Faz sentido beneficiar as famílias que ganham mais e as empresas que lucram no mesmo orçamento em que se corta metade dos apoios aos pobres?
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.10.18
E quando, infelizmente, nos dá tudo para vincarmos estas palavras de Fernando Madrinha (Expresso, 14.10.18) – “a mais importante reforma do Governo é o sorteio dos automóveis das Finanças” –, nos leva a perceber bem depressa que há no governo de Pedro e Paulo quem faça de conta que sabe governar; que naquela espécie de governo onde até a estúpida estupidez que coloca professores onde, de seguida, o engano os atira para as cercanias de uma outra terrinha deste país, sem “rei nem roque”, onde até uma criança da primária – ainda será assim que se diz depois de tantas e tantas alterações de Crato? – percebe que o que ontem era uma bela realidade, hoje é uma valente dor de cabeça; estamos falados.
Com as dores que não param da matar a alma, até me perdi no raciocínio.
Perdão!
Socorro-me, por instantes, das palavras de Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.10.18):”a União Europeia impõe-nos graves condicionalismos, mas o OE 2015 não tinha que ser seguidista”.
A seguir, havemos de perceber que “basta o orçamento para ficarmos deprimidos”. Mesmo que, afinal, o OE ”seja uma pequena gota num mundo carregado de tempestades e com promessas de algo assustador” (Henrique Monteiro, Expresso, 14.10.18).
E quando lemos Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.10.18) “o OE para 2015 é, sem dúvida, o Orçamento da continuidade de estéreis políticas de austeridade e da confirmação de que este Governo impôs e continuará a aprofundar”.
Ou o Editorial do Público, 14.10.17: “numa altura em que a carga fiscal suportada pelos portugueses está em máximos históricos, é quase de mau gosto subir mais impostos, sejam verdes ou de outra cor qualquer”.