sábado, 31 de maio de 2014

Assim não II

Joaquim Martins Fernandes escreve no Diário do Minho (14.05.26) que “metade dos desempregados inscritos nos centros de emprego do distrito de Braga deixou de receber qualquer prestação social por conta do desemprego”. Ou seja, “o número de subsídios de desemprego processados pelo centro distrital, no final do primeiro trimestre, corresponde ao valor mais baixo dos últimos 12 meses”, como vinca o jornalista.

Vale a pena pensar nesta realidade. E, muito mais do que pensar, agir sobre esta dor que mata cada vez mais gente em Portugal. E no minho, claro!

Infelizmente os senhores que fizeram isto (e continuam de forma violenta a fazer) continuam por aí. Impunes. Parece que vão continuar, dada a agitação bacoca que outros provocam.

Assim não

É impressionante este país chamado Portugal!
Abrimos um jornal de manhã (em papel), entramos no mesmo jornal na sua edição online, a meio da manhã, e, revendo tudo antes de deitar, concluímos:
Ninguém se entende.

Será que aqueloutro que afirmava que o que hoje é mentira amanhã é verdade (ou vice-versa) continua a ter razão?

Que merda de país os políticos que temos pela frente nos entregam todos os dias!
Não está na hora de lhes dizer que comprem um espelho maior?

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Assim vai este país

Policias corrompidos com chouriços e vinho conduziam uma carroça patrulha

Vários agentes da PSP de Lisboa foram detidos após terem sido corrompidos com chouriços e vinho.
O Inimigo Público, 14.05.30

Olaria machista

foto:oconquistador
Isabel Fernandes, antiga diretora do museu de Alberto Sampaio, recuou no tempo; procurou vestígios, restos e pedaços na olaria preta e, contextualizado a sua produção e uso ao longo dos tempos, não tem dúvidas: a olaria está em decadência em Portugal.
E isso, dirá a imensa multidão de indiferentes às coisas da olaria, o que significa?

Ora, ora!, para além de tese de doutoramento de Isabel Fernandes (parabéns pelo trabalho e empenho, como sempre não é?), diz-nos que na olaria as mulheres eram fundamentais porque “lhes competiam tarefas várias, para além de haver lugares em que a venda das peças cabia exclusivamente às mulheres”.
E os homens?

A gente aguarda outra tese. Pode ser?
É que é assustador este machismo; que começa pelo barro! Ou, se calhar não; enfim o sopro foi sobre o barro…

quinta-feira, 29 de maio de 2014

País de hambúrgueres

Numa peça que Samuel Silva assina no Público (foi manchete) da última sexta-feira, pode ler-se que “perto de dois terços dos professores do pré-escolar e do ensino básico e secundário em Portugal admitem que a sua motivação em relação ao trabalho tem vindo a diminuir”.

Esta afirmação tem suporte e baseia-se no estudo “pioneiro” do Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho.
Curiosamente no suplemento do Expresso (Expressoemprego) desse mesmo dia (foi antecipado em um dia a edição do semanário, por visa das sondagens) podia ler-se que “os profissionais portugueses estão entre os que se sentem menos valorizados pelos seus empregadores e, como resultado, os que apresentam menos grau de compromisso em relação às empresas onde trabalham”.

Há coincidências que só lembram ao diabo!
Ou então a um ministro que adora hambúrgueres feitos por uma mão (quase) gratuita. Não pode ser exagero meu, pois não?

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Vaidade num pacote

Há uma canção cantada (e gravada) pelo antigo guarda-redes do Benfica – também do Vitória – e da seleção nacional, Neno, que foi enviada (no mesmo pacote seguiu uma camisola do guarda-redes do internacional português com as cores vitorianas) para o Vaticano, ao que parece, para ser entregue ao papa Francisco.
Segundo a imprensa, Florentino Cardoso, o máximo responsável da Irmandade de Nossa Senhora da Lapinha, ficará “à espera de saber se a canção gravada por Neno e enviada em CD”, bem como “a camisola do Vitória e dois livros relativos à cidade de Guimarães”, agradarão ao papa. 

Como sempre admirei (e mantenho essa admiração, que vai muito para além do futebol, como o próprio muito bem sabe) Neno, só posso mesmo perguntar: depois da reação que o atual responsável da igreja católica teve junto dos bispos – a quem foi servido (no Vaticano) um jantar de fazer inveja aos reis mais gulosos do medievalismo que matou o pensamento, a ação e o olhar no futuro (no dia em que João Paulo II foi beatificado) – saberia o cantor no que se estava a meter?
É, que, para o papa Francisco, a vaidade incomoda muito.
Bem sei que Neno é só o cantor….

Que estupidez vem a ser isto?

foto: protouro
Adoro (sem nenhum gozo; gosto mesmo) de algumas estupidezes à portuguesa!
Adoro não!, rio-me à fartazana (como dizia o outro).
E então quando leio que uma “tourada solidária”, a ter lugar em Oliveira de Frades, em frente à igreja paroquial lá do sítio – como escreve Sandra Rodrigues (Público, 14.05.23) – para – pasme-se e olhe-se para o sacrário da pequenez de certas mentes! – “recolher fundos para o Centro Social paroquial de São João de Ver”.
Ups! Fico com uma vontade enorme de abrir as cortinas do palco de gozo nacional.
Caramba!

Há regressos ao passado, a um passado medieval, sempre presente, infelizmente!, que só esmaga o desejo de renovação e atualização das instituições que tudo fazem para saírem da sombra dos tempos. Olhe-se para o papa Francisco…

terça-feira, 27 de maio de 2014

Sucesso garantido

foto:diariodominho.pt
Há uma sala – desconheço em absoluto as suas dimensões – no convento de Santa Clara, em Guimarães, que junta Torcato Ribeiro, vereador da CDU, e André Lima, vereador do PSD. Cada um na sua secretária, esclareça-se!
Que bom! Os vereadores sem pelouros atribuídos terem (finalmente!) o seu espaço.
Alguém, fora da sala, perceberá por que razão estes dois vereadores da oposição ao atual executivo vimaranense se entendem tão bem ao ponto de estarem juntos no local de trabalho?

Nota de rodapé - Não confundamos amizade pessoal com táticas político-partidárias-e-conveniências-que-dão-jeito.

Segunda nota de rodapé – No mesmo gabinete (pelo menos nas empresas privadas é assim que funciona) trabalham, sempre, pessoas da mesma direção/departamento/área de trabalho. Só assim o sucesso das empresas é garantido.

Manipulando o essencial

Passos e Portas venceram campeonato das notícias.
Título do Expresso, 14.05.23
Noutros tempos, a comunicação social deste país completamente manietado por interesses que ninguém compreende (melhor, as pessoas na sua grande maioria não percebem) o que pretendem, a culpa era dos que ainda hoje dão a cara com a naturalidade de quem não tem medo de nada (no que concerne ao dia a dia da vida politica, obviamente).
Infelizmente os dias que por aí circulam estão a borrifar-se para essa realidade.

Felizmente que ainda há quem pense; felizmente que ainda podemos ler em locais de referência, como somos enganados.
Repare-se: “esta campanha foi a segunda sem debates nas principais televisões. Uma situação grave, que empobrece a campanha, que prejudica os eleitores e que afeta a democracia". (Editorial do Expresso, 14.05.23)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Não cortar (já) as asas

foto:um.pt
A Universidade do Minho (UM) decidiu hoje que o valor da propina não aumentará. É a segunda vez que tal acontece. Em dois anos seguidos.
A associação académica daquela universidade reagiu vincando que tal realidade – boa realidade, diga-se! – “é uma conquista de todos os estudantes”.
A UM, por sua vez, diz que é “um esforço que merce reconhecimento, tendo em conta as dificuldades que as universidades têm atravessado nos últimos anos, em resultados dos sucessivos governos”.

