sábado, 31 de outubro de 2020

Conspeção de incremento

foto: expresso.pt
Não vamos pôr apenas uma máquina no AvePark; vamos pôr máquinas e pessoas a trabalhar com essas máquinas.

Rui Oliveira, coordenador do Centro de Computação Avançada do Minho, Expresso (Economia), 20.10.24

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

deuses escravizados


desconforto era silêncio; desejo

de desassossegar deus

entra em campo – detesto a ausência

do sonho! uma deusa enrolada; deusa da lua

traz a devastação da privação.

fica o silêncio desconfortante.


quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Aprisionante discussão


 

Francisco publicou uma encíclica histórica, “Frateli Tutti”, com orientações proféticas para o futuro de uma Humanidade ameaçada e desorientada e ela passou quase despercebida; veio agora declarar que os casais homossexuais têm direito a uma cobertura legal, e isso é uma das maiores notícias. Isto revela bem a obsessão que a Igreja tem vivido.

Anselmo Borges, Expresso, 20.10.24

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Assuntos paralelos

As gerações que combateram a ditadura vão chegando às camas dos hospitais e aos sofás dos lares.

Sandra Monteiro, le Monde diplomatique, setembro 2020

 

o futuro do futuro? ora vamos lá avivar a memória.

é mesmo necessário antecipar o futuro?

sim; naturalmente. até porque o devir se apresenta tremendo. aqui e por aí…

aqui e por aí? o que é isso?

nada e tudo, na verdade. há quem insista em atirar tudo para o futuro, um futuro que pode ser muito distante, longínquo e sem regresso.

ah! enquanto esquecemos o futuro vejo um homem a rir. sempre a rir; incapaz de parar tamanha alegria.

estás a pensar nas palavras de Clara Ferreira Alves (E, 20.10.24) – António Costa perdeu a bússola ou deixou-a esquecida num canto. E vai a caminho de perder a autoridade.

também. li, como sempre as palavras de Clara Ferreira Alves e, apesar de saber muito bem como os órgãos de comunicação também são capazes de criar factos políticos, o que aconteceu nos últimos dias ao nível da governação do meu país faz pensar em muitas coisas que não pensávamos há uns tempinhos mais atrás.

ou seja, testemunhos de vida e visões sobre o futuro, bela memória; descritiva!

pois então; pronto para a viagem ao futuro?

então?!

repara neste olhar de Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 20.10.24): um anúncio de grandes obras públicas, como o que foi feito esta semana, que não é feito pelo primeiro-ministro, mas pelo ministro da pasta? Nunca víramos disto. E isto tem significado político.

achas que o senhor Costa está a atirar a toalha ao chão?

 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Olhar da semana


 Claro que podemos e devemos discutir política keynesiana ou incentivar à economia quando olhamos para o Orçamento de Estado. Mas sem esquecer que enquanto o fazemos, há famílias no limite da sobrevivência. As empresas não morrem à fome.

João Silvestre, Expresso (Economia), 20.10.24

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

anatomia do mistério


hoje não vamos; não vamos

não. é pela chuva copiosa; não

vamos

 

o frio é do mais intenso

enfadonho. vamos depois?

sim!

 

todos vamos para o frio do fim

domingo, 25 de outubro de 2020

Artistas inseguros II

Guimarães é um concelho com enorme potencial e os vimaranenses demonstraram ao longo dos séculos capacidade de se superarem, tornando-se em muitas alturas exemplos em diversas áreas, para o país e para o mundo.

Eliseu Sampaio, editorial, Mais Guimarães O Jornal, 17.09.29

 

O Programa Nacional de Investimentos 2030 contempla a criação de uma ligação ferroviária de alta velocidade entre as cidades do Porto e de Vigo. E, por via dessa nova infraestrutura, a cidade de Braga ficará servida de forma excelente no que à ferrovia diz respeito.

Será que Guimarães não pode também seguir até Vigo, ou seja, Valença e o Alto Minho, de comboio; em velocidade dos tempos que por aí vêm?

 

Nota de rodapé – O aeroporto Sá Carneiro, na Maia, será o único em Portugal ligado à ferrovia.

