sábado, 31 de janeiro de 2015

Nem tudo são rosas

Escreve António Guerreiro (Ípsilon, 15.01.23) que «o poeta russo Mandelstam, que morreu no Gulag, terá dito um dia à sua mulher: “não nos devemos queixar, em nenhum outro lugar se respeita tanto a poesia: até se mata por causa dela”».
Como é tremendo viver, pensar, dizer o que vai na alma; ser diferente.
Só não entendo por que, cada vez mais, se vende menos poesia.

Ou, pensando bem, entendo.

Ideia do lugar II

Não há pior castigo do que estar a cair.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Parece que o Quadrilátero Urbano do Minho será agora o quadrilátero de ouro.
Tomara! De projetos muito interessantes à total descoordenação entre os quatro municípios que compõem o projeto politico que junta as câmaras de Guimarães, Braga, Famalicão e Barcelos, era bom que percebêssemos o que, afinal, mudou.
Distração minha, de certeza!
Mas ouvir Domingos Bragança falar em necessidade de inteligência e a importância da união essencial leva-me aquilo que penso há muito da coisa. Aliás, Ricardo Rio, nem tão pouco o esconde. Mesmo que diga que aquela junção de interesses de quatro municípios “não é uma mera oportunidade de aceder aos fundos comunitários”.

Ah! Famalicão até já só manda vereadores às reuniões. Curiosamente Leonel Rocha não esconde ao que vai: o quadrilátero “tem grande futuro, queiram as autarquias”.
Não tem. Jamais será de ouro.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ideia do lugar

O tempo corre. Graças a ele, em primeiro lugar, somos seres vivos, o que quer dizer: acusados e julgados.
Milan Kundera, A Festa da Insignificância
O presidente de câmara de Guimarães, Domingos Bragança, defende que o objetivo do executivo a que preside é que o concelho de Guimarães “seja referência para se viver a nível europeu”, ou seja, o que Bragança diz com todas as letras é que Guimarães tem que ter e ser “um território sustentável”.
É assim que a capital verde entra por terras de D. Afonso, por exemplo.
Sem medo das palavras e juntando ao “destino preferido”, já não restam dúvidas: Guimarães terá uma capital verde em grande.

Olhar do silêncio II

Diga o mal que quiser dos jornalistas, mas pense no que seria por exemplo o último ano sem jornais. O BES e a PT teriam adorado.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.01.24

Discreto, mas indispensável

Também entre as armas há diferenças, a uma metralhadora ligeira não lhe passa pela cabeça sentir-se ofendida por não competir com um canhão de tiro rápido.
José Saramago, in Alabardas
Quando li, na passada quinta-feira, dia 22, o título do jornal i – “espião apanhado a falar com Sócrates sobre bastidores do PS” – fiquei incrédulo.
Depois de ler com toda a atenção o texto que Sílvia Caneco assina fiquei mais calminho, mas ciente de que há coisas na política que – quando se tornam públicas e é tão raro, tão raro! – afastam os cidadãos dos partidos.

Não irei, agora e aqui, por esse caminho de afastamento dos cidadãos, mas registo o essencial da notícia: “Almeida Ribeiro, quadro do SIS e ex-estratego de Sócrates, foi chamado a conselheiro por Seguro. Por telefone fazia briefings ao ex-governante sobre o que se passava no partido”.
Não tenho vontade de fazer qualquer comentário. Mas continuo a admirar muito António José Seguro.

Ave em concurso

As moedas pequenas são fáceis e talvez não matem. O perigo são as moedas grandes.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
A câmara e Vizela, pela 12º vez, tem em curso o seu concurso literário. Este ano para “descobrir Vizela”.
Concurso que já foi, o ano passado, por exemplo, sobre o rio Vizela.
Gostaria muito de ver um conto sobre o rio Ave em concurso em Guimarães. Acredito que haveria textos extraordinários; muito para além do imediatismo que vai fazendo as noticias mais estranhas sobre uma realidade bela.

Sei lá! Do tipo, o rio Avenão é, há pelo menos dezasseis anos, o rio mais poluído da Europa.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Enredo escasso

Dizem-me que sim e cumprimentam como se tivessem braços, vejo-me a cumprimentar centenas de pessoas sem braços e como abanamos as duas mãos.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto:euacontacto.com
Para pensar:
Metade dos desempregados sem qualquer subsídio.
Título do Jornal de Noticias, 15.01.24
Eis, pois, mais um dado para a diminuição do desemprego em Portugal.
Muito bem!

O sono, a ilusão e o apagar de todos os amanhãs continuam.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Jantar com aperitivo

Repugno a vida real como uma condenação; repugno o sonho como uma libertação ignóbil.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto:article.wn.com
1. O presidente de junta de Caldelas concede uma entrevista ao jornal taipense Reflexo (janeiro 2015) que, podendo parecer, de repente, o contrário, não traz nenhuma novidade. A ninguém. Nem a ele que já não sabe bem onde está a porta do futuro. É o mesmo estilo caceteiro de sempre – ainda que tente criar a ilusão, agora que em Santa Clara há outros protagonistas, de que tudo já é diferente; a seu bel-prazer. Repare-se nesta abertura de cordeiro de Constantino Veiga: “após a entrada do novo presidente da câmara municipal de Guimarães havia uma perspetiva mais otimista, pois o anterior não me entendia”. E o presidente de junta da vila termal tenta adoçar a pílula que pretende oferecer a Domingos Bragança: “é justo que se diga que logo que assumiu a presidência, houve da parte dele uma intenção, que julgo continuará a existir, de investir nas Taipas”. Para, mais à frente, fazer de conta que tudo é (será) diferente: “confio muito no atual presidente, o tempo de remar cada um para o seu lado já acabou”.

2. E já com a conversa em velocidade de cruzeiro, Constantino tenta atirar umas casquitas, das que fazem escorregar qualquer cidadão distraído: “não estando mandatado para representar a ADIT (Associação Para o Desenvolvimento Integrado das Taipas), penso que o presidente da câmara de Guimarães vai ter olhos também para esta instituição, que está a ter um ato de coragem”. Ou de raspão: “o que estão a fazer nas termas é a morte certa dessas pequenas clínicas de fisioterapia. Não percebo como é que aquilo que lá está vai dar rendimento, como o caso dos sabonetes”. Ou ainda: “a prenda que pedia para o novo ano é que os taipense se unissem e deixassem de pensar no partido, nas questões partidárias e se juntassem aos projetos da junta para podermos levar isto por diante”. Se eu fosse taipense oferecia um jantar a que for capaz de entender o que vai na cabeça do autarca da vila termal.

3. Nesta entrevista ao jornal dirigido por Alfredo Oliveira fica bem claro que Constantino Veiga faz de conta que aprendeu a ser um autarca que escuta: “o papel que a oposição desempenha está mais maduro. Nós também sabemos como isto funciona: hoje é uma coisa, amanhã é outra”. Pois é! Se o mandato em curso não fosse o último…

4. Ah! para quem quer uma Caldelas em paz e uma vila de Caldas das Taipas a olhar no futuro esta é uma entrevista para esquecer. Já. Antes que o jantar seja servido.

