quarta-feira, 23 de abril de 2014

Comédia de enganos

foto: josesaramago.org

Isto afinal terá sido um grande equívoco. (…) A memória nunca existiu. A guerra nunca existiu. A PIDE nunca existiu. Se descontarmos o facto de não se poder falar de política (e quem é que quer falar de politica?), até nem seria mau. A paisagem era paradisíaca. É verdade que muitos estrangeiros notavam as gentes de pés descalços, a falta de esgotos, a escassez de estradas, a rudez do trato. Mas que é isso comparado com a virgindade de um planalto com vista ou o bucolismo de uma praia sem ninguém, à vista?
Ana Cristina Leonardo, atual, 14.04.18

terça-feira, 22 de abril de 2014

A anarquia é sempre sedutora

Todas as forças políticas existentes na localidade defendem o mesmo para as Taipas: investimento, crescimento, desenvolvimento, qualidade de vida, atratividade.
Manuel Ribeiro, Reflexo, abril 2014

Sublinhe-se (com bold e a amarelo por cima): todas as forças politicas.
Assim a leitura completa do texto de Manuel Ribeiro fica mais simples.

O tempo põe tudo às claras

Tesoura que Passos vai usar para fazer cortes é a mesma que irá utilizar nas inaugurações antes das eleições.
o Inimigo Público, 14.04.18
O tempo, esse senhor que tudo põe na ordem, sabe como oxidar o metal. Mesmo o da tesoura que Pedro, o eleito (não o negador do salvador), vai cortar a fita – queria!, não é senhores do Inimigo? – antes do próximo dia 25 de maio (não o de abril, que é já a seguir e nem todos o querem).

E, como “daqui a 15 dias, o Governo entregará o novo modelo de corte de pensões para substituir a Contribuição Extraordinária de Solidariedade. As pensões em pagamento continuarão a ser cortadas. Mesmo que os caminhos sejam obscuros, os resultados serão claros. As eleições de maio também” (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.04.18)

Ou seja, como também Pedro Santos Guerreiro escreve, “usar software gratuito e tributar batatas fritas é capaz de não ser grande reforma do Estado”. Pois não, mas nem todas as batatas se deixam cortar por uma qualquer tesoura.

Os tempos são iguais

É curioso como a metáfora (ou mito ou fé) em que se baseia a nossa civilização parte da derrota de um homem, perante o poder e o seu próprio povo. Um homem que se diz filho de Deus acaba crucificado. Um par de séculos depois esse homem é o símbolo perante o qual reis se ajoelham, juram e prometem.
Henrique Monteiro, Expresso, 14.04.18

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O desagrado é opção pouco etérea

Não percebo – sinceramente que não percebo! – o desagrado que o estudo encomendado pela câmara de Guimarães, sobre as festas nicolinas, causou ao PSD.
E nem sequer é por ter ouvido da boca de Domingos Bragança, na Plataformas das Artes, que a câmara a que preside tudo fará para inscrever as festas dos estudantes de Guimarães no Inventário Nacional de Património Imaterial; é mesmo porque não sou capaz de encontrar conteúdo nas palavras do líder laranja vimaranense: “aquele não era o momento nem o modo adequado para se fazer a divulgação das possíveis dificuldades”.
Não? Ouvi com muita a atenção a intervenção de André Lima na Plataforma das Artes no dia da apresentação do estudo e não lhe ouvi nem uma palavra nesse sentido. Terá havido alguém que ouviu?

Mundo estranho II

O culto das guerrilhas económicas e financeiras nunca poderá ser fonte de paz.
Bento Domingues, in Um mundo que falta nascer
1. Pedro Santos Guerreiro escreve um texto fabuloso no semanário Expresso (14.04.12) que, sejamos justos, só quem não quer entender é que continua a pensar que há seriedade na ajuda a Portugal.
Querem ver? “Gente, isto não é normal. Portugal com taxas de juro das mais baixas de sempre? A Grécia financiando-se em mercado apesar de uma dívida pública de 170% do PIB? O BCE a preparar uma injeção de moeda como se não houvesse amanhã? Mas que raio se está a passar na Europa?
É muito, muito, mas mesmo muito estranho! Algo impensável há uns tempinhos atrás. Mas isso, para quem gosta de andar sempre com certas cruzes vaidosas na mão, não nos deve espantar; pelo menos se tiverem lacinhos laranjas, azuis ou amarelos.

2. Acompanhando regularmente como acompanho o que Bento Domingues escreve não acredito que este sacerdote dominicano estivesse a pensar nisso quando escreveu: “o que importa é deslocar os olhos das pessoas para o mundo dos pobres, excluídos e marginalizados, denunciando as opções económicas e financeiras que aprofundam o abismo entre os pobres e a dominação de interesses incontrolados, a nível local e global”. (in Um mundo que falta nascer)

3. Nestes dias carregados de memórias sobre o Crucificado de Nazaré, observamos que a austeridade imposta aos sofredores de hoje encontra as mesmas causas de sempre: aqueles que para não abdicarem dos seus poderes e privilégio não hesitam em sacrificar no altar dos seus interesses os mais pobres e vulneráveis. (Manuel Carvalho da Silva, Jornal de Noticias, 14.04.19)

4. E ainda há quem estapafúrdia e parvamente faça questão de exibir em campanhas que só alguns percebem o alcance as refeições servidas aos pobrezinhos…

Mundo estranho

Maioria de direita na câmara de Braga ergue estátua ao socialista Salgado Zenha.
Título do Público, 14.04.18

Curioso!
E o PS na câmara de Braga ergueu estátua ao cónego Melo…

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )