O culto das guerrilhas económicas e financeiras nunca poderá ser fonte de paz.
Bento Domingues, in Um mundo que falta nascer
1. Pedro Santos Guerreiro escreve um texto fabuloso no semanário Expresso (14.04.12) que, sejamos justos, só quem não quer entender é que continua a pensar que há seriedade na ajuda a Portugal.
Querem ver?
“Gente, isto não é normal. Portugal com taxas de juro das mais baixas de sempre? A Grécia financiando-se em mercado apesar de uma dívida pública de 170% do PIB? O BCE a preparar uma injeção de moeda como se não houvesse amanhã? Mas que raio se está a passar na Europa?”
É muito, muito, mas mesmo muito estranho! Algo impensável há uns tempinhos atrás. Mas isso, para quem gosta de andar sempre com certas cruzes vaidosas na mão, não nos deve espantar; pelo menos se tiverem lacinhos laranjas, azuis ou amarelos.
2. Acompanhando regularmente como acompanho o que Bento Domingues escreve não acredito que este sacerdote dominicano estivesse a pensar nisso quando escreveu: “o que importa é deslocar os olhos das pessoas para o mundo dos pobres, excluídos e marginalizados, denunciando as opções económicas e financeiras que aprofundam o abismo entre os pobres e a dominação de interesses incontrolados, a nível local e global”. (in Um mundo que falta nascer)
3. Nestes dias carregados de memórias sobre o Crucificado de Nazaré, observamos que a austeridade imposta aos sofredores de hoje encontra as mesmas causas de sempre: aqueles que para não abdicarem dos seus poderes e privilégio não hesitam em sacrificar no altar dos seus interesses os mais pobres e vulneráveis. (Manuel Carvalho da Silva, Jornal de Noticias, 14.04.19)
4. E ainda há quem estapafúrdia e parvamente faça questão de exibir em campanhas que só alguns percebem o alcance as refeições servidas aos pobrezinhos…