sábado, 25 de janeiro de 2014

Homem de coragem

foto: sicnoticias.sapo.pt

Francisco Goiana da Silva é um visionário. Um teimoso que luta pelo que acredita. E um homem de fé.
Este médico, natural de Santo Tirso e com 24 anos de idade foi o único português que esteve no Fórum Económico Mundial que decorre em Davos, na Suíça, e termina hoje.

Porquê?
Porque tem uma certeza, como se escreve na Revista de hoje: o Sistema Nacional de Saúde (SNS) é uma das histórias de maior sucesso que Portugal construiu em democracia.

Que pena este jovem médico estar tão sozinho!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Lugar à janela

Gosto da iniciativa que a CP lançou.
Gosto mesmo deste lugar à janela.
É que a viagem de comboio é tão bela, tão bela que até nos esquecemos do que se passa à nossa volta, seja dentro da carruagem, seja dentro da nossa cabeça sempre agitada.

Pena é que o dia 31 é já amanhã e há tantas histórias entre Guimarães e o Porto…

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

arqueologia do trauma

sabes? temos pouca fé em
nós mesmos; a riqueza que nos faz mover.
temos de ser iluminados. abrir portões
na paisagem da crise.

(cala a boca, monte de lixo!)

conseguir ver através dos olhos
do inimigo é primordial e a mentalidade
azeda sempre foi comédia de anos, sabes?

há telhados por terra. paredes tombadas; ressequidas
à beira da estrada. não brinques nunca
com quem não conheces; não brinques
sabes que tens pouca fé, pois sabes?

(cala a boca, monte de lixo!)

a imaginação é uma vertigem e o seu atlas
o local onde perdemos tudo; mesmo
a noção precária do desejo, sabes
esqueleto fora do corpo?

ainda queres que me cale?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

"Portugal tem um mundo de gente oprimida"



O cristão… onde é que estão os cristãos. Eu ouvi o Paulo Portas falar das reformas e dos salários, como se o tema fosse este: nós temos de nos lembrar que somos democratas cristãos.
Januário Torgal, i, 14.01.18
foto:dinheirovivo.pt
1. Januário Torgal, que se retirou em outubro passado das funções de bispo das forças armadas portuguesas, muito embora o novo titular ainda não tenha tomado posse (apesar de nomeado há tempos), continua igual a si mesmo: frontal – talvez polémico –, serenamente pronto a agitar consciências e a por o dedo em muitas feridas. E o seu olhar estende-se com acutilância para o que o rodeia; seja em que dimensão for.
Na entrevista a Rosa Ramos, publicada no jornal i (14.01.18), e olhando para a situação social e política de Portugal, entra a matar: “os cristãos do CDS sentem-se muito envergonhados“.

Vincando que acredita “cada vez mais na liberdade”, o que não significa acreditar “nas deformações da democracia em que vivemos”, o bispo Januário é perentório: “o grande erro deste governo é um erro ético, de incapacidade, de tentativa de salvação de uma situação criada ao longo de vários anos”. Daí que não duvide que “a grande derrota deste governo é que entrou no facilitismo total de arranjar dinheiro. É muito simples: eu tenho uns escravos a quem exigir. Eles pagam! E se não pagam vão pagar lá fora, fogem daqui”.
E pergunte: “como se explica que a dívida pública tenha crescido? Como é que eles, no governo, continuam a insistir na história de Adão e Eva para explicar a origem do mundo?”.

2. Depois de olhar para a realidade politica, e muita embora esta esteja intimamente ligada à social, Januário, deita o seu olhar para a realidade social. É que “cada vez mais, é preciso atravessar a sociedade com um grande sentido de liberdade perante pressões, perante a verdade e a solicitação de fama, dinheiro e de prestígio”. Por isso, sublinha claramente: “ser livre também é conseguir ver-se desprendido em relação ao retrato que nos traçam”.
Já no que concerne aos últimos números do desemprego no nosso país esta sua afirmação diz bem do que lhe vai na alma: “é quase uma infâmia proclamar a alguém que está com cancro, insuflando-lhe uma espécie de esperança, que hoje o cancro se cura. As pessoas querem é que o seu cancro seja curado”.

