quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Escuridão do passado

Os foragidos acabaram por conhecer o caminho certo das patrulhas e, naturalmente, passaram a evitá-lo.
José Cardoso Pires, in O hóspede de Job
Secretas passam informação a empresas privadas, admite antigo dirigente [dos serviços secretos] escreve em título o jornal Público (15.09.25)
Pronto!
Assim vai Portugal; um país à deriva, com enormes rombos no casco de um navio que devia já estar no mar alto da normalidade democrática.

Pistas para a verdade

Não percebo nada de sucesso. Lamento. De Portugal ainda menos.
Valter Hugo Mãe, E, 15.09.26
foto: cp.pt
A candidatura da CDU no distrito de Braga (re)pegou num assunto fundamental nas comunicações no minho: a ligação em comboio entre as cidades de Guimarães e Braga.
Carla Cruz, cabeça de lista daquela coligação pelo círculo eleitoral de Braga, não tem dúvidas de que “uma ligação direta [entre as duas principais cidades minhotas] permitiria uma articulação maior e necessária”.
Estou completamente de acordo com esta ideia. Só lamento é que se pegue nela (apenas) em tempos eleitorais. E repare-se que escrevi que a CDU (re)pegou na questão!

Há, infelizmente, outros que fazem de conta que sabem de que falam quando ignoram coisas fundamentais no futuro dos minhotos. E, já agora, no futuro do ambiente.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ele não está aqui

Não sei muito bem qual é a vida de um político. Um político vive rodeado de uma corte que serve simultaneamente de barreira contra o real e de filtro da realidade.
Clara Ferreira Alves, E, 15.09.26
Há um texto tremendamente malandreco de Nuno Sá Lourenço no jornal Público de sexta-feira, dia 25.
Como leitor assíduo daquele diário direi apenas que, ou alguém no atual PS (de António Costa) não sabe o que diz ou o jornalista não entende que António José Seguro, na noite em que perdeu para o senhor Costa a liderança do PS se retirou da política.
Essa treta de que quem não estiver não pode, depois vir pedir meças, é isso mesmo: treta.
Sublinho só que o jornalista termina a sua peça escrevendo: “na altura da elaboração das listas, não houve sequer um contato para aferir da disponibilidade de [António José] Seguro”.

Regresso às cinzas

A grandeza da democracia é que se pode conviver com as contradições.
Bernardo Carvalho, Ípsilon, 15.09.25
Ponto prévio: Não conheço pessoalmente António Marques, mas sei muito bem que é um senhor que tudo faz para tirar do rascunho da sebenta a realidade industrial e comercial do minho. Claro que sei que António Marques é presidente da AIM.

1. Os incentivos que o governo está a lançar na economia não servem para a região do minho. São penaltis que saem a 30 metros da baliza, diz o senhor presidente da associação industrial do minho (AIM).
Caramba! Que afirmação! 30 metros da baliza?

2. Senhor presidente da AIM, tem (quase) toda a razão: as empresas minhotas são, de certeza absoluta, “as que têm a maior taxa de cobertura das importações pelas exportações”.

3. Caro senhor António Marques não só tem razão quando diz que “os apoios financeiros vão para o sul e não para as empresas que mais exportam”, como, sim!, o nosso consumo não vai desequilibrar as exportações; “estamos a dar cama, mesa e a roupa lavada”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sem manias de realeza

Ainda não acredito em algumas delas [pessoas] e sinto-me menos sozinho com elas do que com as libelinhas e os caranguejos.
Valter Hugo Mãe, E, 15.09.26
1. A política é, sempre foi ao longo da história dos homens, uma coisa tipo casa de alterne. Na política cabe tudo; até o parvo que insiste em dizer que é um deus; o deus da salvação da Humanidade.
Com o passar dos dias; acordamos dos sonhos e do sono em que nos querem manter e vemos, com cores violentas, que há deuses em todo o lado. O melhor é deixarmo-nos com os novos demónios. São violentos; parvos até. Tiram o sono, mas – porra! – são sinceros; não criam; cenários.

2. É domingo. Hoje não quero subir ao centro da cidade. Não estou cansado; pelo contrário! Mas odeio ser enganado por desejos parvos ou por encenações baratas.

3. Nestas coisas de campanha eleitoral, Guimarães – a cidade que adoro –, pelos vistos, só tem direito a uma arruada. Ai o gajo!

4. Sabes, diz-me um amigo aqui mesmo ao meu lado, qual é uma das vantagens que encontro em viver? Pensar; por mim. E não me deixar iludir com arruadas onde a pressa nem é capaz de mostrar quem vai lá dentro. As bandeiras agitam-se muito e ninguém vê nada.
Sempre gostei de amigos.

Olhar do silêncio

Quero sublinhar que os resultados de Seguro eram mais fruto da crise geral da esquerda democrática (algo que Costa, por muito que faça, não pode ultrapassar) do que da sua falta de jeito.
Henrique Monteiro, Expresso, 15.09.26

Ah! O título da crónica, caramba! é tão atual! Grande Gil Vicente!

domingo, 27 de setembro de 2015

Descoberta do mundo

O Pantagruel imaginado pelo Teatro Experimental do Porto e pelo Teatro Oficina é um delírio à mesa (…) para pensarmos sobre o poder e violência.
Samuel Silva, Ípsilon, 15.09.18
foto: diogo baptista (publico.pt)
1. Celebrar dez anos de vida é importante. Olhemos para a alegria das crianças quando atingem a primeira maioridade! Ficam extraordinariamente felizes, não é?
E então as instituições? É sinal de vitalidade!
E se for um centro cultural? Dez anos é vitalidade; criatividade e certeza de barriga cheia, exagero meu, não é?
Que importa ter a barriga cheia se ela só lá tiver pó bafiento?
Pronto; já chega de introdução.

2. O espetáculo Pantagruel, que estava pensado para o jardim do Centro Cultural Vila Flor, mas que o tempo que esteve no início da semana obrigou a que o espectáculo tivesse que migrar (que palavra!) para os bastidores do palco do grande auditório, é um espetáculo. Oh! Se é!
Tudo se passa em 2050, num tempo que, não estando longe, vai ser o que já e e sempre foi, mesmo que Pantagruel seja da autoria do senhor Rebelais (que viveu de 1494 a 1553).

3. Excelente adaptação de Rui Pina Coelho que “respeita – tanto o teatro pode respeitar o excesso pantagruélico – a estrutura narrativa de Rabelais”.

4. As interpretações de Ivo Alexandre e Marcos Barbosa são, assim, a cereja no cimo daquele centro; uma bela refeição servida enquanto nos brindavam com interpretações excelentes. Que mania que vocês têm de trazer o senhor Karl Marx para ali, tão discretamente, isso é descoberta de (outros) mundos. E que coisa estranha ouvir o senhor Pedro Passos Coelho a querer fazer-nos comer! Isso não descoberta de outros mundos; não, é realidade que estrangula. Ver Marcos Barbosa a distorcer sons melómanos em certos concertos não lembraria ao diabo! Mas a verdade é que se o responsável pelo Teatro Oficina faz isso e muito mais numa excelente interpretação.
É extraordinário; este Pantagruel.

A verdade da verdade

O principal impacto da Capital Europeia da Cultura – parece-me neste momento indiscutível – foi o aumento da notoriedade turística da cidade, tanto junto do público internacional como dos visitantes portugueses.
Samuel Silva, reflexodigital, 15.09.24

sábado, 26 de setembro de 2015

Prelúdio rápido e lúcido

Durante uma marcha às cegas perdem-se quase sempre os sinais que se levantam: uma luz, um gado tresnoitado, cães, principalmente.
José Cardos Pires, in O hóspede de Job
Funciona tão mal a sinalização vertical em Guimarães!
E então nas noites de sexta-feira e de sábado!
São noites para mandar às urtigas os que nos falam em normalidade, urbanismo, respeito pelas pessoas e cidades de referência, não são? Não? E quem nos mostra semanas de mobilidade?
Não, assim, não pode haver cidades verdes!

nota de rodapé: a foto, em cima, foi feita há minutos na rua de Camões; e a policia municipal passava. E viu-me; de telemóvel na mão.

Então está explicada tanta coisa

Sabia que há 12 anos Passos Coelho não fazia a mínima ideia que era obrigatório pagar impostos?
O Inimigo Público, 15.09.25

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Tá ruim!

A liberdade não tem tamanho
Manuel Alves, E, 15.09.12

No âmbito académico, alunos da Universidade do Minho realizaram um estudo com a orientação e supervisão de professores do Departamento de Matemática e Aplicações, do pólo de Azurém – Guimarães. O objectivo do trabalho foi conhecer a intenção de voto, nas eleições legislativas de 2015, no distrito de Braga”.
Deste trabalho da equipa liderada por Arminda Manuela Gonçalves, Paulo Alexandre Pereira e Susana Faria registo a resposta à pergunta “se as eleições legislativas fossem hoje, qual seria o partido que votaria?”.
E a resposta foi:
PAF 34,47%
PS 33,56%
CDU 4,76%
BE 3,85%
Outros 3,40%
Não gosto; nada. Muito embora 16,78% não tenha respondido ou não saiba em quem votar.

Da cidade para o bairro

Desabotoaram a camisa, abandonaram o corpo, e cada qual, cismando em suas coisas, olha as galinhas que rapam em volta do pescoço, à sombra da barriga dos cavalos.
José Cardo Pires, in O hóspede de Job
Na terça-feira, dia 15, o jornal bracarense Correio do Minho dava conta de que “há uma grande predisposição das quatro câmaras [dos municípios] que constituem o Quadrilátero Urbano para trabalhar em conjunto” e que, por isso mesmo, os estatutos do Quadrilátero até já foram revistos como forma de “garantir a continuidade temporal” da coisa. Ups!
Eh pá! “projeto importante”!
Peço desculpa, Patrícia Sousa, mas não acredito. Não, nada tem a ver com a peça jornalística; bem construída, objetiva e clara, mas quem é Ricardo Rio para falar pelos que estão calados; dizendo o que (aparentemente) lhe vai no coração, sem que outros digam o que quer que seja?
E vindo de Ricardo Rio a afirmação de que aquela coisa dividida em quatro ideias para receber dinheiro mais rápido de Bruxelas “deve ser o motor de vários projetos de colaboração nas mais diversas áreas entre municípios”, cheira-me a coisa estranha; a coisa assim a uma coisa à espécie de…
Por mim, cada vez mais incrédulo em artistices feitas promoções politicas, só digo: vale a pena tentar perceber o que pensa o senhor presidente da câmara de Braga no próximo dia 5 de outubro.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Para reserva futura

Confio naqueles que, seja em que situação estiver, me dizem: estou aqui.
Manuel Alves, E, 15.09.12
foto: sol.pt
Sempre a correr. Os dias de Maria de Belém começam cedo, seja no seu gabinete na Assembleia, em comissões ou a trabalhar para várias instituições a que pertence. E enquanto não corre para outros projetos vai aproveitar os momentos da manhã para ler principalmente os jornais estrangeiros, que guarda. “Têm opinião sobre aspetos com pouca reflexão em Portugal”.
Leio o que escreve Carolina Reis na revista E (15.09.19) e olho para a memória. Deixo que ela traga suavemente aos meus dias e me mostre a imagem da mulher – baixinha que é! E tão simpática.
Eu (também) sou dos que concordam com Carolina Reis; ficando à espera do empenho sempre forte de Maria de Belém.

Retrato de uma depressão

A mentira e a denegação são os dois recursos tradicionais do discurso politico.
António Guerreiro, Ípsilon, 15.09.18
1. João Silvestre, na rubrica Altos e Baixos do Expresso (Economia) escreve que António Costa (a descer), ao “cortar 1.000 milhões durante quatro anos em prestações sociais, é demasiado relevante para não ser explicado antes das eleições”. Pois é, mas o senhor não sabe como explicar.

2. Ao ler estas palavras de João Silvestre vêm-me à cabeça este maravilhoso naco de prosa de João Adelino de Faria (Dinheiro Vivo, 15.0919): “Novo e arrojado em comunicação política seria, desta vez, ver um político a assumir os erros e as omissões da sua família partidária”. Pois! E como sossegara, de seguida, todos os compadres, comadresajudantes de campo e transportadores de ilusões?

3. Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 15.09.19) mata, de vez, e espera-se que definitivamente, a falta de classe de Pedro Passos Coelho e António Costa. Olhe-se; mas com toda a atenção, ou seja, olhe-se mesmo para esta afirmação: “diz-se a palavra plafonamento para que não se perceba. Omite-se o buraco de 600 milhões para que não se compreenda, PSD e PS não estão amnésicos. Usam analgésicos. O resto virá depois”.

4. Há quem, sendo o assunto Portugal, se lembre de Eça. É natural, embora injusto para Camilo, prolífico retratista capaz de nos descobrir os dotes mais solapados. Para quando o retrato dos ridículos delfins de agora?, escreve Ana Cristina Leonardo a revista E, 15.09.19. O título – à espera do infante – é fabuloso, cara Ana Cristina Leonardo!

