sexta-feira, 7 de março de 2014

Apagar o presente com medo do futuro

A esquerda ainda hoje encara a sociedade de forma voluntarista como se para a criação de riqueza houvesse limites e as leis económicas não fossem lamentavelmente contornáveis.
Augusto Abelaira, in Outrora Agora

Miguel Sousa Tavares (Expresso, 14.02.22) afirma que “a esquerda tem de estar preparada para defender a Europa contra os seus carrascos e, em caso de derrota, para começar a pensar numa alternativa fora da UE”.
Esperando que o “em caso de derrota” esteja a mais nesta bela ideia de Miguel Sousa Tavares, o que os europeus, os cidadãos da velha Europa (cada vez mais na mão de uns barrosistas seguidistas, cegos e sem princípios orientadores, ou melhor, sem saber a quantas andam) e aqueles que, desde os tempos da velha Lusitânia, acreditam que a exploração do outro há muito morreu, isto é, os cidadãos europeus, só podem mesmo querer uma Europa sem massacre, venham os carrascos de onde vierem.

É claro que, como cidadãos atentos, os cidadãos que se preocupam com o futuro, também sabem que uma esquerda em Portugal que – consciente de que jamais será poder, como muito bem escreveu Abelaira há décadas atrás – é a mesma esquerda que adora fazer folclore sobre coisas sérias. Sejam Pec salvadores ou desejos de emancipação que se perdem em guerras intestinas.
E não estou a falar de montagens digitais sem dirigentes importantes; apagados à pressa da história. Isso é demasiado trotskista para meu gosto.
A esquerda assim é uma treta! Talvez um dia – tarde e a más horas – se perceba como a direita se arvoa em salvadora. De tudo o que a esquerda abandonou.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Os tempos estão estrábicos

Os 15 minutos de fama do jovem deputado da bancada do PSD chegaram ao fim com o chumbo brutal e unânime pelo Tribunal Constitucional da sua ideia de colocar a referendo a adoção e a coadoção por casais homossexuais em Portugal.
Martim Silva, Baixos (Altos e Baixos), Expresso, 14.02.22

1. Sim, esta afirmação já tem uns dias.
Sim, a coisa parece já ter passado à história.
Sim, o senhor deputado gosta tanto de sorrir com um braço a tocar na mesa para disfarçar o nervosismo que lhe vai na alma.
Sim, o que este jovem (e não é que foi eleito no meu círculo eleitoral!) fez não foi um frete ao seu líder, foi o – cada vez mais óbvia e tristemente lamentável realidade da juventude que milita nas jotas deste país – retrato fiel da incapacidade que nos vai destruir. O país; os políticos e a confiança dos cidadãos.

2. Para entrar na cabine do poder vale tudo. Até a perda de integridade; princípios e identidade.

3. Vale a pena, por isso (mas não só porque o assunto é demasiado sério) olhar para estas palavras de Fernanda Câncio (Diário de Noticias, 14.02.28): “realmente, não se imagina melhor forma de comemorar 40 anos de um partido que faz uma paródia da social-democracia se não esta espécie de Estado social por equivalência, em que as prestações sociais existem para ser anuladas e a lei para certar contas”.

4. Um dia alguém nos irá explicar por que razão funcionários partidários pontapeiam jornalistas dentro de portas.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Agitação das águas bracarenses

Aquilo que Hugo Pires, o novo líder do PS bracarense, disse no programa Campus Verbal da Rádio Universitária do Minho (RUM) da última quarta-feira, dia 26, sobre a realidade do PS em Braga é um ato de coragem. São palavras de rutura!
E prova que a verdade é dura. Seja onde for; em que circunstâncias for. Por isso Hugo Pires merece um reparo positivo.

Mas, sejamos concretos: quando Pires diz que os 37 anos de poder do PS em Braga levaram muita gente para junto daquele partido é verdade, toda a gente o sabe.


Dizer que muita gente o fez por conveniências ou que o PS tem as portas abertas para as saídas de quem está a mais, ou seja, como referiu o líder dos socialistas bracarenses, para os verdadeiros socialistas ficarem dentro do rumo que levará o PS ao seu (verdadeiro) destino, isso é que vai agitar muitas águas que estavam paradas em Braga. E quando se agita muito as águas é preciso precaver-se por causa dos insetos que picam; os que estavam sossegadinhos.