Assim sendo, os vimaranenses que pretenderem chegar àquele aeroporto demorarão três vezes mais tempo do que os portuenses demorarão a chegar a Vigo.

De comboio, evidentemente!

sábado, 24 de outubro de 2020

Artistas inseguros

Os tempos mais hipócritas são os mais puritanos.
Angelica Liddell, E, 17.09.24

Será mesmo verdade que a aposta do governo do senhor Costa na modernização da ferrovia vai deixar Guimarães a ver navios?

Sendo certo que, por via das dores causadas pelo estupor do vírus destruidor, o Alfa Pendular não chega à cidade-berço desde o passado dia 25 de março, não estou a ver Pedro Nuno Santos a fazer de conta que não sabe onde fica a cidade fundadora da sua e nossa nacionalidade.

Espero que não seja uma ingenuidade minha esta fé na manutenção – melhorada, evidentemente! – da ligação entre a primeira capital portuguesa e a capital centralista e de todos os interesses.


 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Rigor nos dias que correm


Enquanto não mudarmos a nossa maneira de ser a este respeito [“temos muito que evoluir em termos de respeito pelas regras estabelecidas”] vai ser difícil mudar alguma coisa. Na pandemia e sobretudo depois de a pandemia desaparecer.

José João Torrinha, Mais Guimarães, 20.10.21

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Olhar da semana

João Semedo disse o que tem que ser repetido, uma vez mais, sobre a pretensão de convocar um referendo sobre a despenalização da morte assistida: “um referendo sobre os direitos individuais é virar a democracia de pernas para o ar; é virar a democracia contra ela própria, é admitir que um direito que é de todos possa ser retirado por alguns".

José Manuel Pureza, Expresso, 20.10.10

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

algar do desejo

a água desta tarde correndo

sinto de feição; perene e intensa

assisti do espaço por onde passei

contigo.

 

perscruto a fúria dessa água

interior; transparente – não há dias

iguais; bem sabes!

cá por cima o nevoeiro, o verde

e o silêncio agarram-me à terra.

 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Apatia sistémica

Foto: noticiasdecoimbra.pt

A covid-19 é um vírus, de facto, muito original e com caminhos tão misteriosos que Gente se interroga como foi possível contaminar Manuel Heitor, que ao longo dos últimos anos terá sido o governante que mais distanciamento praticou.

Gente, Expresso, 20.10.17

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Anúncio contaminado


Quando a pandemia for usada para asfixiar a vivência democrática, a única resposta proporcional será a desobediência civil.

M. Patrão Neves, professora catedrática de Ética, Público, 20.10.19

 

Tolice sem limites! É melhor não ir. Fico a olhar a estrada. Bem sabes que a memória é curta. Principalmente a memória dos homens dos nossos dias.

Anda!, vem comigo. Vamos ver a noite nos campos. Faz bem à indiferença com que olhamos os dias.

Convenceste-me. Enquanto caminhamos presta atenção a estas palavras de Susana Peralta, no jornal Público, da passada sexta-feira: esta semana o Governo entrou oficialmente em derrapagem com a ideia de nos obrigar a andar com uma aplicação de rastreamento de contatos no telefone.

Ui! Querem saber se vamos para o campo, agora?

É isso. Podes cumprimentar o cão, dizer-lhe olá de forma mais efusiva do que caminhas todas as manhãs pelo quintal e pela vida.

Quem sabe! Entretanto escuta esta afirmação: um Governo fazer uma proposta com esta gravidade, típica de um Estado ditatorial, mostra que entraram em pânico e perderam o tino. (Luís Aguiar-Conraria, Expresso, 20.10.17).

Mas continuemos a nossa conversa: não me digas que o cão não é um fantástico parceiro, totalmente fiel. É uma companhia fabulosa. Experimenta dar-lhe a mão para o cumprimentar.

Desculpa, mas não me sai da cabeça a preocupação para com uma proposta que o primeiro-ministro do nosso país fez por um destes dias.

Ah! Já começo a entender. Falas de uma aplicação para telefone móvel, de fundo azul e um sinal vermelho em forma de vírus? Entendo muito bem agora o que escreveu Martim Silva (Expresso, 20.10.17): a capacidade de reação perante o crescimento dos números da pandemia não deve levar aqueles que nos governam a perder o discernimento necessário

Vês!

