quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Ecos de uma imagem real

Passar os dias a cruzar o vale do Ave permite-nos escutar conversas que imaginamos noutros lugares; mais distantes.
Esta semana numa pausa a meio da manhã para um café, escuto este desabafo. Algures entre duas margens do rio Ave: Se houver um concurso de… (peço desculpa, mas não posso escrever a expressão escutada) na cidade, o presidente de câmara aprova logo uns milhares de euros. Se eu lá for pedir mil euros para arranjar um caminho cá na terra, todo esburacado, ele diz-me que não há dinheiro. “Tem que esperar, presidente, olhe que a crise não deixa fazer o que queremos”.

Vinco: esta conversa foi no vale do Ave. Numa das margens do rio Ave. Ah! Ela teve lugar num município apontado sempre pela oposição noutro município como referência. E a pessoa que desabafava cumpre o último mandato à frente da junta de freguesia da sua vila.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Amanhã sorridente

foto: maisfutebol
Ups! Grande malha!
Uma parceria entre a clínica Espregueira Mendes e o Grupo 3Bs está a desenvolver o centro de investigação básica da FIFA.

Já sabíamos há uns tempinhos, mas é sempre bom ver bem vincados os bons exemplos
Espera-se que o próximo ano – que vem já ali – nos mostre, de facto, o que se repete por agora.

Olhar do silêncio

foto: observador.pt
O Governo tem-se servido de fundos europeus para desorçamentar o Ministério da Educação e prepara-se para aprofundar esta via. Com que educação e formação ficaremos quando acabarem os fundos?
Manuel Carvalho da Silva, Jornal de Noticias, 14.11.29

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Preocupação (quase) rainha

O presidente da câmara de Guimarães quer que “as áreas sensíveis” da cidade tenham um plano de pormenor sobre as linhas de água e redes edificadas para a drenagem de água. 
Excelente!
E, vinca Domingos Bragança, “é preciso exigir que seja parte integrante do licenciamento um pequeno desenho das águas pluviais” como forma de se perceber “bem que as águas são desviadas e orientadas para uma outra linha de água”.
Boa!
Embora tardia, é uma boa notícia. É que há tanta água à deriva nas redes de drenagem que atravessam o município de Guimarães que esta vontade de Bragança pode ser um extraordinário passo para todos percebermos por onde andam as águas de Guimarães; todo o tipo de águas.

Profeta da esperança

foto: europarl.europa.eu
Sem esquecer as palavras proferidas na homilia do dia anterior no Vaticano – a igreja “é fiel” quando é “humilde” e “pobre” e quando “confessa as suas misérias” –, considero fundamental olhar para o discurso que Francisco, o líder católico, proferiu na última quinta-feira, dia 25, em Estrasburgo, mais concretamente no Parlamento Europeu.
Ali, o papa, depois de questionar os deputados presentes naquele enorme hemiciclo sobre os “milhões de pessoas” que no “velho continente e no mundo continuam a debater-se diariamente com condições de vida que atentam contra a sua dignidade” – que belas palavras para Rui Barreira pensar e perder o sono! – foi contundente: “que dignidade pode ter um homem ou uma mulher que são objeto de todo o género de discriminações?”.

É claro que já antes o papa Francisco abanou os políticos que matam à luz das novas ideologias: “que dignidade é possível sem um enquadramento jurídico claro que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder"!
Que coragem!

E dessa extraordinária intervenção do líder católico no parlamento europeu, que recebeu “uma longa ovação dos deputados, de pé”, importa reter outra ideia – a reter pelo responsável da Segurança Social de Braga – “que dignidade pode alguma vez encontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo para viver, e, pior, o trabalho que unge a dignidade?”

Sim, o papa também não tolera “que o mar Mediterrâneo se converta num grande cemitério”. E não tem dúvidas que uma das doenças que vê espalhar-se pela Europa é a solidão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

E a economia local, já se foi?

Há uma entrevista para ler. Por aqueles que concordam que Guimarães sabe o que quer do futuro. E para aqueles que, saindo do raio narcísico que vai do Toural a Santa Clara, vão apontando para o futuro dizendo: ui! Guimarães parece perdida no tempo!
Há uma entrevista para ler. Por aqueles que estão sempre a dizer: Braga é que vai rasgando o futuro!
Há uma entrevista para ler. Por todos os que (já) não têm dúvidas: por Guimarães, afinal, só se olha mesmo para a soleira da porta; esquecendo que, na rua, se iniciam todas as caminhadas.
uma entrevista para ler. Com toda a atenção. Está no Diário do Minho (14.11.13). Ali, Domingos Bragança, presidente de câmara de Guimarães, não tem dúvidas: quer governar com todos e “envolver os vimaranenses nos desígnios coletivos”.
Há uma entrevista para ler, conduzida por Rui de Lemos, onde o presidente da autarquia vimaranense faz questão de vincar que Guimarães se carateriza por uma enorme rede de micro, pequenas e médias empresas que tudo apostam na economia local.
Há uma entrevista dada por Domingos Bragança que me faz perder o sono. É que o presidente de câmara diz que a aposta multinacional vem aí. Perdão! Domingos Bragança só diz que não enjeita, mas que “não é uma prioridade”. Ainda bem! Mas, é a primeira vez que leio que um presidente de câmara em Guimarães admite multinacionais como solução.


Porquê? Ora! Porque tenho pena dos extraordinários empresários que em terras vimaranenses fazem maravilhas. Levam o nome de Guimarães aos recantos mais longínquos. Desenham, criam e exibem a marca Guimarães com uma vaidade que só eles sabem porque e como o fazem.

Mínimos alargados

O estado do país é quase sempre inversamente proporcional ao estado da imprensa. Infelizmente, quanto pior está Portugal, mais vendem os jornais, as rádios e as televisões.
João Adelino Faria, Dinheiro Vivo, 14.11.29

foto: alguresaqui.blogspot.com
Que semana estranha!
Do fim-de-semana, ou melhor, depois da leitura dos jornais de fim-de-semana fica uma terrível sensação de vazio. Para além de situações relacionadas com a justiça – e por aqui, dos diários aos semanários, há ‘coisas’ que se farta! – nada aconteceu em Portugal. 
Quando o país (e a sua imprensa) se reduz a esta triste realidade não se augura nada de bom nos dias que aí vêm. Temo, muito sincera e assustadoramente, o que por aí possa estar a chegar.
É certo que houve um congresso partidário em Lisboa!

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )