quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Falta uma lufada de ar fresco; na horta


É muito difícil, senão impossível, explicar a um néscio a importância da cultura, poi ele não tem cultura para perceber a falta dela.
Afonso Cruz, Jornal das Letras, 19.01.30

O mês de dezembro último foi violento, bem sabemos, no que concerne à intensidade da intempérie. Um pouco por todos os recantos da lusa paisagem. Guimarães não foi exceção. Com árvores caídas e tantos outros pequenos acidentes. Na horta pedagógica caíram ou ficaram de raízes ao alto e ao ar; quase caídas, imensas árvores que, nos primeiros dias após a tempestade foram devidamente acondicionadas. Infelizmente, na sua grande maioria, foram abatidas, jazendo mortas pelo chão.

Passado mais de um mês já não há árvores caídas na Horta Pedagógica de Guimarães, mas há enormes quantidades de ramos amontoados em cada pequeno caminho da horta; separadores de canteiros. Muitos deles abstruindo por completo a passagem das pessoas, coisa bem pior quando esse caminhar (ou corrida) se faz à noite ou ao final da tarde. Só um corpo em forma é capaz de atravessar as hortas de fio a pavio.
Então ali no Pomar das Maçãzinhas!
Era importante que a tempestade ou a memória da tempestade fosse arrumada. Até porque, não tarda, as maçãzinhas não resistirão.

Uma pequena nota de alerta: as travessias que ajudam a passagem e embelezam o espaço, bem como muitos separadores de canteiros, estão mortas. Há pedaços minúsculos de madeira por todo o lado. E torna-se perigoso, por exemplo, atravessar a pequena ponte de madeira da primeira horta.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Visão dos pássaros


Politica não são os partidos, é tudo. A gente debaixo desse viaduto é política.
Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

1. Do fim-de-semana chegam-nos sempre momentos diferentes; uns simpaticamente bons e calmantes das dores dos dias, outros nem tanto. Do último fim-de-semana, que foi excelente – com teatro de qualidade em Pevidém onde estive na sexta-feira – (grande mostra senhores do Teatro Coelima com esta mostra internacional de teatro!) a dar-nos a comédia da marmita, uma comédia latina de Plauto, pela mão da Nova Comédia Bracarense) – e dança de cortar a respiração (aquele início de noite no último sábado com o coletivo com origem em Inglaterra Akram Khan Company com outwitting the devil foi fabuloso) lá em cima em Vila Flor.

2. Mas guardo, infelizmente, dois registos com dor. Uma com a pena de Miguel Sousa Tavares (Expresso, 20.02.08): a lição que agora recebemos de Washington é que a democracia deixou de ser aquilo que nos ensinaram desde pequeninos. Uma posição que subscrevo sem receios; muito menos sem pensar nas moedas de ouro do senhor Euclião (que vi no palco em Pevidém).
O outro, com escrita de Paula Santos (Baixos, no Expresso, 20.02.08) Carlos César Presidente do PS
Agitar a bandeira da demissão de um governo perante uma votação já não é uma novidade, mas exibi-la no arranque de uma legislatura, soa a banalização de uma ameaça. O PS governa em minoria, sem acordo parlamentar assinado.

3. Não sou capaz de enquadrar em nenhum dos momentos fabulosos de um fim-de-semana de se lhe tirar o chapéu.
Felizmente que a vida, o nosso caminhar diário, não tem sempre descidas de um qualquer presidente de um partido politico; se não todos os espantos sobre os populismos seriam puras encenações em palcos sujos, mas com muitas luzes brilhantes a tapar a poeira.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Vou excitar a tua imaginação

Foto: Rui Minderico (Lusa)

[O PSD] não se monta nos sapatos do PCP.

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, no debate sobre o Orçamento de Estado 2020, 20.02.06

Voz do infortúnio

foto: Natacha Cardoso (Global Imagens)

Regressos: livro de Carlos Moedas que vai ser apresentado por Passos Coelho tem prefácio de Cavaco Silva e introdução de Durão Barroso.
o Inimigo Público, 20.02.07 *


Nota de rodapé – a voz hipnótica do senhor Passos Coelho levará mesmo ao colo uma voz de medo ao senhor Rui Rio ou Carlos Moedas vai só à rua comparar castanhas quentes?

* no seu jeito brincalhão a mostrar as linhas com que se cose um certo PSD.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

palavras nascidas da raiva




essa gente; gente aberta em carne viva, feridas
profundas de um viver agressivo; essa gente
feita presente de senhores
combinando filosofia barata e raiva

essa gente; feita de beleza subtil
tão profunda – profunda e penetrante – tão humana!
artes do diabo? salto de fé ou atores do diabo?
nada ou infinito;

continuas a adorar chocar as pessoas!

essa gente; gente feita de carne viva

é a minha gente.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

E quando é, quando?

foto de outubro de 2016; e já havia tantas promessas!
Prefiro ser rude e apontar com o dedo a ser acusado de conluio com qualquer dos falecidos filósofos franceses dos últimos anos.
Manuel S. Fonseca, E, 17.12.01


Emídio Guerreiro, o deputado vimaranense na Assembleia da República, voltou à carga – e muito bem – e questionou o governo do senhor Costa sobre o atraso na construção do novo quartel da Guarda Nacional Republicana (GNR) na vila vimaranense de Lordelo.
Há tempo e tempos e o tempo das constantes – e adiadas – promessas para as novas instalações da Guarda em Lordelo; uma história que começa a ter barbas mais compridas que as obras de S. Torcato.
Mas enfim!, há quem considere normal este fazer de conta…
A Guarda e os cidadãos de Lordelo é que não, estou convencido.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Fintar a fatalidade

foto: maisguimarães

Após o planeta, é a sociedade que está em risco de sofrer alterações profundas, irreversíveis.
A. Betâmio de Almeida, Público, 20.01.20

Se há forma de estar na vida pública e mais concretamente na ação política que aprecio é ter sempre a coerência à mão; como prática corrente, como atitude diferenciadora e como afirmação pessoal.
Aquilo que Ângela Oliveira anunciou por estes dias, retirando-se da assembleia municipal de Guimarães por não se identificar com uma direita que não é a sua (saída do último congresso do CDS/PP), é um excelente exemplo de que a coerência é coisa fundamental no dia-a-dia de quem está na vida pública.
Sendo certo que, noutros tempos, já tivemos alguns desfasamentos de pontos de vista, importa-me aqui e agora vincar a atitude de Ângela Oliveira e seu gesto nobre. Chamo a isso dignidade.

Ah! Gosto tanto da sua vontade em não ser uma evangélica política. Muito mais que coerência é sensatez.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...