quarta-feira, 22 de julho de 2015

Olhar do silêncio II

O acordo entre Atenas e os credores não só não vai resolver o problema como, em última análise, irá desencadear a saída da zona euro. É essa a intenção alemã.

Barry Eichengreen, Expresso (Economia), 15.07.18

Um olhar com jardim ao fundo

As coisas do Estado e da cidade não têm mão em nós.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Gualterianas 2009
Depois de ter lido o que li nas redes sociais e como estive fora de Guimarães, confesso que estava ansioso por ver as “cobras e lagartos” que foram escritas sobre a ocupação dos espaços urbanos em terras de D. Afonso; pelo que é a vida (normal) das festas da cidade e Gualterianas.
Fui ontem ao centro da cidade e vi tudo como dantes. Felizmente que o excelente arranjo nas Hortas está lindo e preservou o que se impunha: as margens do Couros.
Ah!, dirão alguns, o pior são os pavilhões das farturas!
Tretas. Vivi no coração das festas mais de três décadas e nunca vi a coisa tão arrumadinha; quer no largo República do Brasil, quer no início da Avª D. João IV, ao lado da igreja dos Santos Passos.
Ah! É que o monumentos aos nicolinos e tal…
Mas porquê? Aquela bela peça do extraordinário José de Guimarães não faz parte da cidade e do mobiliário urbano?

terça-feira, 21 de julho de 2015

Caminhante que faz perguntas

Comunicamos cada vez mais depressa, mas dizemos cada vez menos.
Joana Pereira Bastos, E, 15.06.27
Bem me parecia que havia “mouro na costa”!
Agora, Braga quer uma “melhor coordenação” das agendas culturais do Quadrilátero minhoto.
Quem o diz é Ricardo Rio, o edil bracarense, para quem “não é muito defensável que possam existir duas iniciativas no mesmo âmbito em simultâneo”.
Também concordo que essa coisa de espetáculos à medida da gaveta de cada município não é lá grande espingarda!
Mas a “melhor coordenação” não estará a olhar noutras direções; com olhares vazios?

Acesso ao básico

Na verdade, nada altera nada, e o que dizemos ou fazemos roça só os cimos dos montes, em cujos vales dormem as coisas.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: radiofundacao.net
É urgente, diz o vereador da CDU na câmara de Guimarães na edição semanal o reflexodigital (15.07.09) “redefinir o papel fundamental dos transportes públicos” nem Guimarães que, segundo Torcato Ribeiro, “atualmente são geridos numa lógica de gestão que pouco ou nada tem a ver com o objetivo principal da prestação de um serviço público”.

Estou completamente de acordo com Torcato Ribeiro. E, por via de outras dúvidas que virão a seguir, pergunto apenas: às vezes – muitas vezes porque o negócio é uma realidade que alimenta as almas, até aquelas que acreditavam em belas realizações –, aqui ao meu lado, no multiusos e arredores são duas da amanhã e há um redemoinho de carros, que antes entupiram todos os espaços, acessos a casas e a garagens. Será isto uma cidade que se quer verde?
Não fazia todo o sentido existirem transportes públicos no fim dos espetáculos que preenchem as noites de Guimarães; no multiusos ou no centro da cidade?
E se houvesse, sei lá!, dois ou três autocarros que fizessem um vaivém pela cidade e algumas zonas do concelho, depois das diferentes realizações?

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O mundo a ruir

Ouço a canção dos povos
as últimas canções, esse rumor perdido, a sua oração dos mortos.
E quase não se ouvem. Escuta: não se ouvem.
Carlos Poças Falcão, in Bumerangue 1
José Falcão (SOS Racismo)
Há noticias que não entram em mim; doem.
Doem muito. Fazem-me pensar que, além de animais, nós os tipos humanos, somos parvos. Temos prazer em ser doentes; doidos.
Há noticias que nos devem, a todos nós cidadãos, fazer pensar se, quem se diz político, alguma vez foi Homem.

Porque escrevo isto?
Ora, leio no semanário Expresso (15.07.18) que o presidente da câmara de Estremoz foi acusado de xenofobia por – imagine-se! – “impedir entrada de ciganos nas piscinas municipais”.
Pronto! Há políticos que doem; dirigentes que dão razão total à parvoíce e animalidade; tornando ainda mais doente uma sociedade cada vez mais doente.
O pior é que esta porra (sim é atitude de raiva e ódio) é no país de sucesso que faz emigrar, corta apoios às necessidades mais primárias das pessoas. E nós, todos, feitos patetas alegres.

Olhar do silêncio

foto: noticiasaominuto.com
Ainda que na "ordem de expulsão" Portugal figure logo a seguir à Grécia, o Governo do PSD/CDS não se inibiu de manifestar a sua docilidade e subserviência ao "superior interesse nacional" da Alemanha.

Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 15.07.16

domingo, 19 de julho de 2015

Humilde melómano me confesso

Se um corpo toca o vento, há uma página
do mundo por dizer.
Firmino Mendes, in Bumerangue 1
Sim!; sei bem que (já) não tenho cabelos compridos; nem uma faixa à volta da cabeça.
Agora sem brincar, não me surpreendi nada com o estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, que diz que o heavy metal “pode reduzir o stress, alimentar sensações positivas e regular a tristeza e a raiva”. Não só me surpreende como, ao meu jeito narcísico, confirmo esta realidade.
Bem, isso não quer dizer que esteja de acordo com a psicóloga Genevieve Dingle que diz que o efeito do heavy metal pode ser tão calmante como um abraço. Eh pá! Há abraços tão suaves; tão ternos e tão discretos…
Não é por não acreditar na senhora; é que criei um terrível hábito quando vou às assembleias municipais de Guimarães: chego a casa e só ouço este género musical. Depois durmo tão bem! Tão sossegado que me esqueço da fraqueza, fragilidade e pequenez com que se tratam as coisas belas da vida. Cá pela terra onde há tantas páginas vazias.
Ah! Meu caro amigo Firmino, há tantas páginas por dizer, não há? Eu sei que tu sabes que já nada é como foi.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...