segunda-feira, 31 de maio de 2021

Estranhos parceiros

As ditaduras não são só assassinas, também são cobardes. Têm receio do julgamento da história; sabem que a sua sanha contra os ditos “inimigos” da pátria se poderá voltar contra ele assim que se restitui a legalidade.

António Rodrigues, Público, 21.03.12

 

Para quem ainda pudesse ter dúvidas sobre o avanço aceleradíssimo no sentido da coerção total da liberdade de imprensa, só pode olhar para os dias parvos que correm. 

Para a China e a sua proibição de emissões da BBC World em terras mandarins. O que leva o Reino Unido a proibir emissões de TV ao canal chinês CCTV, “o principal meio de exposição internacional” da China. E para a Inglaterra que, pela mão do senhor Boris, não para de limitar o acesso à informação. 

Por isso um conjunto de diretores dos maiores meios de comunicação britânicos já pediu uma investigação ao Governo por suspeita de obstáculos à informação.

domingo, 30 de maio de 2021

Intimidades


 

na sala cheia de luz onde estamos

que mais falta para nos afastar

do fio invisível que nos envolve

 

in dentro de deus

sábado, 29 de maio de 2021

Estradas do inferno


Todos os que tinham a cerviz bem dobrada, a boca bem calada, a vénia pronta, o tom untoso, e mão estendida para o pequeno ou grande favor, o silêncio oportunista correu para a imensa fila, de pedras na mão, para abjurar o anterior senhor.

José Pacheco Pereira, Público, 20.07.18

 

As confusões que me fazem certas (e supostas) notícias espetadas em fretes nas publicações mais ao pé da porta; sabe-se lá por quem!

O que é que um jornal local tem a ver com as escolhas nacionais de um partido?

Ainda para mais sendo esse partido uma aberração no espetro político nacional! 

Ou será que há ideologias encantadas por esses jornais pregueiros?

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Olhar da semana II


Foi um rodopio nos últimos dias, cronistas e influencers levantaram-se para anunciar a sentença definitiva: os hospitais públicos são mais bem geridos pelas parecerias público-privadas. Tiveram apenas de esperar pelo fim da emergência sanitária, elogio a sua contenção.

Francisco Louçã, Expresso (Economia), 21.05.21


segunda-feira, 24 de maio de 2021

Olhar da semana


Disse Balzac que “por trás de uma grande fortuna há um crime”. Quando assistimos ao que se passou no inquérito ao Novo Banco que corre na Assembleia da República, somos forçados a concluir que há empresários portugueses firmemente decididos a dar razão ao romancista francês.

Luís Marques, Expresso (Economia), 21.05.21

domingo, 23 de maio de 2021

Filhos da terra

 

Se deus existe porque é que o mundo e a vida estão organizados em cima do sofrimento?

Frederico Lourenço, E, 16.09.10

 

Ontem enquanto via o filme Febre, escrito e dirigido por Maya Da-Rin e com atores indígenas do Alto Rio Negro, pertencentes aos Desanos, Tucanos e Tarianas, numa organização da associação vimaranense Capivara Azul e integrado no ciclo Terra, lembrei-me de algumas realidades dolorosas que me tiram o sono e fazem aumentar o descrédito nas religiões – ou supostas religiões; sempre mais perigosas:

As equipas médicas de imunização das aldeias remotas indígenas do Brasil contra o coronavírus encontraram forte resistência em algumas comunidades onde os missionários evangélicos alimentam o medo da vacina, dizem os líderes religiosos”, leio no jornal Público (21.02.13)

No filme não vi missionários de qualquer grupo religioso, mas senti que as dores das famílias eram enormes.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

caçador de memórias

o tempo não se esgota na soleira da porta

com o devir ao colo – não ajuda à respiração!

na tentativa do olhar nutrimos os campos silenciosos

da memória e os fins de tarde

frios – do distanciamento dos nossos corpos

(quem se lembrará das chuteiras pretas

com riscas brancas muito ardentes?)

jamais seremos capazes de definir as explosões

da terra e os seus sinais!