Criar a partir do caos


Leitores gostavam da newsletter matinal do David Dinis do Observador porque era novidade mas agora já denunciam como spam todas as newsletters matinais.
O Inimigo Público, 15.01.23

Nota de rodapé: se um anjo não tem sexo, não nasceu de um ventre de mulher. (Milan Kundera, in A Festa da Insignificância)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Guerra sem fim

Contigo não temos nada. Não és ninguém; repugno o sonho como uma libertação ignóbil.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: roteiro.caldasdastaipas.com
Haverá alguém, seja em Caldas das Taipas, seja no concelho de Guimarães que duvide da forma como o atual presidente de junta de Caldelas gosta do anterior presidente de câmara de Guimarães?
Por mim, aconselho – vivamente – a leitura da entrevista que Constantino Veiga concedeu à última edição do jornal Reflexo. Vale a pena gastar um pouco de pestanas; enganar umas memórias adormecidas.
Palavra!
Ah! Se alguém tiver dúvidas, Magalhães continua a tirar o sono ao presidente de junta de Caldas das Taipas. Não?
Olhe-se nesta rispidez: “António Magalhães foi, de facto, um homem que não quis saber de nada do que se passava na vila das Taipas”.
E nesta direta: “esse presidente que já foi embora devia prestar contas aos habitantes das Taipas”. Como gostava de saber onde é o pelourinho nas Taipas!
Ou ainda este jeito estranho de fazer de contas que há uns e há outros: “é fácil perceber que quem não quis fazer nada aqui foi o Partido Socialista das Taipas e o ex-presidente da câmara”.

Enquanto lia a entrevista – não, não tenho o dom da ubiquidade – ia rindo com a espantosa maravilha que é o Livro do Desassossego.

Olhar do silêncio

Se à direita cada vez mais se ouvem teses muito próximas do fascismo tradicional, à esquerda cada vez mais se desenterram os populismos na moda em certos países da América Latina.
Henrique Monteiro, Expresso, 15.01.24

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Olhar (local) do silêncio

foto: skyscrapercity.com
A vila [de Caldas das Taipas] perde porque tem “fariseus” que andam, pura e simplesmente, a defender interesses partidários. As pessoas deviam estar a assumir a representação das populações e não estão.
Constantino Veiga, Reflexo, janeiro 2015

Trégua nas trincheiras

Até ao final do seu mandato Constantino Veiga tem de, podemos dizer, voltar a marcar a agenda.
Alfredo Oliveira, editorial, Reflexo, janeiro 2015

Com papas e bolos se enganam os tolos?

A insignificância é a essência da existência. Está connosco sempre e em toda a parte. Está presente mesmo onde ninguém a quer ver.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância


Diz que é uma espécie de aumento, escreve Sónia M. Lourenço, que acrescenta (Expresso/Economia, 15.01.24): Função pública e pensionistas começaram este mês a receber salários com menos cortes.

E pronto! É bem verdade que começou a campanha eleitoral.

domingo, 25 de janeiro de 2015

poder do risco

ui! os carros
lá fora
a morte suave. nunca

mais acaba. o riso
o ruído da noite. um bispo!

onde estava o tabuleiro?

quero dormir em paz. merda
de ruído!

hoje morri. é tanto o ruído lá de cima!
muita agitação. esta noite
é violenta. ui! os carros
lá fora – morte suave. os carros
lá fora

sábado, 24 de janeiro de 2015

Moda centralista

O chefe resmunga algo, o magro repetiu-o com eco obediente.
José Saramago, in Alabardas
Ao que relata a imprensa local falta (tem faltado) a vacina BCG por terras afonsinas.
Coisa banal nos tempos que correm neste Portugal manietado por interesses que estão para além da normal compreensão dos dias.
Embora a vacinação contra a tuberculose faça parte do plano nacional de vacinação não parece que alguém queira saber disso para nada. Em Guimarães ou num outro qualquer recanto deste país.

Coisa banal para um governo que se borrifa para as pessoas – e principalmente para as suas dores diárias. 

