domingo, 8 de agosto de 2021

Recuperação de Ecossistemas


O Antropoceno é essa época que teria começado a partir do momento em que o ser humano se teria tornado uma força geológica, uma força geomorfológica, uma força capaz de impulsionar os movimentos fundamentais a partir dos quais se desenha o rosto da Terra.

Fréderic Neyrat, filósofo francês, Ípsilon, 18.08.10

 

 

De acordo com a Assembleia Geral das Nações Unidas a degradação dos ecossistemas causou um impacto direto no bem-estar de cerca 3,3 mil milhões de pessoas. A pensar nesta situação aquele órgão da ONU declarou 2021-2030 a Década das Nações Unidas para a Recuperação dos Ecossistemas. É uma iniciativa conjunta entre o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) e a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que pretende acelerar a promoção global da recuperação de ecossistemas degradados. E um contributo importante para as metas do combate à perda de biodiversidade, mitigação e adaptação às alterações climáticas e, por esta via, o assegurar, de forma mais justa e equitativa, o aprovisionamento, a segurança alimentar e a disponibilidade de água.

 

Na nossa região existe uma realidade incontestável e incontornável: a biodiversidade está cada vez com mais saúde. A prova deste facto foi a criação de parques de lazer, em que foi realizada arborização, introduzindo-se novos indivíduos que deram nova vida em diferentes locais da região; a criação das várias pistas de pesca ao longo das margens do rio, onde aliás, se vêm realizando campeonatos internacionais é a consequência do aumento do número de peixes. Mas também têm sido avistadas ao longo destes anos, espécies de animais que regressam ao vale do Ave, com especial destaque para lontras, e para as garças.

Em suma, a região do Ave, onde Guimarães se integra de forma bem simpática, tem, desde a primeira hora, criado condições para que o equilíbrio biológico possa ser uma boa realidade.

sábado, 7 de agosto de 2021

As dores violentas que aí vêm


 

Haverá preocupação mais humana senão aquela que teme pelo fim dos dias, não só de si próprio, mas pela aniquilação da sua comunidade ou espécie, consoante os contextos e o tempo histórico?

Tomás Sopas Bandeira, 7 Margens, 19.09.30

 

 

No desejo – temo que seja apenas um anseio meu – de que possamos, de facto, pensar (e pensar, não, não é fazer de conta que depois da eleição tudo é como sempre foi depois pontos de vista ignorados na eleição) que importa ter na mesinha de cabeceira dos dias violento que nos vão apagar.

Definitivamente:

 

1. Catástrofes naturais; sempre as houve, mas o modo como foi percebido e representado o dilúvio que devastou povoações inteiras, na Alemanha, revela que há hoje uma nova consciência, uma enorme sensibilidade às responsabilidades da ação humana na variação cosmológica em que nos encontramos.

António Guerreiro, Ípsilon, 21.07.23

2. Talvez os sobreviventes da próxima Arca de Noé possam levar para o seu recomeço algumas lições desta colossal tragédia planetária de que somos, tudo parece indicar, os exclusivos responsáveis.

Viriato Soromenho-Marques, Diário de Noticias, 21.07.24

 

Não sei quem vai ser o autor do Génesis II, mas temo que a linguagem lírica – e linda, na verdade! –, dos povos da Mesopotâmia já não seja escutada. Todos os povos nascido no Crescente Fértil, território onde a destruição já não é somente bélica.

É tarde demais!

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Olhar no Ambiente

Todos queremos uma casa confortável, dinheiro, independência e liberdade. O problema é quando isso se transforma em algo insaciável enquanto à volta o planeta se vai esvaindo e as coisas válidas e simples, os pássaros, os insetos, o ambiente, vão colapsando.

Kevin Shields, guitarrista da banda My Bloody Valentine, Ípsilon, 21.07.30

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Má sorte andar na vida

Não estamos no fim do mundo. Mas talvez um ciclo em que todos os elementos valessem o mesmo, em que o Homem não estivesse acima de nenhum deles.

Ana Deus, Ípsilon, 20.04.24

 

a noite está fria; quase gelada. ninguém circunda na rua. as luzes altas

agora são mais brilhantes e, dizem – sem o comprovar (para nos tentar convencer das suas opções menos quentes, mas cheias intenções intensas; politicamente) – mais amigas do ambiente

desenham fantasmas no nevoeiro noturno.

 

ao longe avista-se o movimento de dois vultos. caminham discretos e muito certinhos na minha direção

vamos cruzar-nos

a noite está fria; quase gelada. dois corpos serenos cruzam-se. e o frio morre na solidão da ausência de futuro

 

estou a estranhar o ambiente. não ouço vozes. não vejo ninguém. terei entrado no sítio errado? 

ambiente de absoluta decadência…

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Fim de linha

No plano das responsabilidades políticas assiste-se a uma situação paradoxal: por um lado celebram-se os novos avanços na descarbonização, por outro nada se faz e diz para que se forme uma verdadeira consciência nacional. Que corresponda ao “estado de emergência climática”.

José Gil, Expresso, 20.02.22

 

Uma sondagem revelada ontem, escreve Leonte Botelho no jornal Público (20.06.12), mostra que os cidadãos europeus não querem regressar às cidades entupidas de carros nem aos níveis de pré-pandemia.

Na peça – Europeus não querem cidades entupidas de carros, nem a poluição pré-pandemia – a jornalista salienta que uma grande maioria está disposta a fazer mudanças na mobilidade urbana, como abrir espaço público para formas mais limpas de transporte e carros poluentes de entrar nas cidades.

 

Mas será que, na prática, ou melhor, na ação politica, sentiremos as mudanças que se impõem?

Quem, em Portugal, ainda para mais em ano eleitoral, ‘ousa’ fazer o que o que Miguel Anxo Lores, alcaide de Pontevedra, ali mesmo na Galiza, fez ainda há pouco tempo?

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Olhar da semana


Ninguém se pode arrojar o direito de ter metros e metros quadrados de rua. Se lhe apetecer comprar três carros, quanto espaço ocupam? O espaço público é escasso, e deve ser para as pessoas.

.Miguel Anxo Lors, alcaide de Pontevedra, Público, 21.08.02

domingo, 1 de agosto de 2021

Guimarães ao mais alto nível


Os palavrões afetivos são domínio esplendoroso do linguajar vimaranense. Não é possível entender o abençoado da terra de Guimarães sem acudir ao garrido com que ali se definem sentimentos.

Valter Hugo Mãe, in Contra mim

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...