quinta-feira, 25 de abril de 2019

prisioneiro da liberdade


porquê os braços abertos – estampados – na parede? um corpo dependurado não é sinal de morte ou de prisão?
não compreendo a tua noção de liberdade. detesto a escuridão estampada na parede fria de cada noite.
se mexeres as mãos elas sangram. doem-te.
de onde vem tanto sangue?

alegra-me nesta data tão livre isto: liberta o teu corpo da parede. gosto de te ver de braços abertos, mas detesto a tua cara de sofrimento estampada neste dia tão feliz!
(seria por isso que a freira não matou o pai?)
percebeu depressa que não há nada de mais profundo e integrante do que o enigma da existência.
está explicado aquele sorriso amarelado; ironia bacoca!
ao fundo da nossa rua ouve-se a cigarra vistosa que ensanguentou todas as memórias.

gostava de ser como a água: com mais liberdade de movimentos. chegaria – muito mais facilmente – bem junto da porta principal do céu. onde a luminosidade é muito mais branca; sem tremuras, à tarde, e estupidamente pintada de azul, à noite.
                o último momento é um momento de liberdade.
parece-me reconhecer aquela cidade de sonho.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

residir na opressão da demanda


nós; amanhã? sei lá!
existirão astronautas prontos a procriar
passagens entre arquitetos do futuro?
– sabes que os arquitetos do porvir
acabam a desenhar
(eternamente)
casas mórbidas,
pois sabes? –
tens razão! só

há cosmonautas radiantes; remotos
no universo
– brincando nas suas munições simétricas; gozando
 com a nossa solidão urbana
(reino da modernidade; dizem:
cidade em movimento) –
lá de cima os olhares desconhecem residentes
de silêncios; de calmias amarguradas.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

noite do homem


na minha morte quero arrastar-te comigo. gostava muito que fosse como até agora: com paixão.
sabes: o medo transfigura-nos – e nós nunca tivemos medo. que me lembre; mesmo que se visse!
não tenho uma explicação para o mundo; nem complicada, nem simples. não tenho pronto! adorava ter. porque estar errado é mentir. e, mesmo que seja inconscientemente, detesto a mentira.

aquilo que fomos já está enterrado. não acreditas? olha o luar. e as sombras brancas que ele desenha.
                (vês alguma coisa?
o dia nasceu.)

dantes, quando tudo era belo, sereno e amplo, era deus. só. deus e o espaço. sempre aberto. depois, vieram os homens; os homens que criaram religiões; religiões que construíram muros, barreiras entre o espaço, separações entre os homens e o espaço belo, sereno e amplo, religiões que construíram meros intermediários entre os homens e deus.
cada religião construiu o seu muro mais alto do que o da outra religião, com pulcritudes cada vez maiores que tapavam a beleza de deus
(a serenidade do espaço e amplitude que mostrava deus aos homens).
que chega de mansinho.

encara a ilusão que transpostas há tempos; infinitos: fomos deixando esquecido pelos pesadelos quase brancos que intensificaram as mulheres bonitas contra os nossos desejos.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Não parem


Estes senhores (ter-se-ão) despedido (dos palcos) no último sábado; ali mesmo na Ramada.
Não pode, pois não?
Deram um espetáculo enorme.
Façam lá a vossa pausa, mas não se esqueçam: dois anos é muito tempo!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

artistices vimaranenses

O espaço público é meu ou é teu?
Posso fazer dele o que quero, como quero e quando quero?
Por mim - turista desta vida onde acontecem as maiores parvoíces do universo –, e sendo dos que acredita que as parvoíces ficaram todas perdidas nos buracos negros (felizes e destruidores de nós e do devir), só posso dizer; sem medos: estamos em Guimarães. Terra de artistíces (não escrevo artistas, que fique bem claro!), terra de chicos espertos e terra de destruidores das coisas de todos.

Nesta primeira publicação de artistices vimaranenses está em disputa uma torta de Guimarães para quem identificar esta engenhoca que a foto regista e para quem for capaz de impedir uns certos chicos espertos de fazerem de conta que gostam de um território fabuloso; cruzando-o de bicicletas, as mais caras e vistosas do mercado.

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...