Fogo nas coisas II

foto: publico.pt
Várias pessoas morreram nas urgências enquanto esperavam tratamento. Há médicos e enfermeiros exaustos e desesperados por não conseguirem salvar todos os que pedem ajuda. Oficialmente morreram mais 1.900 portugueses em duas semanas do que é habitual. E perante isto os responsáveis governamentais respondem que não há nenhum caos. São apenas “alarmismos e falsidades” das noticias.
João Adelino Faria, Dinheiro Vivo, 15.01.24

Fogo nas coisas

Ninguém tem o direito de criar um homem a partir de uma marionete.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância

Bem sei que o mal não é só de Guimarães, mas ler, quase diariamente, que os utentes do hospital que existem terras de D. Afonso não param de se queixar das imensas e tremendas demoras para serem atendidas, não abona nada em favor de quem vem a terreiro, com uma vaidade enganadora de fazer inveja aos melhores vendedores de promessas vãs, falar em lucros no Centro Hospitalar do Alto Ave. Fazendo-o até em pompas e circunstâncias que humilham as dores de quem tem que entrar e permanecer em dores agrestes e silêncios matadores naquele edifício enorme.

Ou será que as pessoas são meros peões (ou números) nos jogos de gestão tão ao jeito de quem vai matando Portugal?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Tempo que perdemos

Um metro quadrado de matéria compacta pode ser traduzido (isto é: transformado) em dezenas de metros quadrados de matéria mole. Amolecer é o ato de fazer uma matéria ocupar mais espaço.
Gonçalo M. Tavares, Noticias Magazine, 14.12.28
foto: digitaldevizela.com
Domingos Bragança não para no seu desígnio de lutar pela reclassificação do Centro Hospitalar do Alto Ave, no grupo II, ou seja, de por em causa o que diz – continua a dizer, senhores do PSD, CDS e MPT de Guimarães; não venham com tretas para as sessões da assembleia municipal de Guimarães, nem com constantes lançamentos de areia para os olhos dos vimaranenses! – a Portaria 82/2014.

É público o que o presidente da autarquia vimaranense vem fazendo junto de Paulo Macedo. Infelizmente nada se sabe do que o ministro da Saúde tem para dizer aos vimaranenses.

E os senhores do Juntos por Guimarães terão alguma coisa para dizer aos vimaranenses ou já esqueceram o contrato que (dizem) ter celebrado com eles?

Em estado de alerta

foto: dn.pt
Jorge Coelho, um dos socialistas mais próximos de António Guterres, aconselha
o PS a gerir as presidenciais com “toda a calma,
pode ler-se no jornal i do último fim-de-semana.

Rumor de traição

foto:rr.sapo.pt
Procuramos a porta nas paredes em que sabemos que não há portas.
António Lobo Antunes, in Ípsilon, 14.11.07

João Proença, antigo líder da UGT, concedeu uma entrevista aos jornalistas da TSF Hugo Nentel e Vítor Rodrigues Oliveira que foi publicada no Dinheiro Vivo do último sábado. É uma entrevista que importa ler e reler. Porque é uma entrevista estranha. Cheia de oportunismos; quer nas palavras de circunstância, quer na forma como o senhor se põe em bicos de pé para fazer de conta que pode estar onde não está.
É uma entrevista de alguém que depois de não ter sido capaz de ser o que queria ser noutras circunstâncias, se atirou para a frente num esforço tremendo de apagamento de um passado recente e faz de conta que nunca foi o que tentou ser.
Não deixam de ser curiosas estas suas duas afirmações:
“Será importante que comecem a ser discutidas medidas concretas e que o PS afirme claramente as suas medidas em alternativa às do governo”.
“Eu espero, sobretudo, que em breve [António Costa] possa apresentar ideias no quadro da comunicação a que se comprometeu”.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Destino preferido

Claro que a uniformidade reina por toda a parte. Mas neste parque, ela dispõe de maior escolha de uniformes. Pode assim manter a ilusão da tua individualidade.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
Imagem: iecblogs.org
Há um conjunto de municípios portugueses, entre os quais está o vimaranense, que puseram os pés ao caminho e deram início à caminhada que nos levará a um futuro mais quente.
Não, não é ironia! Finalmente, a preocupação com o aquecimento global chegou ao poder local português; afinal de contas quem mais tem a fazer para evitar (será que ainda vamos a tempo?) ou diminuir os riscos da perda total da qualidade do nosso futuro coletivo.
Gosto muito de ver Guimarães incluído neste grupo de municípios. E não é só por estar a pensar na capital verde europeia que, estou certo, acontecerá em Guimarães, no tempo que tem que ser, mas porque há tanto trabalho a fazer pelas autarquias na salvaguarda do planeta e da qualidade de vidas das pessoas.
Sinceramente, acredito que Amadeu Portilha mostrará um excelente trabalho nesta área. Até porque não duvido que o vice-presidente da autarquia vimaranense e vereador com responsabilidades na área do Ambiente sabe muito bem que o exagero da libertação de CO2 é um dos contributos fundamentais no aquecimento global.

Inimigos da tolerância

Quero ter a raça humana toda contra mim. É uma alegria que me consolará de tudo.
Baudelaire


foto: geledes.org.br
Inserido na edição do passado dia 15 o jornal Público, com o título Charlie Hebdo: uma reflexão difícil, publica um texto de Boaventura Sousa Santos que importa, desde logo, reter para pensarmos com toda a calma e ponderação no que por aí vai. E pode vir.

Do extraordinário texto retenho duas ideias.
A primeira – “é sabido que a extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeito a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas” – não deixa dúvidas sobre a forma como o mundo está cada vez mais dividido sobre o futuro e sobre a ideia de quem domina (ou, dizem alguns, deve dominar) quem.
Depois, a segunda, vinca de forma clara como «uns são melhores que os outros» e, por isso têm que dominar. Escreve o sociólogo: “a resposta francesa ao ataque mostra que a normalidade constitucional democrática está suspensa e que um estado de sítio não declarado está em vigor, que os criminosos deste tipo, em vez de presos e julgados, devem ser abatidos”.

Mas não é só em França, agora que as coisas em mudança são mais nítidas, não que tudo está em mudança. Também em Inglaterra se abriram muito as portas para o exagero: “se em Inglaterra um manifestante disser que David Cameron tem sangue nas mãos, pode ser preso”. E termina assim a sua ideia o sociólogo: “em França, as mulheres islâmicas não podem usar o hijab”. Ou seja, há muito que Inglaterra e França vão fazendo de conta que respeitam a liberdade de alguns e principalmente a liberdade de expressão.
foto: blogdaboitempo.com.br
O pior é que nenhum estado europeu (mas não só, diga-se) está preocupado com o essencial: “a crise social causada pela erosão da proteção social e pelo aumento do desemprego, sobretudo entre jovens, não será lenha para o fogo do radicalismo por parte dos jovens que, além do desemprego, sofrem a discriminação étnico-religiosa”?, vinca Boaventura Sousa Santos.
Mas a isso, nós cidadãos acomodados e sempre prontos a abanar com a cabeça, dizemos nada. Talvez adoremos o poeta francês tenha razão e desejemos ter a raça humana toda contra nós.
Por isso, o editorial do semanário Expresso (15.01.17) – “a ressaca dos acontecimentos de Paris obriga-nos a ter cuidado sobre novas legislações securitárias” – não deixa (não devia deixar) dúvidas. A ninguém.

Nota final: é fundamental sublinhar as palavras de Elísio Summavielle (i, 15.01.17): “por Deus há seres humanos que matam seres humanos, e por Deus aconteceu a barbárie de Paris. (…) Sou sempre da liberdade, e gostaria muito de crer que Deus também”.

