Todos os devaneios acabam um dia. É tão inesperado quanto inevitável.
Milan Kundera, in A Festa da Insignificância
O semanário Expresso não para de surpreender. Nem espera pela novidade dos outros; ele é a novidade.
E então a última edição! Excelente!
Consegue o feito (notável) de – editando-se a 1 de Janeiro (ainda não havia acordo ortográfico) de 1999 – ser capaz de antecipar o futuro; retratando os dias violentos que fazem baixar o ministro da solidariedade, emprego e segurança social.
Não é verdade?
Reparemos então no que Pedro Lima escreve nos Baixos (Economia) sobre o ministro da mota: “Pedro Mota Soares, não convenceu com o programa de estágios para maiores de 30 anos em empresas como forma de criar emprego, recebendo críticas de patrões e sindicatos; foi alvo de contestação devido à intenção de colocar cerca de 700 trabalhadores no regime de mobilidade especial; e ainda viu, uma vez mais, o Tribunal de Contas dizer que há falta de transparência nas contas da Segurança Social”.
Ah!, escreve João Garcia (Expresso, 15.01.17) que «no dia em que o Governo votou isolado, contra o parecer do Conselho Económico Social (que critica a politica económica seguida por travar o desenvolvimento), o provedor de Justiça não reconheceu haver “fundamento bastante” para a dispensa de 697 funcionários do Instituto da Segurança Social”».
O pior é que, seguindo à sua maneira as indicações do ministro, não falta por aí quem lhe queira mostrar vassalagem tentando fazer ainda pior. Repare-se em um ou outro despacho saído de Braga para Vieira do Minho. Distrito onde quem contesta, ou melhor, quem defende os seus direitos, é arrumado para os cantos. Muito distantes.
Ah! E não há quem, estando a cheirar o poder, vá dizendo que a luta em defesa da dignidade no emprego no Instituto de Segurança Social é só feita por uns tipos mais à esquerda?
Que bom que é para a alma poder ir lendo Milan Kundera!