunista” que agitava a igreja católica portuguesa, a partir da Lixa; aqui mesmo ao lado.
Obviamente a curiosidade daqueles verdes anos ia muito para além da realidade teológica-qualquer-coisa-com-que-se-sai-do-seminário. Ouvi, li e aprendi a respeitar Mário de Oliveira.
E respeito-o tanto que ainda hoje – tantos anos depois de seguir outros caminhos – sigo religiosamente o que escreve. Dá tanto prazer! Faz crescer. Alimenta as raízes interiores e avisa sempre: não podemos dormir na direção do altar da crucificação!
Pronto! Já chega. Reproduzo uma parte da sua crónica 165, de 15.03.18:

segunda-feira, 23 de março de 2015

Olhar (local) do silêncio

As termas das Taipas, o museu de cultura castreja e as ruínas arqueológicas de Briteiros são apenas alguns exemplos das potencialidades do norte do concelho que importa destacar e valorizar enquanto recurso turístico relevante.
José Bastos, Reflexo, março 2015

O caos também se constrói?

Havia um fiscal no paraíso
não se sabe o que determinou que fosse um anjo.
Regina Guimarães, in voo rasante
imagem: crosstraining.pt
Dívidas do primeiro-ministro e lista de contribuintes VIP fizeram exaltar ânimos nas repartições de Finanças e da Segurança Social. Funcionários denunciam insultos, ameaças e agressões cada vez mais frequentes, pode ler-se na última edição do Expresso.
Na peça de Joana Pereira Bastos fica a saber-se ainda que funcionários exigem presença da policia nas Finanças, Segurança social e Centros de Emprego.
Ups!
Assim vai um “país de brandos costumes” chamado Portugal!
Até quando, senhores?

Olhar do silêncio

foto: dinheirovivo
A proteção da intimidade dos indivíduos e seus familiares, bem como de quaisquer informações que lhe digam respeito – sejam recolhidas por entidades públicas ou particulares – é um valor fundamental em todas as democracias.
Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 15.03.20

domingo, 22 de março de 2015

bem sabes, sempre foi o meu vício

olhando em frente; o caminho
rasga-se nos olhos. leva
atrás  desejos segredos
sempre debaixo do convés mais discreto

em frente! portas abertas
pelo caminho fora. amanhã
outros caminhos vão atrás. rasgando
desejos. segredos. sempre debaixo do convés
mais discreto

o caminho para. tantos olhares rompendo
portas! sem o romper. em frente?
o caminho rasgando o silêncio doido:
futuro sem corpo.

Quem decide os teus futuros?

Tenho vontade de erguer coisas de uma selvajaria ignorada, de dizer palavras aos mistérios do alto.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: cm-guimaraes.pt
Foi preciso o presidente vimaranense ir a Braga para que Ricardo Rio não tivesse as luzes que o Quadrilátero Urbano lhe parece querer dar (mas não dá).
Repararemos então. Domingos Bragança quer que seja transferido para as empresas “o conhecimento que se produz no ensino”; desde logo, porque “quanto mais qualificados forem as pessoas, mais valor vai ser criado”.
Mas atenção, o presidente de câmara de Guimarães não se limita (apenas) a pedir transferência de conhecimento, quer a reindustrialização” da indústria, da economia, da agricultura e dos serviços. Até porque, sublinha o edil vimaranense, “temos do melhor que se faz no mundo e isso torna cada vez mais atrativa a nossa região para se fazer aqui a formação”.
Ah! Estas palavras foram proferidas no parque de exposições daquela cidade. Onde também estiveram António Cunha, reitor da Universidade do Minho e o homólogo bracarense de Bragança.
Parece que há por aí (ou por ali, naquelas palavras estridentes de Bragança) formação em ação. Por lá e por cá!

sábado, 21 de março de 2015

O ar sempre ocupou espaço vazio

Foto: Paulo Ricca (Público)
Despertarei ecos imortais em todos os estados do meu país.
Walt Whitman, in Cálamo
O pacote de 55 medidas prévias que o secretário-geral do Partido Socialista apresentou há dias em Santarém parece mais uma daquelas obras redondinhas e inócuas com que os políticos gostam de entreter a opinião pública.
Manuel Carvalho, Público, 15.03.15

para que (tudo) fique bem claro

Sem rodeios direi o que tenho de dizer.
Walt Whitman, in cálamo
Quem é o meu candidato a presidente da República?
É tão simples: Manuel Carvalho da Silva.
E por agora só digo que é, diga o que disser, a seguir e à pressa, um senhor feito líder partidário à pressa.

pura ilusão

foto: dinheirovivo.pt
Paulo Núncio pensava que VIP no Fisco significa Verdadeiros Idiotas Pagantes.
oInimigo Público, 15.03.20

sexta-feira, 20 de março de 2015

Choque inevitável

O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
Martin Luther King
No texto que o jornalista Joaquim Martins Fernandes assina no Diário do Minho (15.03.12) – Autarca de Guimarães defende subida de ordenados no têxtil – podemos ler que Domingos Bragança, o edil do território vimaranense, defende “um modelo de competitividade para o têxtil e vestuário assente numa subida compatível com as qualificações dos trabalhadores do setor e que permita aos jovens qualificados terem condições financeiras que lhe permitam fixarem-se” por cá.

