domingo, 26 de julho de 2020

Afinal Guimarães (ainda) tem um peso catita junto do senhor Costa


Gente sabe que no aparelho do PS houve quem aplaudisse [o Plano de retoma de António Costa e Silva] – e muito — oss retoques que foram dados nos ministérios. No segundo estendeu o elogio a Guimarães e Bragança, duas autarquias socialistas. Com as autárquicas à porta, não podia haver elogio mais... inovador.

Gente, Expresso, 20.07.25

sábado, 25 de julho de 2020

Olhar da semana


Porque é que a morte, pelo fogo, de mais de meia centena de animais, num canil de Santo Tirso, comove e mobiliza tanta gente e os milhões de animais mortos diariamente em matadouros não gozam do mesmo benefício da compaixão e da indignação?

António Guerreiro, Ípsilon, 20.07.24

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Atos inquietantes *

A nossa cultura e a nossa história são feitas disto mesmo, de monumentos grandiosos e de momentos sinistros, de brilho e de vergonha.
Francisco Louçã, Expresso (Economia), 20.06.13

Cada vez mais me sinto mais repugnado com as “festas” que a câmara de Guimarães vai fazendo pelo território vimaranense fora. Quem manda uns tipos fardados à moda do antigamente colocaram-se em sentido por detrás dos palcos onde o presidente de câmara do território onde vivo, usa da palavra?
São umas bandeiritas vermelhas triangulares nas mãos de uns supostos militares – não duvido de que o tenham sido – de lanceiros, militares de tempos velhos. Uns tipos sedentos dos militarismos mais ou menos fascistas e sem sentido de tempos que a democracia foi apagando.
Como vimaranense sinto asco quando dou de frente com as imagens que são dadas por quem diz olhar para a coisa pública em terras afonsinas, embandeirado em militarismos.
Até me apetece dizer ao presidente da autarquia vimaranense que não pode brincar com a memória de quem sofreu num passado fascista, mas não o faço. Simplesmente porque não acredito que aceite regressos sem rosto. E, não dê palco aos vaidosos da lança.
Não é por nada, a não ser deixar de pôr em causa a história democrática de um país que, penso, o senhor não quer voltar a ver.

* ou será a adoção confusa de sobressaltos do que é a vida democrática, mesmo que engalada com travos de antanho.

sábado, 18 de julho de 2020

as voltas do outono


caminho em volta ou a grande evasão?

tu dizes: inteligência como virtude – por onde anda o bom senso?

ícaro agita-se; sempre odiei

monólogos desenhados ao fim de tarde!

 

ícaro?

construir algum modelo ilusório

de futuro imediato? ícaro… jamais

poderia ser o medo sob a luz do sol

 

crescer em responsabilidade e no génio da mãe

o ar deste tempo; ar grave e solene. sempre

caminho em volta


sexta-feira, 17 de julho de 2020

À conquista dos buracos

Todos temos poder. O poder coletivo de pressionar escolhas, como sociedade informada e ativa.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 19.02.23

Os políticos, regra geral, são uns grandes atores. Ou melhor, sabem de cor os papeis que os encenadores – ou será assessores? – lhes obrigam a decorar.
Depois, há os assessores que, sendo políticos astutos, se escondem no interior (ou por detrás) da pele de quem dá a cara sob os holofotes quentes das necessidades; corporativas ou de ideologia.

Fica, pois a dúvida: os políticos são, eles mesmos os porta-vozes de interesses ou vontades; encenados e ditados para o palco dos dias?
Por agora, fica uma certeza: diferença entre (alguns) políticos e os (maiores) atores não é uma diferença vital, não – eles sabem que a gata tem um poder e a gravata pode esperar! É uma diferença louca e é clara. Mesmo que a maioria dos políticos seja incapaz de nos expor numa sala de cinema onde o povo, os cidadãos e os intelectuais – de cartola, dizem os políticos! – fruem o futuro.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Carta aberta a um ex-camarada de redação

Consideramos que o jornalismo é um bem público e deve ser acessível a todas as pessoas. Não o vemos como um negócio. Se assim fosse, daria lucro. E não dá.
Pedro Miguel Santos, Fumaça, 20.06.04

Caro José Eduardo Guimarães,
quem privou diariamente na redação de um jornal como nós privamos pode escrever sobre realidades nem sempre visíveis aos olhos dos leitores. Sem medos, tal como era apanágio noutros tempos; nos tempos em que existia jornalismo por terras vimaranenses.

Tiveste entre mãos projetos jornalísticos lindos e bem desenhados, infelizmente deixaste-os perder pela forma como não foste capaz de os gerir, deixando demasiadas marcas negativas no tempo. Mas eras e, pelos vistos, ainda continuas, um convencido de que eras jornalista. Não foste – percebeu-se logo que deixaste de ser correspondente do Público – tu fazes tudo para sobreviver; tu inventas ‘amigos’ para que te paguem as tuas loucuras de ocasião.

Hoje, parece que voltas a fazer de conta que tens – outra vez – um projeto jornalístico. Não tens, Zé; tal como há mais de vinte anos não paras de, vincadamente, provar como há uma certa forma de escrever a que alguns, entre os quais te incluo, fazem questão de chamar jornalismo. E tu não sabes o que é jornalismo!
O jornalismo, às vezes e em alguns sítios, pode parecer que o é; não é – porque o jornalismo não faz fretes ao patrão. Jornalismo não é, nunca foi, destilar palavras encantadas sobre incapacidades pessoais ou necessidades vaidosas. Ou favores direcionados que, dizem, permitem estar na crista da onda.
Jornalismo nunca foi – sei muito bem que em vinte anos tudo mudou no jornalismo e na sociedade; no mundo – exibir umbigos; por mais prominentes que eles possam ser.

Jornalismo, sabes Zé?, é uma ação séria, uma atitude formidavelmente séria!
Jornalismo não é só usar palavras lindas (quase sempre parvas e vazias) com desejos de pedestal.
E, assim, Zé, se para os vimaranenses tu já estavas esquecido – alguns recordar-te-ão com uma máquina fotográfica pelos corredores do poder; ali por Santa Clara , hoje olham-te com pena.

Zé, meu caro ex-camarada de redação, temo que nunca tenhas entendido a importância que os jornais e os jornalistas sempre tiveram e, hoje mais do que nunca, têm nos modelos de sociedade.
Zé, meu caro ex-camarada de redação, a vida na nossa idade, ensina-nos a ser ponderados, moderados e discretos. Às vezes, até fico tentado em tentar perceber certas coisas que vão acontecendo por aí; entre necessidades pessoais, verdade e desejos de afirmação. Mas depressa desisto, convencido de que nunca podemos pagar as nossas contas – tenham elas a dimensão que tiver – com valores que jamais pagamos; porque não os temos.
Termino esta missiva como um desejo muito forte: espero que não queiras, agora, ressuscitar fantasmas do passado. E o passado não te é nada favorável. Pelo menos no que ao jornalismo diz respeito.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Ampliação do sentido

Uma bela rua vimaranense; mesmo ao lado do parque de estacionamento de Camões, na tarde do último domingo. 
Até que o fim chegue!
A consciência planetária do perigo da morte traz consigo uma certa perceção, imediata e concreta da humanidade como comunidade viva.José Gil, Público, 20.03.15

Uma sondagem revelada ontem*, escreve Leonete Botelho no jornal Público (20.06.12) mostra que os cidadãos europeus não querem voltar às cidades entupidas de carros nem aos níveis de pré-pandemia.

Na peça – europeus não querem cidades entupidas de carros, nem a poluição pré-pandemia – a jornalista salienta que uma grande maioria está disposta a fazer mudanças na mobilidade urbana, como abrir espaço público para formas mais limpas de transporte e proibir carros poluentes de entrar nos centros das cidades.

Esta realidade – boa e urgentemente necessária realidade! – fala-nos dos cidadãos.
E como serão as decisões dos políticos que sustentam o futuro da grande fatia do planeta que definha a cada momento? 

* a sondagem decorreu em 21 das maiores cidades de seis países europeus e foi levada a cabo pela Aliança de Saúde Pública e a Federação Europeia de Transportes e Meio Ambiente.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

destruição em forma de governação

foto:
Foto:amazonia.org.br

Registe-se a ironia de a “gripezinha” ter posto o ‘mito’ de máscara. Isso não é de homem, Jair! Então, máscara não era de veado?


Henrique Monteiro, Expresso, 20.07.11


Para Jair Bolsonaro os outros são o diabo; o perigo que persegue os seus passos. Sempre falsos e em falso.
Para o presidente brasileiro os outros, se não forem da sua religiosidade de vida, são o mafarrico à solta.
O pior é que o senhor é mau, mata; deixando morrer pela ausência de apoio às necessidades vitais.
Então aquilo que o presidente do Brasil fez com índios, vetando um projeto que garantia água potável à população indígena – “vulnerável à covid-19 devido ao fraco sistema imunitário e à falta de condições sanitárias” (Público, 20.07.10) é mesmo o inferno.
Só mesmo uma maldade de besta poderia fazer algo assim!

domingo, 12 de julho de 2020

A vida num canudo

A pandemia tornou evidente o quanto precisamos de espaços de respiração e de vida.
Luísa Schmidt, Expresso, 20.05.30

Os tempos, sabemos muito bem; por mais folclore de muitos que começaram a fazer de conta de que, não só “vai ficar tudo bem”, como já está tudo bem, estão tramados. Importa, desde logo trazer estas palavras de António Roma Torres (Ípsilon, 20.06.05) – nestes dias em que a Terra ensaia voltar a mover-se não há como não nos confrontarmos com o nosso próprio pensamento até porque o mais político vírus nos continua a ameaçar nosso nos movimentos gregários.
E porquê? Basta prestar atenção às palavras, sempre sensatas de Tolentino de Mendonça (Rádio Renascença, 20.06.11): não podemos olhar para a pandemia como mais uma mudança que nos aconteceu. Não. É uma mudança de tempo. Nós estamos numa mudança de época.
E nós humanos convencidos de que tudo o que nos rodeia é nosso, sempre foi e só temos que aproveitar, destruindo e matando, estamos prontos a aceitar o devir?
Vamos devagar!
José Gameiro (E, 20.06.20) escreve que ao confinarmos uma grande parte da população, tentamos condicionar o futuro. António Guerreiro (Ípsilon, 20.06.26) diz que submetidos a uma experiência nova, começamos a ver configuração no nosso quotidiano, tanto na vida privada como na vida coletiva.
Os tempos, sabemos muito bem, são tremendos!

Mas continuamos a dormir na forma à espera do fim, não é?

sábado, 11 de julho de 2020

Os vírus da destruição


Nunca imaginei a pandemia a dar cabo da vida, a minha, a vossa, a do planeta.Clara Ferreira Alves, E, 20.05.09

O vírus que atravessa os nossos dias separou os bons dos maus?
Os religiosos dos não religiosos?
Os defensores do ambiente dos destruidores de florestas e da vida sobre a terra?

Sabemos isso quando percebemos que o vírus continuará connosco – mesmo que muitos, por exemplo, teimem em fazer barulhos de motos a qualquer hora da noite. A circular a grandes velocidades – para nos puxar pelas orelhas. Ou obrigar a meter uma máquina respiratória dentro de nós.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

A (nossa) crise voltou *


O que se espera dos governantes, pois são os líderes, é que saibam liderar e que informem as populações.

Alfredo Oliveira, editorial, Reflexo, junho 2020

 

Realidades de que não gosto; não gosto mesmo: entre os anos de 2011 – ano dos últimos censos em Portugal – e 2019 o território vimaranense perdeu 3,63% de população.

Caramba! É um bocado, não é?

As explicações serão muitas; não duvido, mas não entendo que o antigo território vimaranense – ou uma parte significativa do atual município de Vizela tenha aumentado a sua população.

 

Nota de rodapé – a motivação para o crescimento populacional bracarense não me importa. Já a forma como os bracarenses pagam a fatura de um certo exagero, preocupa-me.

 

* Ou nunca terá desaparecido?


quinta-feira, 9 de julho de 2020

À sombra da montanha


O investimento na cultura deve duplicar ou quintuplicar quando a missão e a urgência é salvar o humano.
Mário Lúcio Sousa, escritor, músico e antigo ministro da cultura de Cabo Verde, Público, 20.07.01

Num documento que a Prodata tornou público recentemente são analisados um conjunto de indicadores sobre Guimarães e a sua realidade em diferentes vertentes. De entre esses olhares diferenciados sobre a terra de D. Afonso, há um dado que merece destaque; pelo menos para mim: “o número dos espetáculos culturais registou um aumento considerável”. Vinque-se que no período em análise passou de 104 espetáculos para 372.

Segundo aqueles dados – de 2018 e 2019 – o projeto da Fundação Francisco dos Santos, mostra também realidades de que não gosto. Como por exemplo a diminuição da construção. É pouco animador e permite perceber o custo do arrendamento que por aí anda.

E pronto, o silêncio!; outra vez


 Foto: dinheirovivo.pt
Foto: dinheirovivo.pt
Rui Rio propôs e, claro, os socialistas agradeceram: os debates quinzenais com o primeiro-ministro vão acabar. (…) Há retrocessos que dizem muito.
Editorial, Expresso, 20.07.04

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Olhares na vizinhança


O apontar de um telemóvel tem-se demonstrado o grande defensor dos afro-americanos.
 Luís Pedro Nunes, E, 20.06.06

Porque será que quando estamos a falar ao telemóvel andamos de lado para lado em caminhadas sem sentido; feitos turistas das novas tecnologias?

Nota de rodapé: aos microfones da Rádio Renascença (20.06.11) afirmou Tolentino de Mendonça que o que nos está a acontecer e nos encontrou impreparados é uma metáfora estupenda do que é vida.

terça-feira, 7 de julho de 2020

território desconhecido

e eles de tronco curvado
sobre o telemóvel; numa mesa cheia
pessoas curvadas em espelho subjetivo
sobre o telemóvel. retrato assombroso!

eis o preço da cura desconfinada: dias duvidosos
a hora de saída;

eu sou a noite? serei somente um canto
de sereia com vontade de desfazer realidades
que teimam em viver de coluna curvada
sobre a tecnologia dos dias.

domingo, 5 de julho de 2020

Olhar (ainda) de junho


É também nas grandes crises que se fazem grandes fortunas. Esperemos que esses líderes [governantes] também estejam atentos aos oportunismos sem controlo, escreveu Alfredo Oliveira no seu texto de editorial do jornal Reflexo de junho 2020.

Será por isso que Clara Ferreira Alves (E, 20.06.06) escreveu que o atavismo faz de nós sobreviventes medrosos e clandestinos.


olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...