quarta-feira, 17 de junho de 2015

Algum segredo? Ah! ser correto

Os homens de ação são escravos involuntários dos homens do entendimento.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
imagem: blogministerioalianca
Parece que as câmaras municipais em Portugal “gastam menos e estão menos endividadas”, apesar de (escreve O Observador, 15.06.12) “os níveis de receita atingirem também níveis históricos”. E, pelos vistos, Lisboa e Porto são os municípios que “têm maior capacidade para gerar receita própria”.
Surpresa!
Lendo o texto “monitorização da evolução das receitas e das despesas (foi apresentado na UM, não foi?) ficamos a saber que desde 2009 a “receita real das autarquias” não para de baixar.
Ups! Sem receita como há futuro? Ah! Dizem eles, os estupidamente inteligentes das frações do processo que eleva o algoritmo em bolsa, que o mal é da raposa que, como em alguns sítios, ainda anda pelos galinheiros a fazer das suas.
Caramba!, nunca dirão eles, por culpa da crise económica que “levou a uma quebra das receitas próprias” e, com a “redução das transferências do estado”. 

Fábrica do desgosto

Não procurem a verdade
aqui nada mais há
do que a calma das palavras
Marta Duque Vaz, in Aclive
foto: snpcultura.org
Para pensar; simplesmente para interiorizar (é do interior que vem a força da ação): Tribunais portugueses no top das condenações por difamação, título do jornal Público, 15.06.12
Portugal tem três vezes mais condenações do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos do que a média da UE por violação à liberdade de expressão. Apesar de as “normas legais que criminalizam a difamação” serem “obsoletas”.
Valerá a pena tecer mais algum comentário?
O mesmo Portugal que, como o tal país dos jogos europeus, anda nas bocas do mundo!

terça-feira, 16 de junho de 2015

Caminhar faz bem à alma

Cultura não quer dizer economia, e só vamos sobreviver se desenvolvermos a ideia de uma unidade cultural.
Umberto Eco, E, 15.04.18
A vereadora da Educação na câmara de Guimarães, Adelina Pinto, afirmou, na apresentação do programa Pegadas, no passado dia 25 de maio, que todos (digo eu) “queremos crianças que olhem o mundo e escolas que formam cidadãos”.
É atrasado o olhar?
É sim senhor! Mas as palavras de Adelina Pinto não são; pelo contrário, são tão atuais, tão atuais que têm que ser levadas a peito. Quem fizer de conta que as ignora (ou ignora mesmo, porque também há disso por cá) só pode ser lambe-botas de alguém, assim tipo um senhor que antes de ser ministro até parecia (tal era a voracidade das suas palavras) que sabia de Educação.

Nota de rodapé: quem quer que as crianças dos dias agitados que só destroem sonhos que por aí circulam sejam cidadãos, só pode ser alguém que vê para além da pressa, da agitação e do vazio dos dias.

À porta do inferno

Não sinto nada
já sentiram tudo por mim
Marta Duque Vaz, in Aclive


Apesar de contar com oito votos contra, o Azerbaijão foi o único país a candidatar-se a ‘ganhar’ a realização dos primeiros Jogos Europeus.
Curiosamente (será por acaso?) este país “deteve pelo menos 34 jornalistas e críticos do regime” no último ano. E, segundo as organizações de direitos humanos, a “repressão está a aumentar”.
Vale a pena ler – e pensar sem ficar de braços cruzados – o trabalho que Félix Ribeiro assina no jornal Público (15.06.12).
Sem pretender influenciar a leitura, importa vincar o “silêncio do comité olímpico”.
Afinal nem todas as medalhas devem ser celebradas!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Olhar (local) do silêncio

foto: reflexodigital.com
Seja como for, seja qual a causa, o certo é que o tempo passa e a Pensão Vilas é um barco perdido no meio da vila. Não vale a pena deitar as culpas a Guimarães, antes de as procurarem entre quem governa as Taipas sozinho.
Cândido Capela Dias, Reflexo, junho 2015

Olhar do silêncio

imagem: 123status.org
Já fomos um país e reinventámo-nos como um simpático e obediente protetorado.
Luis Afonso, Bartoon, Público, 15.06.12

domingo, 14 de junho de 2015

história ligada à pedra

adoro a hipocrisia! mesmo quando a noite
cruza o tempo, ficamos. por al
rindo dos sorrisos embutidos – tipo botox
presos aos desejos. suspensos
na lentidão do ar. frio

adoro abraços fétidos; tempos perdidos; a luz
entre vagas pouco iluminadas – colunas
que nunca se endireitam. corpos curvando-se
moles; debaixo da integridade. adoro

a hipocrisia! a noite; todos à espera do silêncio
pirilampos iluminando outros tempos – tanto
tempo; eternidade mais densa que o ar.
lamentarei; em definitivo a hipocrisia; o por-do-sol
sempre bonito antes da tempestade.

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )