Ser político implica
falar com as pessoas, ouvi-las e tentar suprir as suas necessidades.António
Rodrigues, Público, 20.10.23
1.
Faz parte do ciclo normal da atividade politica local incluir no discurso programático a urgência de uma ligação ferroviária entre Guimarães e Braga. Nem sempre este discurso ou necessidade teve a correspondência das diferentes forças partidárias, escreve o antigo vereador eleito pela CDU na câmara
de Guimarães Torcato Ribeiro (reflexodigital, 20.10.29).
Ontem como hoje
o discurso repete-se e não ata nem desata esta sempre adiada ligação.
2.
No final do século XIX e primeiros anos do século XX os projetos de ferrovia –
que ligariam as sempre beligerantes cidades de Guimarães e Braga – eram como os
cogumelos. Hoje os cogumelos têm sabores controlados e mais esmerados e são um
grande negócio, mas também uma bela iguaria.
Esperemos, pois,
caro Torcato que não tenhas razão; uma lógica pouco coerente por quem procura
alinhar desejos à posteriori – depois de ignorar as oportunidades de os
concretizar enquanto membros de partidos responsáveis pelos sucessivos governos
da Nação.
Pelo menos desta
vez, tomara que te enganes!
2.1.
Mas estamos todos prontos e, agora – parece – que ainda mais desejosos de
“apanhar o comboio”.
3.
Convém, no entanto que a história se faz de muitas estórias. Tenhamos presente
que também assim foi em 1865 quando a 27 de março, a câmara municipal de Guimarães
deliberou solicitar às suas homólogas de Fafe, Felgueiras, Cabeceiras de Basto,
Mondim de Basto, Ribeira de Pena e Póvoa de Lanhoso que estas “representassem ao Governo” para que
Guimarães fosse “considerada ponto
forçado nos estudos a fazer no caminho-de-ferro do Porto a Braga”.
Outros tempos!
Que, na verdade, também só fizeram páginas curis ensoleiradas em jornais cada
vez mais próximos das pessoas.
4.
Convém também recordar que uns anitos depois (26 de dezembro de 1877) a câmara
de Braga manifestou interesse em que a ligação por caminho-de-ferro até Chaves
seguisse da sua cidade, pela margem do rio Cávado. Com o apoio das congéneres
de Famalicão, Celorico de Basto, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e
Chaves.
E, vai daí, a
câmara Municipal de Guimarães decidiu diligenciar no sentido de que a ligação
àquela cidade transmontana se estabelecesse com passagem por Guimarães e Fafe,
continuando por Arco de Baúlhe e Vidago.
Caramba!
5.
O comboio ainda chegou a Fafe, na verdade.
Importava valorizar uns terrenos em
Paçô Vieira. Por ali morava um conde que ia dando grandes retoques nas cortes do reino.
O apeadeiro,
cada vez mais moribundo, ainda por lá anda. Testemunha imóvel e moribunda da passagem dos muitos ciclistas
que fazem a ciclovia de Guimarães até Fafe.