Olhar do silêncio III

foto: publico.pt
A dimensão de que goza a liberdade de expressão numa sociedade é uma excelente forma de aferirmos da sua democraticidade, pelo que a definição dos seus limites deve ter sempre em conta que a proibição ou a repressão de qualquer opinião, por mais aberrante que seja, é sempre um prejuízo para a sociedade, ao impedir a livre circulação de ideias.
Francisco Teixeira da Mota, Público, 15.01.17

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Olhar (local) do silêncio

foto: dn.pt
[mulheres do norte] Somos mulheres com muita força, com muita vontade, com feitios específicos. É um orgulho ter nascido em Guimarães.
Sofia Escobar, noticias TV, 15.01.17

Olhar do silêncio II

foto: leituras.eu
Eis senão quando a Oxford University Press, uma das grandes editoras inglesas, decide retirar quaisquer referências a porcos e salsichas dos seus livros escolares para não ofender os muçulmanos. Eu acho bem. Mas então tirem as lagostas e qualquer marisco do filme “Rei Nemo”, da Disney, para não ofender os judeus.
Henrique Monteiro, Expresso, 15.01.17

Olhar do silêncio

foto: ionline.pt
O problema com o Marcelo é que gostaria que lhe pedissem muito para ser candidato presidencial. O que o Marcelo queria era que Passos Coelho lhe pedisse por favor para avançar em nome do PSD.
Ana Sá Lopes, i, 15.01.17

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Paisagem desconhecida

Ambos olham o intruso com desconfiança.
José Saramago, in Alabardas
Pelos números do Instituto Nacional de Estatística, mormente os anuários estatísticos regionais, Guimarães está mal colocado ao nível do salário médio mensal.
Bem sei que os últimos números são de 2012, mas ver que os vimaranenses têm salários (médio) de 823,45, euros atrás de Braga, Famalicão e, espasme-se!, Vieira do Minho, Amares e Terras de Bouro, não me agrada mesmo nada.
E o pior – sem bairrismos de qualquer natureza – é perceber que a diferença para Braga é de 159 euros e para Famalicão de 119.
Assim, e sei bem que esta realidade está muito para além dos poderes públicos (enquanto empregadores), não se augura grande futuro aos grandes movimentos que têm sido levados a cabo para fixação de emprego por terras de D. Afonso.

O problema é dos vivos

Todos os devaneios acabam um dia. É tão inesperado quanto inevitável.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
O semanário Expresso não para de surpreender. Nem espera pela novidade dos outros; ele é a novidade.
E então a última edição! Excelente!
Consegue o feito (notável) de – editando-se a 1 de Janeiro (ainda não havia acordo ortográfico) de 1999 – ser capaz de antecipar o futuro; retratando os dias violentos que fazem baixar o ministro da solidariedade, emprego e segurança social.
Não é verdade?
Reparemos então no que Pedro Lima escreve nos Baixos (Economia) sobre o ministro da mota: “Pedro Mota Soares, não convenceu com o programa de estágios para maiores de 30 anos em empresas como forma de criar emprego, recebendo críticas de patrões e sindicatos; foi alvo de contestação devido à intenção de colocar cerca de 700 trabalhadores no regime de mobilidade especial; e ainda viu, uma vez mais, o Tribunal de Contas dizer que há falta de transparência nas contas da Segurança Social”.
Ah!, escreve João Garcia (Expresso, 15.01.17) que «no dia em que o Governo votou isolado, contra o parecer do Conselho Económico Social (que critica a politica económica seguida por travar o desenvolvimento), o provedor de Justiça não reconheceu haver “fundamento bastante” para a dispensa de 697 funcionários do Instituto da Segurança Social”».

O pior é que, seguindo à sua maneira as indicações do ministro, não falta por aí quem lhe queira mostrar vassalagem tentando fazer ainda pior. Repare-se em um ou outro despacho saído de Braga para Vieira do Minho. Distrito onde quem contesta, ou melhor, quem defende os seus direitos, é arrumado para os cantos. Muito distantes.
Ah! E não há quem, estando a cheirar o poder, vá dizendo que a luta em defesa da dignidade no emprego no Instituto de Segurança Social é só feita por uns tipos mais à esquerda?
Que bom que é para a alma poder ir lendo Milan Kundera!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Modéstia de um olhar

Os problemas havidos no Orçamento Participativo no município de Guimarães vieram revelar que as obras propostas no orçamento participativo não emergem da vontade participativa da maioria dos cidadãos mas de alguns empenhos em ver a concretização de uma obra que entendem ser boa para eles.
Manuel Ribeiro, Reflexo, janeiro de 2015

Inventar mudando

Novas tabelas de IRS só são válidas até às 19 horas do dia das eleições legislativas.
O Inimigo Público, 15.01.16
Escreve Nicolau Santos (Expresso/Economia,15.01.17) que “os mercados estão agora tranquilos com a capacidade de Portugal pagar os seus compromissos”, acrescentando uma justificação – quase escatológica – para tal realidade que, infelizmente, passa despercebida à maioria de nós: “valha-nos São Draghi para explicar isto”.

Não pretendendo (era o que faltava!) brincar com coisas sérias, como são os bolsos vazios dos portugueses e a estapafúrdia mania de que uns pretensos donos da verdade têm que que ser os desgraçados dos cidadãos (sem dinheiro e sem direitos) a pagar todos os males que bancos, banqueiros e gestores públicos vão deixando por resolver, até parece que a realidade apontada por Nicolau Santos não faz sentido. Faz!, e de que maneira!
Se não fossem as medidas que estão a ser tomadas, a partir de Bruxelas, e mais concretamente do banco central que comanda os destinos europeus, ninguém duvida de que o nosso destino era o estampanço contra o muro mais próximo ou a queda na rabina que surge a seguir aos muros que os tais donos do mundo vão criando.

Apesar deste aparente milagre de Draghi, e mesmo consciente do tom que o Inimigo Público utiliza, sou dos que acredita que, logo a seguir às próximas eleições legislativas, quer vença o senhor António Costa, quer continue o atual primeiro-ministro, tudo voltará a ser como nos dias violentos que matam cada vez mais pessoas sem recursos.
Não?
Por mim nem me passa pela cabeça fazer a experiência de verificar se é verdade.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Sementes de choque

O sentir humano é uma espécie de caleidoscópio instável.
José Saramago, in Alabardas
1. Eu sei; sei muto bem que daqui a pouco – quando as tábuas comprimirem o meu corpo antes do calor da cremação – todos; todos mesmo, sem exceção de qualquer natureza, vão esquecer a minha existência. Rápida e indiscretamente apagarão a minha entidade. Nem que para isso tenham que recorrer aos vampiros que adoram desfazer proximidades, amizades e harmonias.
Não falta muito. Sei isso muito bem! E sei também que brevemente – quando já não estivermos lado a lado – as tábuas frias, caindo sobre mim, apagar-me-ão de vez. As cinzas farão o resto.
O resto? Ilusões quentes que se desfazem quando o sol promete o infinito. Palavras de ocasião, estilo campanha porta a porta de políticos novatos ou outdoor sem significado ou com mensagens pesadas e imemoráveis.
É triste? É grave? É terrível?
Nada disso! Desde quando é que o homem político foi um homem de sentimentos?
Adeus!

Conto o tempo que me falta para a tua idade que tinhas quando te perdi. Faço contas às idades que os meus filhos terão. Trento rejeitar esses pensamentos. Não quero, esse tempo é demasiado cedo para morrer, mas, como também sabes, importa pouco aquilo que queremos.
José Luís Peixoto, Visão, 14.10.23

2. Tu que sempre estás ao meu lado sabes que vamos continuar por aí, pois vamos?
Tu que sabes como há vampiros e uns parvos que nos dizem que a vida é já ali! E sabes (sabemos) como enganam.
Nós sabemos que amanhã vamos abraçar-nos. Longe, bem longe do barulho que empurra os corpos para as tábuas frias.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Espera-se mesmo que una

foto: acbraga.pt
Nasceu o CEDRAC, ou seja, o conselho empresarial das regiões do Ave e do Cávado.
Isso é bom.
É bom, independentemente de a sede desta instituição ser em Braga.
É bom porque permite harmonizar ações e diminuir esforços e custos.
E é bom porque prova que, quando se quer, é possível dar as mãos e seguir unido por objetivos e ideias comuns.
Tem, infelizmente!, o problema de outras associações: se não fossem alguns fundos que Bruxelas tem disponíveis, tudo e todos continuaria(m) de costas voltadas.

