Está de volta a idade maior. Uma segunda vida bate nas costas sombrias do destino
(não; não é no caminho da misericórdia!)
tantas e tantas vezes que faz doer o desejo de ser agora barragem enorme
(nem sequer o maior desejo de triunfar!
- não esquecerei o sorriso...
- do anjo rebelde?)
na mão do amanhã; vontades controladas e o fio do amanhecer ainda húmido.
A idade maior? Perdeu-se na cidade; nas ruas sujas de vaidades e focos desfocados. A cidade?
Ora! Ora! Como era o personagem do início?
Não sabes? Vou ajudar-te a recuperar a memória.
- Acabo agora mesmo de ler: “quando as marionetas não podem dar beijos”…
- Conheces?
- Se conheço! Enquanto se espera uma novidade que nos agarre à cidade; às suas ruas belas e à urbanidade…
- …espera lá. De que cidade nos falas?
- De todos os espaços urbanos onde as pessoas são o elo de ligação fundamental às memórias, ao presente tenso ao futuro por inventar.
- Não das vaidades polidas que matam cada vez mais gente, pois não?
- Ah! a Cidade é mesmo o nosso recanto. Não desistas, por favor.
- Morrerei a seguir sabes? Já sinto o último esforço e um sabor inglório…
- Vais desistir?
- Não, da cidade, não. Deixa-me abraçar a idade maior! Há por aí muita gente que não sabe o que é isso.
- Obrigado! Há tantas misturas na cidade!
- Tens razão. Nem percebemos o que querem os que querem os que dizem que dizem querer desenhar o futuro ou os que fazem rodopios de vontades a que chamam, (outros) oportunismo da filha do chefe no gabinete de quem decide, pois não?
- Só te digo (outra vez) são uns violentos hipócritas. Perceberão quando a cidade lhes rebentar nas mãos. Nessa altura nem a montanha os acolherá.