Hoje Portugal tem um mundo de gente oprimida, abandonada, revoltada. O governo precisa de abrir os olhos”, diz-nos o anterior bispo das forças armadas portuguesas.

3. Ainda na sua análise sobre a realidade politica do nosso país, não deixa de ser curiosa esta pergunta: “porque é que se voltam para o partido socialista e lhe atribuem as culpas?”.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Transformações exemplares

O papa Francisco não para de agitar a sua igreja e o mundo. Depois de prevenir os cónegos de que são poucos os escolhidos, apesar de muitos os chamados (hoje diz-se de forma diferente, não é?), disse ao mundo que aquela ideia europaisticamente centralizadora de que os outros eram o terceiro mundo é uma treta.
A partir de agora vai ser assim. Também na importância representativa no Vaticano. É verdade. “Esta revolução geográfica é patente quer nas escolhas relativas ao colégio cardinalício, quer nas situações evidenciadas diante dos embaixadores de todo o mundo acreditados no vaticano”, como escreve o Avvenire, diário de inspiração católica italiano (14.01.13).

Pessoalmente e não questionando a atitude do papa Francisco (tenho pena, por exemplo, que Manuel Clemente não tenha entrado nas suas preferências), não deixo de considerar como muito interessante as escolhas dos bispos do Haiti ou das Filipinas.

É verdade que aquilo que disse ao corpo diplomático – recusa da cultura descartável ou tráfico ou alinhamento à força – mostra muito das suas intenções, mas convém estarmos todos preparados para grandes agitações.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Olhar da semana

Nem é preciso esperar pelo momento em que a dra. Maria Cavaco Silva morra. Bastará retirar de Fátima o corpo da irmã Lúcia – tal como Amália, é uma mulher, o que a classifica para dormir eternamente no Panteão.
Maria Filomena Mónica, Expresso, 14.01.18

domingo, 19 de janeiro de 2014

Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra

A religião é uma das grandes dimensões mentais e culturais dos seres humanos.
Bento Domigues
O sempre incómodo Bento Domigues, na sua habitual coluna semanal (escreve aos domingos) no jornal Público agita sempre os instalados na igreja a que pertence. Tenham eles a patente – é forte?, parece tantas vezes que há hierarquias da pior espécie militar – que tiverem.
No domingo, dia 12, escreve um excelente texto onde, onde além de mostrar um pequeno percurso da “divinal” relação dos clérigos cristãos com a igreja com sede no Vaticano, põe o dedo em feridas bem atuais. Desde logo, aquela que mais dores causou no catolicismo do sul da Europa, a começar pela arquidiocese bracarense: “o papa perdeu a devoção aos monsenhores. Pobres daqueles que se julgavam na calha!”.

Não há nenhum exagero de Bento Domingues, apenas exceções. Há instalados à volta das dioceses que são piores que os políticos nascidos nas jotas.

Mas, pessoalmente, a afirmação que mais registo do teólogo dominicano é esta: “a sensibilidade cristã dos fiéis não é só de homens. As mulheres são sempre esquecidas”.
Como estou de cordo com este ponto de vista de Bento Domigues. E não é só por sublinhar que o Concilio Vaticano II “alterou profundamente as conceções eclesiológicas que justificam o autoritarismo da hierarquias”, não!, é porque e apesar de o jornal oficial do Vaticano L’ Osservatore Romano ter lançado um suplemento sobre mulheres – Igreja e Mundo – o papa Francisco (e apesar do seu dinâmico mexer nas vontades instaladas) ainda não disse uma palavra sobre o papel das mulheres na igreja. E já se justifica há muito.

E, se não fomos enganados pelos textos canónicos, o Mestre sempre esteve ao lado das mulheres. E estas com ele.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...