Mas é bom que isso aconteça; as águas estagnadas causam doenças. Tomara que Hugo Pires não esqueça estas palavras oportunas!

terça-feira, 4 de março de 2014

Novidades a pontapé

Miguel Relvas foi o último a conseguir entrar em Portugal com visto “gold”.
oInimigo Público, 14.02.28

segunda-feira, 3 de março de 2014

Olhar da semana

A politica que a troika nos propõe é uma máquina de fazer pobres, que conduz à criação de uma reserva de mão de obra qualificada muito barata para a Europa.
Nicolau Santos, Expresso, 14.03.01

domingo, 2 de março de 2014

E o povo o que diz?

António Pinto Ribeiro, Ípsilon, 14.01.07
1. Escreve Manuel Carvalho (Público, 14.02.23) que «o PSD sente-se perdido. Só isso pode explicar que o seu líder diga sem titubear que “o país está melhor” ou que o seu líder parlamentar, Luis Montenegro, afirme numa entrevista ao Jornal de Noticias que “a vida dos portugueses não está melhor, mas o país está».
Não podia estar mais de acordo com estas palavras do jornalista do Público; se mais não fosse porque elas vão direitinhas para o esbatimento da vaidade aguçadíssima de Passos e Portas; ou para o relógio deste último. Vão direitinhas para o desmoronar de falsas vaidades (devia escrever afirmações, bem sei!) do tipo das que o ministro da Economia utilizou: enganei-me! Exagerei, isto afinal está igual.

2. Quando Fernando Madrinha (Expresso, 14.02.22) escreve que “os relatórios conhecidos esta semana são autênticos baldes de gelo sobre o discurso da maioria, que, por sobrevalorizar os resultados positivos recentes, cedendo À tentação eleitoralista, foi agora chamada à realidade”, está a dizer-nos que não paramos de ser enganados pela máquina promocional de Passos e Portas.
Está a dizer-nos – como Pedro Silva Pereira (Económico, 14.02.21) – que «ainda se viam no ar os foguetes coloridos do governo para comemorar o apregoado sucesso do “ajustamento estrutural” da economia portuguesa e já o FMI estragava a festa reconhecendo que esse ajustamento não passa de uma ilusão».
E está a por ordem na casa. Tal como sublinha Pedro Bacelar de Vasconcelos (Jornal de Noticias, 14.02.21): “nem adianta fingir: uma economia que sofreu três anos consecutivos de recessão, viu o desemprego disparar para 16% e registar uma dívida pública que saltou em três anos dos 94% para os 130% do PIB não está nem pode estar melhor do que estava”.

3. Chegar a três meses do fim da troika e ouvir que “a vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor” é chocante. Essa frase vagamente salazarista foi dita por Luis Montenegro ontem no Jornal de Noticias”. Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 14.02.22).

4. Ponto final: “Em Portugal parece que vigora uma regra: tudo o que puder ser mal feito, é. Se se puder aldrabar o próximo, meter dinheiro no bolso e criar barulho (politico) ainda melhor. Depois corrige-se a asneira cometendo novo disparate, e assim sucessivamente até se construir o mostrengo ou o espantalho". (Jorge Calado, atual, 14.03.01)

sábado, 1 de março de 2014

Mar agitado e rios envoltos

Todos os rios correm para o mar?
Uns pequenos, sorrateiros e quase sem água durante grande parte da sua vida, não; não correm. Fica-se- pela evasiva que é cada vez mais at
ual: inunda, destrói e desaparece.
Mas sem eles os rios que chegam ao mar não eram nada? Talvez! A sua entrada na foz seria uma encenação feita ribeiro em degelo a engrossar o rio? Talvez.

A realidade dos dias que correm – bem sei que foi sempre assim, mas agora, talvez fruto da muita chuva, as pessoas que detestam margens inseguras notam mais, não é? – é igual a esses ribeiros vazios, quase secos que por aí, às vezes se envaidecem.
Ninguém se lembra de certos agitadores que perpassam os dias, mas às vezes eles entram a matar?

O mar também se faz de rios. A realidade dos dias também se enche de agitadores feitos ribeiros secos. E se não fosse o mar seríamos capazes de subsistir ao que o futuro nos reserva?
É claro que o mar sabe galgar terrenos que só existem mesmo por causa das vaidades da costa.
É por isso que o mar é soberano! Sabe agitar-se; ignorando os riachos feitos heróis de ocasião.

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )