sexta-feira, 6 de março de 2020

desvendando novos vestígios



não aguardo o alerta eletrónico do despertador; as molas
do devir saltam-me do aconchego antes das disposições
para o alvorecer; ordens do dia
diziam-nos, não era?

abrir janelas; despertar o silêncio do corpo
abrir o diálogo eis o invisível
tornado visível
(almas que se misturam)

não! não espero um futuro sem arestas;
conheço tão bem as águas calmas; afinal sempre
foram a mulher espantosa!

quinta-feira, 5 de março de 2020

Espiral ascendente



Quantos Pedrógãos Grandes serão precisos para que os portugueses acordem obrigando os responsáveis políticos a agir?
José Gil, Expresso, 20.02.22

1. Nos jornais leio cada vez menos coisas boas e motivadoras. Leio cada vez menos realidades que alegrem os dias. Apesar de aumentarem, e muito, as preocupações com os atropelos aos dias calmos. Curiosamente, quase sempre essas preocupações saem da pena de colaboradores de opinião.

2. Um exemplo claro são estas palavras de Francisco Teixeira da Mota (Público, 20.02.28): até quando terão os portugueses de se deslocar a Estrasburgo para encontrar justiça e decência?

3. Pela mão de jornalistas vale a pena olhar para outra (má) realidade que acinzenta os dias dos portugueses.
David Dinis faz descer (Expresso, 20.02.28) Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, por ter reagido “com uma ameaça” pelas normas que a casa da democracia portuguesa impõe, agora, aos bancos.
João Silvestre, fazendo baixar Faria de Oliveira, no caderno de economia do semanário Expresso, é perentório: levar a argumentação ao ponto de dizer que a imposição de limites às comissões provoca despedimentos e fecho de balcões é, no mínimo, exagerado. É esquecer o que formas os anos negros da banca em Portugal durante a crise.

4. É claro que nós portugueses, acomodados aos dias, esquecemos todas as dores provocadas por quem tudo devia fazer em sentido contrário. E mergulhamos nos túneis do silêncio e da indiferença.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Esperança negra



Por substantivos se adivinham as ideologias, as hierarquias sociais que cada um projeta para o mundo.
Fábio Monteiro, Fumaça, 20.02.20

1. Quando olho para os dias apressados dos políticos sedentos de protagonismos insalubres fico sempre com dúvidas sobre o que leva o homem-politico a correr. Contra o tempo; contra si mesmo ou contra valores que noutros tempos eram para si substanciais. Referências; pela coragem.

2. Quando leio do filósofo de referência que é José Gil (Expresso, 20.02.22) – as declarações recentes do ministro Pedro Nuno Santos sobre o futuro aeroporto do Montijo revelam a cegueira dos políticos: em nome do bom senso e da boa consciência ecológica, justifica-se a continuação das escolhas mais duvidosas – penso nos dias apressados dos políticos sedentos de protagonismos apressados.

3. E tenho medo de homens assim.

Nota de rodapé: Não foi o partido do senhor Pedro Nuno Santos que ‘impôs’ o parecer das autarquias localizadas na área dos (possíveis) equipamentos a construir, mormente aeroportos?

terça-feira, 3 de março de 2020

Espantosa normalidade



No domingo, em Viseu, o deputado André Ventura divertiu (*) uma audiência de apoiantes em registo de stand-up. Fiquei espantada, ainda não tinha visto o novo estilo.
Bárbara Reias, Público, 20.02.28

* a politica é cada vez mais isso, infelizmente!
Pelos vistos é isso que o povo gosto. Pelo menos aquelas pessoas que deixaram de assumir a verticalidade da coluna; a que suporta a vida humana.

Espelho do mundo


Qual a razão pela qual existe a convicção de que as leis, e em especial as de natureza proibitiva, resolvem os problemas sociais, económicos, políticos?
Teresa Pizarro Beleza, Público, 20.02.27


À atenção de um tal “chamado ‘Chega’ sobre castração química”.

domingo, 1 de março de 2020

Uma história humana; local

foto: colegioarautos.net
Todos os fundadores de religiões, dos partidos políticos, dos bancos, vão nus.
Mário de Oliveira, debate no Circulo de Arte e Recreio (Guimarães), 15.02.04

1. Tenho visto – só pela comunicação social porque já ninguém me tira de casa para assistir a tantas exibições de vaidades perigosas –, um crescendo assustador de presenças em eventos públicos em território vimaranense. Com umas figuras estranhas; assustadoras e desejosas de trazer de volta outros tempos. Tempos de má memória.

2. Da peregrinação anual à Penha – uma marca cultural intensa na vimaranensidade e um enorme baluarte de fé popular dos vimaranenses – a ´certas´ peregrinações paroquiais ou procissões de padroeiros das paróquias do arciprestado de Guimarães e Vizela há uma trupe de militares reformados, armados de lanças e sei lá que mais!, feitos guardiões dos costumes.
E, tantas vezes – cada vez mais – uns senhores vestidos de castanho com cruzes medievais ao peito, calçando botas altas, tipo militares de cavalaria, que monopolizam os pálios e as lanternas das procissões; espaços solenes de um catolicismo de rua.

3. Sobre os militares na reforma não direi muito mais a não ser lamentar que ao seu lado, ou na retaguarda, sigam autarcas eleitos democraticamente num país onde o estado é laico.
Por isso, parece-me de elementar ato de gestão pública da política, o poder local não pactuar com quem, na verdade, nem militar já é; apenas saudosista de outras ações.

4. Já sobre os senhores que vestem de castanho e que, a partir de Sezim e do colégio Arautos do Evangelho, deveriam olhar com atenção para a carta que Francisco, o atual líder dos católicos, escreveu ao presidente daquela organização, instando-o a aceitar a intervenção da Santa Sé naquela instituição. Isto depois de o cardeal Raymundo Dasceno ter sido nomeado comissário pontifico. E, obviamente, para não falar de acusações – são só acusações – como as que a Vida Nueva dá conta, na entrevista a José Miguel Cuevas, professor de Psicologia Social na Universidade de Málaga.



Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...