terça-feira, 7 de setembro de 2021

o déspota em couros


abancado no seu recôndito aristocrático mira com desdém

quem circunda. olhar ditatorial!

tremendamente assustador. nem sabe

 

que o fim está aí; depois do silêncio das águas

dançando com as pedras sagradas da história.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Jardins da alma


 

Os curtumes, imagem de marca, os surradores que moravam ali quando subiam à cidade toda a gente sabia onde moravam; o cheiro era tal entranhado por causa do tratamento usado; havia por ali muitas pombas para o tratamento dos couros.

António Amaro das Neves, enquanto moderador na conversa O Teatro Jordão e o Bairro C no Centro do Futuro da Cidade 20.11.29

A cidade está a acordar?

É cedo. O sol espreita.

Não tivemos todos avós republicanos? Aqui, pelo menos, na parte baixa da cidade onde os curtumes malcheirosos, o rio pestilento e as casas sobre o curso das águas se fez notar durante tantos e tantos tempos, toda a gente é republicana. Lá em cima, depois do jardim mais central não sei. Talvez nem toda a gente esteja contra o rei.

Não sei, não senhor! Pelo menos junto ao pano da muralha onde se lê: aqui nasceu Portugal, diz o povo que é tudo mais monárquico.

 

O profundo da nossa rua é um dos recantos mais solenes da nossa cidade.

Belas paisagens em redor da cidade?

Sei, apenas, que amo as ruas inclinadas que povoam os fins de tarde da nossa cidade! O silêncio é muito mais belo e seguro; os olhares são mais discretos. Quase evasivos.

Nem mais! E as ruas ficam muito mais sedentas de nós.

 

A porta de casa é um ótimo espaço para o nosso passeio. Já não há cidades que apeteçam?

domingo, 5 de setembro de 2021

cidade morta


a cidade gelou na geometria de edifícios

mortos para a estética da beleza

procura o sonho nos bastidores de silêncios

e favores emocionados; à flor da liberdade

a cidade está silenciosa nos pedaços

 

da úlcera do porvir de um tempo livre

onde a vida inaugura as pedras tombadas

sobre as mazelas douradas que buscam

o saber maldito da modernidade na cidade

edificada em catedrais de ilusão

sábado, 4 de setembro de 2021

Histórias de uma cidade inteira


Nada reforça mais os laços de uma comunidade do que uma causa comum.

Charles Montgomery, Smartcities, julho 2019

 

Cidades que nascem de uma utopia.

De uma utopia? Se calhar! Na verdade já chegaram os pedintes profissionais. Com cartazes e tudo! Acebei de ver um em frente ao templo mais capitalista que conheço na cidade; o que aprendeu com a santa sé arquidiocesana a cobrar entradas. Mesmo que de cariz espiritual.

Já pensaste como a economia agradece?

A Economia a agradecer alguma coisa! Deves estar a brincar com qualquer deus!

Pois…

Como não paro de pensar na sã convivência que devia ser o usufruto do espaço publico!

A cidade e o tempo, não é? A verdade que vacila tantas vezes!

 

São 21H39 e os restaurantes da cidade fazem fila à porta. Acabou a pandemia?

Em Guimarães parece que sim. Pelo menos a julgar pelo número de carros feitos turistas da alameda S. Dâmaso. São artistas de coboiadas e donos do espaço urbano…

Até parece, na verdade!  Será que a polícia lhes tem medo?

 

Percebes por que razão tenho medo dos criadores de deuses que trabalham arduamente para que os seus deuses sejam perfeitos?

Não, não percebo nada de deuses mas tenho o desafio: e se os tipos que se borrifam para as regras de urbanidade fossem para aquele sítio que eu não sei como se diz em mirandês?

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Olhar da semana


  

Os efeitos da crise climática na desigualdade entre países e regiões e entre classes sociais, ou seja no acesso futuro à água ou a outros bens essenciais, seja quanto aos recursos energéticos, começam a ser vistos como a baliza do custo e da forma de vida no nosso século.

Francisco Louçã, Expresso (Economia), 21.08.27

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

As dores violentas que aí vêm II


As paisagens emudecidas contam-nos a história do desmesurado sonho moderno de emancipação moderna, transformando numa arrogante separação entre nós e o resto da natureza, visando a sua submissão aos nossos exclusivos e mesquinhos fins.

Viriato Soromenho Marques, Diário de Notícias, 21.08.28

 

Em qualquer cenário, escreve Mara Tribuna no semanário Expresso (21.08.13), a temperatura global vai aumentar. Até 2040, o planeta vai ultrapassar os 1,5 º relativamente ao período pré-industrial.

Na peça fica claro que é inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a terra.

E pronto lá se foi a sustentabilidade!

 

Ah! Todas as regiões habitadas da Terra já são afetadas pelas alterações climáticas.

E Portugal não escapa.

Por mim, só passo voltar a As dores violentas que aí vêm.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Falta de emoção


 

A questão do automóvel e da mobilidade ´se sem dúvida um aspeto crucial num novo modelo de cidade para o qual queremos caminhar.

Cristina Cavaco, integra o Ubernilab, grupo de investigação em arquitetura, urbanismo e design da Universidade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, Igreja Viva, 20.10.29

 

Escreve José Cunha – Jornal de Guimarães, 21.08.14 – que

as cores com que pinto o ambiente neste verão são:

o vermelho do alerta de perigo para a humanidade;

o preto pelo futuro que se perspetiva;

e o verde esperança esbatido pela pouca fé que tenho nos dirigentes políticos.

 

Caro José Cunha, também tenho o vermelho e o negro como limites para o fim.

Mas, ainda acredito em alguns dirigentes políticos. Daí que o verde – das cores de Guimarães, da esperança e da natureza – ainda seja a minha cor preferida.

Mas, vou aprendendo a não dar nada por adquirido.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...