quarta-feira, 22 de julho de 2015
Um olhar com jardim ao fundo
As coisas
do Estado e da cidade não têm mão em nós.
Fernando
Pessoa, in Livro do Desassossego
| Gualterianas 2009 |
Fui ontem ao
centro da cidade e vi tudo como dantes. Felizmente que o excelente arranjo nas
Hortas está lindo e preservou o que se impunha: as margens do Couros.
Ah!, dirão
alguns, o pior são os pavilhões das farturas!
Tretas.
Vivi no coração das festas mais de três décadas e nunca vi a coisa tão
arrumadinha; quer no largo República do Brasil, quer no início da Avª D. João
IV, ao lado da igreja dos Santos Passos.
Ah! É que
o monumentos aos nicolinos e tal…
Mas
porquê? Aquela bela peça do extraordinário José de Guimarães não faz parte da
cidade e do mobiliário urbano?terça-feira, 21 de julho de 2015
Caminhante que faz perguntas
Comunicamos
cada vez mais depressa, mas dizemos cada vez menos.
Joana
Pereira Bastos, E, 15.06.27
Agora,
Braga quer uma “melhor coordenação” das agendas culturais do Quadrilátero
minhoto.
Quem o diz
é Ricardo Rio, o edil bracarense, para quem “não é muito defensável que possam
existir duas iniciativas no mesmo âmbito em simultâneo”.
Também
concordo que essa coisa de espetáculos à medida da gaveta de cada município não
é lá grande espingarda!
Mas a
“melhor coordenação” não estará a olhar noutras direções; com olhares vazios?Acesso ao básico
Na
verdade, nada altera nada, e o que dizemos ou fazemos roça só os cimos dos
montes, em cujos vales dormem as coisas.
Fernando
Pessoa, in Livro do Desassossego
![]() |
| foto: radiofundacao.net |
É urgente, diz
o vereador da CDU na câmara de Guimarães na edição semanal o reflexodigital (15.07.09) “redefinir
o papel fundamental dos transportes públicos” nem Guimarães que,
segundo Torcato Ribeiro, “atualmente são geridos numa lógica de gestão
que pouco ou nada tem a ver com o objetivo principal da prestação de um serviço
público”.
Estou
completamente de acordo com Torcato Ribeiro. E, por via de outras dúvidas que
virão a seguir, pergunto apenas: às vezes – muitas vezes porque o negócio é uma
realidade que alimenta as almas, até aquelas que acreditavam em belas realizações
–, aqui ao meu lado, no multiusos e arredores são duas da amanhã e há um
redemoinho de carros, que antes entupiram todos os espaços, acessos a casas e a
garagens. Será isto uma cidade que se quer verde?
Não fazia
todo o sentido existirem transportes públicos no fim dos espetáculos que preenchem as
noites de Guimarães; no multiusos ou no centro da cidade?
E se houvesse,
sei lá!, dois ou três autocarros que fizessem um vaivém pela cidade e algumas
zonas do concelho, depois das diferentes realizações?
segunda-feira, 20 de julho de 2015
O mundo a ruir
Ouço a
canção dos povos
as últimas
canções, esse rumor perdido, a sua oração dos mortos.
E quase
não se ouvem. Escuta: não se ouvem.
Carlos
Poças Falcão, in Bumerangue 1
Doem
muito. Fazem-me pensar que, além de animais, nós os tipos humanos, somos
parvos. Temos prazer em ser doentes; doidos.
Há
noticias que nos devem, a todos nós cidadãos, fazer pensar se, quem se diz
político, alguma vez foi Homem.
Porque
escrevo isto?
Ora, leio
no semanário Expresso (15.07.18) que o presidente da câmara de Estremoz foi
acusado de xenofobia por – imagine-se! – “impedir entrada de ciganos nas
piscinas municipais”.
Pronto!
Há políticos que doem; dirigentes que dão razão total à parvoíce e
animalidade; tornando ainda mais doente uma sociedade cada vez mais doente.
O pior é
que esta porra (sim é atitude de raiva e ódio) é no país de sucesso que faz emigrar,
corta apoios às necessidades mais primárias das pessoas. E nós, todos, feitos
patetas alegres.
domingo, 19 de julho de 2015
Humilde melómano me confesso
Se um corpo
toca o vento, há uma página
do mundo por
dizer.
Firmino
Mendes, in Bumerangue 1
Agora sem
brincar, não me surpreendi nada com o estudo da Universidade de Queensland, na
Austrália, que diz que o heavy metal “pode reduzir o stress, alimentar
sensações positivas e regular a tristeza e a raiva”. Não só me surpreende como,
ao meu jeito narcísico, confirmo esta realidade.
Bem, isso
não quer dizer que esteja de acordo com a psicóloga Genevieve Dingle que diz
que o efeito do heavy metal pode ser tão calmante como um abraço. Eh pá! Há
abraços tão suaves; tão ternos e tão discretos…
Não é por
não acreditar na senhora; é que criei um terrível hábito quando vou às
assembleias municipais de Guimarães: chego a casa e só ouço este género musical.
Depois durmo tão bem! Tão sossegado que me esqueço da fraqueza, fragilidade e
pequenez com que se tratam as coisas belas da vida. Cá pela terra onde há
tantas páginas vazias.
Ah! Meu caro
amigo Firmino, há tantas páginas por dizer, não há? Eu sei que tu sabes que já
nada é como foi.
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