E então o teu cão?

domingo, 18 de outubro de 2020

Da calma à euforia *

Os crentes continuarão a pedir a Deus que não se esqueça dos esquecidos de tudo, mas faziam melhor se pedissem à assembleia orante que não esqueça da primeira e última pergunta de Deus: que fizeste do teu irmão.

Bento Domingues, Público, 20.09.27

 

amor e exilio, amor infatigável, amor na morte

para! cruzar gerações – bem sabes, é cruzar o fim do mundo

o quê? o que é que te deu? de que falas?

da realidade! desafio-te a pensar nesta afirmação de Anselmo Borges (E, 20.08.15): a visão do papa Francisco a caminhar sozinho na praça de São Pedro completamente deserta será certamente uma das limagens mais fortes que ficará desta calamidade pandémica.

ena! desafio aceite. tomara que os destinatários destas palavras prestassem atenção a este professor; também presbítero católico!

 

pronto! aqui chegados só posso olhar para as palavras de Pacheco Pereira (Público, 20.08.29) – como se pode ser mais bem preparado sem ler?

* toda a vida [de Jesus] foi revolucionária, porque é contra a prática da religião do templo e dos sacerdotes

Anselmo Borges (E, 20.08.15)

sábado, 17 de outubro de 2020

Angústia e morte


A natureza não nos pertence, nós é que pertencemos à natureza. Isto é o que sempre pensaram os indígenas das américas ou os camponeses da África.

Boaventura de Sousa Santos, i, 20.08.28

 

Segundo um estudo relativo à sustentabilidade publicado no caderno de Economia do semanário Expresso (20.10.10) a faixa etária entre os 18 e os 24 anos é, “a par com os mais idosos, a que menos recicla” os equipamentos elétricos e eletrónicos.

Porque será?

A peça, com assinatura de Fátima Ferrão – que sublinha a importância da “entrega premiada” como possível solução – aponta o caminho de “mais informação sobre o impacto ambiental e na saúde.

Mas será só a falta de informação?

E o desinteresse da Escola não terá uma palavra nesta má realidade ambiental?

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

anarquia controlada


podemos comer o silêncio?

espera lá

eu não estou aí!

silêncio.

 

aquilo que nos separa também nos une?

sei lá!

aprendamos o valor do silêncio.

 

ah! já fomos o que vamos ser?

silêncio perfeito; total

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

E o público vai ou não vai *

O que fica são as grandes coisas da cultura. O resto é efémero. A economia tem de perceber que um país cosmopolita e culto é competitivo.

José Teixeira, presidente da dst, Público, 20.03.08

 

Será o público; aquele que vai aos espetáculos culturais, um público rural – público rural; aquele que em alguns sítios só sai de casa para ir à missa?

Será por isso que nos diferentes espetáculos programados nas cidades há cada vez menos pessoas dispostas a saírem das suas aldeias para usufruírem de coisas lindas que, quer as autarquias, quer as associações ou novas realidades criativas, vão escrevendo nas agendas e levando aos palcos?

 

PS – Infelizmente esta reflexão – já escrita há uns tempinhos –, perdeu alguma atualidade por via de um vírus tremendo que fez dos humanos uns pobres desgraçados atrás de umas grades pouco dadas às coisas da cultura!

 

Uma nota diferente: na sexta-feira passada assisti a um concerto da orquestra de Guimarães no Centro Cultural Vila Flor muito interessante. Felizmente que, a partir de hoje, quinta-feira, podemos todos estar presentes no westway lab. O bom senso supera olhares menos atentos.


Ah! gosto muito da frase que abre esta publicação.  

* ânimo brando nas anotações dos dias

 

editado às 21H41 acrescentei: afinal não, o westway lab não terá concertos com público. É mesmo verdade: um vírus tremendo faz dos humanos uns pobres desgraçados atrás de umas grades pouco dadas às coisas da cultura!

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Andar ao contrário

Já ninguém está sozinho, estamos demasiado ocupados com os nossos telefones. É uma toxicodependência cósmica.

Ian Svenominus, Ípsilon, 20.09.11

 

1. Na Horta Pedagógica de Guimarães é proibida a entrada a animais. Está bem clara a sinalização em mais do que um local daquele espaço fabuloso.

Infelizmente o que tenho visto quando por ali vou correr, e vou com muita regularidade, é que ninguém quer saber da sinalização existente. Ou faz de conta que a não vê. E porque sabe que ninguém lhes chamará à atenção; não tenho memória de por ali ver a Policia. E não estou a pensar na PSP, não!

E depois os problemas naquele espaço de excelência de Guimarães não param de crescer.

Pessoalmente já mais do que uma vez que tive que fugir a alguns cães com os donos a berrarem: "não faz mal, não faz mal"! Mas fazem e eu já senti.

 

2. Daí que, por hoje, o que me traz outra vez ao assunto é o filme que assisti num destes dias. Que filme!

De um lado um cão jovem; cachorro cheio de vida; com uma cor linda (gosto de cães desta cor) e preso numa trela que o dono se vê grego para aguentar – já tive que saltar a uma investida deste animal! Do outro lado duas mulheres e dois cães, sem trela, embora as trelas estivesse na mão das senhoras. O cão que já me saltou atirou- se em salto a fazer lembrar outros voos a um dos cães das senhoras; o maior. Foi o bom e o bonito! Perdão!, foi assustador. Terrível!

O dono do cão, ainda cachorro, berra mais do que uma vez contra as senhoras. Que os seus cães tinham que estar presos numa trela (o dele tinha trela, sim senhor!).e, vai daí não tem mais nada, enfia um valente pontapé no cão das senhoras; o maior. Foi violento o estupor do pontapé! Até a mim me doeu! Ai se uma associação de defesa dos animais visse aquilo! 

2.1. E, depois, é que foi lindo de ver três mulheres atirando tudo para cima do cão ainda cachorro, mas já corpulento como um cavalo!; e do dono do dito.

As mulheres furibundas – berrando em voz alta, que conhecem o dono do cão em questão; o tal animal que foi o cerne da guerra canina na Horta Pedagógica de Guimarães (sublinho as maiúsculas na designação institucional) – berraram bem alto, antes de se afastarem sob a travessia da variante, que vão fazer queixa à polícia.

 

3. Por mim, até parei de correr para admirar aquele momento fílmico digno do melhor realizador do mundo.

Mas não deixei de olhar para a placa; mesmo ao lado: proibido a entrada de animais.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Mentiras e má memória


Vou começar a escrever sobre temas sérios e intelectuais, esta gente pensa que conheço os truques todos.

José Gameiro, E, 20.09.26

 

Esse foi o teatro que te deu visibilidade; uma visibilidade cada vez mais enganadora.

A irresponsabilidade é irreverente, sabes? A batalha foi ganha, é isso?; vamos lá espreitar os bastidores

Queres mesmo?

Claro, ver o mundo: mau como ele é. Desacertos do real, desassossegos e descobertas reais. Que desassossego!

O charme da mentira tem uma dimensão infinita.

Ui!

Olha com atenção para estas palavras de Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 20.10.10): ou o Governo mudou a postura ou o PS perdeu a compostura.

Não entendo

O antigo diretor do semanário Expresso dá-te outra dica: Ou o PS já não tem medo das aparências ou está com tanto medo de perder o poder que usa o tempo que resta para distribuir lugares.

Pois é, será por isso que Helena Pereira (Público, 20.10.09) afirmava que há mistérios na vida politica. Podemos chamar-lhe mistérios, mas há quem lhe chame erros ou até ingenuidade.

É isso. Tomara que certos voluntariosos da política usassem espelho!

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

olhar da semana


 

Se ouvirmos o que tem sido dito em Portugal, a burocracia do Estado é um mito urbano.

Agora que o Governo propôs mudar o Código dos Contratos Públicos para “simplificar” a forma como o Estado faz contatos, a burocracia morreu, aleluia.

Bárbara Reis, Público, 20.10.09

domingo, 11 de outubro de 2020

regresso ao passado

 


ao lado do campo; lá em cima, lembras-te?

há um parque onde só o talento pode permanecer;

pode até ser um luxo, mas é sempre luz; sedenta

esperança

(turbina quente em luta pelo tempo real)

 

corpo a corpo com a magia da terra;

com a magia das flores – magia no ar – magia

e sedução – o tanque de pedra grande.

sessenta desabafos sobre nós. sessenta!