Foi uma (grande) resposta à Associação do Têxtil e Vestuário de Portugal que – mais uma vez, caramba! – veio a público dizer que há “várias empresas que não encontram no mercado profissionais qualificados para os quadros superiores e intermédios que pretendem contratar”.

Lugar de aflitos

A vida é curta para que me ensodes misérias várias pela goela abaixo.
Ruy Cinatti, in antiguidades burlesco-sentimentais
foto: revistaepoca.globo.com
Então!? Qual é, meu caro, a tua desilusão sobre a Europa?
Andas mesmo distraído, não andas?
Talvez, quando ouço que a senhora Merkel foi uma segunda escolha; uma escolha conveniente…
Pois tens razão. O tempo e a pressa de viver fazem-nos esquecer as coisas simples. Dizias tu que…
Que a Europa está no fim. Coisa que não nos deve espantar, obviamente! Desde logo, porque aquele senhor alemão que manda na Europa, o senhor que, infeliz e lamentavelmente, vive numa cadeira de rodas, só pensa no seu país.
Achas?
Não acho, tenho a certeza. Por isso, aquilo que Manuel Carvalho da Silva (que belo presidente da República portuguesa podia ser!) escreve no Jornal de Noticias (15.03.14)
Pouco a pouco, a União Europeia (UE), ou a Zona Euro, está transformar-se numa estranha espécie de federação – uma federação do poder financeiro e económico, construída à margem das opiniões e interesses dos cidadãos, uma UE desprovida de instituições realmente democráticas.
É oportuníssimo!
Talvez tenhas razão! Já agora olha para o que Nicolau Santos escreve na última edição do Expresso (Economia):
A produção industrial na Europa, com exceção da Alemanha, está em colapso. O que quer dizer
1)       Que a moeda única favoreceu o modelo alemão (exporta a preços mais competitivos do que se o fizesse com base no marco alemão
2)       A crise rebentou com a indústria na generalidade dos países europeus.
Esperar que isto não tenha consequências é uma ilusão perigosa.
Estás a ver?

Só quem não quer é que não vê…

quinta-feira, 19 de março de 2015

Morte anunciada

O tempo é isto: não se vê, não ocupa lugar, é imaterial, mas faz apodrecer, envelhecer a madeira e os homens.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Eu não disse?
A AMAVE vai ser extinta.
Era inevitável!
E agora que o município que a suportava – a sede era lá em cima na capitão Alfredo Guimarães – decidiu que já chega, morre de vez.

Uns diriam paz à sua alma! Por mim, constato a confirmação de uma realidade que já tem anos.

Uma pedra no caminho e o passado

Isto está tudo ligado. Quando o povo se farta deles, normalmente eles estão fartos do povo.
Ângela Silva, E, 15.03.14
Na habitual rubrica do semanário Expresso, Sobe e desce, fica sempre claro como anda a realidade politica e político-partidária em Portugal. Raramente a coisa bate errado.
Na última semana, mais uma vez, caramba!, é o PS que desce. Pela mão de Bernardo Ferrão o líder parlamentar socialista, Ferro Rodrigues, vai de cabeça para o chão. Porquê. Simplesmente porque
No debate quinzenal foi evidente o que muitos dizem na bancada do PS. Faltou-lhe habilidade política no confronto com o PM. Aliás, tornou a passagem de Passos Coelho pela AR um confortável passeio.
Que tristeza! O PS sem capacidade de dizer o óbvio: o primeiro-ministro de Portugal não presta. O povo que sofre há muito que sabe isso. Infelizmente!
Será por isso que Ana Gomes afirma (E, 15.03.14) que o PS
tem de trabalhar mais, ser mais interativo e há questões em que precisa de ter uma estratégia”?
De certeza absoluta.
Tal como, aliás, escreve Luís Osório (editorial do i, 15.03.14):
António Costa, como diz José Gil na conversa que hoje publicamos, está a um passo da derrota. Uma derrota impensável há meses. (…) António Costa fala como se estivesse cansado de existir.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Olhar (local) do silêncio II

