sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Deixemo-nos de escritas negras

Destruídos os vínculos sociais, a confiança de que os direitos e contratos serão respeitados, comprometida a convicção de que o poder político faz escolhas para defender a comunidade, como podem os cidadãos reduzidos a mercadorias revoltar-se?
Sandra Monteiro, le Monde diplomatique, junho 2015

Ainda haverá quem acredite no governo de Pedro e Paulo – aquele buldózer destruidor e à beira do fim?
E naquela estapafúrdia “histeria cega” – como lhe chama a Ordem dos médicos – que diz que o atual governo, e mais concretamente o ministério de Paulo Mendo, vai dar (não disse quando, pois não?) “incentivos” aos médicos de família “que aceitem ficar com mais doentes”.
Outubro é o início do fim ou o fim do sonho de viver em Portugal?

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Consciência incómoda

A noite vela-se
como quem ama por dentro
Marta Duque Vaz, in Aclive
foto: assembleia de guimarães
Os “colóquios para a cidade” foram, na sua primeira edição, um murro no estômago (cada vez mais crescido, crescido, caramba!) da indiferença com que, por terras vimaranenses, se faz de conta que se discutem as agruras dos dias ou os caminhos do futuro.
Sem, eu sei muito bem que lá em baixo na Gil Vicente a ASMAV vem fazendo um excelente trabalho de reflexão sobre o que mata os dias e como se trilham os caminhos do futuro, mas os “colóquios para a cidade” não ficam atrás nesta reflexão. E têm uma diferença – principalmente na ação – nascem de vários lados da sociedade vimaranense.
Ah! A segunda edição destes colóquios vai trazer para a discussão “regiões e desenvolvimento regional”.
É bom! E, por mais que alguns agarrados a feudos, digam o contrário, fundamental num país centralista.

Crise?

foto: observador.pt
Há portugueses que pagam 45 mil euros para matar leões.
Titulo, Expresso, 15.08.08

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Grandeza de alma

A luz a dilatar-se movia tempestades
com os paredões de esperança aromáticas, os ventos
Carlos Poças falcão, in Bumerangue 1

foto: gcm chaa

Escreve o Diário do Minho (15.08.07) que “escuteiros levam sorrisos e alegria aos doentes internados no hospital” de Guimarães.
Gostei.
Por várias razões.
Pelos doentes, obviamente!
Pela curiosa coincidência de duas amigas desde os tempos mais antigos da infância e adolescência – irmãs; reparemos no apelido – estarem juntas nesta excelente iniciativa; uma de cada lado: escuteiros e saúde. Muito bem Augusta e Conceição.
Só podíamos ser conterrâneos.

Esperança perdida

A descoberta da verdade é uma história sem fim.
José Gameiro, E, 15.07.11
foto: publico.pt
Afinal qual é o desemprego em Portugal? E que números são os verdadeiros?
Confesso que gostaria de saber. Estaria, de certeza, em melhores condições para perceber melhor o que a demagogia barata de que se faz a politica em Portugal. Como não sei, vou registando opiniões a ver se entendo alguma coisita.
Como esta: “o caso dos números do desemprego revela mais do que uma utilização chocante da desgraça e um ataque desmemoriado ao INE, que lhe resiste com fleuma institucional. Ele antecipa a pobreza da agressividade eleitoral que se segue. Para ganhar, o PSD não está disposto a tudo está disposto a nada. (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.08.08.
E esta: “António Costa O PS foi notícia, esta semana, por duas (más) razões – Tem razão Carlos Silva, da UGT: “se o PS acha que os números estão mascarados assuma o compromisso de alterar as regras”, escreve Cristina Figueiredo, que baixa Costa no Expresso (15.08.08)
Terei percebido um pouquito do que se faz certa forma de fazer que se esclarece os portugueses. Mas confesso-me desiludido. Há políticos – infelizmente são cada vez mais – que são uma valente treta.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Futuro assombrado pelo futuro

O lado mais gasto da folha
o luxo da terra.
Emanuel Botelho, in Bumerangue 1
foto: mazezito.com
Num destes dias, procurando um outro documento sobre o futuro de Guimarães, encontrei um (quase perfeito) para os dias que correm: “A pista de cicloturismo Guimarães-Fafe: uma oportunidade perdida para a criação de um corredor verde?”.
É um trabalho de João Sarmento e Sara Mourão, da Universidade do Minho.
Podendo parecer estar mais ou menos balizado no tempo (o trabalho de campo aconteceu em janeiro de 2001), falar em atualidade do texto que deveria que deveria ficar algures pela ciclovia que ocupa o espaço da antiga linha férrea que levava o comboio de Guimarães até Fafe.
Mas ainda é atual – será cada vez mais, de certeza! – a importância dos corredores verdes.
Ah! Naquele trabalho pode ler-se que havia “despejo de efluentes domésticos, dando origem a um canal de esgoto a céu aberto, prolongando-se ao longo de uma distância de 500m, em Belos Ares”. E “a presença de um depósito de entulhos claramente visível da pista”. E lixo doméstico, de forma esporádica, ali por Belos Ares e Paçô Vieira.
Os dias passaram; o tempo também. E o lixo e a descarga de efluentes terá melhorado. Mas (era) é uma realidade que diz muito de certas sensibilidades ou forma de estar em sociedade.
O corredor verde é que vai ganhando forma. Há imenso trabalho pela frente, com toda a certeza, mas se pensarmos que “a ideia de corredor verde remonta ao princípio do século XVIII”, ainda se está com um atraso considerável.
Ali já se fala da ligação da ciclovia ao parque da cidade, o que permitiria “a continuidade entre a pista até praticamente ao centro da cidade e mesmo até ao início do teleférico”.
É sempre bom recordar um passado com preocupações para um futuro melhor.

É preciso agarrar o essencial

O pensamento pode ter elevação sem ter elegância, e, na proporção em que não tiver elegância, perderá ação sobre os outros.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Escreve António Guerreiro na sua habitual crónica do Ípsilon (15.08.07) que «sempre que o Presidente da República se dirige à Nação e faz apelos aos “agentes políticos”, ecoa nessa nomeação burocrática a mais despudorada ideologia da antipolítica».
É uma afirmação basilar; melhor, uma verdade – por que raio?! – nos passa (demasiadas vezes) ao lado.
Porquê?
Ora, ora! Reparemos na observação de António Guerreiro:
«Como é óbvio, ninguém consegue imaginar que um governo de “agentes políticos” seja baseado num projeto de sociedade ou numa ideia de alternativa de Estado».

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )