O
Pantagruel imaginado pelo Teatro Experimental do Porto e pelo Teatro Oficina é
um delírio à mesa (…) para pensarmos sobre o poder e violência.
Samuel
Silva, Ípsilon, 15.09.18
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foto: diogo baptista (publico.pt) |
1. Celebrar dez anos de vida é importante. Olhemos para a
alegria das crianças quando atingem a primeira maioridade! Ficam
extraordinariamente felizes, não é?
E então as
instituições? É sinal de vitalidade!
E se for
um centro cultural? Dez anos é vitalidade; criatividade e certeza de barriga
cheia, exagero meu, não é?
Que
importa ter a barriga cheia se ela só lá tiver pó bafiento?
Pronto; já
chega de introdução.
2. O
espetáculo Pantagruel, que estava pensado para o jardim do Centro
Cultural Vila Flor, mas que o tempo que esteve no início da semana obrigou
a que o espectáculo tivesse que migrar (que palavra!) para os bastidores do
palco do grande auditório, é um espetáculo. Oh! Se é!
Tudo se
passa em 2050, num tempo que, não estando longe, vai ser o que já e e sempre
foi, mesmo que Pantagruel seja da autoria do senhor Rebelais (que viveu de
1494 a 1553).
3. Excelente
adaptação de Rui Pina Coelho que “respeita – tanto o teatro pode respeitar o
excesso pantagruélico – a estrutura narrativa de Rabelais”.
4. As
interpretações de Ivo Alexandre e Marcos Barbosa são, assim, a cereja no cimo
daquele centro; uma bela refeição servida enquanto nos brindavam com
interpretações excelentes. Que mania que vocês têm de trazer o senhor Karl Marx
para ali, tão discretamente, isso é descoberta de (outros) mundos. E que coisa
estranha ouvir o senhor Pedro Passos Coelho a querer fazer-nos comer! Isso não
descoberta de outros mundos; não, é realidade que estrangula. Ver Marcos
Barbosa a distorcer sons melómanos em certos concertos não lembraria ao diabo!
Mas a verdade é que se o responsável pelo Teatro Oficina faz isso e muito mais
numa excelente interpretação.
É
extraordinário; este Pantagruel.