Há
anos que a «rua» está a aburguesar-se. As urnas também.
Serge
Halimi, le Monde diplomatique, junho de
2015
Eu sei, sempre soube, que a política é uma merda, quando
se veste de obreiros de merda.
Eu sei,
aprendi ainda muito novo, que a arte da política é nobre; muito nobre, mas só
ao alcance de pessoas sérias, sadias.
Eu sei, a
vida ensinou-me, que na política há, como noutros sítios ditos sacrossantos,
piranhas terríveis que destroem tudo onde põem o dente.
Eu sei, hoje
os sonhos já não são ilusões, que na vida politica (sendo certo que há gente
muito séria), há muito filho-da-mãe que nunca soube o que é a vida.
Hoje, não
tenho dúvidas, a arte da politica é só para quem (mesmo seguindo cartilhas que
– dizem – estão perdidas no tempo) pega nos desejos e sonhos de mudança para fazer
um mundo novo: é difícil, cada vez mais, mas é possível.
Agora
mesmo, hoje e amanhã, estarei com estes. Por uma razão prática; muito simples:
há políticos oportunistas que, saindo do chinelo de onde nunca tiraram o pé,
são uma treta!
E não é
que aqui mesmo, em Guimarães, nesta terra que deu uma pátria a um país que
agoniza e se deixa amordaçar com tenazes admitidas pelos fracos, eles levam
ainda fraldas?
Ah! Grande
Eça de Queirós. Há uns merdas feitos candidatos ao vazio que vão matando o
mundo que deveria ser de Políticos. Homens com horizontes.