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Estrada com vida

 

A música é poderosa porque mexe com as emoções.

José Brissos Lino, 7Margens, 19.06.06

 

Para além dos momentos musicais que estão muito longe da apatia portuguesa, sentes, de repente, que sábado à noite podes espreitar o Oub'Lá. Passas, espreitas e, de repente, percebes que tens por casa um disco dos Fragmentos. O tempo passa tão depressa!

Voltas para casa e recordas The suburbs, dos Arcade Faire: chega a lágrima e a memória do olhar para as sapatilhas pretas que calçavas quando estes senhores subiram ao palco em Paredes de Coura.

 

Por fim, ficas com uma dúvida: os palcos dos Rammstein foram mais intensos do que os dos Mettallica?

Não respondes porque não sabes. E muito bem! Quem quer quer saber, se gosta de ouvir todos?

 

Ah! Quando percebes que a distância entre o nascimento e o fim é apenas um clique agarras-te a toxicity. É giro! Forte

Bem intensos estes senhores Systm of a down!

 

Por que carga de água – ou será apenas uma libertação dos dias pandémicos – os anos a passar trazem memórias musicais?


Olhar (local) da semana

E quando Guimarães se esventra e as obras demoram medievais eternidades, porque, parece, já não há calceteiros suficientes, era bom que de marreta em punho e prumo por perto, aprendêssemos a arte tão nobre de tapar buracos

Rui Vítor Costa, O Comércio de Guimarães, 21.05.19


 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Olhar da semana


Por onde andou esta Europa 40 anos depois de Mitterand ter instituído a reforma aos 60 anos, a quinta semana de férias pagas, aumento substancial dos subsídios de solidariedade (velhice, invalidez, desemprego), a diminuição do tempo de trabalho entre outras medidas?

Paula Ferreira, Jornal de Noticias, 21.05.11

radicalidade do humano

rio selho; creixomil (20.05.17)
 

recuso-me a cair montanha abaixo sem escutar

o chilrear dos pardais; recuso ligações vigiadas

em altares pintados de deuses.

fiz as pazes com a infância e desenhei

os dias que trago na mão

 

recuso políticos que trauteiam pelas veredas: silêncio –

dizem mais os seus coros! – é a vulgocracia!

sim! recuso políticos que desfazem a harmonia.

a ignorância mata. é vácua e vã

 

regressamos à brisa marítima ou ao chilrear

dos pardais? levamos os dias na mão, não é?

sábado, 15 de maio de 2021

um mundo que renasce

 

rostos de esperança; tão próximos.

a distância mata! – imortalidade é palavra

que percorra o léxico dos dias?

 

os contos de fadas são marcantes

gerem angústias; faces de esperança tão próximos

agarram-nos à cor azul do mundo no verde

que veste a esperança da proximidade.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Estranha forma de vida


Os rios não estão cá para servir (só) as pessoas, já cá estavam antes delas, e se algum dia se forem, eles por cá ficam.

José Cunha, reflexodigital, 19.10.17

 

Das coisas estranhas dos dias que correm há umas muito mais estranhas e incompressíveis do que outras.

Por estes dias questiono-me sobre uma dessas coisas para a qual não encontro explicação; uma realidade que não só me faz pensar imenso como cria uma dorzinha no fundo da barriga.

 

Então é assim a coisa estranha: A ribeira da canhota na vila de Caldas das Taipas volta a ver a luz do dia; tornando-se mais próxima da forma original com que a natureza a colocou. E muito bem!

O ribeiro de Couros, em grande parte da sua passagem urbana, vai continuar mergulhado na falta de respeito pelas linhas de água e pela forma original com que a natureza as colocou.

Mesmo com obras em andamento mantém-se o Couros escondido das pessoas.

Maldades!

Rio tapado. Sem poder ser fruído. Ainda para mais num tempo em que as suas águas correm bem mais limpas e menos merdosas.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

com pouco traje


corta o comboio; comboio de fogo

em combustão morna

a libertação dos seios; matéria dada

e o teu silêncio já habita a rua!

 

a luz ao fundo do túnel?

não sei

desviei-me do comboio;

em grande velocidade

terça-feira, 11 de maio de 2021

Olhar da semana

Foto: rr.sapo.pt

Como provou Luis Filipe Vieira na sessão [comissão de inquérito ao Novo Banco] desta semana, ser-se caloteiro dispensa sentimento de culpa e humildade.

Manuel Carvalho, editorial, Público, 21.05.11

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Beleza dos grandes olhares


À beira da morte, queres é viver…

Álvaro Costa, E, 17.08.05

 

No fim, mesmo à beira da defunção: nunca te rendas aos dias vazios. Nem a pessoas cavas.

Segue, existindo. Na felicidade dos concertos lindos; mesmo que ruidosos!

São atos criativos; todas as alegrias. Depois, nos outros dias, já basta a parvoíce dos arrais apressados, dos patriarcas à procura de si e dos lerdos que se julgam senhores do mundo.

Coitados!

É, pois, chegado o momento de seguir em frente.

sábado, 8 de maio de 2021

Há abismos lá no fundo, sem fundo

Terá o meu voto a candidatura autárquica que terçar armas para a proibição de circulação, exceto para residentes, pelos transportes coletivos gratuitos em rede eficiente e pelo desenvolvimento da ferrovia.

Francisco Louçã, Expresso (Economia), 21.03.19

 

Embora um bocadinho fora de tempo (há realidades que nos ultrapassam, não é?, e algumas pouco agradáveis) vale a pena olhar com toda a atenção as páginas 16 e 17 do caderno de Economia do semanário Expresso na sua edição do passado dia 12 de fevereiro.

E lançar outro olhar, mais atento e pormenorizado, para o mapa inserto na página 17. Entre o verde (da Ferrovia 2020) que cruza o país e Guimarães há uma linha cinzenta. Literalmente! Sem qualquer tipo de intervenção prevista.

 

Por favor, não falem do que não sabem!

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Peso das palavras

O nosso futuro precisa mesmo que falemos mais de comboios e menos de aeroportos.

David Pontes, editorial, Público, 21.03.19

 

Só quem não quiser – ou não for capaz de entender ou fazer de conta; claro! –, é que continuará a pensar que haverá mais comboio, mais ligações ferroviárias; em suma investimentos públicos em Portugal no que à ferrovia diz respeito.

(Culpa do senhor Aníbal de Boliqueime tudo se foi!

Agora pode haver, parece que vai haver, recuperação de material.)

 

A tal bazuca – que raio de designação para umas vitaminas! – foi uma invenção bombástica para jornalista criar manchete.

Já tínhamos percebido por estes dias com as palavras meiguinhas do senhor Costa!

                     

Nota de rodapé: “O PSD desde sempre defendeu um repensar da linha de forma a servir todas as populações e não apenas algumas”. Estas palavras são do anunciado candidato laranja à autarquia vimaranense. Se este senhor candidato fosse realista quando fala de ferrovia estaria em condições de ser candidato a Santa Clara? Provavelmente faria o que o senhor Aníbal de Boliqueime fez.


 

terça-feira, 4 de maio de 2021

Realidade ferroviária em Portugal


 

Costa inaugurou obra ferroviária por acabar em Viana do Castelo e hoje inaugura a linha TGV Campanhã-Moscovo.

o Inimigo Público, 21.04.30

domingo, 2 de maio de 2021

candura profunda


marcas livres e brancas sobem no céu do devir: referências boas

subindo as montanhas; objetiva sempre afiada

aos altares das grandes solenidades; vestidas

das identidades com memórias da infância – não podem

ser atraiçoadas!

 

prisioneiro do paradigma branco das marcas

em ascensão – talvez seja só um olhar

por entre os incêndios que iluminaram

as últimas noites tão violentas – ah! as vozes

mais altas projetam mais os sentidos.

veem mais longe os silêncios e os frutos das montanhas

no coração das ilhas.

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...