5. Em suma, quer seja o senhor Costa – que , ao “cortar 1.000 milhões durante quatro anos em prestações sociais, é demasiado relevante para não ser explicado antes das eleições” –, quer ser a falta de classe de Pedro e António, é urgente o retrato dos ridículos delfins de agora. Ou não?
Ai Portugal, Portugal!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Vou fechar a loja

A ideia dos publicitários, pois estes passaram a comandar a política, como se os candidatos fossem produtos ou mercadorias à venda, é a técnica de criar imagens sem substância.
Henrique Monteiro, Expresso, 15.09.18
foto: publico.pt
Só quem tem prazer em sofrer – como é mesmo o nome que se dá a esta estúpida estupidez da mania humana? – é que quer que o governo mais matador de sonhos e futuros em Portugal nos últimos 40 anos continue. Eu odeio sofrer!
Só quem teima em querer continuar na cegueira vazia de que não há alternativa ao que os senhores Pedro e Paulo fizeram a mando de Bruxelas (ou fosse lá quem fosse) e da sua fúria de estar à frente dos mandantes é que pode dar via verde à coligação de direita. E isso eu não faço!
Só quem se ilude com a publicidade enganosa é que vai continuar a dormir, deixando-se esmagar. E eu, há muito que me deixei de iludir!
Obrigado Henrique Monteiro pelo excelente “guia de política banal”.

Olhar do silêncio

foto. p3.publico.pt
Catarina Martins volta a mostrar que os partidos são feitos de pessoas e para pessoas e que comunicar não é só abrir a boca.

Sílvia de Oliveira, editorial, Dinheiro Vivo, 15.09.19

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Perfume(s) de futuro

O algoritmo é um predador do sucesso que existe em cada um de nós e vende os nossos dados a quem pagar.
Clara Ferreira Alves, E, 15.09.19
A boa notícia para vincar e, quiçá, estampar no rosto de uns desnaturados incrédulos: a partir de ontem a direção da Associação Académica da Universidade do Minho assegura o “transporte de estudantes da universidade do Minho e os campis de Gualtar e Guimarães”.
Natural!
Estranho mesmo é a existência da dúvida de que não haveria transporte para o campus de Couros que – sejamos justos –também integra os campis da UM.
Portanto, como diria um certo senhor: qual é a dúvida?

Onde está o coração

Um ser embriagado de vida não prevê a morte; ela não existe; ele nega-a em cada um dos seus atos.
Marguerite Yourcenar, in Memórias de Adriano
foto: noticias.uol.com.br
As imagens e relatos dos refugiados têm mesmo chocado o mundo?
E as mortes, naufrágios e desespero, tocam mesmo o coração das pessoas?
Sim, estou a olhar para a dor que trespassa pelo meio das imagens dos desgraçados que tentam a todo o custo entrar na Europa.
Dou a minha resposta. As imagens e relatos provam-nos como somos uns coitados. Mas calma! Estou a falar de humanos, não de dirigentes políticos. Muito menos de políticos fasciszóides que só querem tapar os seus territórios. Porquê? Nem eles sabem.
Arrisco uma pergunta (de conteúdo histórico): quando há umas centenas de anos atrás, uns tipos de Portugal e Espanha entraram a matar América adentro ou destruindo tudo em África como seriam os relatos dessa entrada? E das pessoas que ficavam pelo caminho?

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O grito que mata o silêncio

A solidariedade pode ser fatigante, mesmo quando é sincera.
Marguerite Yourcenar, in Memórias de Adriano
foto: publico.pt
Portugueses enviam 50 toneladas de donativos para refugiados, pode ler-se no jornal Público (15.09.18)
É um texto excelente, mais um, de Ana Cristina Pereira que nos dá conta de que há portugueses extraordinários. Como aqueles que “enviam 50 toneladas de donativos para as pessoas migrantes” – que palavra, esta! – para a fronteira da Croácia com a Síria.
Há gente boa; muito boa.

Elevador da existência

Todos somos mais ou menos manipulados, trocando afetos por comportamentos que nos são mais confortáveis.
José Gameiro, E, 15.09.19
Recuando no tempo: o nacionalismo político-jurídico nasceu racista e é racista. O direito construiu-se na ideia desta pertença à comunidade e como instrumento de gestão das relações dentro da comunidade e entre cominardes, pode ler-se no editorial dos cadernos SOS Racismo, nº5
No nosso tempo: Onde é que está a tão propalada solidariedade europeia? Faltam acordos e vozes como a de [António] Guterres, alto comissário da ONU para os refugiados, escreve Bernardo Ferrão no Sobe, Expresso do último sábado.
De encontro à opinião do professor da universidade católica de Lovaina, na Bélgica, Paul De Grave: os argumentos morais deveriam ser suficientes para manter as nossas fronteiras abertas, pode ler-se no semanário Expresso (Economia) de sábado passado.
Recuando (outra vez) no tempo: A Cartade Lampedusa assume-se como um momento político em que os migrantes, mais do que números de uma sinistra contabilidade macabra da gestão geopolítica da imigração, se tornam sujeitos políticos e atores reais das políticas migratórias numa lógica da rutura com a ideologia mercantilista e utilitarista que os reduz apenas a números (in cadernos SOS Racismo, nº5).
Em suma, a Carta de Lampedusa, que defende a liberdade de circulação, garantindo que estes direitos se manterão na esfera dos direitos e, assim, inalienáveis e inegociáveis; sendo que a fronteira, mais do que a realidade geográfica, é uma construção politica, defende aberta e categoricamente as fronteiras, as simbólicas e as físicas, as sociais e as culturais, as jurídicas e as politicas.
Recunhado (ainda mais) no tempo: Diz Pedro Bacelar de Vasconcelos (JN; 15.09.18) que “contam-se por muitas centenas de milhares os portugueses que atravessaram ilegalmente as fronteiras da Europa, desde o princípio dos anos sessenta até abril de 1974. É por isso com profunda consternação que vemos notícias dos muros que se erguem e das fronteiras que se fecham por essa Europa fora”.
Olhando (outra vez) no nosso tempo: “os refugiados na Grécia querem “seguir para a Europa”, título do Público (15.09.18?
É estranho não é? Não, não é o título, é a realidade que (uma certa) Europa nos vai impondo.
Olhando (mais uma vez) no tempo que corre: “estando o mundo em explosão demográfica porque é que continuamos a dizer que não há crianças? Elas existem, não estão é na Europa”. (Maria João Valente Rosa, E, 15.09.19)

domingo, 20 de setembro de 2015

Talvez a glória saiba a morte

Para mim mudar, passar de uma coisa para outra, é uma morte parcial.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: tvi24.iol.pt
Enquanto subo à cidade – sim, porque agora moro na baixa; quase sou aldeão! – é sempre momento para me questionar, umas vezes, outras, para confirmar ideias que vou alimentando com prazer. Daí que, parecendo um tanto ou quanto a destempo; para alguns ou descabido para outros, não sou capaz de resistir e transcrever (parte) de uma conversa escutada numa destas noites, ali pelo centro histórico – como gostei de ouvir Catarina Martins!
- Eu até votava no BE, mas o BE não tem candidato de Guimarães.
- Não é verdade; o senhor Joaquim Teixeira não é de Guimarães?
- Sei lá quem é esse senhor!
- Até está na assembleia municipal de Guimarães e tudo!
- Está? Continuo a não saber quem é. Como queres que tenha coragem de dar o meu voto a quem nunca foi capaz de se mostrar? É verdade que o cabeça de lista do BE pelo distrito de Braga é uma pessoa capaz de fazer pensar e que sabe fazer mudar o rumo dos acontecimentos. Mas, caramba!, em Guimarães tem que haver gente com mais pinta. A não ser que se trate de alguém com medo de o afirmar publicamente.
A conversa continuou. Mas aquele cantinho, entre a igreja da Oliveira e a capela de S. Nicolau, mostrou-me caminhos e amigos que quase já tinha apagado da memória.
Ah! Talvez que, de Guimarães, surjam outros horizontes.

sábado, 19 de setembro de 2015

Uma questão (fundamental) para Guimarães

Uma cidade pode ser mordida como se fosse um organismo, e quando uma cidade é mordida quem vive lá dentro não pode escapar pois há este acontecimento antigo que é o contágio.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
1. Há quem, tendo chegado ao poder, se considere o suprassumo de tudo o que seja a estapafúrdia estupidez de (re)aprender a olhar alto (ou do alto) – como todos nós fazíamos enquanto adolescentes –, seja a parvoíce de se deixar esmagar (ou ultrapassar) por quem, estando ao seu lado, nos sítios onde se julga dono absoluto da verdade, apunhala no segredo dos gabinetes; seja a explosão sacana de que o chinelo é mau demais para certos convencidos da retórica. Por isso, há quem – é o que se vai ver! –, esbracejando para chegar ao poder, acabe confirmado que, na verdade, perdeu – será que alguma a vez a teve? – a noção de si e do que está para além de si.

2. Felizmente existe – como sempre existiu, claro! – quem nunca se sinta incomodado com palavras ocas e vazias; quem jamais deixe de pensar e agir pela sua cabeça!

3. Esses não têm; nunca tiveram, ilusões. Não têm problemas em dizer, de forma bem vincada: mesmo não prestando, porque não são o que dizem e tentam iludir dizendo ser o que nunca serão; já ninguém se sente incomodado com a parvoíce das vossas palavras. Sabem que o tempo é um tipo extraordinário?

4. Para as duas estipres de mordedores da cidade – como adoro ler e ficar a pensar nas suas palavras, Gonçalo M. Tavares! – seja o que baixou – coitado, parece um moço de recados! –, seja o outro, o que diz que subirá além do chinelo (parece mais um gordito à procura de chocolate!), só se pode dizer (voltando ao ponto 1): estão em horizontes vazios. E isso ou é senilidade ou mania de que se pode dizer (fazer) as asneiras que se quer, ou pronunciar; de ânimo leve (mesmo com novas tecnologias), disparates feitos palavras só porque sim. Vocês são uma treta!

5. Os dias que correm (podendo parecer) não são balofos. Por isso só pode dizer-se: cresçam; caso contrário Guimarães vai estampar-se, não demora nada!

Há quem viva da amargura. E goste

Os beiços negros de sarro começaram a soltar-se, as palavras aclararam-se, mais brandas, mais seguras.
José Cardoso Pires, O Hóspede de Job
Já sei – já escrevi que gosto das Taipas; do seu romantismo, que me leva à minha infância, mas estou a ficar farto de umbigos gordos e vaidosos que por ali pululam, pretendendo fazer dos outros vimaranenses uns bananas!
Sim, sei muito bem que em Santa Clara o bom senso conquistou os vimaranenses!
Sim, também sei que das Taipas há desejos estranhos a destruir as realidades e as normalidades que sempre projetaram Guimarães.
Será que está a chegar a hora de ter que mandar às urtigas o romantismo que me pôs a gostar de Caldelas; das Taipas?

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

“Escavações mais profundas das coisas humanas” *

Se caíres, levanta-te de imediato! A tua palavra é um contrato! A resposta a natureza.
Manuel Alves, E, 15.09.12

Nada como viver o desejo de conquistar um título para uma cidade; uma instituição ou um clube; sei lá, uma empresa. E então para uma cidade! Os seus políticos e a ação concreta (pelo menos a que vai chegando ao público) é capaz de pegar – agarrando com as duas mãos – naquilo que foi rejeitado tantos e tantos anos.
O que (pensando bem e olhando no passado) até é normal; afinal os protagonistas mudam.
Por isso mesmo, merece todo o apoio quem pretende ser referência fora de portas, quer se trate de disputar lideranças tipo capitais, quer seja noutras marcas que diferenciam as cidades.

* Dimitris Dimitriadis

Conflitos adiados

O turismo, se não for regulado, é uma máquina voraz, estúpida e cega.
Guta Moura Guedes, E, 15.08.29
1. Vale a pena ler (como sempre) o Jornal do Ambiente e Energia, mas a edição de setembro tem um sabor especial. Pode ser que se torne mais fácil perceber um eterno problema: os políticos dos partidos daquela coisa a que alguém resolveu apelidar de arco da governação, não saem do chapéu do cacique de sempre; eternamente dominador.

2. Um país coeso e equilibrado, assente num ordenamento do território e numa política ambiental que melhore as condições de vida das populações, inclui-se entre os cinco objetivos entrais definidos pelo PCP para Portugal, pode ler-se naquela publicação mensal especializada.

3. Ah! PS e a coligação de direita estão de acordo em tudo!

Nota de rodapé: está tudo na peça “o ambiente que se segue”, no âmbito das Legislativas 2015; um texto de Joana Filipe.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Centro de uma loucura

Parece ser inevitável que a idade nos traz uma postura mais conservadora e menos dada a aventuras desconhecidas, como se o tempo que nos resta tivesse de ser obrigatoriamente calmo.
José Gameiro, E, 15.09.12
Houve, um destes dias e na cidade de Braga, uma “festa contra estigma das instituições”. Festa contra estigmas das instituições! E para a tal coisa, feita pela, ao que parece, Segurança Social de Portugal – aquela instituição pública que (quase sempre) é injusta para com os que sofrem, mostrou uma encenação, capaz de juntar “cerca de 23 instituições”.
A coisa feita encenação para eleitor ver, diz o responsável máximo da Segurança Social do distrito de Braga, terá servido para desmistificar o trabalho desenvolvido pelas instituições. Ups! Desmistificar o trabalho desenvolvido pelas instituições!
Encenações! Sem classe; forçadas. O pior – e isso sim!, é gravíssimo e tem que morrer já no próximo dia 4 – é que no palco da vida, do dia-a-dia de quem sabe o que é não ter dinheiro para sobreviver, o responsável da Segurança Social em Braga nunca pôs os pés.
Há encenações que não são uma treta; são uma tremenda agonia. Só possível em palcos silenciosamente castrados, onde os atores sofrem, sofrem e os encenadores não sabem o que fazer.

Olhar do silêncio II

foto:esperanca.com.br
O drama para PSD e CDS é que construíram uma campanha assente em quase nada. O passado é importante, ajuda a explicar o presente e as condicionantes do futuro, mas a falta de esperança não é mobilizadora.

Editorial, Público, 15.09.11

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Regresso às cinzas

Portugal nunca foi um país onde os escrúpulos tivessem força de opinião. São mais medo de perder o emprego do que de perder a alma.
Agustina Bessa-Luis, in O mistério da légua da Póvoa
foto: extra.globo.com
1. A bizarra entrevista em direto televisivo a um estafeta atarantado que ia entregar uma piza na casa onde Sócrates está em prisão domiciliária é um episódio vexatório para quem se presta a esse tipo de pseudojornalismo, escreve Martim Silva, na rubrica Do Céu ao Inferno da revista E do passado sábado.
Não podia estar mais de acordo.

2. O suplemento do jornal Público das sextas-feiras, o Imigo Público, é para alguma gente que nunca gostou de pensar, uma coisa sem sentido. Parvoíce! Só diz uma coisa dessas quem é parvo. Reparemos neste (curto, mas belo) pedaço de prosa:
Entregadores de pizas em protesto contra jornalismo de sarjeta
Mais de cinco mil estafetas de pizas ao domicílio foram para a rua em várias cidades do país em protesto contra o jornalismo que explora banalidades.
E é só a brincar, não é?

3. Em suma, eis o resultado na pena de João Adelino Faria (Dinheiro Vivo, 15.09.12): Quem é o entregador de pizas mais famoso de Portugal? Não há dúvida! Quase toda a gente ficou a conhecer o simpático rapaz que foi entregar uma piza à casa onde vive agora José Sócrates. Sem saber onde se ia meter.

4. Ah! O gato fedorento, na segunda-feira mostrou tudo na TVI. Direitinho; com pinta. Vale a pena ver (ou rever).

Morte encaixota

Jamais a tribo dos homens regressa.
Casimiro de Brito, in Subitamente o silêncio
Assisti a uma conversa num destes dias, algures pelo centro histórico; sei lá, talvez um pouco mais abaixo, que me fez duvidar da dignidade humana e pensar que a estupidez de algumas pessoas não é um exagero; é uma estúpida parvoíce que não para de crescer e que nos tira o sono.
É verdade! Havia uma senhora que gritava a altos foles que a câmara de Guimarães não tinha nada que atribuir casas aos refugiados que sofrem, nessa Europa à deriva e que brevemente (alguns deles) estarão em Portugal, para deixar outras pessoas, de cá da terra, na rua.
Ui! Mas o que é isto?!
Felizmente; outra senhora, com voz de trovão, mostrando não ter medos nem peneiras respondeu como tem que ser; clarinha, clarinha: isso é treta! Parvoíce bem ao teu jeito. Quem fala assim é gente que está sempre à espera de apoios públicos para andar por aí sem fazer nada; à deriva e sem nunca trabalhar.

Caro presidente de câmara de Guimarães vá em frente com tudo que possa ajudar quem foge dos horrores da guerra e da estupidez humana. A forma como abraçamos os outros faz-nos grandes. 

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...