Estudantes e Universidade têm razão. Sendo uma conquista é-o também um esforço que merece ser reconhecido. Quem ganha, e é isso que importa enaltecer, são os jovens portugueses que vêm ao Minho engrandecer-se em conhecimento para poderem ter o futuro na mão.

Tomara que os governantes deste país de miséria não lhes matem as possibilidades de viverem. E de voarem quando a UM lhes der asas.

Teste de brancura

Observador está a testar branqueamento de imagem de Mário Machado para depois ver se consegue fazer o mesmo com Durão Barroso.
O Inimigo Público, 14.05.23

domingo, 25 de maio de 2014

Por que nos dão dias assim?


O sorriso dos que nos são próximos é sempre perfeito. Vistam eles as cores, os fatos ou os olhares que vestirem. E os que nos são próximos são sempre perfeitos; seres que de tão próximos de nós, só podem ser iguais ao nosso desejo de afirmação. Ou seja, jamais os que nos estão sempre a olhar na porta e não da janela, podem ser nossos adversários, amigos suspeitos ou concorrentes.
     (o sorriso dos que nos são próximos é sempre perfeito)

Que bom seria que o mundo e os dias violentos que não param de nos espalmar fossem assim, sempre olhados na porta!
Que bom seria que a solidariedade – independentemente da cor ou do tom partidareco ou da devoção – fosse a porta que nos coloca no mundo!

Mas o mundo é uma conversa cada vez mais por acabar; uma treta com que fazemos questão de iludir os martirizados espaços violentos a que, teimosamente, chamamos os dias vindouros.
     (o sorriso dos que nos são próximos é sempre perfeito)

Não, não podemos afirmar que depois de nós não há mais nada; podemos e devemos mandar à merda os vendedores de ilusões e enganadores de sorrisos rasgadamente hipócritas, estampar na estupidez saloia dos que se vestem da moda babosa das especulações e dos fatos da moda em bolsa; gravatas vistosas e vaidades sempre sublimadas
           (Também vão morrer amanhã ainda que o seu mausoléu caminhe já em direção ao céu em pedras pomposas).

O último coveiro que conheci tinha um defeito: esmagava violentamente com a pé a terra mole. Ficava espalmadinha e sem vaidades que dava dó!

         (o sorriso dos que nos são próximos é sempre perfeito)

Culpa e silêncio

ontem os culpados; hoje nós
sempre esmagados
pelos culpados de sempre.
santos que o tempo sempre levou ao altar
da redenção escolhida a dedo!
quase sempre invisível
tremendos malfeitores – criadores das dores
violentas que matam a cada instante
no instante sofrido

sentem-se donos perfeitos; únicos (dizem eles)
e completos do futuro - onde não cabe
mais ninguém (dizem eles)
amanhã todos nós
(os que ouvimos, vemos e sentimos)
não temos dúvidas: todos fomos enganados!
teimaremos em usar as bitolas que nos dizem
rendem, rendem, rendem

e rendem; só para alguns?

sábado, 24 de maio de 2014

Grande Vitória

No ano passado, a subir a escadaria no Jamor, só eu sei o que ouvi.
Jorge Jesus, Revista, 14.05.23

Ah! Grandes vitorianos!

Quando ganhamos juízo?


Como português sinto-me preocupado com a verdade das duas afirmações seguintes:
Na narrativa da recuperação económica de Portugal, os indicadores divulgados esta semana são um ‘pequeno’ percalço. (Pedro Lima, Expresso (Economia), 14.05.17)
A uma semana das eleições, um duche frio: a economia de Portugal volta a entrar no vermelho. (Martim Silva, Expresso, 14.05.17)

É claro que não deixo de ter presente a afirmação de Fernanda Câncio (Diário de Noticias, 14.05.16): “isto das dívidas soberanas é um bocado como as vacas loucas e o antrax, é por ondas. Qualquer dia se calhar ninguém fala disso, como ninguém falou antes. A frase é de um dos entrevistados do DN de amanhã, quadro de uma multinacional alemã despedido em 2012”.

Ou seja, “a história é conhecida. Governos caíram e outros governos foram eleitos, governos de direita ma Grécia, na Espanha, na Irlanda e em Portugal, que adotaram a posição alemã, uma posição de força, como sua. No caso português, o mais anedótico de todos, prometeu “ultrapassar” a troika pela direita” (Clara Ferreira Alves, Revista, 14.05.18)

Será que nós, portugueses, feitos ratos de laboratório, nunca mais aprendemos? Por que raio não pensamos só um bocadinho e não ousamos dizer: o futuro, afinal é já amanhã!

Sinais que fazem pensar

No momento em que o Governo e os banqueiros que forçaram a vinda da troika para Portugal se preparam para celebra a sua partida como se fosse um novo 1º de dezembro (na versão histórico-comparativa do dr. Paulo Portas), abrindo as garfas de champanhe, eis que a realidade económica e social, que tinha sido escondida debaixo do tapete, entra a cavalo pela porta.
Nicolau Santos, Expresso (Economia), 14.05.17

O pior cego é, diz-nos a sabedoria popular, aquele que não quer ver. E há cegos que adoram enganar-se convencidos que nos engarão, dizendo que nos dão pistas. Seja onde for e em que circunstâncias for (parvos que são!). Daí que, valha sempre a pena questionar-se a forma como alguns pretensos especialistas dos dias amargos que nos atiram para a sarjeta que eles próprios promovem nos tentam fazer ver o que somos capazes de ver com outros olhos.
Também ao nível e dimensão de um país isso não deixa de ser verdade.

Deve ser por isso que Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 14.05.17) nos diz que “por parar uma refinaria, o PIB caiu. Foi a explicação do próprio Governo. Isso e a compra de automóveis. Importações, portanto. É preciso dizer mais para mostrar as debilidades desta saída”?
Quase estava tentado a usar a expressão bem nortenha, mas tenho que me conter. Fod.. não, não! Fora com esta tropa.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Dores culturais

A realidade cultural de Guimarães como está?

Viva, apática ou parada?

Assim, de repente, estas duas perguntas parecem ser duas provocações saídas da boca daqueles troikocratas convertidos (pela mão de um tal durão) à destruição de tudo e que adoram levantar a bandeira "nos próximos anos a cultura tem que ser martirizada". E também, e desde logo, porque dentro e fora de Guimarães, toda a gente conhece a dinâmica das associações culturais locais e sente, bem de perto, aquilo que é a já costumeira boa programação que passa pelos diferentes palcos municipais vimaranenses.

Ou seja, as duas perguntas anteriores são totalmente descabidas?
Infelizmente!, não; infelizmente a realidade cultural de Guimarães começa a sofrer de uma parte da realidade cultural de um país que deixou de apostar nas pessoas e nos seus desejos e motivações.
É que Guimarães (não invejo as dores de cabeça de quem tudo faz para programar – como sempre – em excelência) vê, cada vez menos gente presente naquilo que são as suas apostas de qualidade, pessoas que, como a grande maioria dos portugueses, sentem a falta de dinheiro a matar-lhes os dias. E, em circunstâncias destas, o que vale mesmo para tentar sobreviver é fazer sistematicamente a contagem e recontagem dos cêntimos.

Então, quem se preocupa com a cultura em Guimarães deve fazer como o governo de Pedro e Paulo: cortar, cortar, cortar; à ceguinha e esquecendo os gritos de dor?
Era o que faltava!
Estou certo que não o fará. Mas que vale a pena ponderar algumas decisões, disso ninguém duvidará. Se mais não fosse, ver as salas vazias ou perto disso, além do mais, desmotiva quem está em palco e quem programa. E isso causa umas dores no estômago e um aperto no peito que só mesmo aqueles que nunca põem os pés na realidade cultural vimaranense (antes vagueiam por uns supostos apoios de outra natureza para chegarem à AR) desconhecem.

Um futuro melhor? É já ali

foto:ps.pt
Os portugueses têm o direito de desejar construir um futuro melhor. Este direito legitimo foi-nos retirado por um governo que se aliou ao que a Europa tem de mais conservador, para impor esta marcha forçada para o empobrecimento e a subalternização politica.
Do manifesto eleitoral Europeias 2014, do PS

Domingo daremos uma ajuda à construção de um futuro melhor.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Da estrada para a mão

E os céus permanecem desertos e vazios sobre a cidade.
Sophia de Mello Breyner Anderson, in o Homem (Contos exemplares)
Um carro da policia municipal desce a rua Miguel Torga, ali mesmo por cima do pavilhão multiusos de Guimarães. Há muitos carros, como sempre!, diga-se, mal estacionados. O condutor do veículo municipal com pirilampos, sereias e coisas vistosas, liga o pisca a direita e reduz de velocidade, parecendo querer parar. Fico curioso. E penso:
Finalmente! A policia veio pôr ordem no estacionamento da rua mais complicada de Guimarães (mesmo que do outro lado, mais abaixo só um pouquinho, exista um dos maiores espaços de aparcamento não pago de Guimarães).

Como me enganei! O carro da policia municipal arrancou, em velocidade normalíssima, e desceu. Rumo ao Multiusos. Não sei se para lá, mas que passou em frente, passou.
Os carros continuam a estorvar a Miguel Torga. E não se passa nada. Ninguém liga. Ninguém quer saber!
Perdão! Às vezes, discreta e compassadamente, a PSP chega até ali. Até de reboque. Mas é tão raro!
Até quando?

Como nos enganam

Pelos vistos, diz Leitão Amaro, secretário de estado da administração local, que o governo de Passos e Portas – os portugueses sabem, pelas piores razões, quem é este governo – vai atribuir novas competências aos municípios.

Atchim!
E, pasme-se, disse o secretário de estado na Póvoa de Lanhoso (no decurso do congresso “história e futuro do município e municipalismo português”) que a “descentralização vai acontecer no domínio das funções sociais e desenvolvimento local”, onde a aposta políticas de senhores que foram os paus mandados de Angela Merkel, nos próximos tempos vão “privilegiar mais parcerias e mais descentralizações”, isto depois (ou a par) de “uma pequena mudança de prioridades”.

Felizmente na próxima segunda-feira esta treta toda passa à história. Os portugueses respirarão mais sossegados e dirão ao governo de Pedro e Paulo que não podem brincar com a seriedade de quem lhes dá fabulosos exemplos de bem gerir a coisa pública.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Crise em Guimarães

A crise da imprensa local ajudou ao encerramento das galerias de arte [em Guimarães].
Lucília Guimarães, Jornal de Noticias, 14.05.16



Só as galerias?
Matou definitivamente a discussão.
Amordaçou o pensamento com olhos para além de um certo medo.
Mostrou como alguns fazedores de textos nos jornais nunca foram capazes de olhar para lá da cegueira dos desejos de se instalarem em patamares que nunca foram nem nunca serão os seus por mais que mudem de pomada.
É claro que muitos andam por aí à deriva…

A política é mesmo a arte da fuga?

Quando, amanhã, o conselho de ministros se reunir para comemorar o fim do programa de ajustamento, arrisca-se a apanhar com as canas dos foguetes lançados. Será que Paulo Portas terá a coragem de desligar mesmo o relógio?
Paulo Ferreira, Jornal de Noticias, 14.05.16

Infelizmente o meu sábado – de certeza absoluta que o da maioria dos portugueses também – foi exatamente igual. O receio do amanhã, o fim de todas as garantias para quem se matou uma vida inteira a descontar para garantir o seu futuro e se sente ameaçado e a certeza de que Paulo Portas e Pedro Passos Coelho me enganaram muito para além do racional.
E ponto final. Não digo mais nada!
A palavra fica com quem sabe: 
Não, a nossa economia não sofreu uma transformação radical.
Não, o nosso estado não beneficiou de nenhuma reforma.
Não, a nossa segurança social não foi reformada, apenas cortou.
Não, as nossas contas públicas não cortaram gorduras nem o seu equilíbrio.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.05.18

terça-feira, 20 de maio de 2014

Enormes cidadãos de Guimarães

foto: jn.pt
É público desde a última quinta-feira que António Magalhães e Rui Reis serão “cidadãos honorários” de Guimarães. Que bom!