(turbina quente em luta pelo tempo real)

 

e nós? o tempo de nós ficou-se na estrada fria

e escabrosa ou no parque ao lado do campo

de futebol. ou no parque vaidoso

 junto ao rio onde os senhores bebiam

chã quente? não sei

foi na minha terra de nascimento; de certeza!


sábado, 10 de outubro de 2020

Aqui há talento

No Portugal de 2020, ter um pivô negro a apresentar o noticiário é notícia.

Bruno Vieira Amaral, E, 20.10.03

 

Entre a aparência caótica da aposta no jogo da sedução e tudo aquilo que nos une, há talento; criação.

Um talento que se faz das palavras mais estranhas realidades preocupantes; sim! mas verdadeiras.

A sério!

Na dúvida convido a ler Pedro Filipe Soares (Público, 20.10.02) de onde guardei esta ideia: O otimista irritante passou a pessimista intermitente.

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Atlas da inquietude


 
Quando é que deixamos de tratar os velhinhos como criancinhas e lhes pedimos a opinião?

Luís Aguiar-Conraria, Expresso, 20.10.03

 

Bater na cara é humilhante; sempre escutei esta verdade preocupante desde os tempos em que na escola primária vi uma professora a fazer do meu colega de carteira uma criança sempre em pânico.

Mas o que aconteceu naquela sala de cima da escola de Pardelhas nunca me saiu da memória.

Cresceu hoje ao ler estas palavras do filósofo e ensaísta Bernard-Henri Lévy: cruéis e feias, as máscaras abateram-se como um fatum sobre os rostos de cada um.

E ficou profundamente vincada por este olhar de Carla Rodrigues (Igreja Viva, 20.10.01): ao longo dos séculos a barbárie racista tem manchado de sangue páginas e páginas da história da humanidade.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

atração e repulsa

 

Quando brancos ricos, de forma errada, transferem a culpa do seu impacto ambiental para a taxa de

natalidade de negros ou morenos, muito mais pobres, a sua chamada de atenção reforça as narrativas. E é inerentemente racista.

Goerge Moubiot, cronista do The Guradian, citado pro António rodrigues, Público, 20.08.28

 

continuávamos a ir ao parque, lembras-te?

não líamos contos cruéis, apenas contos à lupa, pintados sobre as paredes da infância.

só que, repentinamente o teólogo Leonardo Boff (Fraternizar, junho 2020) – uma coisa ficou clara a propósito do covid-19: caiu um meteoro rasante em cima do capitalismo neoliberal desmantelando o seu ideário. Ele ficou gravemente ferido– soprou-nos ao ouvido o óbvio

e nós, não coramos de vergonha nem ficamos de coração partido;

passamos mesmo por cima das cores da sombra

 

e pronto! no início da noite fomos ver o filme

da escola para a marginalidade

de manhã levantamo-nos de costas voltadas para os dias

que continuam a ser uma permanente declaração de dor.


quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Realidades doentias


 Quando se começa a adulterar muito uma coisa é sinal que o original corre perigo.

Miguel Esteve Cardoso, Público, 20.08.21

 

Quando vejo por aí – nas redes sociais, pois claro! – pessoas com mais idade a mostrarem-se à varanda fico em pânico; incapaz de reagir.

Só penso em imagens graves e muito intensas de outros tempos e outros espaços. Maquiavélicos e destruidores.

Na dúvida aconselho a leitura de um senhor que sabe do que fala, Richard Zimler e os seus dez espelhos. Mesmo ficando sempre preso às dores de Primo Levi no seu  livro se isto é um homem.

 

PS – aos senhores que fecham lares e matam em vida as pessoas que não sentem nem tocam nos seus entes queridos faço um desafio: os lares-prisão que o professor de Economia da Universidade do Minho publica no semanário Expresso do último sábado dar-vos-á, seguramente, uma resposta. A não ser que queiram continuar cegos, mudos e insensíveis à dor dos dias. Por mim, que sei bem e de muito pero do que falo, só me resta um desejo: a melhor memória dos meus é a da presença; nunca será a da ausência.

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...