Pessoalmente espero que o CEDRAC queira mesmo “o desenvolvimento homogéneo e sustentado, o “estudo, defesa e promoção das empresas e instituições sediadas”, e a defesa “dos interesses socioeconómicos da região dos vales do Ave e Cávado”.

Que motor de desenvolvimento!

A Universidade do Minho – com instalações em Gualtar (Braga), Azurém Couros e Avepatk (Guimarães) – conta com mais de 50 edifícios. Todos de qualidade, diga-se-
Ah! A UM é “a instituição com maior impacto relativamente ao emprego nas cidades de Guimarães e Braga”.
E, fala a realidade dos números, no ano de 2013 a Universidade do Minho “potenciou” a criação de 4.629 postos de trabalho.
E ainda haverá quem tenha coragem de por em causa a ligação entre autarquias e universidade?

Ou será que está apenas em pânico com quem anda à procura dos ovos para “esta omeleta”?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Medo da união?

foto: portocanal.sapo.pt
As universidades do Porto, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro oficializaram, hoje, a constituição do primeiro consórcio de instituições de ensino superior, escreve Samuel Silva no jornal Público de sexta-feira passada.
E acrescenta o jornalista que “esta iniciativa pretende também demonstrar às empresas e instituições que este entendimento é possível”, ou seja, pelo teor da notícia fica claro que todos podem dar as mãos numa união frutífera para o futuro da região que luta desesperadamente contra o centralismo lisboeta.
Na mesma peça, Samuel Silva acrescenta que “o exemplo do norte deverá ser seguido, em breve, pelas três universidades do centro do país”. Assim esperamos.
Estou certo que os portugueses agradecerão.

Nota de rodapé:
Passos compromete-se pouco em parceria com universidades do norte.
Título de Jornal de Noticias de sábado
Num texto de Eduardo Pinto ficamos a saber que o primeiro-ministro de Portugal elogia a iniciativa, mas quer saber “que ovos tem para esta omeleta”.
Ui! Que primeiro-ministro centralista!

Há novidade. Haverá reações

Segundo se pode ler na edição do último dia 7 do diário bracarense Correio do Minho, “Guimarães, com menos 2.193 desempregados (-16,7%) no terceiro trimestre do ano passado, foi o segundo concelho do norte de Portugal com maior descida do número de inscritos nos centros de emprego, só ultrapassado por Vila Nova de Gaia.
É uma boa notícia. Ponto final. Mas uma realidade que terá imensa leituras: desde a emigração aos contratos de nove meses de trabalho especializado e temporário.
Há, no entanto, um aspeto importante: há novidades neste setor em Guimarães.
Espero para ver na próxima assembleia municipal de Guimarães. Aposto que o argumentário de uns e de outros vão andar pelas palavras circunstanciais do costume.

E o povo sempre gosta de saber quem são os pais das crianças.

Tudo muda

A Plataforma das Artes e da Criatividade – Black Box, no Centro Cultural de Vila Flor, é palco do concerto de Quest, um projeto que conta com Luís Fernandes e Joana Gama.

Calma!
Não fui eu que me enganei.
É apenas a transcrição (fiel) de uma publicação de índole promocional (isto é, de uma marca francesa a atuar no mercado português *).
Como se copiam coisas; sem perceber muito bem o quê!

* a marca em causa não precisa da minha publicidade.

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...