Independentemente de subscrever as dúvidas de António Amaro das Neves sobre esta coisa do “honorário”, estou certo de que o executivo municipal de Guimarães, presidio por Domingos Bragança, cometeu um ato de justiça. Para com dois excelentes antecipadores do futuro, com duas pessoas que nunca se agacharam nas trincheiras do facilitismo e que – cada um à sua maneira – são capazes de agitar todas as apatias.


(A propósito, abro um parêntese para enaltecer a atitude de André Lima nas declarações prestadas aos jornalistas, no final da reunião).

Voltando às condecorações que ainda terão que passar pela assembleia municipal e onde serão sujeitas à que ser aprovadas por 2/3 dos deputados municipais e em escrutínio secreto, toda a gente em Guimarães está convencida de que tal aprovação passará calmamente ali na Plataforma das Artes. Eu também acredito. Mas o fantasma da não aprovação da medalha de ouro a Mário Soares há uns anitos atrás permanecerá por muitos anos.

Uma nota final para vincar que nem Rui Reis nem António Magalhães me apanham desprevenido nesta excelente decisão do executivo vimaranense. Aliás o único comentário é: Guimarães só tem a agradecer-vos.

Passos de uma união

Governo deixou cair a proposta que ameaçava reduzir os salários e apresentou uma nova proposta que ameaça subir impostos.
O Inimigo Público, 14.05.16

Ui! Que alívio!
Não, não é o que se diz! É o que vem a seguir.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Infelizmente, não é?

Na última reunião do executivo municipal de Guimarães – o segundo a sair fora de portas (na presidência de Domingos Bragança porque antes já tinha acontecido tal situação, por mais que alguns assessores não se lembrem!) – que decorreu na vila termal de Caldas das Taipas, o presidente de câmara fez uma afirmação que, muito mais do que óbvia, infelizmente, está sempre presente na memória e na vida dos vimaranenses:
o atual governo não ajuda Guimarães”.

Assinando por baixo estas palavras de Domingos Bragança, ousando apenas perguntar a André Lima:
O governo de Passos conhece Guimarães?

O outro é sempre alguém


foto: http://www.dw.de
Em 1936, a três dias de ganhar o segundo mandato, Roosevelt, o presidente que regulou o sistema bancário que causou a Grande depressão de 1929 e ergueu a América com o New Deal, disse: “sabemos agora que o governo pelo dinheiro organizado é tão perigoso como o governo da máfia”.
Fernanda Câncio, Diário de Noticias, 14.05.16

Escreve Luísa Meireles (atual, 14.05.17) que “uma das grandes ironias da crise é que a União Europeia, criada para manter sob controlo o poder alemão, acabou por colocar o poder da Europa nas mãos da Alemanha e dez da sua líder, Angela Merkel, a mulher mais poderosa do mundo”.

Ou seja, há ventos de fora que uivam nas nossas janelas muito para além das nossas realidades cognitivas (tantas e tantas artistices saídas de uma qualquer bolsa fantasma) que nos querem matar enquanto nos apanham distraídos.

Ainda há, felizmente!, um Outro que nos coloca o olhar nos sonhos que nos engrandecem. Ah! a politica não é, nunca foi a arte da fuga).

domingo, 18 de maio de 2014

Opaca linguagem

Está de volta a idade maior. Uma segunda vida bate nas costas sombrias do destino
     (não; não é no caminho da misericórdia!)
tantas e tantas vezes que faz doer o desejo de ser agora barragem enorme
    (nem sequer o maior desejo de triunfar! - não esquecerei o sorriso... - do anjo rebelde?)
na mão do amanhã; vontades controladas e o fio do amanhecer ainda húmido.

A idade maior? Perdeu-se na cidade; nas ruas sujas de vaidades e focos desfocados. A cidade?
Ora! Ora! Como era o personagem do início?
Não sabes? Vou ajudar-te a recuperar a memória.
- Acabo agora mesmo de ler: “quando as marionetas não podem dar beijos”…
- Conheces?
- Se conheço! Enquanto se espera uma novidade que nos agarre à cidade; às suas ruas belas e à urbanidade…
- …espera lá. De que cidade nos falas?
- De todos os espaços urbanos onde as pessoas são o elo de ligação fundamental às memórias, ao presente tenso ao futuro por inventar.
- Não das vaidades polidas que matam cada vez mais gente, pois não?
- Ah! a Cidade é mesmo o nosso recanto. Não desistas, por favor.
- Morrerei a seguir sabes? Já sinto o último esforço e um sabor inglório…
- Vais desistir?
- Não, da cidade, não. Deixa-me abraçar a idade maior! Há por aí muita gente que não sabe o que é isso.
- Obrigado! Há tantas misturas na cidade!
- Tens razão. Nem percebemos o que querem os que querem os que dizem que dizem querer desenhar o futuro ou os que fazem rodopios de vontades a que chamam, (outros) oportunismo da filha do chefe no gabinete de quem decide, pois não?
- Só te digo (outra vez) são uns violentos hipócritas. Perceberão quando a cidade lhes rebentar nas mãos. Nessa altura nem a montanha os acolherá.

Euforia da saída limpa

a violência não está em mim
vem do peso – traz mesmo à força a multidão?
dilatador das dores alheias.
curto episódio que fica sempre na memória!

a violência cresce. sem idade; sem medo
a idade do mundo ensanguenta-se em vontades
sempre apagadas – insuportável sufoco!

a violência não é sempre dignidade assombrada
circulando num corpo sincero; discreto, sabes?
é ferida aberta num corpo inútil

a violência morre comigo
ao peso dilatado dos meus olhares.

há tantas misturas violentas na cidade, não há?

sábado, 17 de maio de 2014

Parabéns em celuloide

O Cineclube de Guimarães celebra hoje 56 anos de vida e enérgica e atividade. “São também de histórias e de vivências que marcaram inequivocamente a cidade e os vimaranenses”. (editorial do boletim, de maio)

Numa cidade com tantas e tantas referências associativo-culturais como é (indiscutivelmente) Guimarães, não há – não pode haver – quem não fique feliz com a longevidade das suas coletividades. O Cineclube é uma das marcas marcantes (que pleonasmo! não é? mas é intencional) do associativismo de Guimarães. Merece ser destacado. Ainda para mais em tempo de festa!

É verdade que “o tempo de celebração é efémero, mas o tempo para lembrar as centenas de dirigentes e os milhares de associados deve ser permanente, já que foram eles que, contra muitas adversidades e contrariedades, carregaram e trouxeram o Cineclube de Guimarães até hoje, tornando-o numa das instituições culturais de reconhecido mérito na vida da cidade e dos vimaranenses”. Mas não é mentira que nos tempos sem tempo e sem horas de encontro que vivemos, os vimaranenses sabem muito bem que muito para além dos filmes, o Cineclube é um corpo vivo na cidade. E não para de surpreender.

Parabéns Cineclube de Guimarães.

Quem sabe faz

Câmaras acabaram com o défice e conseguiram abater um quinto da dívida.
Título do Público, 14.05.10
Numa peça da responsabilidade do jornalista Manuel Carvalho pode ler-se no jornal Público, edição da última sexta-feira, que “em matéria de ajustamento, as autarquias deram uma lição ao governo” e que “no decurso da era troika”, as autarquias portuguesas “abateram 21% da sua dívida”.

Caramba! E com as sombras de Miguel Relvas – feitas guilhotinas sobre os dias, as horas, os minutos e os segundos – sobre todos os autarcas!

Que tal Passos, Portas e os seus amigos mais de ao pé da porta das pessoas, vincarem esta realidade autárquica em Portugal?

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...