A cidade de Guimarães é conhecida pela sua história e pelo bairrismo da sua população, orgulhosa da sua urbe ter sido o “Berço de Portugal”. Esse bairrismo estende-se ao futebol, com o incondicional apoio ao Vitória de Guimarães, quando a designação registada é Vitória Sport Club.
Ademar Costa, Fugas, 15.03.14

Olhar do silêncio II

foto:straitstimes.com
Muitos dos nossos parceiros estavam habituados a ministros que faziam fila à entrada dos escritórios dos funcionários da troika para ser recebidos.
Yanis Varoufakis, in Público, 15.05.13

Mais uma noite longa

Os carniceiros sustêm, enluvados
a respiração dos despidos,
no umbral a lua cai ao chão.
Ingeborg Bachmann, in O Tempo Aprazado

Nos últimos tempos tenho dormido mal; acordo em suores frios e não me sai da cabeça o que terei de fazer para integrar uma lista VIP como contribuinte no meu país.
Gostava mesmo.
Aceito sugestões para poder dormir melhor.

terça-feira, 17 de março de 2015

Manhãs de sol em Guimarães

Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável.
Erasmo de Roterdão
É manhã de sábado. Como sempre, a azáfama à volta do antigo mercado municipal de Guimarães é grande. Muita gente estaciona sem o poder fazer. Ali na Paio Galvão (o presbítero que terá começado a sua carreira eclesiástica no mosteiro de Santa Marinha da Costa). Chegam dois polícias municipais. Há gente que mete, à pressa e de forma bem atabalhoada, o que tentava vender no carro, em malas cheias de coisas rápidas e desanda dali. Mais carros se afastam. Discretos. E os polícias observam.
O espaço – o lado da rua que abraça o antigo mercado – fica com o espaço que tem que ter: paragem para autocarros.
Eis, senão, quando um carro da Vitrus estaciona. O condutor faz um sinal mais ou menos discreto. Os dois polícias caminham, lentamente, em frente; em direção à Sociedade Martins Sarmento. O condutor demora pouco, é certo!, mas o carro esteve ali uns minutos; enquanto, dentro do quiosque, ali existente, se passavam coisas.
Já tenho as botas engraxadas. Pago e sigo em frente.
Que saudades que eu tinha das manhãs de sol na minha cidade!

Olhar do silêncio

Existe hoje em Portugal uma profunda descrença no funcionamento das instituições. E isso contribui para minar o crescimento e a confiança no futuro.
Nicolau Santos, Expresso (Economia), 15.03.14

Fim muito negro

A estupidez é todos os pensamentos estarem à mesma distância do centro.
Gonçalo M. Tavares, Noticias Magazine, 14.12.21
foto: oglobo.globo.com
A Humanidade está no fim.
Pelo menos os buldózeres jhiadista já entraram no seu berço.
Oito mil anos assim, na ponta de uma pá dura, para o lixo!

Não vale mesmo nada a Humanidade!
Não valemos mesmo nada, nós os seus artistas.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Olhar (local) do silêncio

Os turistas teriam a vida mais facilitada se o executivo camarário de Guimarães adotasse o sistema de placas identificativas dos monumentos e equipamentos mais emblemáticos da cidade.
Ademar Costa, Fugas, 15.03.14

discursos bolorentos

Sucessivas ondas de indignação, de diferentes proveniências, trouxeram à costa o cadáver da política.
António Guerreiro, atual, 11.07.16
foto: rr.sapo.pt
Sim!, eu sei. De seguida virão muitos farejadores de desejos vazios dizer que só leio certos jornais. Paz à alma da sua ignorância!
Começo pelo excelentíssimo comendador Marques de Correia e o seu belíssimo texto (como sempre, senhor comendador!) no E – aquela distorção miscelânica que o Expresso criou para compilar a beleza do atual e a coisa chamada Revista, a da encenação social!
O presidente farejador é uma raça relativamente rara mas útil. Mal lhe cheira a eleições, aponta-as, mas nem sempre as marca.
Posso, senhor comendador, transcrever estas palavras de Maria Helena Magalhães, inscritas na edição de fim-de-semana do jornal i? Parece-me que darão uma ajudinha à ideia presidenciável.
Obrigado.
(Senhor comendador, se puder, faço-lhe um pedido: venha até terras de D. Afonso; terá por cá grandes compinchas.)
Então cá vão elas:
Temos um presidente da República, pensionista, que entende que pagar ou não pagar contribuições para a Segurança Social é uma questão menor; apenas empolada por “jogadas político-partidárias.

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...