quarta-feira, 7 de maio de 2014

A politica nunca é a arte da fuga

A mentira é hoje um ingrediente essencial da governação das democracias limitadas em que vivemos.
José Manuel Pureza, Diário de Noticias, 14.05.02
Escreve Pedro Lima no Expresso (Economia) na sua última edição (em papel) que “o documento de estratégia orçamental resume-se a duas coisas: mais austeridade, através do aumento da taxa social única e de novo aumento no IVA”, pelo que “o governo sai mais uma vez muito mal na fotografia, sobretudo porque disse uma coisa e faz outra”.

Voltando a José Manuel Pureza: ”o uso da mentira pelos governos europeus e pelos aspirantes a substitui-los cumprindo o cânone deixou de ser um recurso de circunstância e tornou-se uma condição de fundo”.

Por cá, onde os aspirantes à conduta desta Europa são peões em xadrez a que chamamos governo, também se faz da mentira o “ingrediente essencial” para e da governação. É por isso que Martim Silva (Expresso, 14.05.03) está vestido de razão quando escreve “o aliviar, ainda que curto, do peso da austeridade sobre os portugueses é uma boa notícia. Mas a forma escolhida, tirando de um lado para pôr no outro, em vez de assentar a devolução em cortes da despesa do estado (como sempre prometeu o governo) é uma má solução”.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Hospitais e política local III

O presidente do CA [Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Alto Ave] foi nomeado pelo ministro da Saúde. E esta diferença [em relação à eleição do presidente de câmara de Guimarães] faz toda a diferença. Se o presidente do CA pusesse em causa a portaria tinha pedido a demissão.
Domingos Bragança, presidente de câmara de Guimarães, assembleia municipal de 14.04.27

Hospitais e política local II

Altere-se ou revogue-se a portaria e depois trabalhamos sobre a possibilidade de centros hospitalares.
Domingos Bragança, presidente de câmara de Guimarães, assembleia municipal de 14.04.27

Olhar no silêncio

Devia dizer isto de-va-ga-ri-nho como Vítor Gaspar: Portugal não saiu de crise nenhuma; Portugal não baixou os níveis de endividamento; Portugal não começou a gerar superavits.
Henrique Monteiro, Expresso, 14.05.03

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Hospitais e política local

1. Há um “complicadíssimo e de enorme melindre” processo em curso que envolve, desde logo, Domingos Bragança e Paulo Cunha, muitos vimaranenses e um ou outro famalicense.
É um processo que pretende olhar com outros olhos a realidade da saúde no minho. E, obviamente, na cidade-berço.
Pessoalmente não me seduz nada a ideia que se anda a congeminar, não pelo que ela representa em si mesma, mas pelo que pode traduzir em termos de abandono do essencial.

Mesmo assim o que parece saltar aos olhos é que só Guimarães luta pelo que é seu.
Não? O que Paulo Cunha, presidente da câmara de Famalicão, diz não é que “o que conta é a portaria”? Sim a tal portaria que quer matar o hospital de Guimarães.

2. Por que raio o PSD de Guimarães é tão obtuso e teima em atirar areia para os olhos dos vimaranenses fazendo de conta que nada se passa com uma portaria do governo do seu partido?

3. E o CDS?
Infelizmente Orlando Coutinho nunca mais cala Rui Barreira.

Como nos gozam antes de nos matar esfolados

Portugal não está em crise.

Portugal só tem à sua frente os Estados Unidos e o Reino Unido, como países mais ricos.
Mentira?
Ah!, pois é! Na verdade, segundo a OCDE, “o peso do rendimento dos 1% mais ricos no total dos rendimentos da população mais do que duplicou em Portugal nas últimas décadas”.
Peço desculpa pela minha confusão.
Estava mesmo a pensar na população portuguesa.
Sim naqueles – e são cada vez mais – que já só sobrevivem com a sopa dos pobres.

domingo, 4 de maio de 2014

Sucessão de agressões

Quando as luzes à volta da rua deserta – parece que a cidade, às vezes desce até aqui em invasões ao domicílio – veem o silêncio, vejo a noite: vaidade; vaidade e música de bolso. Carros

                     (corpos esbeltos, sempre envoltos em vestidos pretos
                       e pintas em consagração da primavera; perfeitos
                   de cortar os olhos)

o resto é igual; olhos de lamparina, prontos a incendiar as mesas do centro; sempre a mesma treta! Vaidade
para além do palco mais abaixo. Ostentações modernas exibidas entre pedras velhas.

A rua já não escuta, mas os corpos esbeltos mostram-se

                  (esbeltos, mostram-se ali à esquerda
                 estão os carros. Vaidosos; topo de gama, indiferentes
               à velharia das pedras)

que vai acontecer a seguir?

As luzes já se apagam. Guimarães? Que Guimarães é esta?

É tarde! Vamos dormir. Amanhã a dor estará (outra vez) intramuros.

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )